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Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Sab Jun 09, 2012 7:58 pm

Capitulo 33 – Propósito
Samantha ouviu o ruído que poderia se passar por uma simples folha caindo no chão.
-Já ouviu falar de uma coisa chamada porta? – perguntou sem se dar o trabalho de se virar.
Recebeu a risada baixa de sinos de Troy como resposta:
-Bater na porta de uma dama tão cedo não é coisa que se faça, seria falta de cavalheirismo.
Samantha revirou os olhos, largando a escova que penteava os cabelos em cima da penteadeira e pegando uma fita de cetim azul claro:
-Won, claro, e entrar pela janela não é considerado falta de cavalheirismo?
-Seria se você fosse uma humana.
-E qual a diferença exatamente?
-Os outros não sabem que você é vampira, e nos julgariam se me vissem batendo na porta do seu quarto essa hora.
-Como coisa que não vão fofocar igualmente quando acordarem e verem que já saímos. Deixe de desculpas Troy, a única diferença é que pular uma janela é mais divertido.
-Está bem, está bem, você me pegou. – Admitiu ainda rindo. – Vim ver se você também vai querer “café da manhã” antes de irmos.
-Hum... Acho que ainda estou satisfeita, “jantei” bem ontem.
-Percebi pela demora.
Samantha deu de ombros enquanto prendia os cabelos com a fita e formava um laço.
-O sangue dele era mais doce do que o dos outros. Talvez por ser mais jovem. Não havia tanto álcool.
-Provavelmente. Mas já que você já esta satisfeita eu vou ir me alimentar e te encontro na campina ao norte daqui, não vou demorar uns quinze minutos e apareço por lá.
-Ok, depois iremos partir de lá mesmo?
-Acho que sim, será melhor, três dias aqui já foi cansativo.
-Está bem.
Troy assentiu e pulou novamente pela janela.
O sol do lado de fora começava a aparecer, havia se passado mais de um mês que Samantha deixará Mystic Falls.
Seu treinamento já avançara bastante. Já sabia administrar sua força e controlar sua agilidade. Troy estava satisfeito com tanto avanço em tão pouco tempo.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Logo que Samantha chegou à grande clareira Troy apareceu.
Agora seu objetivo era ensinar Samantha a defender sua própria mente, até mesmo sem verbena.
Ela havia passado os últimos dias sem tomar verbena, o que na verdade era um alivio, por mais que não ardesse mais tanto quando era no começo, ainda queimava sua garganta.
-Vai lá Samantha, você consegue, é só se concentrar.
A vampira grunhiu:
-Fácil falar.
-Deixe seus pensamentos direcionados a apenas uma coisa, e use isso como uma barreira.
-Não adianta fazermos isso, você não poderia me hipnotizar, e quando eu precisar defender realmente minha mente não será o mesmo que me defender de você.
-Mas já será um grande avanço se você me impedir de te fazer ter visões. Agora vamos de novo. Pronta?
Samantha se concentrou nós olhos de Troy.
A íris negra como a noite. O azul límpido como o oceano. A perfeita mistura de azul e cristal transparente, que ilusionavam o brilho de mil facetas de diamante.
Sentiu uma pontada brusca no ponto de sua mente que Troy tentava invadir.
Tentou fixar sua mente no brilho de cristais dos olhos de Troy, mas as pontadas a incomodava.
Cerrou os dentes com o esforço que fazia, mas falhou.
Assim que perdeu sua linha de concentração sua mente foi invadida por água. Água, água, água por todos os lados, ela não conseguia respirar, ela não conseguia chegar à superfície, seus braços batiam em desespero sem sucesso.
E lá estava ela de volta a clareira.
Sua respiração estava ofegante. Suas mãos tremiam.
-Desculpe, mas tive que pegar pesado. Assim você se empenha mais.
A garota bufou, se adaptando novamente a realidade.
-Tente novamente.
Samantha fechou os olhos.
“Não deixe ele entrar, não deixe ele entrar, não deixe ele entrar”, as pontadas continuavam, mas Samantha as ignorou.
“Não deixe ele entrar, não deixe ele entrar, NÃO DEIXE ELE ENTRAR”.
As pontadas pararam, a vampira abriu os olhos, Troy se dobrara levando as mãos a cabeça:
-Caramba, acho que agora você conseguiu, mas poxa, não precisava ter pego tão pesado.
-Desculpe, não foi intencional.
-Tudo bem, tudo bem, é melhor praticarmos mais um pouco.
Agora que Samantha já sabia melhor como funcionava não foi difícil impedi-lo. Ela o bloqueava com facilidade. Uma vez após outra.
Troy ia para mais uma tentativa de invadir a mente de Samantha, quando percebeu que algo mudara.
Os olhos da garota ficaram sem foco suas mãos tremia, sua pele ficou branca como cera.
-Samantha? – Chamou se aproximando.
A boca da vampira tremeu, seus olhos ganharam vida, suas mãos voaram para sua cabeça, e com um grito de horror caiu de joelhos, ainda segurando a cabeça.
-O que houve? – Troy pediu se ajoelhando a sua frente.
-Da... Da... Damon, Stefan...meu pai...alguma coisa...alguma coisa está acontecendo Troy – um grunhido de dor lhe impediu de prosseguir.
-Mas... Mas... Como?
-É como o sonho... O sonho que tive com Katherine antes de ela me atacar... Só que lá não doía, mas é tão real quanto foi o sonho. Minha Cabeça Troy... Minha cabeça... Vai explodir. – falou entre dentes, tentando se impedir de gritar.
-Seus poderes Samantha, sua parte bruxa ainda está de alguma forma livre para te fazer ter visões, quando você me contou de Katherine achei normal, pois seus poderes já estavam na hora de começarem a despertar, mas agora... Olhe para mim Samantha – colocou sua mão sobre o queixo da garota levantando seu rosto – o que esta acontecendo? O que você vê?
-Eles sentem dor... – disse entre os dentes cerrados - Está vermelho... Tem sangue... Eles estão sofrendo Troy eu preciso ajudá-los. Eu preciso ajudá-los.
Os olhos da garota brilhavam com uma umidade desconfortável. A mão quente de Troy segurando seu rosto era a única coisa que a mantinha lúcida.
Samantha se pôs de pé de um salto e começou a correr floresta adentro.
-Espere você não pode.
Samantha não o ouviu.
Troy bufou, pegou a mochila com as coisas dos dois e disparou atrás dela.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Samantha não parou para descansar. Mesmo com sua velocidade vampírica os dois demoraram dias para chegar até a barreira de Mystic Falls. Chegando lá a garota hesitou por um momento, para em seguida tentar entrar. Ela passou. Nenhuma barreira a impediu. A barreira havia sumido.
Olhou para Troy confusa.
Troy lhe devolveu outro olhar confuso.
Samantha fez menção de continuar, mas Troy a parou.
-Espere – remexeu em sua mochila até achar uma capa preta com capuz – acho melhor vestir isso.
Samantha assentiu e pegou a capa.
Estava de noite, mas isso não era o suficiente para escondê-la de olhares curiosos.
Uma sensação estranha a inundou quando chegaram à mansão Salvatore, nostalgia, e uma avalanche de saudades.
A casa estava um breu, nenhuma luz, nenhum movimento.
A vampira se aproximou temerosa, mas não ouviu nenhum ruído, aquilo só serviu para aumentar sua preocupação.
-Não há ninguém ali dentro, mas pode ser que eles tenham viajado – comentou Troy temeroso.
Samantha deu uma última olhada em volta da casa antes de chegar a Troy dizendo:
-Melhor procurarmos alguém quem saiba o que aconteceu. Vamos até a casa dos Forbes, Acredito que Edmundo seja o único que não queira me ver morta.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
POV Samantha
Paremos do lado da casa dos Forbes. Possui um modelo antigo assim como a mansão dos Salvatore, mas não chegava nem perto de ser tão grande. Tirei a capa a dobrando e entregando- a para Troy. Ele a guardou.
Olhei para cima em direção a janela que sabia ser o quarto de Edmundo.
As luzes da casa estavam todas apagadas.
Respirei fundo. Abaixei-me pegando uma pedrinha no chão. Fiquei a rodando nos dedos, nervosa. Eu deveria fazer aquilo? Deveria aparecer mais uma vez na frente de Edmundo? Isso poderia magoá-lo mais do que eu já o havia magoado. Mas eu precisava de respostas. Respostas que só ele poderia me dar.
Olhei para Troy ele parecia rir de algo que eu ignorava.
Fiz uma careta para ele.
Como resposta me mandou ficar em silêncio e escutar.
Revirei os olhos, mas obedeci.
Prendi uma mecha de cabelo solta atrás da orelha e escutei.
Por quê? Por que é que eu fui fazer aquilo?
Senti meu rosto esquentar, e tiraria proveito de estar escuro, é claro, se não fosse o fato de Troy ser vampiro e enxergar tão bem de noite quanto de dia. Eu senti minhas bochechas ficarem rosa, vermelha, escarlate, roxa, e sabe se lá que cor.
Edmundo dizia meu nome dormindo. Sim, meu nome, e como se isso não fosse o bastante Troy não iria deixar esse fato passar despercebido.
Sem pensar peguei a pedra que tinha na mão e joguei-a em Troy.
Ele desviou sem dificuldade.
-Acho que isso é um sinal – murmurou ele em resposta. – Você ainda tem algo a resolver com ele.
Franzi a testa, não era possível que Edmundo acreditava ainda haver uma chance para existir um “nós dois”.
-Vai – Troy continuou indicando a janela com o queixo.
Suspirei mais uma vez, peguei outra pedra e atirei-a na vidraça.
Esperemos em silêncio, mas nada.
Tentei novamente, e nada de novo.
Bufei.
Dei um salto, segurei no parapeito da janela, e bati de leve no vidro com medo de quebrá-lo.
Esperei, esperei... E adivinha?!...Nada outra vez.
-Edmundo.
Nenhuma resposta.
-Pelo visto o sonho está bom. – Troy murmurou baixinho lá de baixo, ainda rindo.
O fuzilei com os olhos. Bati novamente na vidraça. Exagerei. Senti o vidro de rachando em meu punho.
Ops. Edmundo precisaria de uma vidraça nova.
Como resposta, ouvi um reboliço dentro do quarto, e um baque abafado.
-Edmundo, sou eu, Samantha.
Passos rápidos, e a cortina sendo escancarada.
Assim que me viu os olhos de Edmundo se arregalaram, sua boca virando um perfeito “O”.
Deu alguns passos para trás, antes de abrir a janela desesperado.
-Samantha. – Finalmente falou surpreso.
Tentei sorrir, mas meus lábios não obedeceram, acho que eles não se lembravam de como fazer isso.
-Oi Ed. – Foi tudo o que consegui dizer.
-O...o...o que você está fazendo aqui?
-Preciso conversar com você.
Ele assentiu e seus olhos se desviaram para Troy lá embaixo. Troy como resposta acenou, mas Edmundo apenas estreitou os olhos para ele. Pelo visto os dois não seriam grandes amigos, ao menos se dependesse de Edmundo não.
-Entre Samantha. – Deu ênfase ao meu nome deixando bem claro que somente eu estava sendo convidada.
-É... Ed... Quem sabe seja melhor conversarmos aqui fora.
-Aqui será melhor, confio em você, mas não tenho motivos para confiar no outro.
-Ed ele não vai...
-Entre Samantha.
Suspirei. Lancei um último olhar para Troy o advertindo para não me abandonar justamente naquela hora.
Ele simplesmente acenou com a mão e se afastou.
-Traidor. – Murmurei Edmundo que estava ao meu lado não ouviu, mas sabia que Troy havia escutado, pois ouvi o tilintar de sinos como resposta.
Suspirei uma ultima vez e pulei para dentro do quarto.
-Não pensei que nos veríamos novamente.
Só então percebi que Edmundo estava sem camisa, vestindo apenas uma calça larga. Seus cabelos loiros escuro estavam desgrenhados, apontando para tudo quanto é lado.
-É...é...é – gaguejei – também não imaginava.
-Não irei dizer que não gostei da surpresa.
Por que é que ele estava tão perto de mim?
-Ed...eu vim aqui por um motivo. - Disse, me afastando.
-Posso imaginar qual seja.
Assenti, mordendo o lábio inferior:
-E então... O que foi que aconteceu? – perguntei, minha voz saiu falhada.
-As noticias não são boas Samy. – Edmundo demorou para responder, mas quando respondeu sua voz saiu preocupada.
-Me diga mesmo assim. – Falei aflita – Eu vim aqui para saber, sejam as noticias boas ou ruins, a ignorância não tornara nada melhor.
Dessa vez foi Edmundo a suspirar:
-Acho melhor se sentar. – Disse indicando a cama.
-Estou bem assim. – Disse abanando a cabeça.
Edmundo assentiu e continuou de pé em minha frente:
- Johnathan fez algumas invenções úteis, ajudou a todos nós na caça aos vampiros, a parte da captura ocorreu tudo bem, até chegar a hora de capturarmos Katherine. Seu pai deu verbena a seu irmão, Stefan, pois sabia que esse era o meio mais fácil de atingi-la...
-Espere, Stefan sabia que Katherine era vampira?
-Sim, tanto Stefan quanto Damon sabia, mas não ligavam – ofeguei surpresa com a descoberta, Edmundo parecia relutante em continuar então fiz sinal para que prosseguisse – Assim que Katharine bebeu da verbena do sangue de Stefan seu pai estava preparado, nós a levamos, mas seus irmãos não aceitavam, eles queriam vê-la livre, então, quando ela estava pressa sendo levada a igreja, onde havíamos combinados de colocar todos os vampiros para depois tacar fogo, os dois tentaram soltá-la... - Edmundo ficou branco e parou de falar.
-Continue. – Pedi com a voz fraca.
-Samantha...
-Continue.
-Seu pai recebeu aquilo como uma traição vinda dos próprios filhos... Ele não suportou... E atirou neles.
Foi como um balde de água gelada. Senti-me diminuir, minha mente primeiramente ficou branca, para depois caracterizar-se de vermelho.
Minhas pernas bambearam, fazendo com que eu caísse sentada na cama de Emundo.
Eu estava paralisada. Tanto por dentro quanto por fora.
Vi somente deslumbres borrados de Edmundo, ajoelhado a minha frente, supus que ele estivesse segurando minha mão e falasse alguma coisa, mas não podia ter certeza, estava tudo confuso:
-Cadê? – foi tudo o que consegui dizer, minha pergunta saiu sem sentido até para mim mesma – Co...Co...Como? – pestanejei tentando me sintonizar com a realidade – Damon... Stefan... Onde Edmundo? Onde meu pai os acertou? Como eles estão? Onde eles estão? Onde está meu pai?
Edmundo me encarava mais pálido do que nunca, podia sentir sua mão começar a gelar:
-Fale Edmundo. Fale. Eu vim aqui para saber e quero saber, me diga o que aconteceu. Por favor.
-Seus irmãos eles... Eles... Agora são como você Samantha... Quero dizer... Não exatamente como você... Mas são vampiros.
Aquilo me pegou desprevenida.
Minha boca se escancarou sem que eu conseguisse controlar, em seguida minha testa se vincou confusa:
-Eles... Mas Katherine... Katherine... O que houve com ela?
-Ela está morta.
-Mas meus irmãos escolheram ser isso? Eles escolheram completar a transformação?- perguntava-me para mim mesma em voz alta, Edmundo parecia não entender o que eu dizia, subitamente a realidade me dominou, a mansão vazia, meu pai sem se importar em matar meus próprios irmãos e... – Meu pai... Meu pai... Edmundo onde está meu pai?
-Samantha...
-Desembucha Edmundo.
-Não sei dizer qual dos dois fez aquilo, seu pai foi achado com o sangue todo drenado... E varias outras pessoas da cidade também... Seus irmãos no começo não se importaram de se expor.
-Não pode ser... Não pode ser... Não pode ser... Meu pai...- me levantei e comecei a andar de um lado para o outro – Como Edmundo? Por que motivo Katherine os transformaria? Por que eles escolheriam completar a transformação? Onde eles estão agora?
-Ninguém sabe, sumiram.
Fiquei em silencio encarando o nada.
-Katherine... – a raiva fervilhava dentro de mim – Ela ainda não havia se vingado o suficiente? – cerrei os dentes.
-Samantha eu... Eu sinto muito.
Olhei para Edmundo. Eu precisava me controlar antes que ele tivesse um treco. Precisava me controlar até eu sair de perto dele, precisava me controlar, ao menos por enquanto. Ele podia saber lidar com negócios, mas certamente que não com uma vampira histérica.
Segurei tudo. As lágrimas. A vontade de gritar. A vontade de despedaçar cada osso de Katherine até transforma-los em pó. Segurei a sede. Segurei a dor.
-Obrigado por me contar Ed. – Falei firme.
Eu estava prestes a explodir, precisava sair de perto dele o mais rápido possível, e agora eu tinha algo a fazer.
-Uma ultima pergunta, Katherine está mesmo morta?
-Não seria possível ela sobreviver, a igreja foi tomada em chamas com ela e todos os outros dentro.
Não sei dizer o motivo, mas aquilo não parecia real, não parecia fazer sentido.
Guardei minhas dúvidas para mim mesma.
Edmundo vendo que eu me silenciara, pensativa, se aproximou de mim:
-Como você está?
Minha boca se abriu repetidas vezes sem emitir som algum, quando finalmente consegui falar minha voz estava absurdamente embargada:
-Chega a um ponto... Que você nem mesmo quer se fazer essa pergunta, pois sabe que a resposta não ajudara em nada, ela simplesmente lhe trará lembranças desagradáveis.
Edmundo assentiu olhando para o chão. Suas mãos tremiam. Sua pele ganhava uma cor mais clara do que o normal.
Senti minha testa se vincando ao observá-lo:
-Está tudo bem? – perguntei confusa.
Seu rosto se transformou em uma careta de angustia, o que serviu para aumentar gradativamente minha confusão:
-Ed?
-Você não vai mais voltar não é mesmo? Desta vez não haverá chances para que eu a veja novamente.
E mais uma vez a fala me abandonou. Dessa vez precisei me esforçar mais para saber o que dizer:
-Ed... Eu não sou mais como você... Eu não sou mais humana. Sei que ainda aparento ser a mesma, mas eu mudei. Eu não sei até que ponto conseguirei me controlar. Troy tem me ajudado, ajudado muito, mas eu nunca terei um controle inquebrável, eu não posso mais viver por muito tempo em um mesmo lugar, eu não envelheço, eu serei sempre a mesma, por meses, anos, décadas, e até quem sabe séculos, não irei mais mudar Ed. Sinto muito, mas sim, essa será a ultima vez que nos veremos.
-Este é o problema? Você não poder viver como humana? Então me transforme, não me importarei. Deixe-me ir com você.
Ok, isto não estava em meus planos.
Vai lá Samantha respira, pensa, não o magoe, mas não pegue leve demais.
Respira... Respira... Respira... E vai:
-Não faria isso nem com você nem com ninguém. E não seja tolo a ponto de fazer um pedido desses, se eu tivesse uma escolha tenha certeza que seria bem o reverso de ser isso, preferiria sem duvidas a morte, e por este motivo não desejo isso a ninguém, muito menos a você. Este pedido está fora de cogitação, desista.
-Então pedirei para o outro lá. – fez um gesto em direção a janela – Pedirei que ele me transforme.
Meus olhos se estreitaram automaticamente. Edmundo deu um passo atrás.
-Agora basta. Represento mais perigo para você do que eu mesma imaginava.
Dei as costas a ele indo em direção a janela:
-Preciso ir, tenho dois irmãos perdidos pelo mundo que eu preciso encontrar. Não faça nada de irracional Ed, construa uma vida, seja feliz, você poderá construir uma bela família. Será sortuda a mulher que ter seu amor.
-Essa mulher é você.
Senti um murro no estomago. E estaquei no lugar. Eu queria chorar. Por que ele não entendia?
E boca. Sempre dizendo as coisas erradas, nas horas erradas e para as pessoas erradas.
Virei-me para encará-lo de longe para não correr riscos desnecessários.
-Edmundo Forbes, escute bem o que vou dizer – que coisa de criança Samantha apontar o dedo desta forma Argh – Sabe quantos vampiros perdidos pelo mundo fariam de tudo para ter sua vida? Não a desperdice, não sou algo que valha a pena.
-Você nunca ira realmente acreditar que lhe amo não é mesmo? Pois eu te amo Samantha, e mesmo que eu venha a me casar algum dia e ter filhos tenha certeza que a cada instante estarei pensando que gostaria que fosse você ao meu lado.
-Não seja tolo...
-Espere me deixe terminar. Mas com o andar das coisas toda e qualquer esperança que me restava de lhe ter se esvaiu então lhe peço somente uma coisa...
Won não, não e não. Troy apareça, por favor, me ajude.
Tarde demais.
Edmundo já estava a minha frente, sua mão segurado a minha de maneira delicada, uma maneira humana de carinho que há muito tempo não sentia, um tipo de toque que eu sentia falta, mas que agora vinha de forma errada. Da pessoa errada.
-Ed, por favor...
-Psiu – seu indicador da mão direita se pousou em meus lábios – sei que já fiz isso uma vez, mas acho que não conta pois foi um ato involuntário em que mesmo sendo de meu desejo tenho certeza que não faria se não estivesse compelido , mas agora eu preciso... É tudo que eu lhe peço... Alguns segundos para que eu possa sentir como se você fosse minha... Alguns segundos para que eu possa prosseguir com minha vida sem você... Não sou tão forte como você Samantha, nunca serei, e duvido que alguém seja por isso me conceda ao menos esse pedido.
-Ed, não acho...
Suas mãos deslizaram sobre minha cintura me puxando para frente. Meu corpo ficou preso contra ao dele e seus lábios já estavam nos meus, mais macios e quentes do que eu me lembrava.
Tentei afastar as correntes de pensamentos, afinal não me custava nada, Ed sempre seria meu amigo e nada mais do que isso, mas se esse era o ultimo pedido dele a mim era melhor não lhe negar.
Entreguei-me. Minha língua dançando juntamente com a dele, primeiramente suave e depois mais intensamente. Mas eu não queria. Eu não queria isso.
Uma de suas mãos ainda me puxava para mais perto dele, se é que isso ainda era possível, enquanto a outra se ocupava em se emaranhar em meus cabelos. Minhas mãos pendiam ao lado de meu corpo imóveis, aquilo era o máximo que eu poderia exigir de mim mesma, tanto na forma de autocontrole quanto na forma emocional.
Sentia o corpo dele tão junto ao meu que eu em mesma estava com dificuldades para divisar qual que era de qual.
Mas por quê? Porque a corrente elétrica que sentia com o simples toque de Greg nem mesmo dessa forma aparecia com Ed?
Senti os dedos ágeis de Ed soltando as fitas que prendiam meu vestido, tentei me afastar, mas ele era insistente.
Puxei os braços dele para baixo, os segurando firmemente.
Edmundo grunhiu.
E então me senti caindo. A queda foi rápida e macia.
Wonn agora e demais.
Senti meu rosto corar
Edmundo não parecia se importar.
Seu corpo me prendia contra a cama, seus dedos ainda buscando soltar meu vestido enquanto sua boca deslizava por meu pescoço.
Coloquei minhas mãos sobre seu peitoral o afastando:
-Chega, Edmundo. Pare.
É claro que ele me ignorou.
-Edmundo.
Hey onde ele pensa que está indo com essa boca?
Rolei para o lado e antes que ele tivesse tempo de me impedir eu já estava empoleirada na janela:
Edmundo me encarava, não consegui decifrar muito bem sua expressão, mas podia jurar que seu rosto estava agoniado. Sua respiração estava ofegante, seus batimentos estavam acelerados:
-Me leve com você. – Pediu-me suplicante.
Antes que eu tivesse tempo de responder ouvi um barulho. Passos. Havíamos acordado alguém.
-Tenho que ir, seu pai está prestes a adentrar aqui. Sinto muito, muito mesmo Ed, por tudo que fiz você passar. Adeus.
Dizendo isso pulei, no exato momento em que a porta do quarto se abriu.
Pousei no chão sem fazer ruído algum. Sem esperar disparei seguindo o rastro de Troy.
Ainda podia ouvir as vozes vindas de dentro da casa:
-Edmundo? O que está acontecendo?
-Nada pai, pensei ter ouvido um barulho e me levantei para ver.
Um momento de silencio.
-O que aconteceu com a vidraça?
Epa.
-Derrubei o abajur sem querer e acertei o vidro. – Edmundo respondeu rápido.
Desta vez o silencio foi maior. Só quebrado pelo Sr. Forbes dizendo algo que eu não esperava:
-Está na hora de esquecê-la, filho. Samantha não ira voltar. E mesmo que voltasse... Ela não é mais uma de nós...
Pelo visto Edmundo não havia tido tempo de recompor sua expressão o suficiente para enganar o pai totalmente.
-Dizer fácil, o difícil é conseguir. – Ouvi o resmungo de Edmundo como resposta, aquilo só serviu para fazer a faca em meu estomago revirar e se aprofundar... Mais ainda.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Troy não estava longe, não demorei para encontra-lo sentado na raiz de uma arvore grande em uma subida íngreme.
Ele se virou para me encarar quando me aproximei.
Seu sorriso e covinhas nunca deixava seu rosto, e por mais que eu não estivesse nos meus melhores dias para sorrir, eu gostava do sorriso dele, gostava que ele estivesse sorrindo, e mais ainda de saber que eu poderia contar com ele. Gostava de saber que eu tinha um amigo, um amigo como ele.
Sentei-me ao lado dele, os dois em silencio, minhas mãos estavam fechadas em punhos.
-Meu pai está morto. – Deixei as palavras saírem me cortando. Doía. Muito.
Ele não pareceu surpreso.
-Você ouviu tudo. – Afirmei.
-Só a conversa. Achei melhor ficar por perto...
-Se eu me descontrolasse.
-Não, não se descontrolar da forma que você está pensando. Fiquei por perto caso... Você precisasse de um amigo.
Olhei para ele, não consegui segurar as lágrimas, elas foram mais fortes. Uma após a outra saia de meus olhos escorregando por meu rosto. Eu as odiava. Realmente as odiava. Elas nunca me serviram para nada a não ser me fazerem sentir-me fraca. Mas ali estava Troy. E eu realmente precisava dele. Eu precisava de um amigo. Soltei as palavras deixando de lado por alguns instantes meu orgulho auto dependente:
-Eu preciso. – Confessei me entregando totalmente a tudo que me machucava, e mostrando o quão vulnerável eu me sentia. Eu não sou de ferro. Sou feita do mesmo material que qualquer outro humano. Eu sinto. Mesmo que prefira muitas vezes não demonstrar. Eu sinto. E isso doí.
Troy não disse mais nada. Somente me abraçou, deixei que minha cabeça caísse em seus ombros.
Ele não se importou de que eu encharcasse sua camiseta com lágrimas.
Ele somente ficou ali... Ao meu lado... E isso era tudo que eu precisava.
Sei que era egoísmo, que eu o estava colocando em perigo, que ao trazê-lo para minha vida eu o colocava em perigo, mas eu precisava, precisava dele.
Sua pele possuía um perfume agradável. Seus ombros eram confortáveis de uma maneira quente e macia.
Fechei meus olhos por alguns poucos segundos, apenas tentando me manter inteira. Não cair. Não desmoronar ali mesmo.
-30, 29, 28, 27... – comecei entre soluços.
Troy se afastou um pouco para olhar meu rosto:
- O que você está fazendo?
-26, 25, 24, 23, 22,21...
-Samantha?
-20, 19,18. Trinta segundos. Trinta segundos é o tempo que eu me permito, antes de ir atrás de meus irmãos. 17, 16, 15, 14, 13, 12,11...
-Não seria melhor trinta minutos?
-Não tenho tempo para trinta minutos. 10, 9,8... Eles estão sozinhos... Eles estão sofrendo... Não posso deixa-los sozinhos. 7,6,5...
-Agora você poderá fica perto deles.
Interrompi minha contagem, eu já havia pensado naquilo, mas não havia tido tempo para formar minha opinião sobre o assunto:
-Seria muito egoísmo de minha parte dizer que queria que meus irmãos se transformassem nisso para eu poder ficar perto deles, eles não merecem sofrer, não posso pensar somente em mim mesma, no que eu gostaria.
-Você é acima de tudo egoísta consigo mesma, sabia?
-4, 3, 2,1... 0. - Me levantei, limpei o rosto, e o encarando perguntei – Por que diz isso?
-Você só pensa nos outros, nunca em si mesma.
-Se não pensasse em mim mesma nunca teria posto ninguém em perigo.
Troy suspirou:
-Quer ajuda com seu vestido?
Eu corei. Não havia percebido. Os laços de trás do meu vestido estavam uma em grande parte soltos.
Troy somente sorriu para mim e se levantando também, me virou de costas, e colocando meu cabelo para frente começou a refazer os laços. Seus dedos ágeis contra minha pele.
-Por que Greg e não Edmundo?
Pensei na pergunta, ela era a mesma que eu fiz a mim mesma muitas vezes:
-Eu também gostaria de saber a resposta. Pode ser porque aprendi a viver com Edmundo como amigo, e Greg... Bem... Greg... Era o desconhecido charmoso e... E... E eu... Simplesmente fiquei perdida quando o vi.
Troy terminou o laço e recolocou meu cabelo para trás.
-Ele era um mistério que você estava... Ou melhor... Precisava desvendar. O perigo que você estava disposta a encarar.
Não precisei dizer nada, ele sabia que eu concordava com tudo o que ele dissera.
Somente assenti.
-Troy, preciso ir visitar meus pais, antes de ir atrás de Damon e Stefan, preciso ir até eles. E também quero ir até o local onde ficava minha antiga casa... A primeira... Algo me chama até lá... Algo me diz que preciso ir lá.
Ele assentiu e mais uma vez nós dois partimos, cortando a noite, voando com os pés no chão. Correr era melhor do que ficar parada, eu havia sido criada de uma forma que soubesse que meus problemas não se resolveriam sozinhos, de uma forma que soubesse que se deixasse para mais tarde tudo iria se acumular, tudo iria se amontoar, e depois como uma bola de neve eu não poderia mais soluciona-los, eu não poderia mais vence-los. Agora eu não podia ficar parada, eu precisava encontra-los, encontrar Damon, encontrar Stefan, meus irmãos. Sim porque independentemente de como eles estariam eu iria fazer o possível, o impossível, e tudo mais para ajuda-los. Eu não precisava ter o mesmo sangue para ser ligada a eles, a vida tratou de me unir a eles, gestos, palavras, detalhes... Detalhes que nos tornaram irmãos... Irmãos. Meus irmãos... Meus.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Continua...
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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Qua Jun 13, 2012 7:21 pm

Capitulo 34 - Fases

O vento balançava os galhos das árvores atribuindo um clima mais fantasmagórico do que o normal ao cemitério. A única luz era provida do brilho das estrelas e da lua.

O lugar estava diferente do que Samantha conhecia sua área, antigamente coberta por um gramado bonito, agora era quase que totalmente preenchida por túmulos e cruzes.

A vampira se encaminhou para o lado do cemitério em que estava reservado a família Salvatore.

Troy a seguia de perto, de vez em quando parando para ler os nomes gravados nas lápides e fazer perguntas a Samantha.

As flores que a garota trazia consigo eram flores simples, arrancadas de uma fazenda qualquer. Flores brancas, com pétalas delicadas e um doce aroma inebriante.

De longe o mausoléu pertencente à família Salvatore era visível. Samantha não teve problemas em arrebentar o grosso cadeado.

Suas pernas insistiam em querer derrubá-la.

Não era apenas o cemitério, a cidade, as flores, as roupas, o penteado que haviam mudado acima de tudo Samantha havia mudado, sua vida havia mudado, tudo havia mudado. Ela nunca sonhara com um conto de fadas em que ficasse esperando seu príncipe encantado chegar montado em um cavalo branco e resgatá-la, para dizer a verdade ela sempre preferiria enfrentar o dragão e ir ao encontro de seu amado. Mas por que justamente com ela a vida lhe tirava tudo o que lhe era mais precioso? Desta vez era diferente do que foi perder seus pais biológicos, desta vez ela precisava fazer escolhas por si própria, escolhas que determinariam seu caráter, seu destino. Troy estaria ao seu lado, sim, mas ele não poderia escolher por ela, isso dependia dela, somente dela.

Agora ali estava ela, diante de todos que amava, de todos que a vida lhe ensinou a amar, de todos que ajudaram a criar seu caráter.

Seis lapides. Sim, seis. Amanda Salvatore era a primeira. As características mais marcantes de Damon eram heranças dela, os olhos de um tom de azul tão parecido com o do filho que era impossível encontrar diferenças. Samantha não a conhecerá, mas a agradecia por ter lhe deixado dois irmãos. Depois Giuseppe, seu pai, seu pai de coração, os olhos profundos, inteligentes, o homem que fora temido por muitos, e respeitado por tantos outros. E os dois últimos Salvatore também haviam ganhado túmulos, é claro, os fundadores precisavam manter a cidade escondida da verdade, seu pai precisava proteger a dignidade da família, esse era seu problema, orgulho demais, honra demais, valor demais atribuído a coisas banais. Damon e Stefan estavam um do lado do outro, como Samantha sempre os veria, dois irmãos. Seus irmãos. Samantha sabia que nenhuma fotografia representaria a verdadeira beleza dos dois, ignorou-as, sabia que em pouco tempo elas estariam gastas, sem vida, não eram o suficiente para representar seus irmãos. E, do outro lado do mausoléu, mais afastado do túmulo dos Salvatore estava seus pais, Christian e Anne Dellafried. Giuseppe foi quem decidiu colocá-los ali, Samantha lembrava-se perfeitamente do enterro há dez anos, chovia, como na maioria dos enterros, o que tornara tudo pior.

-Você é parecida com eles. Uma mistura dos dois. – A voz de Troy não passava de um murmúrio.

Nem mesmo a voz dele fugia das atribuições de Samantha a vê-lo como anjo, um tilintar suave, uma canção de ninar viciante.

Samantha assentiu a afirmação dele:

-É o que dizem-iam . – Samantha mudou o final da palavra rapidamente.

-Apesar de tudo, você não pode negar uma coisa: você sempre foi muito amada.

Samantha se virou para encará-lo.

Ele simplesmente deu de ombros:

-Todos eles deram provas mais do que o suficiente disso, seus pais fizeram de tudo para lhe salvar, seu pai Giuseppe... Bem ele não lhe matou, e seus irmãos...

-Eles são um pedaço de mim... Eles são meus sentidos...

Troy voltou a assentir.

-Meu pai não queria matá-los, ele estava sofrendo, ele... Ele... Ele não queria realmente fazer isso... Eu sei... Eu sei... Eu sei que ele os amava... Eu sei que ele sempre os amaria. E seja qual dos dois foram, Stefan ou Damon, eles não queriam vingança... Eles não queriam... Não queriam. Eles eram uma família. Sei disso. Sei disso e acredito com toda minha alma nisso, eu afirmo, e volto a afirmar que eles se amavam.

Samantha se encaminhou para o tumulo de Amanda ficando bem de frente a ele:

-Obrigada, obrigada por me deixar ter seus filhos como meus irmãos, obrigada por me deixar eles, e mesmo eu estando afogada em minhas próprias promessas, agora eu prometo a você: irei ajudá-los, farei de tudo para ajudá-los. – A garota ergueu a manga do vestido azul claro revelando a pulseira com as inicias “D.S.S” que Stefan lhe dera de presente. – E, eles também. Eles irão se ajudar. Não permitirei que se esqueçam-se quem são.

Samantha depositou uma flor branca em cima do mármore negro.

O próximo foi Giuseppe:

-Pai, foi errado atirar em meus irmãos, seus filhos. Você sempre foi tão orgulhoso... E sempre me julgou por meu orgulho... Eu e Damon herdamos isso de você... Vocês dois são parecidos, por isso sempre discutiam, brigavam e se desentendiam, mas... Amavam-se... Vocês nunca me enganaram. O jeito de durões era só pose... Sei disso. Vocês se amavam, assim como eu os amo. Sei que se arrepende te ter atirado. Doía não é mesmo? Doía vê-los atrás dela? Queria poder ter a tacado em um poço de verbena e a feito em pedacinhos para depois torrá-la no sol. Mas eu não pude, sinto muito, sou a culpada, a grande culpada. Desculpe. Te amo muito, e... Obrigado. Obrigado por ser meu pai, obrigado por ter me recriminado quando eu estive errada, e até mesmo quando estive certa, serviu para que eu pensasse melhor e me compreendesse de maneira mais clara. Obrigado, por tudo.

Samantha depositou a flor sobre o tumulo e pulou os dois seguintes, indo direto aos que se encontravam do outro lado do mausoléu, andou pelo curto corredor entre os dois, e se sentou no chão entre meio aos dois ao, lado do lugar em que estaria repousando as cabeças de seus pais.

-Vocês poderiam ter me avisado, eu teria aguentado... Não deveriam ter me protegido tanto, não sei se merecia, olhe o que sou agora, o que papai sempre caçou, o que era meu destino caçar... Eu seria uma péssima caçadora... Apaixonei-me por minha própria caça... Se bem que devo ter herdado isso de vocês não é mesmo? Se apaixonar por quem não deveria... Gostaria de saber como foi com vocês... Gostaria de ouvir a história. Seria interessante. – Samantha ficou um longo tempo em silencio, Troy estava quieto no canto mais afastado, apenas a observando – Senti muita falta de vocês, e vocês acertaram: eu fui feliz, mas sempre faltava alguma coisa, sempre faltavam vocês para preencher o vazio. Era angustiante, algumas vezes doía como brasa jogada sobre meu coração... E agora... Bem agora... Agora sinto falta de quando era como sentir apenas brasa... Agora juntou tudo... Mas preciso ir não é mesmo? É isso que vocês gostariam que eu fizesse não é? Seguir em frente? Estou tentando, devagar, do meu jeito, dói, mas aos poucos eu consigo, Troy me ajuda bastante, ele é um chato, vive pegando no meu pé, – Troy sorriu – formamos uma dupla horrível, um poço de lamurias...

-Hey não exagere, não somos tão ruins assim. – Troy interveio.

Samantha revirou os olhos:

-Não falei que ele vive pegando no meu pé? Mas... Agora eu preciso ir... Tenho que ir atrás de meus irmãos... Eles sabem aprontar umas boas quando querem, então é melhor eu dar um jeito. – A vampira se levantou depositando mais duas flores, uma em cada túmulo, depois passou a mão por toda a extensão do mármore e com uma última olhada para a fotografia se voltou para o túmulo de Stefan e Damon.

Troy não esperava pela reação que ela apresentou. Os olhos da garota se estreitaram, antes que ele pudesse contê-la ela correu para fora voltando com um pedaço de madeira na mão. Rodopiou a madeira uma vez no ar e começou e despedaçar as duas lápides.

-Samantha, o que é isso? – Troy correu tentando segurá-la, mas a vampira foi mais rápida desviando-se.

-Não gostei das fotos que colocaram, não gostei desse túmulo falso. Os dois não gostariam.

Sobraram três flores brancas que estavam firmes em sua mão esquerda enquanto a direita se ocupava em terminar de destruir o mármore.

Terminado o serviço Samantha jogou a madeira longe, e analisando cada uma das flores disse:

-Agora é hora de fazer Damon e Stefan engolirem essas flores pessoalmente, onde já se viu se deixar enganarem por aquela lacraia hematófaga.

Samantha saiu de dentro do mausoléu com Troy seguindo-a surpreso, a terceira das flores que restavam à garota se ocupava em despetalar dizendo:

-New York, Las Vegas, New York, Las Vegas, New York…

-Agora mais essa, poderia me explicar?

-Nosso próximo destino depois de visitar o local onde eu morava, acho que Damon e Stefan gostariam de visitar esses dois lugares, estou escolhendo qual iremos primeiro.

Troy revirou os olhos:

-Acho que nisso posso ajudar, tenho uma ideia melhor.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Samantha havia aprendido enxergar sua vida como se houvesse passado por varias fases, fases que a cada termino lhe deixava cicatrizes fundas, mas que lhe deixavam mensagens, lições, que ela só poderia aprender passando por aquilo.

Agora, ali, era como um mundo paralelo. Um mundo paralelo onde todas as fases de sua vida se interligavam, passado, presente, futuro, tudo em um só. Um só mundo, um só lugar.

Ali estava ela, no inicio de tudo, e no começo do fim. Um lugar que guardava uma enorme quantidade de suas melhores lembranças, e ao mesmo tempo era responsável por boa parte das cicatrizes em sua alma.

Lembranças distantes, e ao mesmo tempo tão presentes.

A marca de fogo delimitava um circulo perfeito, destroços de madeira queimados ainda se espalhavam pelo chão. A maioria das árvores estavam intactas, resistentes ao tempo, como se nada houvesse acontecido, como se o relógio estivesse parado.

O balanço continuava lá. Pendurado nó pé de carvalho, logo a frente do lago de água verde cristalina. Quando criança ela costumava pular do balanço diretamente para o lago, como se voasse. Seu pai, Christian, não a impedia, a precaução dele era simplesmente pular junto.

Os olhos da garota somente se limitavam a vasculhar cada mínimo detalhe ao seu redor, cada mínimo detalhe preenchido de lembranças. Uma tarde de verão, uma manhã de natal, um abraço apertado, um beijo de boa noite.

Troy se encaminhara para o balanço, pousando uma de suas mãos na corda que prendia o brinquedo a árvore.

Samantha foi junto com ele, sentando-se no balanço, suas pernas não balançavam mais livremente no ar.

A garota impulsionou vagarosamente o balanço para a gente com os pés, o movimentando lentamente.

Por um momento se sentiu confusa, olhou para Troy, no rosto dele também transparecia confusão. Samantha voltou a olhar para frente.

Sim, algo estava acontecendo.

O clima mudou, o vento frio deu lugar a uma brisa suave, um clima perfeito, nem quente nem frio demais.

Flores que antes não estavam ali começaram a brotar do nada em volta do lago. Primeiro apenas um pontinho verde, depois um raminho pequeno, em seguida folhas, para depois abrir espaço para os botões de todas as cores que se abriam pétalas por pétalas. Samantha reconhecia aquelas flores, eram as mesmas que sempre apareciam na primavera naquele mesmo lugar, o aroma era doce, suave, e delicioso. O lago se tornou um verde mais vivo, onde peixinhos coloridos brincavam.

A garota levantou-se depressa se voltando para trás.

Seus membros travaram.

Assim como as flores, a casa, a mesma casa em que ela vivia na infância também estava ali, a mesma madeira sem tintura, as mesmas janelas com floreiras.

-Tr..Tr..Troy o que é isso? – gaguejou.

Troy estava tão apático quanto ela:

-Foi quando você relou no balanço, quando relei não aconteceu nada. Foi você Samantha, sua mãe deve ter lhe deixado uma mensagem, isso é uma miragem, uma espécie de espectro de algo que já aconteceu, não é real, é como uma gravação. Coisa típica que as bruxas costumam fazer para que as mensagens só sejam entregues para quem seja realmente destinada. E é claro, sua mãe era capaz de fazer isso melhor do que qualquer uma de sua geração.

Os olhos de Samantha ganharam um brilho estranho, um brilho de orgulho, admiração, encanto.

Troy sorriu, Samantha parecia mais viva quando seus olhos brilhavam, demonstrava que ela ainda queria viver, não somente existir. Ela havia decidido buscar seus irmãos como um proposito, como se sua felicidade dependesse daquele fato, ela não tinha medo de como iria encontrá-los, ela só queria encontrá-los... Encontrá-los e ajudá-los. E agora vendo-a ali admirarando o que sua mãe era capaz de fazer tornava tudo no mínimo fascinante.

-MÃE.

Troy se sobressaltou ao ouvir o grito de Samantha. Antes que pudesse fazer qualquer movimento para impedi-la Samantha já se atirava em direção à mulher loira de olhos claros.

As mãos da garota se estenderam para frentes esperançosas, mas agarraram o vazio.

Samantha recolheu rapidamente a mão, seus olhos estavam arregalados.

-Hey, é só uma imagem, você não pode tocá-la, mas ela quer lhe mostrar alguma coisa. – Troy a assegurou, adiantando-se até ela e prendendo o rosto da garota entre suas mãos para que ela o encarasse.

Samantha assentiu tremula, observando o espectro de sua mão ir em direção à floresta.

Os dois a seguiram.

A loira seguia hesitante pela floresta olhando para os lados como se procurasse alguém.

-Samantha? Samantha... Se está vendo isso significa que já estaremos mortos, eu e seu pai. Sinto muito – Samantha viu os olhos da mãe cintilarem, a vampira andava ao lado de Anne, como em uma conversa ocasional, Troy segurava sua mão – seu pai quis lhe contar, mas não deixei, para mim você não passa de minha garotinha, não queria lhe trazer para esse mundo tão cedo, depois que entramos nele não podemos mais sair. Lhe darei todos os passos para que você encontre algumas respostas. Não lhe falo agora porque isso gasta muito mais energia no feitiço, e preciso assegurar que ele dure tempo o suficiente para que você saiba a verdade, ao menos uma parte dela.

Anne parou de falar e continuou por um caminho entre as árvores.

-Samantha? – Troy a chamou.

-Sim? – pediu confusa com a expressão dele.

-Você... Você continua a vê-la?

A vampira franziu a testa:

-Sim, ela parou de falar, mas posso vê-la.

-Pelo visto ela não quer que ninguém além de você veja daqui para frente. Caramba, nunca vi um feitiço tão especifico.

Samantha sentiu o orgulho aflorar dentro de seu peito novamente. Sua mãe era incrível.

Anne parou de andar indo direto a um tronco de uma enorme Sequoia.

-O que ela está fazendo?

-Espere um pouco, já te digo.

Sua mãe tirou alguma coisa que pendia de seu pescoço.

Samantha se aproximou mais para ver o que era:

-É meu colar Troy, ela está com este mesmo colar. – disse segurando o colar que agora era seu, entre os dedos.

-Espero que você esteja com o colar Samantha, caso contrario será mais complicado para que saiba a verdade.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Continua...
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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Sab Jun 16, 2012 6:41 pm



Capitulo 35 – O que nos leva a quebrar todas as regras?

Samantha não desviava os olhos de sua mãe, como se a encarando daquela forma fosse possível torna-la real e mantê-la ali.

Ouviu-a pronunciar algumas palavras em uma língua desconhecida. No principio as palavras saiam claras, mas a cada nova silaba que pronunciava Samantha começou a ouvir de maneira difusa, como se ela estivesse se afastando. Até a voz sumir por completo.

-O que foi? – perguntou Troy ao seu lado observando sua expressão.

-Não a ouço, a voz sumiu.

Troy inclinou a cabeça para o lado:

-Você sabia que isso iria acontecer Samantha, é só um feitiço.

A garota suspirou:

-Sei disso, é só que...

-Gostaria que não precisasse ser assim. – O vampiro terminou a frase por ela como se soubesse o que ela estava sentindo e pensando.

Samantha assentiu, era exatamente aquilo. Ela queria se agarrar ao irreal.

Quando a boca de sua mãe terminou de se movimentar um pequeno corte surgiu em seu pulso.

Não foi possível sentir o cheiro do sangue, as imagens também estavam ficando focas.

A vampira viu sua mãe esfregar o sangue do pulso na imensa Sequoia a sua frente.

Automaticamente uma pequena cavidade surgiu no tronco da árvore.

Samantha precisou se esforçar para prestar atenção no que via em seguida, mas era difícil ver sua mãe se evaporando na sua frente e não poder fazer nada.

Anne encaixou o colar na concavidade do tronco da sequoia e girou.

Como se fosse uma porta o tronco da árvore se abriu, dando espaço para uma pessoa passar inclinada.

Samantha se boquiabriu.

-O que foi?

-A...a...a árvore.

-O que aconteceu com a árvore?

Samantha não respondeu, ela encarava sua mãe que dava um sorriso e entrava pela abertura recém-feita. Samantha leu os lábios dela que se mexiam sem emitir som:

-O que você vai ver aqui, não poderá se espalhar, pertence a nossa família, a nossa raça...

O resto da frase Samantha nunca saberia.

A imagem se desfez por completo, trazendo o ambiente à realidade novamente, e lhe tirando sua mãe.

Troy percebendo o que aconteceu mesmo sem notar diferença se aproximou de Samantha pousando a mão em seu ombro.

Samantha mordeu o lábio inferior suspirando novamente, e deixando seus instintos livres por um momento expos suas presas e cortou seu próprio pulso.

Troy imaginando que aquilo teria uma razão não tentou impedi-la.

Samantha esfregou seu pulso na árvore em dúvida se funcionaria.

Seu sangue ainda valeria alguma coisa?

Funcionou a cavidade apareceu como da primeira vez. Dessa vez não era só uma miragem. Pelo visto ela ainda possui sua linhagem sanguínea.

Retirando o colar do pescoço imitou o que sua mãe havia feito.

A abertura apareceu como antes.

Troy estava pasmo.

Samantha sabia que sua mãe não seria contra de mostrar a ele o que fosse que estivesse lá dentro.

A garota foi em frente hesitante.

Era um buraco oco, com uma escada íngreme que descia.

-Vamos? – ela chamou Troy vendo que ele não a seguia.

-Não tenho certeza se devo ir, isso é algo de família...

Samantha revirou os olhos:

-Deixe disso e pare de enrolação. Venha.

Troy franziu os lábios, mas a seguiu.

A vampira contou quinze degraus, antes de chegarem ao que parecia ser uma espécie de masmorra pequena com todos os lados da parede encobertos de cima a baixo por grossos livros.

-Caramba. – Troy soltou estupefato.

-Por que tanta surpresa? É apenas livros velhos, o que tem demais?– na verdade ela estava decepcionada, esperava encontrar algo mais emocionante.

-Livros? Livros Samantha? Você faz ideia do que uma bruxa sentiria ao entrar aqui? São grimórios. Centenas de grimórios reunidos que devem datar de milhares de anos atrás.

-Grimórios? – pediu confusa.

-Livros de feitiços, geralmente cada bruxa possui um em que escreve todos os seus feitiços, e aqui está a maior coleção de grimórios que deve existir, com sabe se lá quantos feitiços.

Troy passou a mão por alguns dos livros, fascinado.

Samantha só possuía olhos para um objeto.

No lado oposto ao que estava, havia uma escultura grande e negra no formato de uma rosa.

A garota foi em direção a ela e a tocou. Nada aconteceu.

Samantha arregalou os olhos ao perceber do que era feita a escultura:

-Troy?

-O que foi? – perguntou Troy indo até ela.

-Este material é o mesmo que o de meu colar.

-Mas seu colar... Caramba... Mas é diamante Samantha... Diamante negro.

Samantha assentiu pasma.

-Deve ter alguma ligação. Para ser do mesmo material deve haver algum significado. Os grimórios não devem ser tudo.

Samantha se abaixou olhando ao redor da pedra. Logo abaixo, perto da base, do lado esquerdo havia uma cavidade parecida com a que havia aparecido na grande sequoia.

Samantha colocou o pingente do colar na cavidade e girou.

As pétalas da rosa de diamante se abriram sozinha revelando um espaço pequeno com somente um pedaço de papel dobrado.

Samantha pegou o papel, o desdobrou e leu para si mesma:

“A esperança não será a prova de um sentido oculto da Existência, uma coisa que merece que se lute por ela?”

-Hã?

-Por que um papel em branco?

Samantha encarou Troy:

-Em branco onde?

-Como onde? Não tem... hãm, ok, entendi, sua mãe era prevenida, pelo visto é mais uma coisa que só você pode ler. Para mim não passa de um papel em branco.

-“A esperança não será a prova de um sentido oculto da Existência, uma coisa que merece que se lute por ela?” – Samantha releu em voz alta a frase – O que eu faço com isso?

Como em resposta o pingente de seu colar fez um estralo, em seguida uma pequena chave com uma estrutura complicada saiu para fora.

Samantha a revirou na mão:

-Está vendo algum lugar que precise disso?

-Eu diria que hoje o que eu vejo não tem muita serventia, tente você olhar dentro da rosa.

Samantha passou os dedos analisando o espaço vazio que surgira na rosa.

-Nada.

-Tente seu sangue novamente.

Samantha o obedeceu.

Cortou-se novamente e colou uma gota de seu sangue na pedra.

Uma pequena fechadura surgiu.

Samantha colocou a chave e rodou sentindo-se eufórica.

Com um Click, as pétalas da rosa se abriram mais deixando a vista uma caixinha de madeira ordenada com mais rosas.

A garota pegou a caixa na mão, mas estava fechada e não havia feixe algum, nem letras.

Suspirou e tentou mais uma vez com seu sangue, e outra vez funcionou.

A vampira leu mais uma vez a frase, que como as outras também era invisível para Troy:

-“O único, se torna completo, ao reunir o que no principio foi separado.”.

Outro click e a tampa foi aberta para dar espaço a mais uma que ostentava uma fechadura.

Samantha colocou a chave e girou, torcendo para que fosse a ultima vez, aquilo já estava cansativo.

-Está frase é diferente da primeira. – Troy comentou pensativo quando a garota terminou de ler.

-Percebi isso também, mas eu não saberia dizer o que é. Quem sabe a resposta esteja dentro da caixa.

Samantha levantou a tampa de madeira.

Dentro havia dois rolos de pergaminho, um mapa, e um caderno de capa de couro de uma cor negra de aspecto velho.

Samantha pegou o rolo maior e o desenrolou.
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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Sab Jun 16, 2012 6:54 pm

Continuação...
Era uma carta de sua mãe.
A letra bem desenhada e delicada era facilmente reconhecível, mesmo depois de tanto tempo.
-Você consegue ler? –perguntou a Troy que estava espiando por cima de seu ombro.
Troy fez sinal negativo com a cabeça.
Samantha suspirou, por um momento confusa, mas acabou por decidir ler em voz alta:
Filha
Primeiramente quero que você saiba que nossos sentimentos não são algo que podemos controlar, eles simplesmente acontecem, sem regras, impedimentos ou qualquer razão. Sentimentos nos dominam, embebedam e nos deixam sem reação. Foi assim que tudo começou.
Sei que nossas escolhas afetaram você mais do que a nós mesmos, sinto muito por isso meu anjo, e o que mais me machuca e saber que mesmo se eu tivesse outra chance, eu voltaria e faria tudo igual, pois mesmo sendo inadmissível o meu amor por seu pai, ele não é algo que acabaria com o tempo, nunca foi possível ignorar o que eu sentia por ele, e de nossa união surgiu nosso tesouro mais precioso: você.
Você descende de duas linhagens: as bruxas, e os caçadores, venator’s
Para que você entenda melhor irei começar explicando quem é sua família por parte bruxa.
As bruxas são a raça mais antiga dos seres místicos. Seus poderes passavam de geração para geração na família, sendo naquela época muito mais bem desenvolvido do que hoje em dia por diversos motivos. Um deles era o nível de magia no corpo que era altamente mais intenso do que atualmente, pois foi a partir de uma família de bruxas originais que surgiram todas as outras. Não se sabe o porquê e nem quem começou com isso, mas certo dia alguma de nossas antepassadas resolveu dividir seus poderes com alguém que não era da linhagem, acredito que pensava ela que seu poder era o suficiente para ser dividido sem que lhe fizesse falta. Assim foi criado mais uma família de bruxas, uma linhagem a partir da nossa, que mesmo com poderes mais fraco poderiam ser bem forte com algumas práticas e treinamentos. A ideia de dividir os poderes se espalhou, varias outras famílias passaram a possuir o sangue místico, em algumas épocas isso gerou conflitos, mas que foram apagados na história. Nós, as originais, ficamos, é claro, encarregadas de manter a ordem. Precisávamos manter nossa identidade em sigilo. Trabalhávamos arduamente para isso. Fizemos então uma aliança com os venator’s, não posso lhe dizer a parte da história que está direcionada a eles, mas irei lhe dizer às partes que mais interessam. A aliança é claro possuía várias regras. No começo eles eram em numero altamente reduzido, mas com o passar dos anos foram se reproduzindo e passaram a representar ameaça até mesmo para as bruxas, seus poderes diferentemente dos de vampiros e lobisomens dependem de técnicas. Seu desenvolvimento está dividido em etapa, quando mais eles treinarem mais poderosos serão.
A aliança que no começo tinha uma base de respeito foi se dissolvendo, na época de minha mãe as coisas se agravaram, mas antes que ela morresse tudo se resolveu, e mesmo que grande parte da confiança estivesse perdida a aliança permanecia.
Tanto eu quanto seu pai possuímos uma idade maior do que aparentamos. Usei meus poderes para impedir meu envelhecimento, pois depois que sua avó faleceu, ficou a meu dever proteger o legado da família original e manter a ordem. Eu não possuía uma herdeira, e não confiava em ninguém para assumir o meu lugar, sabia a importância que tudo isso tinha e as consequências de cada erro.
Foi tentando manter a ordem que conheci seu pai.
Uma das regras do acordo era a de que nenhum venator tinha permissão de matar qualquer bruxa. Elas seriam julgadas somente por nossa família, eles cuidariam somente dos vampiros e lobisomens, e esta regra foi quebrada.
Quando descobri fui diretamente até eles, eu precisava tomar providencias quanto aquilo. Quando cheguei eles já estavam avisados da minha visita e me esperavam.
Os venartor também possuem um líder, líder esse que só é substituído quando o atual morre. Um venator possui características distintas de qualquer outro ser, eles são ao mesmo tempo os mais humanos e os mais selvagens. Dependendo do tempo de treinamento eles podem ser imbatíveis. Sua pele pode ser tão frágil quanto à de um humano, e se sofrerem qualquer tipo de ferimento demoram o mesmo tempo que qualquer humano demoraria em se curar, mas isso na verdade não é problema, pois não é qualquer um que consegue encostar neles, eles tem força, agilidade, e sua formação de ataque é praticamente intransponível.
O líder atual deles não possuía um gênio fácil, mas por sorte eu desde cedo precisei aprender a controlar muito bem meu gênio.
Naquela ocasião eu queria ser breve, agir sem delongas, apenas saber a verdade e deixá-los avisados das consequências.
Flashback
Anne entrou na grande sala, as paredes todas de pedra polida, iluminada somente pela luz amarelada de um candelabro que ficava em cima da grossa mesa de madeira, onde estavam sentados vários homens de grande estrutura, e semblante bem demarcado.
-Pensei que não viria Srta. Petrova – a voz grave veio diretamente da outra extremidade da grande mesa.
Anne sorriu:
-Pois pensou errado Hector, ao contrario de vocês não costumamos faltar em nossos compromissos ou ignorar nossos tratados. – A voz da mulher, diferentemente de Hector era suave, mesmo deixando bem claro que exigia respeito.
Hector encarava Anne como se seu desejo fosse apedrejá-la ali mesmo. Ela ignorou seu olhar continuando a falar no mesmo tom baixo de sempre:
-Temos um acordo, e neste acordo está incluso vocês não matarem nenhuma das bruxas. Vocês o violaram.
-Ela estava do lado dos vampiros, era uma traidora, se voltou contra nós, precisávamos nos defender.
-Neste caso deveriam trazê-la até nós, não matá-la. Esse assunto seria apenas do interesse de minha família, de minha raça, você tratem apenas de cuidar dos vampiros e lobisomens.
-Que eu saiba sua família se resume a você.
-Não se preocupe, dou conta de meu serviço sozinha, e mesmo sendo a única das originais, ainda existem bruxas de linhagens secundárias com altas capacidades, nós daríamos um jeito. Não era necessário você intervirem.
-Ela machucou um dos nossos.
-Não muda o fato de que seríamos nós a castigá-la.
-Pois caso não se lembre Anne não somos seus escravos, temos um acordo, nada mais do que isso.
-Acordo esse que vocês violaram, e caso volte a acontecer iremos tomar decisões que não lhes agradaram.
-Não lhe aconselharia a nós ameaçar, as coisas mudaram desde que o acordo foi feito, não somos apenas três, estamos em um número bem maior do que éramos, e caso não tenha percebido você está em nosso território.
-Está me ameaçando?
-Não ousaria.
-Pois saiba que caso ousar apontar um dedo para mim eu lhe arranco sua cabeça fora Hector. E se não me engano este lugar não pertence a você. Não estaria na hora de deixá-lo a quem realmente o mereça?
-Isso não é de seu interesse. – Disse brusco.
Um movimento na visão periférica de Anne chamou sua atenção.
-Ele é mais velho, e também é descendente de um dos três. – A voz do homem que lhe dirigia a palavra era firme, mas não ofensiva como a de Hector – E quando ao caso que a trouxe aqui eu estava presente, e posso afirmar que não pretendíamos machucá-la, mas ela não se rendeu e continuou a nos atacar, não tivemos outra alternativa.
-Sente-se Christian, você não foi chamado à conversa. – Hector o cortou.
-Isso não envolve somente você Hector, mas a todos nós, e não iremos pagar por sua falta de bom senso e liderança.
-Calado Dellafried.
Christian deu um sorriso bem humorado como resposta o que serviu para enfurecer mais ainda Hector, e se levantando foi até a saída, só parando para fazer um leve aceno para Anne que o encarava séria.
-Onde pensa que vai Dellafried? – Hector urrou.
Christian se virou para encará-lo ainda sorrindo:
-Já deixei bem claro meu ponto de vista, não tenho mais nada a fazer aqui.
O outro grunhiu:
-E onde está seu cão de guarda? Não deveria ele estar aqui?
-Ao contrario de você não preciso de cães de guarda. Mas caso se refira ao meu aluno deve estar dando mais uma surra em seu pupilo que insiste em confrontá-lo.
Dizendo isso Christian saiu deixando Hector escarlate de raiva.
Os outros homens presentes na sala se mexeram desconfortáveis. Anne não se abalou:
-Tenho apenas um último comunicado: deixaremos que desta vez passe em branco, mas da próxima não será assim. Agora, se me permitem irei me retirar, não tenho mais nada a dizer.
-Espere, eu tenho algo a reivindicar.
-Pois diga.
-Onde estão as escrituras?
-Poderia esclarecer de que escritura está falando? Não estou com animo para adivinhações.
-As escrituras que por direito pertence aos venator’s.
-Isto eu não saberia dizer, elas não estão mais ao nosso alcance, foram entregues a vocês.
-Pois se foram entregues a nós onde estão?
-A resposta você deveria saber. – Respondeu de forma direta e baixando levemente a cabeça lançou um ultimo olhar de despedida a todos. – Agora com licença.
Hector ficou encarando a loira se afastar, o vestido longo verde claro dançando pelo chão.
Fim do Flashback
Seu pai, ao contrario de Hector, o atual líder, sabia ser um líder, na verdade seu pai possuía tantos direitos quanto Hector de ser líder, mas Christian não se preocupava com isso, ele preferia gastar seu tempo aumentando suas habilidades.
Quando ele dirigiu-se a mim aquele dia eu acreditei, não sei porque razão, em cada palavra que ele dissera.
Ele agia por impulso, mas suas escolhas eram sensatas, fazendo com que ele não se arrependesse depois.
Quando deixei bem claro aos venator’s que as regras ainda eram as mesmas, eu retirei-me da sala pretendendo ir embora, mas algo que eu não esperava aconteceu.
Flashback
Anne andava a passos rápidos pelo corredor escuro em direção ao ar livre.
Hector não merecia exercer tanto poder sobre os outros, ele causaria mais confusões, disso ela tinha certeza. Seu mau gênio o tornava impulsivo e irritante.
Achava que seria melhor o tal de...
-Epa, desculpe-me.
Seus pensamentos foram interrompidos ao topar com alguém.
Seus olhos claros encontraram com os olhos escuros e sinceros do venator ao qual seus pensamentos estavam direcionados.
-Está tudo bem – respondeu já continuando seu caminho, mas foi impedida pela mão de Christian que segurava seu pulso firmemente:
-Tem um minuto?
Anne inclinou as sobrancelhas:
-Depende. Do que se trata?
-Venha que descobrirá.
-Diga primeiro se quer que eu vá.
O venator deu um sorriso, seus olhos se estreitavam de maneira magnifica quando sorria.
Por algum motivo ao ver o sorriso Anne corou.
-Parece que temos um impasse, será que sua curiosidade é o suficiente para que a faça vir comigo?
-Será que a urgência de querer falar comigo é o suficiente para me dizer antes do que se trata para que eu decida se vou ou não?
-Sim, seria, mas não desejava dar de cara com Hector, já estou cheio dele por hoje.
-Você é um dos dessedentes diretos não é mesmo? Por que não pega o cargo que lhe pertence por direito?
-Direi se vir comigo.
Anne o encarou por um momento seus olhos claros possuíam um brilho novo:
-Está bem, irei, mas peço que não demore.
-Christian a puxou pelo braço pelo resto do corredor, quando já estavam ao ar livre virou a esquerda, e continuaram por um gramado verde vivo:
-Não gosto de Hector, e muito menos da forma que comanda os venator’s, mas não quero ser o líder, a liderança me tiraria a liberdade, tenho outros interesses que vem antes desse.
-E quais seriam?
-Não sei se poderia dizer-lhe.
-Então não conte.
-Se eu contar promete não dizer a ninguém.
Anne o encarou novamente:
-E por que motivos me contaria seu segredo?


-Porque você ganhou meu respeito ao tratar Hector de forma tão superior.
-Não o tratei de forma superior, só não admito que ele não tenha respeito por mim, o tratei da mesma forma que me tratou.
-Sei disso, mas é bom ter alguém que o confronte de vez em quando.
-Você pareceu que estava acostumado a confrontá-lo.
-Isto já se tornou algo muito rotineiro, perdeu a graça.
-Entendo.
-Então posso lhe contar? Não ira contar a ninguém?
-Se não envolver nada como um ataque surpresa as bruxas, não a necessidade de eu contar a ninguém.
-Quando você estava saindo da sala de reunião Hector lhe pediu sobre as escrituras não é mesmo?


-Sim,...mas como sabes?
O venator levou mão à cabeça constrangido:
-É bem... Eu estava lhe esperando... O esbarrão foi proposital.
Anne parou de andar o encarando:
-Como é?
-Espere... Espere – disse ele a puxando para que voltasse a andar – Depois lhe dou meus motivos, agora deixe-me terminar de falar. Então, sobre as escrituras, eu sei onde elas estão.
-Sinto muito, mas isto não tem importância para mim.
-Você me pediu o motivo de eu abdicar meu lugar na liderança, estou lhe explicando o porquê disso.
-E o que a escritura têm a ver com isso?
-Eu consegui abri-la.
Anne parou novamente:
-O que? –pediu surpresa – impossível.
-Também achava, mas quando vocês a entregaram foi meu pai que ficou de guardião. Quando ele foi morto eu a encontrei, e agora as uso para meu treinamento.
-As escrituras estavam seladas, minhas descendentes a selaram. Somente no inicio elas foram abertas.
-Sei disso, mas algo mudou, eu consegui abri-las sem nenhum impedimento.
-Como?
-Quem sabe os tempos então mudando.
-Mudanças não ocorrem sem motivos, ainda mias quando estão relacionadas a fatos como esse. Há séculos as escrituras foram seladas, a chave ficou perdida por metade do tempo, e quando conseguiram juntar as duas ninguém foi capaz de abri-las.
-Eu as abri, e consegui passar para a terceira fase da transformação.
Anne abriu a boca como se fosse falar alguma coisa, mas não conseguiu.
-Sei que parece mentira, mas é a verdade. Demorei anos para traduzir uma única palavra, e mais um tanto para conseguir entender o que significava, mas no final rendeu resultados. E agora preciso da sua ajuda com a próxima.
-Desista, não irei ajudá-lo.
-Se você me ajudar poderei ir mais rápido e reivindicar pela liderança, o que facilitaria para você.
-Faça isso agora mesmo, a liderança não exige que você ultrapasse todos os outros venator, você só precisa ser um bom líder e fazer as melhores escolhas para seu povo.
-Mas quanto mais forte formos melhor poderemos defender nossas raças.
-As bruxas e os venators ultimamente não são o melhor exemplo de aliança, você ficando mais forte não traria benefícios a minha raça, você poderia trair-nos a qualquer momento.
-Não ousaria trai-la. – Christian a interrompeu seu olhar firme fez com que Anne sentisse uma corrente elétrica passasse por seu corpo, incapacitando-a de qualquer coisa por breves momentos.
-Infelizmente palavra não tem tanto valor quanto ação. – Disse ao se recuperar.
-Não costumo quebrar minhas palavras.
-Não costumo acreditar em todos que dizem isso.
-Não acredite em todos, acredite somente em mim.
-Confiança se ganha com o tempo, então não tenho nenhuma razão para acreditar em você.
-A farei acreditar, não parta ainda dê-me três dias eu lhe provarei que pode confiar em mim.
-Não tenho tempo pra ficar de folga.
-Três dias, nada mais do que isso, lhe garanto que não se arrependerá.
-Irei partir hoje mesmo, não posso permanecer aqui.
-Eu lhe passo a localização do grimório original.
-Ninguém sabe onde ele se encontra.
-Me de três dias que você saberá.
-Se você soubesse poderia me dizer agora.
-Três dias e eu garanto que voltarei com a localização do grimório da Petrova original.
-E como você saberia a localização?
-Como eu disse eu tenho as escrituras, e antigamente os venator’s eram confidentes das bruxas, agora me basta traduzi-las que lhe passarei a localização.
Anne pensou por um momento.
O grimório estava perdido há séculos, e nele estavam guardados os maiores feitiços, e a verdadeira história do inicio das raças.
Três dias... Três dias... Mas o pior não era o tempo, mas sim... O perigo que ela pressentia ao ficar perto de Christian.
Mas ela precisava tentar:
-Três dias.
-Três dias e volte aqui, neste mesmo local quando o sol estiver se pondo.
-Nenhum dia a mais.
-Nenhum dia a mais.
-Se eu chegar aqui e você...
-Eu estarei lhe esperando.
Anne assentiu.
-Mas não estou garantindo nada.
-Se você não vir eu irei atrás de você.
-Você não me encontraria.
-Sim, eu encontraria.
-Não se eu não quisesse. – Respondeu virando as costas para o outro e fazendo o caminho de volta.
Christian sorriu:
-Garanto-lhe que te encontraria. – gritou vendo a outra se afastar.
Fim do Flashback
Depois do combinado eu me afastei e me escondi dele.
Eu não poderia ficar ali mais três dias, eu não confiava em minhas reações perto dele, eu não tinha controle sobre meus atos. Sensações estranhas me tomavam ao estar na presença dele. Eu precisava me afastar antes que aquilo piorasse.
Mas o grimório. O grimório da original estava perdido há séculos, e se ele soubesse realmente onde estava eu tinha a chance de recuperá-lo.
Então eu o segui.
O segui até sua casa.
Sim foi uma infantilidade, mas era o único meio que eu tinha de conseguir pistas sobre a localização do grimório sem ter que esperar os três dias.
Ele entrou na sua casa e eu esperei.
Não era tola de me aproximar mais de um venator do que já estava. Não poderia entrar na casa enquanto ele estivesse lá. Precisava manter distância e esperar que ele saísse.
Foi o que fiz
Quando ele saiu, fiz um feitiço de arrombamento e entrei.
Procurei, procurei, procurei, mas nada. Feitiços de localização não funcionavam, eu não tinha nada que pudesse usar como ponto de apoio. Nunca nem mesmo havia tocado nas escrituras, e feitiços mais fortes deveriam protegê-lo.
Mas é claro, eu era previsível para seu pai, um livro aberto de letras enormes, como se eu andasse com todos meus pensamentos escritos na testa. Desde o começo foi assim. Sempre foi assim.
Ele havia me pregado uma peça. Esperou para que eu invadisse sua casa para me dar um flagrante.
O descarado teve a coragem de rir de minha cara. Foi sem pensar que eu comecei a pronunciar um feitiço de esquecimento
Mas ele me impediu.
Flashback:
Christian se aproximou da loira sorrindo.
-Desculpe-me deveria ter lhe dado um tempo a mais.
-Você... Você...
-Eu te enganei.
-Como ousa? – sua voz não passava de um sussurro, mas era um misto de revolta, nervosismo, raiva, e algo que nem ela conseguia detectar.
-Como eu ouso? Foi você quem invadiu minha casa.
-Eu não invadi, vim pegar o que me pertence.
-Esperasse três dias que você teria o que lhe pertence.
-Não tenho três dias.
Ele se aproximou mais dela. Anne deu um passo para trás, para em seguida Christian dar dois em direção a ela.
Se ele estendesse um pouco o braço poderia tocá-la.
Anne sentia como se fosse cair a qualquer momento, suas pernas estavam bambas, sua respiração ofegante.
-Por que motivos você não teria três dias?
Ela não respondeu.
-Diga-me, o que te impede de ficar?
-Nada que seja de seu interesse – murmurou virando o rosto.
-Certeza?
-Por que seria? Agora poderia me fazer o favor de...
Anne foi impedida de falar, seu corpo se chocou contra o de Christian, quando os braços fortes do venator a puxaram para si.
A bruxa sentiu uma estranha sensação de incapacidade ao sentir seus lábios contra os dele, era como se uma corrente a prendia junto dele, a impossibilitando de sair.
Seu corpo se encaixava de maneira perfeita contra o dele, sua língua sem forças para resistir se renderam dançando juntamente com a dele.
Suas pernas bambearam e seu estomago aparentava estar recebendo visita de pequenas borboletas travessas.
Os braços dele subiram por suas costas a prendendo mais firme contra si.
-Eu vou te encontrar. – Murmurou com os lábios ainda junto dos dela.
Um estalo se fez ouvir quando Anne levantou a mão dando um tabefe no rosto de Christian:
-Como ousa?
Mas não esperou por resposta, saiu correndo desesperada.
Aquilo não poderia ter acontecido, nunca.
Christian não a seguiu, ele teria tempo para aquilo depois.
Fim do Flashback
Eu sabia que aquilo não era permitido, Christian sabia, por isso fugi.
Mas ele me encontrou, assim como o prometido, ele trouxe consigo a localização do grimório pela metade, pois ela estava gravada nas escrituras do venator’s, e como ele dissera, não estava totalmente traduzido, os símbolos eram antigos, e difíceis de reconhecer.
Fugi mais uma vez, não nos vimos durante mais de três anos, mas por mais que eu tentasse, não conseguia me afastar dele, eu o avisei sobre os perigos, mas ele não ligava, ele sempre me encontrava.
Por fim desisti de lutar. Nos encontrávamos escondidos, e por muito tempo deu certo.
Até que por fim boatos se espalharam. Boatos não eram o suficiente para fazerem qualquer coisa contra nós, mas quando os boatos se comprovaram, a situação se complicou.
As bruxas não admitiam que eu sendo uma da linhagem principal misturasse nosso sangue com um venator, isso enfraqueceria a linhagem. Era permitido somente nos juntarmos com alguém da nossa própria raça, ou humano, pois assim a linhagem teria pouca interferência.
E os venators só permitiam a união com da alguém da aldeia. Alguém da mesma raça.
Eles nos pediram para desistirmos, mas não podíamos, não podíamos controlar o que sentíamos.
Aplicaram vários castigos em Christian, e me tiraram do comando, eu não possuía mais o direito de liderar a raça bruxa, eu era uma traidora, fui expulsa. Christian foi preso pelos venator’s, mas eu consegui soltá-lo. As bruxas mesmo me expulsando não eram fortes o suficiente para retirarem meus poderes.
Viemos nos esconder em Mystic Falls. Por mais que eles nos quisessem mortos não tinham esse direito, mas os vampiros queriam vingança pelos que Christian havia matado e os lobisomens também, isso gerou muita confusão para nosso lado.
Assim que chegamos a Mystic Falls descobrimos sobre os Lockwood, nenhum deles havia matado ainda, então não estavam com a transformação completa, mas sentiram o perigo. Seu pai conversou com um deles e deu o aviso, ninguém interferia na vida de ninguém e tudo ficaria tranquilo.
Seu pai precisava sair para caçar, ele precisava do veneno de vampiros e lobisomens para se alimentar, somente comida não bastava, eram necessário os dois na alimentação de um venator. Por isso a caça deles não era somente uma obrigação como também um modo de sobrevivência.
Quando descobri que estava gravida entrei em pânico. Sabia quais eram os riscos, mas mais uma vez eu não podia deixá-la, eu precisava conhecer minha filha, e não matá-la antes mesmo de lhe dar uma chance.
Quando você nasceu foi o dia mais feliz de nossas vidas, como se o verdadeiro motivo de termos feito todas aquelas loucuras estivesse sido explicado, você se tornara tudo para nós.
Mas nunca pretendíamos deixá-la desprotegida, criei a melhores formas que pude de informá-la se precisasse, está é uma delas, garanti que você só saberia a verdade ao entrar aqui, pois até mesmo os melhores feitiços podem ser revertidos, e colocando um sobre o outro ficaria mais complicado de conseguirem fazer isso, por isso à carta ao invés de lhe falar como uma lembrança espectral, as lembranças seriam mais fracamente protegidas e não teria garantia de duração.
A carta somente você pode ler, mas é necessário que a queime depois. Principalmente pelo fato da situação das alianças e das escrituras, isso não pode se espalhar, os venators até hoje manterão o anonimato melhor do que ninguém, e isto garantiu a sobrevivência da espécie, e se a aliança deles com as bruxas for descoberta não traria boas consequências por meio das outras raças restantes.
Desde há primeira semana que descobri estar gravida comecei a criar um feitiço, um feitiço que garantisse sua segurança, um feitiço que captasse as intenções de cada humano, venator, vampiro, bruxa, ou lobisomem, para com você, se as intenções fossem ruins Mystic falls não ficaria visível.
Seu pai também criou suas próprias maneiras de deixá-la protegida.
Esperamos que tenha sido o suficiente.
O resto da história você sabe melhor do que eu.
Agora enquanto escrevo está carta você acaba de pronunciar suas primeiras palavras, foi um meio termo entre pai em mãe. Seu pai está a sufocando de orgulho, se bem que não se conforma que você não tenha falado somente “papai”.
Agora irei ir te dar um abraço de boa sorte, pois sei que nossas escolhas giraram todas em torno de você, somente de você Samantha, e nunca voltaríamos atrás de nenhuma delas. Nós te amaremos para todo e todo sempre, independentemente de onde estivermos.
Anne Marie Dellafried
¨¨¨¨¨¨¨

Continua...

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Qua Jun 20, 2012 6:50 pm

Capitulo 36 – Coisas de bruxas

Samantha terminou de ler a carta sua voz a cada linha se tornava mais fraca.

-Você percebeu o que eu percebi? – perguntou Troy se ajoelhando ao lado da vampira.

-O que você percebeu? – a garota continuava absorta na carta.

-Você além de ser a última da linhagem das bruxas originais, ainda poderia ser a líder dos venator, você teria tanto direito quanto seus pais.

-Eles foram expulsos Troy, eles perderam todos os direitos, e tenho certeza que a única coisa que qualquer uma dessas duas raças quer é me ver morta. Eu não sou mais uma deles.

-Mas também não é puramente uma vampira. Sua linhagem ainda está ai, escondida, mas permanece em você. Quando você teve a visão de seus irmãos foram seus poderes bruxos lhe dando um aviso.

-Obrigado por lembrar-me de que não me encaixo em nenhuma das raças, naturais ou sobrenaturais.

-Você sabe que não foi isso que quis dizer – continuou o vampiro se levantando e retirando um grimório da estante. – Só estou lhe dizendo que você sempre terá uma parte de seus pais.

-Será que há uma maneira de acordar meu lado bruxa e venator por completo?

-Mesmo se houvesse seria perigoso.

-Tem alguma ideia do que aconteceria?

-Samantha, seria muito poder para seu corpo aguentar. Quem sabe tenha sido por isso que as bruxas resolveram dividir seus poderes. Quem sabe elas estavam perdendo o controle.

Samantha deixou o assunto morrer e começou a folhear o caderno que também estava dentro da caixa. Pela forma da escrita era um diário, mas estava escrito em uma caligrafia que Samantha não reconhecia:

-Troy?

-Diga.

-Consegue ler?

Troy se aproximou e Samantha lhe passou o diário.

-Desta vez consigo ver a escrita, mas não é uma escrita que conheço, é algo que nunca vi. Deve ser muito antiga.

Samantha concordou e pegando novamente o diário na mão o guardou dentro da caixa. Em seguida pegou o mapa. Girou-o de todos os lados, mas não reconhecia a região desenhada.

Troy fez uma careta:

-As bruxas devem achar graça brincar com nossa cara. Quando não estão pregando peças com seus poderes é porque ninguém a não ser uma múmia saberia decifrar seus enigmas.

Samantha estreitou os olhos para ele, mas no fundo concordava.

Recolocou o mapa dentro da caixa e pegou o último pergaminho, desenrolando-o. Este possuía a caligrafia de sua mãe assim como a carta, mas não passava de um bilhete:

“Filha, guarde está caixa com você, nunca consegui descobrir o que este diário e este mapa vem tentando nos dizer, mas eles estão em nossa família há mais tempo que qualquer um destes grimórios. E quanto aos grimórios o feitiço continuará mesmo depois que você tenha desfeito os selos, eles se refarão sozinhos. Então, você decidira o que deseja fazer com eles, mas é claro, é extremamente importante que a localização deles não se espalhe.”

“Daquela que sempre ira te amar, sua mãe: Anne Marie Dellafried.”

Samantha enrolou novamente o pergaminho e o recolocou dentro da caixa.

-E então o que fará com os grimórios?

-Os deixarei aqui, Giuseppe estava como guardião destas terras, mas como para todos eu estou como sumida, e não morta, ninguém poderá passar do nome de Giuseppe para outro nome sem conversar comigo antes, então não creio que resolvam mexer neste local.

Troy assentiu e se voltou novamente para os grimórios:

-Você já viu as datas? – perguntou foleando um dos livros grossos.

Samantha fechou a caixa e passou a chave, assim que rodeou a chave o colar voltou ao normal a sobressaltando.

Levantou carregando a caixa consigo e foi até Troy observando o grimório que ele segurava.

-A época em que Noé era criança?

-Ótimo chute, mas eu arriscaria dizer que alguns destes grimórios são mais velhos que Matusalém. 732, 436, 524, 276, 43. E pelo que sua mãe disse na carta o primeiro grimório ainda está perdido. – Troy soltou um assovio admirado – E eu que me sentia idoso.

Samantha bufou e pegou um dos grimórios o abrindo:

-Será que elas não poderiam escrever em uma língua mais conhecida? Que de preferencia não aparenta ser apenas um monte de rabiscos.

-São seus antepassados, não meus.

A garota deu de ombros:

-Existem apenas bruxas, ou bruxos também?

-São poucos os bruxos, e eles gostam de se intitular feiticeiros. – Respondeu revirando os olhos.

-E os lobisomens e venators?

-Neste caso a população masculina é maior, as venatrix’s como são chamadas no feminino, são casos raríssimos, pelo que sei, nem todas as mulheres se transformam. E sobre lobisomens eles são raros hoje em dia, não sei muito sobre eles e como é sua população.

Samantha recolocou o livro na estante assentindo:

-Minha mãe mencionou na carta as Escrituras. As que eram por direito dos venator’s. Elas estavam com meu pai, então não deveriam estar aqui?

-Muita coisa aconteceu depois que sua mãe escreveu essa carta. Ela até mencionou que seu pai foi preso pelos venator’s por um tempo. Ele pode ter perdido as Escrituras nessa época. – A vampira estava de costas para ele, por isso não pode perceber a repentina tensão com que ele respondeu.

A garota suspirou enquanto se voltava para a saída:

-Vamos embora, temos muito que fazer, já fizemos o que precisávamos fazer aqui.

-Não vai levar nenhum? – Perguntou o loiro indicando as estantes recheadas de grimórios.

-Só se for para usar como alicerce de cadeira quebrada. Não tenho poderes Troy, se tivesse não saberia nem como usar, e sei ler o que está escrito nesses livros tão bem quanto sei ler as estrelas, traduzindo: nada. Irei levar somente essa caixa e ponto final. Se um dia precisar de alguns destes grimórios é só vir buscá-los. Não temos tempo, nem condição, e muito menos precisão de leva-los. É melhor deixá-los aqui, estarão mais protegidos. E se algum dia aprendermos a ler “bruxanes”, ou seja, qual for o nome dessa escrita ilegível, voltamos e buscamos todos.

-Ok então né, você que manda. – Concordou recolocando o grimório que segurava na prateleira. – Vamos então?

Samantha como resposta foi em direção à escadaria já subindo o primeiro degrau, quando um baque a assustou.

Os dois se viraram em direção ao barulho.

A grande rosa negra havia se fechado novamente, se mantendo da mesma forma que eles a haviam encontrado.

-Está bem, está bem, chega de magia por hoje, vamos Samantha, vamos. – Troy se apressou a empurrando escada acima.

¨¨¨¨¨¨¨¨

Assim que voltaram ao ar livre, a grande sequoia voltou ao normal, como se ali não houvesse nada de anormal.

-E agora? – Troy pediu.

-Agora vamos começar nossa caçada.

-Sobre isso, acho que sie um meio de adiantarmos um pouco o lugar onde ela ira começar.

-E onde seria?

-Conheço uma bruxa, a mesma que enfeitiçou meu anel, ela é de confiança, e mesmo assim não é necessário dizermos quem você é, pois isso poderia colocá-la em riscos. Podemos pedir a ela se é possível localizar seus irmãos.

-Ela conseguiria fa.....

Troy colocou o dedo indicador sobre os lábios pedindo silêncio. Samantha sentiu seu corpo se retesar em alerta.

Apurou seus sentidos.

Podia ouvir o som de um coração humano não muito longe. Estava sozinho, a não ser por o que devia ser um cavalo em um ponto um pouco mais afastado.

Os dois se esgueiraram entre as árvores em uma velocidade sobre humana sem fazer ruído algum.

Samantha teve uma surpresa ao chegar ao local:

-Ed? – chamou saindo de entre meio as árvores, a caixa de madeira segura em suas mãos, com Troy ao seu encalço.

-Oi Samy– Edmundo respondeu ignorando por completo Troy que estava ao lado de Samantha.

-O que está fazendo aqui?

-Imaginei que você apareceria por aqui.

Samantha suspirou:

-Ed já lhe disse...

-Calma, calma não lhe pedirei mais nada, só achei que você precisaria disso – a interrompeu retirando um envelope pardo e grosso de dentro do paletó.

-O que é isso? – perguntou a garota confusa levantando uma das sobrancelhas.

-Abra - disse estendendo o envelope para ela.

Samantha, o pegou desconfiada, e o abriu.

Seus olhos se arregalaram na hora.

Dentro havia uma grande quantia em dinheiro e uma barra de ouro:

-Edmundo...

-Isso lhe pertence por direito, meu serviço só foi fazer chegar até você. Essa é uma pequena quantia de tudo que seu pai mantém guardado. Passei na mansão dos Salvatore hoje de manha e peguei para você.

-Se descobrirem...

-Ninguém vai descobrir, e também tenho uns pontos a meu favor com seu pai, então ninguém desconfiaria, e mesmo assim ninguém sentirá falta.

Samantha gemeu contrariada:

-Você não deveria ter feito isso.

-Não seja chata, só quis lhe ajudar, acho que mesmo você não gastando com alimentação você precisará.

A garota assentiu.

-Quem está cuidando da mansão?

-Seu tio, ou melhor, os tios de Damon e Stefan, um irmão de Amanda, ele veio assinar os papéis para passar a mansão ao nome dele, mas não sei disser se vai morar por aqui ou continuar onde está.

-Entendo.

-E Samy, tem outra coisa, como você bem sabe seu pai estava passando para seu nome este local também – disse mostrando o lugar a sua volta com a mão. – Então lhe trouxe os documentos – pegou os documentos alcançando a ela.

Samantha pegou os papeis que ele lhe estendia.

A garota mordeu o lábio inferior, nervosa.

Se ela ficasse com os papeis ninguém poderia mexer em nada ali, mas Edmundo corria riscos de se meter em uma bela confusão.

-Ed...

-Quase ninguém sabia os planos de seu pai Samantha, e ninguém irá se dar conta de que os documentos sumiram. Até que percebam já terão se passado anos.

A vampira o encarou nervosa:

-Ok, mas uma pergunta: como você fez para entrar na mansão?

Edmundo corou dando um sorriso sem jeito:

-Eu... éh... Eu quebrei uma das janelas e entrei.

A vampira arregalou os olhos. Aquilo não era de se esperar, não vindo de Edmundo Forbes.

-Não me olhe deste jeito – a repreendeu corando ainda mais.

Samantha abanou a cabeça descrente.

Um silêncio pairou constrangedor, o que serviu para que Edmundo deixasse de ignorar Troy e passasse a olhá-lo com uma carranca emburrado.

-Ed este é Troy...Troy este é Edmundo. – Tentou ela sem jeito.

-Humm . – Foi tudo o que Edmundo disse aumentando o bico.

Troy sorriu de lado achando grassa:

-Hey Edmundo tudo bem? Nunca havíamos sido apresentados corretamente não é mesmo? – disse estendendo uma das mãos.

Edmundo o lançou um olhar de poucos amigos, ignorando a mão que Troy lhe estendia.

-Não se preocupe, eu não mordo... - deitou o pescoço de lado ampliando o sorriso fazendo Samantha revirar os olhos e enquanto Edmundo arregalava os seus – Quer dizer... Não irei lhe morder.

Samantha lhe cutucou no ombro.

-Boa hora para piadas de mau gosto – murmurou, irritada, para que somente ele ouvisse.

-A culpa não é minha se o garoto não sabe levar a vida de um jeito mais leve. – se defendeu ele no mesmo tom baixo.

-E então... O que você vai fazer agora? Para onde pretende ir? – pergunto Edmundo alheio à conversa dos dois.

-Antes de qualquer coisa iremos ir atrás de Damon, Stefan e Jane. Eu não poderia abandonar meus irmãos agora.

Troy pareceu surpreso e confuso com a adição do terceiro nome. Um pequeno tremor percorreu seu corpo.

O humano assentiu:

-E Jane? Quem é ela?

Nem Samantha nem Troy responderam verbalmente, mas pela expressão de compreensão de Edmundo ele havia entendido.

-Hãm... Então... Então isso é um adeus definitivo?

-Nossos adeuses não estão se cumprindo, acho bom deixar que o tempo resolva isso.

-Torço para que ele esteja a meu favor.

-Éh nem sempre sabemos o que é melhor para nós mesmos, às vezes aquilo que queremos nem sempre é o que precisamos.

-Mas independentemente disso não deixaremos de querer, mesmo não sendo o que precisamos.

-Ed...

-Tudo bem, não irie mais insistir. – interrompeu-a, indo em sua direção.

Samantha involuntariamente foi dando um passo para trás, mas Troy esticou seu braço a impedindo.

Edmundo lançou um olhar rápido para Troy antes de voltar a ignorá-lo, para em seguida se inclinar para Samantha e lhe dar um beijo na bochecha.

A garota corou.

Edmundo passou o polegar por sua pele corada dizendo:

-Não imaginava que isso não se alteraria depois da transformação, pensei que nunca mais teria a chance de lhe ver deste jeito.

-É...é...é...também pensei que me livraria disto, mas meu coração continua batendo. Ele funciona diferente é claro, pois mesmo sem sangue o veneno continua sendo bombeado, mas queima, e o sangue serve para impedir essa queimação, serve para aliviar a dor.

-Mas por que é necessário sempre mais sangue?

-O veneno faz com que o sangue evapore, o dissolve até que não sobre mais nada e a ardência volta com tudo.

-Interessante.

-Repugnante.

-Se me dissesse isso até pouco tempo atrás eu concordaria, mas agora as coisas mudaram.

A contra gosto se virou para Troy:

-Lembre-se você me disse que cuidaria dela.

Troy assentiu:

-Não era necessário eu ter lhe feito a promessa, faria isso mesmo sem prometer a ninguém.

Edmundo cerrou o maxilar e se voltando novamente para Samantha pegou sua mão lhe depositando um beijo.

-Preciso ir.

Samantha fez sinal afirmativo:

-Desta vez não diremos adeus.

-Quem sabe um até breve? – pediu se afastando.

-Melhor não dizermos nada.

-Então até um dia quem sabe?

-Humm, podemos deixar assim, mas o até um dia pode nunca chegar.

-Por este motivo o “quem sabe” no final.

-Então, frase aceita.

Edmundo riu continuando a se afastar:

-E... Samantha?

-Sim?

-Não me arrependo da noite passada, mesmo sabendo que não foi em boa hora.

A vampira se sentiu corar até a raiz dos cabelos, enquanto Troy ao seu lado se segurava para não rir da expressão dela. Samantha pisou em seu pé, fazendo com que as feições perfeitas do vampiro se retorcessem em uma careta.

Emundo sorriu e com um ultimo aceno se infiltrou entre as árvores. Alguns segundos depois Samantha ouviu o galopar de um cavalo se afastando.

-Sabe, meu peso na consciência por Damon ter quebrado o nariz de Edmundo diminui de repente. – Comentou ela ainda corada.

-Pega leve com o coitado. E não precisava ter pisado tão forte. Suas caretas são engraçadas, não tem como não rir. Mas o que foi que ele te fez para seu irmão quebrar o nariz dele? – Perguntou exibindo seu sorriso de covinhas.

Samantha ignorou a provocação de Troy, apenas lhe lançando um olhar de reprovação.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Continua....

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Sab Jun 23, 2012 9:08 pm

Antes de mais nada, é claro que eu não poderia deixar de dedicar esse capitulo para aniversariante da semana, minha mana linda: Patty. Então mana esse vai dedicado a você sz.
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Capitulo 37- Intromissão

-Certeza que ela ainda mora na mesma casa?

-Certeza, certeza não, mas não custa tentarmos.

Samantha estava sentada ao lado de Troy, seus dedos se ocupavam em desenhar a borda do copo de whisky. Os dois haviam feito uma pausa no caminho para a casa da bruxa que Troy acreditava poder ajudá-los na busca por Stefan e Damon.

-Ainda estamos muito longe?

-Não, não, se continuarmos no ritmo em que estamos em menos de três dias chegamos lá.

-Três dias? – perguntou Samantha desanimada.

-Não reclame, se tudo der certo nos poupara muito tempo para encontrarmos seus irmãos.

Samantha assentiu um silêncio pesado pairando entre os dois, somente quebrado quando a vampira depois de muito pensar se devia ou não entrar naquele assunto perguntou:

-Tem alguma ideia de onde Jane possa estar?

-Não, e já lhe disse que nossa busca não vai dar em nada. Ela não quer ser encontrada Samantha, se quisesse eu a teria encontrado, não passei os últimos dez anos sentado em banco de praça fazendo músicas de dor de cotovelo, sabe?

-Não estou dizendo isso, é só que... Bem... Você não fez nada para que ela partisse não é mesmo? – Ela mesma duvidava de sua própria pergunta.

Troy bufou:
-Depois de religar meus sentimentos eu estava muito ocupado tentando me redimir por tê-la feito se preocupar tanto comigo para ter tempo de fazer qualquer coisa que pudesse magoá-la.


-Algo deve ter acontecido.

-Jane era de fases, ela deve ter simplesmente se cansado de mim.

-Não acredito nisso, se ela quisesse se cansar de você ela não teria ficado ao seu lado quando você precisou. Você não devia nem pensar isso dela.

-Por que está a defendendo? Você nem a conhece.

-Não a conheço, mas não acredito que ela lhe abandonaria por livre e espontânea vontade.

-Por que não acredita?

-Porque se fosse eu no lugar dela não te abandonaria. – A garota respondeu corando.

Troy a encarou por um momento:

-Não sou perfeito Samantha.

-Perfeição é uma questão de ponto de vista. A perfeição universal não existe, ela é algo subjetivo, único, pessoal. E acredito que Jane te considerava perfeito, perfeito para ela, assim como você a considera perfeita.

-Assim como você considera Greg perfeito.

-É bem... Na verdade Greg não era perfeito... Ele quis experimentar meu sangue por pura curiosidade, – disse fazendo uma careta – mas eu devo ter alguma ligação com o perigo, sempre quero o que não posso ter ou algo assim. E tem o fato de ele ter se apaixonado por mim por causa de meu sangue... Isso não é romântico... Era como se eu o compelisse a sentir isso por mim.

-Ninguém precisa ser compelido a isso Samantha, é difícil ignorá-la.

Samantha virou o resto de whisky de uma vez.

-Da mesma forma que é difícil Jane ter lhe abandonado por vontade própria.

-Questões diferentes.

-Nem tanto dependendo do ponto de vista. Acorda Troy, chega ser maldade com os meros mortais. Você deveria ter ao menos um defeito, mas não, fica o tempo todo aí todo estilo você. Que ser, humano, vampiro, bruxa, venator, ou seja, lá o que for tem a capacidade de me aturar sem sequer se encher de minha incrível capacidade de ser chata ao quadrado?

-Minha super capacidade é a paciência. Então você fica com a sua de construir barreiras expulsando todo mundo, e eu com paciência vou quebrando essas barreiras.

Samantha fixou o perfil do loiro intensamente:

-Viu porque digo que não há a mínima hipótese de Jane ter partido por livre e espontânea vontade?

-OK, ok, não estou a fim de continuar uma discussão em que sei que irei perder. Isso é injusto, você sempre ganha.

-Você desiste muito fácil, não tem nem graça discutir com você.

Troy soltou uma gargalhada gostosa:

-Você não sabe o que quer.

-Eis ai a questão. O que eu quero? Simples: dois nomes, um sobrenome, dois teimosos, lindos, charmosos, que chamo de irmãos. Damon e Stefan são tudo o que quero.

-Boa resposta.

-Ótima resposta.

-Seja modesta.

-Damon diria que modéstia é falta de competência, ou humildade hipócrita.

Troy soltou outra gargalhada pelo modo sério de Samantha falar:

-Acho bom voltarmos à estrada, temos muito caminho pela frente.

Samantha concordou já levantando-se.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Três dias depois os dois ainda seguiam caminho.

-Certeza que já não passamos por aqui?

-Certeza, assim como tenho certeza que você é péssima em geografia.

-Mas essas formações de árvores... Têm certeza que já passamos por elas Troy?

-Estamos na América, quer que as espécies de árvore mudem a cada quilometro? Calma está bem? Não estamos muito longe, mais algumas horas e estaremos lá.

-Continuo achando...

-Por favor, Samantha, já disse a você que não estamos perdidos.

-Está bem, está bem, mas se estivermos...

-Não estamos perdidos Samantha, eu não sou tão mau vampiro assim a ponto de não saber me localizar.

-Está dizendo que eu sou não sirvo para ser vampira?

-Bem, não foi isso que quis dizer, mas...

Troy deixou a frase morrer, Samantha soltou um rosnado baixo:

-Só avisando, se estivermos perdidos eu vou falar: eu avisei.

-Não estamos perdidos.

-Nunca alguém que está perdido irá admitir que esteja perdido.

-Para sua informação os vampiros tem um senso de localização melhor do que os humanos, especialmente quando o vampiro em questão passou os dez últimos anos explorando cada canto do mundo em busca de alguém.

Samantha ficou pensativa por um instante:

-Está bem, não estamos perdidos, mas se estivermos eu irei falar “eu avise”.

Troy revirou os olhos enquanto os dois seguiam finalmente em silêncio.

Os dois passavam como borrões pela paisagem.

O clima esfriava, um vento cortante jogava para o lado os cabelos de Samantha.

-Se não quiser se molhar acho bom acelerar, vai vim temporal.

Como que para afirmar o que Troy havia dito antes de Samantha falar qualquer coisa um raio cortou o céu sendo seguido pelo estrondo de um trovão.

-Acha que ainda da tempo de chegarmos antes da chuva?

-Não sei, mas podemos tentar.

Outro raio cortou o céu, desta vez o barulho veio de um lugar mais próximo.

-Sabe como calcular a distância em que um raio caiu do local onde você está?-Troy pediu ainda correndo e desviando os olhos do céu para olhar para Samantha.

-Não faço ideia. Sei lá, contando a quantidade de passos que dá até o local do raio?

Troy riu:

-Acho que isso daria muito trabalho. Basta quando você vir o relâmpago começar a contar até o começo do som do trovão, quando der o trovão você para, o número que der você divide por três.

-Duvido que isso funcione.

-O resultado provavelmente não será exato, mas não acho que seja totalmente errado.

-Você pode provar que é verdade?

-Pode provar que não é verdade? – Troy sorriu revelando as covinhas na bochecha – Vamos tentar.

Troy esperou até ver um relâmpago, assim que viu começou a contar:

-Um, dois, três, quatro...

Samantha apenas o observava, quando o Trovão se fez ouvir Troy parou, mas Samantha ficou mais atenta. Ela tinha certeza que havia escutado alguma coisa, além do som do trovão.

-Deu seis...

-Troy, você ouviu isso? – Samantha o interrompeu.

-O que você acha que eu estava fazendo?

-Não estou falando do trovão - continuou ela parando de correr e olhando para os lados atenta. – Preste atenção.

Troy a encarou por um momento, mas depois obedeceu.

Um grito de desespero soou mais alto que os trovões.

-Vamos alguém precisa de ajuda.

-Samantha, preste atenção, não é apenas um humano.

-Vamos Troy.

Troy não teimou apenas a seguiu.

Os dois não precisaram correr muito para chegar ao local.

Samantha paralisou ao ver o que estava acontecendo.

Um vampiro se debruçava por cima de uma mulher. Do pescoço da vitima sangue escorria por um corte fundo na lateral.

Por um momento a garota hesitou. Mas sem mais delongas trancou a própria respiração e se jogou para cima do vampiro antes que Troy a impedisse.

O outro rosnou e a jogou contra uma parede de pedras.

Samantha sentiu alguns ossos de sua coluna se quebrar com o impacto. Suas presas apareceram enquanto seus olhos ganhavam uma coloração avermelhada e veias se salientavam de seu rosto.

Um urro escapou de sua garganta enquanto ela se preparava para ignorar a dor e saltar contra seu adversário, que já se preparava para atacá-la novamente, mas ela não precisou, Troy agarrara o outro pelo pescoço e o afastava de Samantha, segurando-o firme.

Troy não olhava para ela.

Samantha pode ver apenas o vislumbre de seu rosto transfigurado, Troy evitava ao máximo se alimentar perto dela, e as poucas vezes que Samantha o vira se alimentar ele virara o rosto para que ela não o visse, suas vitimas eram tratadas com um cuidado extremo. Samantha sabia, se ela não servia para ser vampira ele se encaixava nessa posição menos ainda. Ele era bom demais, independentemente de ser vampiro ele nunca trataria suas vitimas como simples alimentos.

O vendo daquela forma, como se o constrangesse mostrar aquele seu lado, Samantha se recompôs.

Até que ponto ele amava Jane? Ele aceitará viver de uma forma que o corroía apenas para poder ficar com ela, amá-la pela eternidade. Quem desperdiçaria isso? Quem em sã consciência o abandonaria?

-Eu não ia machucá-la, só queria me alimentar, se sua companheira não fosse tão intrometida eu não iria atacá-la, ela que pediu. – O outro vampiro tentou defender-se.

Samantha rosnou, olhando para o vampiro, suas presas ameaçaram sair novamente. Suas costas já estavam completamente curadas.

-Não precisa matá-la, não precisa tratá-la desta maneira. Ela é humana, ela tem família.

-Ela não passa de alimento para mim.

-Isso porque você é um lixo - Samantha cuspiu as palavras, enojada, o vampiro se debatia para se soltar de Troy, mas Troy era mais forte. – Você nunca teve uma família? Você nunca amou ninguém?

-Do que te importa garota? Você se alimenta do jeito que bem entender agora a minha alimentação sou eu quem escolhe a forma que será.

-Não na minha frente.

-Samantha quieta, já chega, por hoje já foi o suficiente.

Samantha rosnou mais uma vez antes de se virar e ir em direção à mulher trêmula.

Troy prenderá o outro vampiro contra uma árvore e o encarava:

-Vá embora se preza sua vida, se tentar atacar eu te mato. Ouviu bem?

-Me solte fedelho.

Samantha se virou ao ouvir um som de engasgo. Troy apertara com mais força o pescoço do vampiro.

-Sua última chance. Vá embora.

-Não antes de acabar com a justiceirazinha. – Sua voz estava engasgada.

-Você não está em condições de acabar com ninguém, se ainda tem um pingo de dignidade vá embora, se tentar relar um dedo na garota eu acabo com sua raça.

Samantha sentiu um arrepio passar por seu corpo ao ouvir o tom da voz de Troy. Ele deixara bem claro que não queria ser questionado.

-Então se decida: vai embora ou vai tentar o impossível?

O vampiro com um urro se livrou de Troy e disparou para longe dos dois.

Troy o observou até que estivesse longe. Samantha foi ate a mulher prendendo novamente a respiração.

-Quem... Quem... É você? – perguntou a Samantha com um fiapo de voz.

-Venho perguntando-me isso há muito tempo – a garota respondeu enquanto cortava o próprio pulso e dava de seu sangue para a mulher.

A mulher bebeu sem ter forças para contrariar.

-O que ele era? O que você é? – pediu desviando os olhos para o vampiro que Troy segurava.

-Algo que não vale a pena você se preocupar. – Samantha fixou seus olhos nos da mulher. – Esqueça-o, siga sua vida normalmente, não acredite em qualquer cara boa pinta, charmoso, case-se com alguém que lhe de valor, tenha filhos, aproveite sua vida, fique velhinha ao lado das pessoas que você ama, depois agradeça por você ter vivido apenas o suficiente para ser feliz. Se mantenha viva por no mínimo vinte quatro horas, e se alguém lhe perguntar o que foi que aconteceu você dirá apenas que se perdeu e se cortou em um galho de árvore qualquer, mas que já está bem, não foi nada grave.

Depois disso os dois a enrolaram na capa que Samantha usará para entrar em Mystic Falls. Não foi difícil Troy hipnotizá-la para que dissesse onde morava. A chuva se encarregou de limpar o sangue que a cobria, e os dois a deixaram em um lugar seguro perto de sua casa.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

-Posso lhe fazer uma pergunta?
Os dois continuavam a correr, a chuva encharcava suas roupas.


-Faça.

-Porque você não o matou? Quero dizer... Por que você não matou o vampiro?

Troy não respondeu instantaneamente, seus olhos se perderam no vazio, pensativos.

-Eu não consigo... Não consigo... Não me sinto no direito de julgá-lo... Não o conheço... Não sei o que o levou a ser o que é hoje... Não conheço sua história, não sei nada sobre ele.

-Ele ia matar a mulher, Troy.

-Eu já perdi a conta de quantos humanos matei Samantha.

-Você se arrependeu.

-E o que nos faz acreditar que ele também não se arrependerá?

Samantha desviou os olhos por um momento olhando para o nada:

-Ele não estava atrás de mim, mas pode espalhar boatos que interesse aos outros, aos que me querem morta, você podia fugir, podia matá-lo e fugir, você não é obrigado a viver uma vida que não é sua, ter que se esconder de algo que você não é culpado. Você podia continuar a viver do jeito que sempre viveu até hoje, e agora se ele por acaso abrir o bico dizendo algo sobre mim e que eu não estava sozinha, se isso chegar aos ouvidos de “pessoas” erradas eles vão te caçar Troy, assim como fizeram com meus pais, você não vai poder mais ter sua vida de volta.

-Eu já escolhi meu caminho, não a necessidade de mudá-lo. Eu escolhi ficar ao seu lado, e vou ficar independentemente do que aconteça. Agora a não ser que queira gastar saliva à toa pare de me mandar embora.

-É sua ultima chance Troy, é agora ou nunca, você já me ajudou o suficiente, de valor a sua vida, sinceramente ela é preciosa de mais para ser jogada ao acaso.

-Não a necessidade de repetir minha resposta, ela sempre será a mesma.

Samantha o olhou por um momento. Seus cabelos se espalhavam por seu rosto, escuros por causa da chuva, seus olhos com um brilho sempre presente, seu rosto com linhas bem desenhadas.

Seu anjo sem assas.

-Obrigado Troy, obrigado... Por existir. – Agradeceu, sincera.

-Vamos combinar o seguinte: quando tudo, mas tudo mesmo estiver resolvido você vai me pagar com uma promessa, uma única promessa.

-Que promessa?

Troy sorriu:

-Quando tudo estiver resolvido... Quando tudo estiver bem.

-E se eu não concordar com a promessa?

-Você vai concordar. Vai ser o seu pagamento... Vai por mim... Você vai concordar.

-Isso é um acordo?

-Entenda da forma que quiser.

Samantha soltou um suspiro longo:

-Você é complicado.

-As coisas facilmente decifráveis perdem a graça.

Samantha revirou os olhos:

-Estamos longe?

-Não... Não, é na próxima cidade.

-E se o feitiço não funcionar? Ou, é se ela não morar mais aqui? Ou se ela não quiser nos ajudar? Ou...

-Espere um momento.

Samantha ficou observando Troy enquanto ele se afastava, quando voltou trazia consigo uma margarida, as pétalas brancas como neve com as gotas de chuva escorrendo.

-O que é isso?

Troy alcançou a flor a ela:

-Tenho certeza que ela não ira recusar nos ajudar, mas se por um acaso ela ter se mudado, volte para seu “bem me quer, mal me quer” estilo prováveis cidades que seus irmãos se encontram.

Samantha abanou a cabeça ainda segurando a flor, por que ele a fazia se sentir tão bem?

-Ok, e se não os encontrarmos... Bem... Teremos que sair na rua pedindo informações, afinal quem tem boca vai a Roma não é mesmo?

Troy inclinou a cabeça de lado:

-Espero que eles estejam mais perto do que Roma, demoraríamos muito até chegar lá.

-Você nunca ouviu falar de ditados populares não é mesmo?

Troy deu mais uma de suas risadas gostosas.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

-É aqui. – Troy foi logo dizendo enquanto abria o portão de madeira pintado de branco.

Das janelas da casa pendia flores coloridas, assim como o jardim na frente da casa.

Samantha por um momento paralisou onde estava apenas observando a casa de madeira bem trabalhada até nos mínimos detalhes.

-Você vem? – Troy a chamou vendo que a garota parara estupefata.

Samantha o seguiu hesitante.

Troy bateu uma vez na porta, mas não houve resposta. Bateu novamente, desta vez Samantha pode ouvir movimento dentro da casa. Na terceira batida à porta se abriu.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Continua...

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Qua Jun 27, 2012 8:18 pm

Capitulo 38 – Uma ajudinha

Uma expressão de surpresa passou pelo rosto da garota parada no batente da porta. Surpresa essa que logo foi deixada de lado dando lugar a um sorriso que iluminou todo seu rosto.

-Hey Vaanny, sentiu minha falta? – Troy perguntou lhe, abraçando-a com força e retribuindo o sorriso.

As pontas dos cabelos chocolate da garota caiam em ondas perfeitas, seus olhos castanhos brilhavam gentis.

-Por onde esteve Troy? Por que sumiu por tanto tempo? – pediu ela, em tom preocupado.

Troy a soltou, e em resposta a pergunta dela franziu os lábios.

Vanessa exibiu um sorriso de entendimento, adivinhando o que ele não expressara em palavras. Seus olhos se desviaram para Samantha que se encontrava meio escondida atrás de Troy.

As duas olharam inquisitivas para ele.

-Ah, Vaanny essa é Samantha, Samantha essa é Vanessa.

-Hey Samantha, prazer em conhecê-la. – Vanessa sorriu.

Samantha tentou sorrir em resposta, mas ultimamente seus sorrisos sempre saiam errados, tortos, mais para uma careta do que para um sorriso. Então somente a abraçou deixando explicito que também era um prazer conhecê-la.

-O prazer é todo meu. – Respondeu ela.

-Mas não posso deixar vocês aqui fora não é mesmo? – disse a garota indo até a porta a abrindo mais, dando caminho para que os dois passassem. – Vamos, entrem.

Troy foi à frente seguido por Samantha.

A casa possuía um clima leve, confortável.

¨¨¨¨¨¨

Depois de Troy e Samantha trocarem suas roupas molhadas da chuva, por roupas secas, que Troy trazia consigo em uma bolça junto com a caixa de madeira que Anne deixara a Samantha, Vanessa os levou até a sala, onde se sentaram em poltronas confortáveis.

Samantha se sentou balançando as pernas ansiosas, Vanessa olhava de Samantha para Troy confusa, enquanto Troy sorria achando graça na expressão das duas.

-Você não mudou nada Vaanny. – Comentou ele.

Ela sorriu:

-Digo o mesmo de você Troy, se bem que somos casos bem diferentes um do outro não é mesmo? A magia pode ter varias utilidades, basta saber como usá-la.

Troy riu:

-E como está?

-Poucas coisas mudaram desde que nos vimos pela ultima vez, mas estou curiosa para saber o que lhe aconteceu nos últimos anos, você pelo que vejo têm muitas novidades.

Troy sorriu levando a mão a cabeça despenteando mais ainda seus cabelos.

-Para ser sincero, as coisas mudaram apenas de pouco mais de um mês para cá, depois que encontrei Samantha, mas minhas buscas continuam sem respostas, Jane, bem...Jane... Continuo sem noticias dela.

-Nenhum sinal? Nada?

-Nada.

-E... Quanto a isso... Eu também tentei localizá-la outras vezes, mas também não obtive sucesso.

Troy assentiu:

-Ela não quer ser encontrada.

-Troy não... – tentou Vanessa.

Troy a interrompeu, continuando:

-Se ela quisesse nós já teríamos achado alguma coisa Vaanny. Mas agora deixando de lado isso, queria lhe pedir mais um favor.

-Peça, sabe que sempre que possível tentarei lhe ajudar.

-Desta vez pode ser complicado, é Samantha, ela precisa encontrar os irmãos.

-E onde está o complicado nisso? – pediu ela, inclinando uma das sobrancelhas.

-Bem... Ela como você já deve ter percebido é uma vampira... Uma vampira novata.

-Espere um momento... - Vanessa encarou a garota – Novata? Vocês estão de brincadeira não é mesmo? - inquiriu descrente.

-Na verdade não. Ela é mesmo uma novata. – Troy sorria, Samantha ficou surpresa ao detectar o tom de orgulho em suas palavras.

Os dois encararam Samantha que corou, sentindo-se na obrigação de esclarecer ela mesma a situação:

-Troy me ajudou a assumir o controle, tentei alimentar-me de animais, mas o gosto... – fez uma careta – o gosto não é bom, então pedi ajuda a Troy para me ajudar a adquirir controle. E funcionou.

-Você resumiu a história, assim não tem graça.

Samantha revirou os olhos para Troy.

-Esta é a parte essencial.

-Tudo bem, por enquanto aceito ficar só com o essencial, mas depois você irá contar-me tudo. – Vanessa cobrou – Mas agora me digam qual a parte complicada?

-Samantha foi transformada em vampira, e depois lançaram um feitiço que a impedia de voltar para sua casa, mesmo se quisesse, e a mesma vampira que a transformou se aproveitou desta situação para transformar os irmãos de Samantha, e agora Samantha quer encontrá-los, e gostaríamos da sua ajuda.

A bruxa terminou de processar as palavras do loiro, sua testa se franzindo:

-Desta forma fica realmente complicado. Localizar um humano é muito mais fácil do que um vampiro, e mesmo que existam feitiços para tal tipo de coisa seria necessário algo que pertencia a eles, algo que eles tocaram depois da transformação.

-Eu... Não tive mais contato com eles, não os vi mais depois da transformação, a única coisa que tenho deles... De Stefan, é de antes da transformação... – Samantha chacoalhou a pulseira no braço – foi Stefan quem fez, mas nunca foi realmente dele, ele já fez para mim.

-Pode me alcançar por uns instantes? – Vanessa pediu indicando a pulseira.

Samantha retirou-a e passou para ela.

A garota fechou os olhos por alguns instantes murmurando algumas palavras, baixinho.

Samantha e Troy apenas a observavam.

-Ainda possui uma essência, quase inexistente, mas possui. Podemos tentar, quem sabe funcione, mas as chances são poucas, pois com a transformação as maiorias das essências mudam, pois a essência de cada um é como se fosse o resultado das escolhas, algo como o caráter da pessoa, só que ao tocar em algum objeto fica gravado. Como digitais. Mas estive pensando em outra maneira de realizar o feitiço. O sangue muitas vezes não se dissipa por completo, o veneno nem sempre o dissolve rapidamente, então quem sabe com o seu sangue poderíamos localizá-los. – Disse olhando para Samantha.

A vampira abriu a boca algumas vezes em vão, antes de finalmente conseguir dizer:

-Wonn...eu...eu sou adotada.

Vanessa piscou confusa:

-Bem... Acho que temos mais um acréscimo na lista de coisas que um dia você poderia me contar.

Samantha mordeu o lábio inferior deitando a cabeça de lado:

-Não sei se você gostaria de saber, e provavelmente você passaria a me olhar de forma diferente depois de escutá-la.

-O que me deixa mais curiosa para saber – respondeu sorrindo. – Mas agora temos mais o que fazer, irei separar alguns feitiços que podem funcionar.

¨¨¨¨¨¨

Vanessa colocou a pulseira de Samantha no centro da mesa em cima de um mapa. Novamente começou a dizer palavras que para Samantha não faziam nenhum sentido.

Primeiro nada aconteceu, mas em seguida a pulseira se levantou no ar, os olhos dos três a acompanharam, por fim dando mais uma cambalhota a pulseira voltou a cair no mesmo lugar.

Vanessa pegou a pulseira a entregando para Samantha desapontada.

-Primeira tentativa sem resultado.

-E qual vai ser a segunda tentativa? – Troy especulou.

-Essa precisará bastante de sua ajuda Samantha. Preciso que crie em sua mente uma imagem mais vívida o possível de seus irmãos. Através dessa imagem tentarei buscá-los.

Samantha assentiu se aproximando, Vanessa fez sinal para que ela lhe desse as mãos, Samantha obedeceu-a e fechando os olhos buscou uma imagem de Damon e Stefan.

Flashback

-Samy? – Stefan a chamou entrando na cozinha da mansão Salvatore.

-Hey maninha resolveu botar fogo na casa? – Damon surgiu logo atrás de Stefan esticando o pescoço pelo portal tentando encontrar Samantha.

A garota apareceu bloqueando o caminho dos dois:

-Parados ai, estão proibidos de passar deste ponto. – Disse com as mãos esticadas para a frente.

Damon e Stefan a encaravam pasmos.

Stefan exibia os cabelos bem penteados os olhos de carvalho serenos. Damon por outro lado estava com os cabelos revoltados, uma ponta para cada lado, do jeito que ele sempre gostava de deixar, seus olhos um brilho aceso.

A garota estava toda branca, desde a raiz do cabelo até toda a extensão do avental que usava sobre o vestido rosa chá.

-Brincando de loira da cozinha maninha? aaaaaa – Damon fingiu gritar, balançando as mãos para frente fingindo ter se assustado, e com uma tentativa de voz falseta continuou – Salve-se quem puder, aloira da cozinha está a solta.

Samantha estreitou os olhos para o irmão mais velho indo até ele e dando um pulinho para lhe dar um cascudo na cabeça:

-Não morri coisa nenhuma, e muito menos estou tentando botar fogo na cozinha. Magg está me ensinando a cozinhar. – Disse contente exibindo um sorriso e dando um pulinho de alegria.

-Ensinando a cozinhar? – Damon engoliu uma gargalhada – Maninha acho que Magg esqueceu-se de avisá-la que a farinha vai à tigela.

-Wonn muito engraçado Damon, agora vão, os dois. –Samantha tentou empurrá-los sem sucesso.

Margareth surgiu empunhando uma colher de pau comprida:

-Vamos garotos, a cozinha não e lugar para vocês, vamos... Vamos... Vamos - disse ajudando Samantha a empurrá-los porta a fora.

-Por que não podemos ficar Magg? – Stefan pediu confuso.

Os três viram as bochechas de Samantha corar por debaixo da farinha espalhada em seu rosto.

-Wonnn vocês são dois intrometidos, era para ser surpresa. Agora meus esforços foram todos por água abaixo.

-Não seja exagerada minha pequena pestinha. – Magg a repreendeu arrumando a toca que estava sobre a cabeça de Samantha.

-Magg você não devia permitir que Samantha fizesse isso, o pai não ficara contente quando a casa pegar fogo. – Margareth bateu de leve a colher de pau na cabeça de Damon.

-Continuem assim que colocarei vocês dois para fazerem o jantar.

Damon sorriu de lado:

-Sou um exímio cozinheiro Magg, minhas qualidades nunca terminam.

-Exímio cozinheiro porque nunca me deixava em paz. Agora preciso tentar fazer entrar alguma coisa boa na cabeça de Samantha, ela mais do que vocês tem a obrigação de saber cozinhar, não tarda seu pai vai querer...

Samantha tapou os ouvidos cantarolando:

-Láralarala eu não estou ouvindo, Magg não vai dizer isso de novo. Daqui eu não saio daqui ninguém me tira – a garota tirou as mãos dos ouvidos. – Desista Magg, já lhe disse não me caso enquanto não encontrar meu príncipe não encantado – a garota disse firme, os olhos piscando sonhadora.

Dessa vez foi à vez de Samantha ganhar uma colherada na cabeça:

-Eu devo ter tacado pedra na cruz, você gosta de provocar seu pai também não é menina? Quero só ver quando ele parar de ameaçar e te mandar de vez pra um colégio do outro lado do mundo, e dessa vez não terá como vocês dois esconderem ela. – Terminou apontando para Damon e Stefan

-Não se preocupe Magg, a não ser que Samantha queira se casar com um “príncipe” sem cabeça tudo isso é irrelevante.

-Você nos entregaria Magg? – Samantha pediu, fingindo-se de magoada, os olhos brilhando com um falso choro.

-Wonn... Chega... Chega de conversa paralela... Os dois – indicou Stefan e Damon – Já para fora – e você – apontou para Samantha – volte já para seu serviço. Vamos... Vamos... Vamos... Os três.

Fim do flashback.

Samantha não sabia o que a levará a lembrar-se justamente daquilo, ela simplesmente veio como todas as outras.

Vanessa apoiava uma das mãos no mapa e a outra segurava as mãos de Samantha. Seus olhos novamente fechados, seus lábios formando palavras rápidas.

Samantha sentiu um vento passar por eles, levantando seus cabelos.

Vanessa abriu os olhos. Um brilho iluminava seu rosto agora mais confiante:

-Não é exatamente do que precisávamos, seus irmãos estão mudando de lugar constantemente, mas as características deles não são tão comuns. Éh... você tem irmãos muito bonitos Samantha – Vanessa complementou corando.

-Nunca diga isso para Damon, o ego dele é altamente inflável. Se bem que preciso concordar com você, tanto um como o outro tem todo o direito de se vangloriar.

-Com certeza – a garota concordou baixinho, seu rosto corando mais um pouco – Então... O feitiço... Bem... Ele deu uma rota que vocês podem seguir, mas apareceu todas as cidades que seus irmãos já estiveram até agora... E foram muitas.

-Os dois estão juntos?

-Não sei ao certo, em algumas ocasiões eles se separaram, mas voltaram a se encontrar.

Samantha suspirou aliviada.

-Você acreditava que seria o contrário? – Vanessa perguntou vendo a reação da outra.

-Não sei o que aconteceu ao certo quando estive longe deles, mas não era de se duvidar que não estivessem juntos. Mas bem... Stefan havia me feito uma promessa, estava torcendo para que ele cumprisse.

-Promessa?- Troy perguntou entrando na conversa.

-Éh, prometeu que cuidaria de Damon.

-E Damon lhe fez essa promessa também?

-Damon e Stefan precisam ser lidados de forma diferente. Damon cuidaria de Stefan mesmo que Stefan o mandasse embora, mas Stefan sempre respeitou o desejo dos outros, e Damon costuma agir de forma que sua defesa é o ataque, então... Bem... Acho que deu para compreender.

Os dois assentiram.

Vanessa marcou todos os pontos do mapa em que os dois estiveram. A cada novo pontinho Samantha desmoronava mais. Eram muitos.

-Há alguma forma de sabermos mais precisamente a localização dos dois?

-Na verdade era justamente isso que eu iria falar agora, pode ser que de certo, mas preciso da ajuda de vocês dois. E acho que nosso serviço rendera mais amanhã, vocês devem estar esgotados.

Samantha não havia se dado conta de que já havia escurecido a chuva lá fora parará por completo, deixando somente um clima frasquinho e gostoso.

A vampira olhou por algum tempo para Vanessa, antes de ir até ela a abraçando e dizendo:

-Obrigada. Muito obrigada por estar nos ajudando.

¨¨¨¨¨¨

Samantha se virou na cama bocejando, seus olhos se abriram devagar, deparando-se com a luz do sol que se infiltrava através da cortina iluminando o quarto de cores claras.

Vozes se faziam ouvir de outro cômodo, provavelmente a cozinha.

As palavras eram ditas em sussurros, mas ainda assim ela podia ouvir. Ter seus sentidos ampliados tinha suas serventias.

-Samantha lhe faz bem. Seus olhos possuem vida novamente. – A garota reconheceu a voz de Vanessa.

Um som de sinos baixos indicava que Troy ria constrangido:

-Ela... Bem... Ela me serviu de inspiração. Quero dizer... Eu perdi Jane, e isso... Isso me feriu muito, mas Samantha não perdeu só uma pessoa, ela perdeu muito mais, de uma forma mais dolorida. E... Isso me fez criar como proposito... Vê-la sorrindo novamente. Não sei quanto tempo isso pode levar, mas eu quero ajudá-la, ajudando-a, eu me ajudo, a presença dela me faz bem.

Samantha sentiu seu rosto esquentar.

-Ela lhe faz bem de que forma?

A resposta demorou a chegar, quando finalmente Troy começou a responder sua voz estava mais baixa:

-Ela é especial, ela... Ela... Consegue me fazer enxergar coisas que antes eu não enxergava... A força de vontade que ela tem... A persistência. Tudo nela é contagiante.

-Ela é especial de que maneira para você? –Vanessa voltou a reformular a pergunta.

-Só sei que preciso dela, eu não consigo esquecer Jane, ela ainda esta aqui presente em cada lembrança, cada canto de minha memoria, se infiltrando em meus pensamentos, mas Samantha... Eu gosto dela... Já gosto muito... Não sei ao certo de que forma... Só sei que não consigo mais ficar longe dela. Convivi com ela o último mês inteiro e ela se tornou um vicio, algo que eu preciso... Algo que eu preciso para me sentir bem... Para conseguir levantar de manha todos os dias. Ela é especial... De todas as maneiras... Possíveis... E impossíveis.

-Quem sabe esteja na hora de você dar uma nova chance ao seu coração Troy.

O silêncio caiu pesado.

Samantha achando que já estava na hora de se levantar soltou um bocejo alto para alertá-los.

¨¨¨¨¨¨¨

A vampira depois de se lavar e se arrumar foi até a cozinha, onde Vanessa tomava seu café sozinha.

-Conseguiu descansar? – perguntou assim que viu Samantha.

Samantha assentiu:

-Muito, acho que estava precisando mesmo dormir.

Vanessa riu:

-Nem mesmo os vampiros aguentam ficar o tempo todo sem descanso. Eu ia te oferecer café... Mas bem... Acho que café não lhe agradaria não é mesmo?

-Não se preocupe mais tarde eu vou caçar.

Vanessa encarou a garota, seu rosto ganhando uma cor mais avermelhada:

-Posso lhe fazer uma pergunta?

-É claro.

-Bem... Troy mantém alimentação a base de humanos... Mas diferentemente de alguns ele não mata. Você... éh...

-Wonnn não, não, minha alimentação é basicamente a mesma de Troy. Só varia no gênero. E por falar nele, onde ele está?

-Foi caçar.

-Hãmm. Vaanny estou curiosa sobre uma coisa, Troy uma vez me disse que era difícil uma bruxa se associar a vampiros, por que você está nos ajudando.

-Há muito tempo atrás eu conheci Jane. Ela era uma vampira antiga, mas não podia andar no sol, ela veio até mim e me pediu ajuda. De inicio neguei, mas com o tempo fui me afeiçoando a ela. Jane é diferente, o avesso de Troy, fechada, séria, mas tem um bom coração. Propus um acordo a ela, se ela deixasse de matar humanos, passando a se alimentar apenas do suficiente para que se sentisse bem, eu lhe daria o que ela queria: o anel que a permitisse andar no sol. E assim foi. Não é bem uma associação. Os vampiros e as bruxas a maioria das vezes são inimigos, mas a há algumas exceções. Acabei por me tornar amiga de Jane e mais tarde de Troy.

-O que você acha que pode ter acontecido a Jane? – Samantha perguntou se sentando em uma cadeira ao lado de Vanessa.

-Eu nunca consegui achar um motivo para que ela sumisse. Ela amava Troy, isso estava explicito nos olhos dela. Não a vejo o abandonado.

-Acha que podemos encontrá-la?

-Já tentei todos os feitiços, mas nenhum funcionou. É como se ela estivesse invisível, como se algo a protegesse para não ser encontrada. E já que estamos neste assunto posso lhe fazer um pedido Samantha?

-Se estiver ao meu alcance concretizá-lo.

-Troy por mais que não demonstre tanto, ele sente falta dela, muita, mas você o tem ajudado muito. Então por favor, cuide bem dele. Ele tem um coração enorme que não merece ser machucado. Eu não sei do que ele tanto quer protegê-la, não sei quais são os riscos que vocês correm, mas ele está muito melhor com você do que sem.

Samantha a fitou por um momento:

-Algumas vezes eu acho que estou sendo egoísta o mantendo ao meu lado, muitos me querem morta, Vaanny, e se ele estiver comigo vão inclui-lo nesta lista. Não lhe digo toda a história justamente para não colocá-la em perigo também. Mas eu tenho medo por ele, medo por mim de como ficarei se perdê-lo. Perdê-lo por minha culpa.

-Egoísmo seria se você não lhe desse espaço para ajudá-la, é isso que ele quer, e é isso que faz bem a ele. Não me importo se você ainda não pode me contar sua história, mas um dia você ainda me contará, ou descobrirei por conta própria, mas seja qual for ela não acredito que alguém teria o direito de querer matá-la.

-Obrigada, e eu queria mesmo poder lhe contar tudo, mas seria realmente perigoso para você.

-Seja como for, você vai se sair bem, você é poderosa. Sabe, as bruxas tem uma forte ligação com a natureza, e como venho me impedindo de envelhecer isso se intensificou, pois quando mais tempo decorrido maior nossa ligação. Então passei a perceber coisas que antes passavam despercebidas, como o poder interior que muitos guardam dentro de si. Troy por exemplo, Troy eu vejo luz. E você possui uma chama dentro de si... Uma chama enorme buscando justiça e a solução de mistérios esquecidos. Acho que valeu a pena ter esperado tanto tempo... Quem sabe assim tenho a chance de saber qual vai ser sua missão.

Samantha corou.

-O que a levou a se impedir de envelhecer?

-Sabe quando você acha que ainda não está pronta para deixar esse mundo? Quando sente que ainda não viveu o principal? Bem... Foi algo assim.

As duas ficaram em silencio. Samantha contornando o desenho da toalha de mesa com o dedo.

-Você nunca escolheu ser vampira não é mesmo? Você gostaria de poder viver uma vida normal? Envelhecer? – Vanessa perguntou a analisando a garota.

-Tudo aconteceu tão rápido, mas provavelmente independentemente do tempo que decorresse minha escolha sempre seria querer ter uma vida normal. Envelhecer pode não ser tão ruim quando se faz tudo o que deseja enquanto pode.

-E você acha que já fez?

-Essa é a parte que me confunde, acho que nem comecei a viver.

-Então aproveite a eternidade, ela pode ser agradável quando sabemos como lidar com ela.

¨¨¨¨¨¨

Samantha se escorou na janela.

Alguns pássaros cantavam uma musica suave em seus ninhos no alto das árvores.

Troy já havia voltado, mas estava um pouco afastado da casa. Samantha o observou estranhando o fato de ele estar com uma grande ave pousada no pulso.

-Vaanny? - chamou ela.

Vanessa surgiu em seguida carregando grossos livros. Livros que Samantha supôs ser grimórios. Vanessa explicou a eles que se achassem um feitiço que medisse o tempo decorrido, ou que mostrasse mais detalhes, seria fácil de excluir alguns dos pontinhos do mapa.

Deixando os livros em cima de uma das poltronas a garota se aproximou ficando ao lado de Samantha.

Samantha indicou Troy com a cabeça:

-Ele... Ele... – Vanessa começou o observando, seu semblante se franzindo.

-Está... Conversando com aquela ave? - Samantha terminou as duas se encarando confusas.

Troy olhou em direção as duas. Sua expressão mudou rapidamente, mas ainda foi possível ver a preocupação e a confusão presentes em seus olhos de cristais cintilantes.

O pássaro virou a cabeça na direção das duas seguindo o olhar de Troy, e com um pio alto alçou voo.

Troy chegou dentro da casa antes que as duas tivessem tempo de recuperar:

-O que você estava fazendo? – Samantha foi logo o bombardeando, tendo o olhar aquisitivo que Vanessa lançava a Troy como a liado a sua pergunta.

-Estava me sintonizando com a natureza.

As duas inclinaram uma sobrancelha para ele.

O vampiro sorriu:

-Isto é um interrogatório?

-O que você acha?

-Acho que as duas estão vendo coisas onde não tem – disse dando as costas as duas e se jogando em uma poltrona enterrando a cara em um dos grimórios que Vanessa havia trazido. – O que acham de voltarmos ao trabalho?

-Wonn agora o senhor “sintonize-se com a natureza” quer voltar ao serviço? – Samantha cortou-o revoltada.

Troy deixou seu grimório de lado só para pegar outros dois e tacar em direção a Vanessa e Samantha.

-Posso fazer um feitiço que o faça dizer Troy. – Vanessa disse sorrindo de um jeito que deixava bem claro que aquilo era verdade.

Troy virou a cabeça lentamente para ela, erguendo seus olhos do livro para encara-la, preocupado:

-Vocês estão de complô?

-Exatamente – responderam as duas juntas.

-Pois usem esta união de grupo para acelerarmos na busca de um feitiço de localização. Puxa, não posso nem me comunicar com a natureza que vocês se unem contra mim.

Samantha revirou os olhos enquanto Vanessa abanava a cabeça sem acreditar no que ele dizia.

-Não pense que iremos esquecer isso Troy, na próxima oportunidade você nos contará.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Quando partiram, ainda naquele mesmo dia, Samantha levava consigo um mapa com metade das marcações que havia no inicio. Vanessa havia achado o feitiço e teve sucesso em determinar mais claramente os lugares mais prováveis em que Damon e Stefan estariam.

Despedir-se dela foi diferente de todas as outras despedidas que Samantha havia feito recentemente, as outras era despedidas permanentes, sem volta, já Vanessa ela sabia que veria novamente.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Continua...

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Dom Jul 01, 2012 4:20 pm

Capitulo 39 – Planos

Seis meses haviam se passado.

As buscas por Damon e Stefan continuavam. Samantha e Troy ainda seguiam a rota do mapa que Vanessa lhes dera.

Desencontros pontuavam suas buscas. A cada lugar que chagavam havia apenas vestígios de que Damon e Stefan passaram por ali, nunca eles próprios.

De Jane também não havia sinal algum. Troy exibia uma expressão vazia a cada vez que o nome dela era citado, o que servia para impelir Samantha a procurá-la com mais afinco ainda.

As paisagens mudavam conforme avançavam. Florestas, planícies, montanhas.

Troy era a melhor companhia imaginável. Seu humor dependia somente de si mesmo, nada que acontecia ao seu redor o fazia alterar qualquer pensamento. Samantha não sabia dizer se ele aprendera a controlar seus sentimentos primeiro, ou seus instintos. Só sabia que o autocontrole dele era invejável.

Já a vampira se sentia uma gangorra. Seu humor variava de ataques de nervos, para crises de silêncio ininterrupto. Mesmo isso Troy ignorava, fazendo brincadeiras tentando animá-la.

A garota se sentia muitas vezes uma máquina. Uma maquina fabricada somente para buscar seus irmãos.

Seus olhos analisaram rapidamente o lago a sua frente enquanto apertava com força a pedrinha que segurava em sua mão direita, antes de arremessá-la com força para dentro do lago.

A pedrinha bateu na água e afundou.

Samantha bufou revoltada:

-Isto é impossível. Simplesmente impossível.

O riso de Troy ressoou baixinho.

Os dois estavam sentados com os pés dentro do lago. A água, nem fria, nem quente, de uma temperatura agradável, batia em seus pés, massageando-os.

O loiro levantou-se:

-Antes de tudo escolha uma pedra mais achatada, para que fique mais proporcional à água. – Disse ele, varrendo o chão com os olhos, em busca de uma pedra que lhe agradasse.

Se dependesse de Samantha os dois não parariam um segundo sequer antes de encontrar seus irmãos, porem Troy havia parado o pé obrigando-a a relaxar por alguns instantes.

Outra coisa agradável na companhia do loiro era a imprevisão. A cada dia ele surgia com uma novidade. Uma nova habilidade.

Não que a garota nunca tivesse visto alguém fazer uma pedrinha quicar sobre a água, não mesmo. Já havia visto várias vezes, era um passatempo para vários garotos um pouco mais novos do que ela. Ela cansara de ver eles em grupinhos competindo para ver quem conseguia fazer a pedra quicar mais vezes.

A diferença estava em Troy. No modo como os músculos de seu braço contraiam-se brevemente. Na maneira como seu sorriso se projetava. Na forma como seus olhos brilhavam. Um brilho de expectativa, encantamento. Um brilho ao mesmo tempo singelo e envolvente.

O loiro lançou a pedrinha que ricocheteou oito vezes antes de afundar na água.

-É fácil. – Disse, escolhendo outra pedrinha e indo até Samantha – Você precisa apenas fazê-la girar com o dedo indicador ao lançá-la – continuou ele, abaixando-se perto dela e fazendo os movimentos conforme dizia. – Seu problema está em lança-la diretamente para baixo. Você precisa jogá-la de forma que a água revide o baque jogando-a para cima.

Samantha revirou os olhos:

-Ah claro, simples, é só uma questão de gravidade, precisão, e pedra certa. Nossa, estou impressionada com a facilidade. – Comento irônica revirando os olhos.

Troy riu se aproximando mais e entregando a pedrinha a ela.

A vampira pegou a pedra, desanimada.

Troy passou os braços ao redor dela. Um deles prendendo-a pela cintura, deixando-a mais ereta, enquanto o outro levantava o braço da garota que segurava a pedra.

Samantha olhou diretamente para frente evitando os olhos do vampiro.

-Isso não está ajudando, Troy. – Murmurou ela.

-Ãhn? –perguntou ele, confuso, aproximando mais o rosto do dela fazendo com que seus ombros se colassem.

Seria possível que ele fosse ingênuo ao ponto de não saber o que sua própria presença exercia sobre quem quer que fosse?

A garota corou, ainda sem encará-lo.

Troy inclinou uma das sobrancelhas, mas voltou a dizer:

-Gire-a entre o polegar e o indicador, e lance-a. – Falou, usando os próprios dedos para impulsionar os dedos da vampira a girarem sobre a pedra.

Samantha deixou seus dedos se moverem junto com os dele, sentindo a pedra girar.

-Isso – o loiro aprovou. – Agora repita esse movimento e lance-a com força, de forma precisa, sem incliná-la muito em direção à água. Tente jogá-la o mais reto possível. – Terminou, soltando o braço dela, mas mantendo o outro em volta da cintura da garota sem nem mesmo se dar conta.

Samantha soltou um suspiro longo, antes de lançar a pedra.

A pedra bateu na água e voltou a pular para cima, ricocheteando quatro vezes antes de ser sugada para baixo.

Os olhos da garota brilharam, satisfeitos.

O vampiro ao lado dela sorriu, fazendo a garota corar mais ainda.

-Viu? Eu lhe disse que você conseguiria. – Comentou contente, apertando o mais o braço ao redor dela automaticamente.

A garota assentiu nervosa, levantando-se e fugindo de uma maior aproximação.

-Agora acho melhor irmos. A cada instante ficamos mais longe de Damon e Stefan.

O vampiro levantou-se também, dando-se conta da ausência da cintura da garota entre seus braços, e só então percebendo o motivo das bochechas rosadas da vampira.

Sorriu de uma forma que Samantha poderia considerar constrangida, molhando os lábios, nervoso.

O que ele estava pensando?

Brigou consigo mentalmente. Ele não poderia ser tolo o suficiente para fazer algo que pudesse afastá-la.

Ele não poderia afastá-la. Por quê?

Porque... Bem, ele precisava dela ali, ao seu lado.

Simples assim, de uma forma persuasiva e completamente indefinível.

Troy abria a boca para dizer alguma coisa, mas parou antes de começar a falar o que quer que fosse.

Sua testa se franziu, assim como a de Samantha, que virara em direção ao ruído que haviam ouvido.

-Tem alguém vindo, não está em velocidade humana, e também duvido que humanos façam visita frequentes a este lugar. Acho melhor nos apresarmos. – O loiro pronunciou cada palavra de forma rápida.

Samantha deu uma última olhada para trás antes de assentir e segui-lo.

Os dois dispararam para o lado contrário ao barulho que haviam ouvido, mas foram obrigados a parar quando chegaram a uma clareira.

Um homem alto de ombros largos, de olhar perigoso e cabelo cor de palha, impediu-lhes o caminho:

-Fiquem para a festa, está cedo para irem embora. – Disse, com um sorriso irônico.

O modo de falar, os gestos, e também um leve cheiro no sangue que diferenciava os vampiros de humanos, fez com que a garota tivesse certeza de que era um vampiro.

Troy sorriu tranquilo. Uma tranquilidade que não estava ali, mas que ele soube invocar:

-Sinto muito, hoje já possuímos outro compromisso.

-Sinto informá-los que terão que adiá-lo. – Outra voz, desta vez vinda de trás dos dois, do caminho que haviam acabado de percorrer.

Ambos, Samantha e Troy, viraram-se de lado. Sabiam que era a melhor forma de ficar de olho nos dois vampiros ao mesmo tempo.

-Quero dizer, a garota vem conosco. – O recém-chegado continuou - Queremos a mestiça. Você pode ir embora – disse, indicando Troy - se não intervir em nosso caminho.

-Mestiça? Não sei do que falam. – O loiro fingiu ignorância.

-Tanto sabe como está com ela ao seu lado. – O de cabelos cor de palha prosseguiu.

Troy inclinou uma das sobrancelhas:

-A garota que está a sua frente é uma vampira, não uma mestiça. Mestiça, pelo que sei, é quem possui mais de uma raça. E se não me engano isso é impossível.

-Sabemos fazer nosso serviço, garoto. A garota que está ao seu lado é uma mestiça e temos certeza disto. Nos entregue ela e você poderá ficar livre.

-O que os leva a pensar que ela é uma mestiça? Ela é como cada um de nós. Vocês podem sentir o cheiro do sangue misturado com o veneno de vampiro. Eu mesmo a transformei. Se existe uma mestiça, o que duvido, acho melhor irem atrás da verdadeira, pois lhes garanto que esta não é.

-Sua garantia de nada vale. Temos fontes mais fiéis. Queremos a garota.

-Isso não é questão do que vocês querem ou deixam de querer. Ela não irá com vocês se essa não for a vontade dela, e pelo que vejo, certamente que não é. Onde está o cavalheirismo em querer obrigar uma dama a ir para um lugar que não é de seu desejo?

O último vampiro a chegar, de cabelos castanhos que batiam até o ombro, riu:

-O cavalheirismo de nada vale em alguém que pode estar prestes a morrer.

Troy estreitou os olhos. Duas fendas cristalinas:

-Certamente que este alguém não sou eu.

-Então entregará a garota e irá partir, acredito eu, já que está é a única forma que tem de sobreviver.

Troy soltou uma gargalhada:

-A única? Certeza?

-A não ser que seja capaz de lutar sozinho contra nós.

-Não estou sozinho, garanto-lhe que ela poderia muito bem fazer-lhe engolir cada palavra dita. – Disse, indicando Samantha.

O outro riu com gosto:

-Muito interessante, mas a não ser que admitam que ela seja a mestiça ela não teria essa capacidade.

-Ela não precisa ser mestiça para quebrar a cara de um idiota qualquer.

-Ela é a mestiça, e Klaus a quer. Viva. No entanto não possuímos objeção sobre eliminar você.

-Klaus? Então você é mais um dos escravos de Klaus sem vontade própria?

-Se preza sua vida saia daqui, agora. a mestiça fica com nós.

Samantha sentiu seus instintos se livrarem das barreiras. Ela queria briga, ela queria luta, ela queria sangue, ela queria morte. A morte dos dois que estavam ameaçando Troy.

Ela não permitiria que ninguém mais lhe tirasse algo de precioso.

Um sorriso de escarnio se formou em seus lábios, suas presas se sobressaindo por entre seus lábios. Seus olhos um brilho assassino:

-A mestiça que é importante o suficiente para vocês se importarem, aliás, qual é mesmo seu nome? Sinto muito estar desinformada sobre a identidade do meu candidato a assassino.

O vampiro rosnou mostrando as presas a ela.

Troy segurou o pulso da garota a mantendo perto de si.

-O que Klaus quer com ela?

-Ele tem planos. – Sua fúria deu lugar a um sorriso cruel.

Samantha rosnou.

Troy trincou os dentes, se aproximando de Samantha esticando seu braço na frente dela como uma barreira. Suas presas até aquele momento escondidas abriram caminho se projetando sobre seus lábios. Um rosnado animal rasgou sua garganta.

-Ele que trate de esquecer seus planos. – As palavras saíram mais grossas do que o normal, com o esforço que exercia para não perder o controle por completo.

-Você está falando de Klaus, não de um simples vampiro.

-Não me lembro de ter lhe perguntado nada. E o que vocês vieram buscar não vão conseguir. Sinto muito, mas a garota não vai a lugar nenhum, não com vocês.

Samantha viu os dois vampiros enormes assumirem uma posição de ataque.

Ela não pensou, só sabia que não poderia simplesmente deixar que eles atacassem Troy. Seu treinamento devia ter algum valor, ela devia saber ao menos distrair um deles por um tempo. Ela precisava fazer alguma coisa.

Se lançou para frente, seus cabelos voando, seu vestido dançando em volta de seu corpo. Troy não teve tempo de segurá-la.

As mãos da vampira voaram direto para o pescoço do vampiro maior de cabelos castanhos. As unhas dela perfuraram a pele de seu adversário, fazendo com que uma linha de sangue vermelha escorresse.

O outro revidou empurrando-a com força, fazendo com que Samantha voasse alguns metros para trás, mas ela não o largou, o vampiro caiu em cima dela tentando se soltar de suas garras. Seu companheiro tentará atacar Samantha pelas costas, mas Troy o acertou em cheio no estômago.

O vampiro tentou acertar o rosto de Samantha, mas a garota desviou o soltando momentaneamente e saltando por cima dele. Antes que ela tivesse tempo para qualquer coisa seu adversário saltava para cima dela novamente.

Agarota concentrou-se, sua respiração ofegante. Ela precisava se concentrar. Seu adversário era mais velho, era mais forte, e sem duvida alguma havia tido treinamento. Mas como Troy a ensinara, como Damon e Stefan a ensinaram, ela era mais ágil, só precisava pegá-lo desprevenido. Com um golpe inovador.

O vampiro cambaleou, quando a garota desviou nos últimos segundos de seu golpe fincando as garras no pescoço do vampiro outra vez, desta vez por trás, derrubando o vampiro de cara no chão e pisando em suas costas.

O vampiro urrou. Samantha pisou mais firme, fincando mais fundo as unhas na carne.

Mas algo deu errado. A vampira sentiu seus cabelos serem puxados com força para trás, algo lhe atingiu com força, primeiramente na cintura, depois nas costas.

Sentiu seu corpo rodopiar, antes de frear bruscamente, seus dedos cravando no chão.

Seus olhos se desviaram para ver quem a atacara. Havia um terceiro, um terceiro vampiro havia chegado.

Tanto seus cabelos quanto seus olhos negros como a noite. Tão grande quanto os outros dois.

Samantha mostrou as presas para seu novo adversário.

Ele voltou a atacar.

A garota desviou do primeiro golpe, mas um segundo golpe lhe atingiu no estômago.

O vampiro puxou o pescoço da garota para trás pelos cabelos, antes mesmo dela se recuperar do último golpe.

Samantha forçou seu corpo para frente, conseguindo livrar-se do vampiro, porém não sem antes perder uma mecha de seu cabelo.

Mais um rosnado lhe escapou.

-Desgraçado, meu cabelo. Que direitos acha que tem para relar em um fio sequer de meu cabelo?

O vampiro não ligou, apenas voltou a atacar mirando desta vez o pescoço da garota.

A vampira deslizou para o lado antes que ele a atingisse, mas algo sólido lhe bloqueou o caminho.

Seu primeiro adversário lhe sorria vitorioso, prendendo-a, e segurando firmes seus braços.

A vampira urrou, tendo como resposta outro urro vindo de Troy, este furioso jogou seu adversário longe e partiu em direção ao vampiro que segurava Samantha.

Antes que tivesse tempo de alcança-la o vampiro de cabelos negros se arremessou contra ele.

Troy conseguiu aparar o golpe, segurando o braço do outro, mas urrou novamente furioso, vendo Samantha se debater furiosa nos braços do outro, enquanto se afastava a levando com sigo.

Troy envolveu o pescoço do vampiro que o atacava com o braço, o enforcando, para depois atirá-lo contra uma árvore.

Tentou ir atrás de Samantha, porem o vampiro de cabelo cor de palha já estava de pé novamente.

Troy urrou.

O vampiro que carregava Samantha estava na borda da floresta, prestes a adentrá-la.

Samantha continua a se debater sem sucesso.

Troy mostrou as presas rosnando, e como resposta outro rosnado, mais gutural e selvagem fez com que todos parassem. O chão momentaneamente sacudido por um tremor.

O vampiro que carregava Samantha deu um passo para trás. Seus olhos cheios de pavor.

O rosnado havia vindo da floresta.

Samantha aproveitando da hesitação do vampiro que a carregava soltou-se, empurrando-o para dentro da floresta.

Um grito de pavor cortou o ar, sendo seguido pelo barulho de algo sendo estraçalhado e mais nada.

A vampira tremia, sentiu seu braço ser agarrado com força e alguém a puxando.

Troy também havia parado de lutar, seus adversários estavam estáticos, ou por pânico ou algum outro motivo desconhecido.

-Vamos embora. – O loiro a chamou.

A vampira não estava em posição de discutir.

Olhou para Troy assentindo, vários cortes ainda sangrando se projetavam pelo rosto do vampiro de feições perfeitas.

A garota começou a abrir a boca para dizer alguma coisa, mas Troy a impediu adivinhando o que ela diria:

-Seu estado não está muito melhor do que o meu. Agora vamos embora, também não estamos seguros aqui, não exija mais do que o necessário, dele.

Samantha tentou entender aquelas palavras, mas elas não faziam sentido, sua cabeça não estava processando direito.

Deixou que Troy a puxasse para longe, só se virando para trás quando ouviu um novo rosnado ensurdecedor, mas nada viu.

-Troy o que é? Quem ele é?

-Você tem a resposta Samantha, não posso lhe dizer nada, mas você pode adivinhar sozinha.

-É ele não é? Foi ele que me ajudou da primeira vez. Por quê? Por que ele está me ajudando? Responda-me Troy.

Troy não respondeu instantaneamente. Os cortes de seu rosto começavam a se fechar.

-É ele... Sim é ele.

¨¨¨¨¨¨¨¨

Continua...

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Qua Jul 04, 2012 10:36 pm

Capitulo 40 – Más noticias

-Diga-me Troy quem é ele, eu tenho o direito de saber. – Samantha continuava a tentar persuadi-lo.

-Você tem o direito de saber, mas eu não tenho o direito de contar. – O loiro continuava a arranjar desculpas.

Samantha estacou no lugar, os dois já estavam afastados o bastantes do lugar que havia acontecido à luta para terem sido seguidos.

Por um momento a garota hesitara. Algo a puxava de volta, algo a impedia de afastar-se daquele local.

Mas a única coisa que pode fazer foi olhar para trás buscando entender tudo aquilo.

O maxilar da vampira estava cerrado, seu queixo tremendo, seus olhos fixos em Troy que também deixara de correr parando junto dela.

Por que Troy sempre lhe dava respostas incompletas?

-Pode me dizer ao menos quem é Klaus? – perguntou não conseguindo esconder toda sua frustação.

-É um dos originais.

-Wonn é um dos originais, bela resposta. Originais do que? Todos falam deles, mas ninguém se da ao trabalho de dizer-me quem é.

-São uma família de vampiros, os primeiros. Os mais fortes. E Klaus é o mais forte deles.

-E por que ele me quer? Por que ele me quer viva?

-Pelas histórias que já ouvi presumo que ele quer ter o gostinho de lhe conhecer pessoalmente.

-Me conhecer pessoalmente?

-Sim.

-E depois me matar?

-Provavelmente.

A arcada dentaria da garota devia ser bem forte para aguentar tamanha pressão.

Uma enxurrada de infortúnios jorrou de sua boca, rápido demais até mesmo para que Troy compreendesse.

-O que há com ele? Por que não vem ele mesmo atrás de mim em vez de mandar seus morcegos domesticados? Não pode levantar o traseiro ele mesmo e vim me procurar?

-De graças a Deus por não vir ele mesmo procurá-la. Não teríamos chances contra ele. Nenhuma chance.

A vampira bufou:

-E por que todos obedecem a ele? Katherine quando me transformou deu como um dos principais motivos eu ter fugido lhe tirando a única chance de ser livre. Livre dos originais. O que ela tem de ligação com eles?

Troy pareceu ficar interessado naquele assunto.

-Ela lhe disse isso?

-Sim.

-E o que mais ela lhe disse?

-O nome dela... - Samantha parou seus olhos se arregalando, sua boca se abrindo e fechando sem emitir som – o nome dela... Oh... Oh não – a garota balançava a cabeça incrédula – Oh não, não, não... Não pode ser. O nome... O nome dela antigamente era Katherine... Katherine Petrova.

A testa de Troy encrespou-se, confuso.

-Já ouvi esse nome.

-A carta... A carta de minha mãe – a vampira prosseguiu. - Eles a chamaram de Srta. Petrova. – Fez uma pausa tentando conciliar os fatos - Troy... O que eu sou de Katherine? Por que os originais estavam atrás dela?

-Não pode haver uma ligação entre vocês duas... Sua mãe era a última das originais, isso estava claro na carta.

-Mas Katherine era velha, pode ter sido antes de minha mãe, e com a transformação não a consideravam mais.

-Impossível, sua mãe também disse que ela e seu pai não demostravam possuir a verdadeira idade que possuíam. E duvido que qualquer dia Katherine tenha chegado a ser uma bruxa, as bruxas tem princípios diferentes, elas não aceitariam se transformarem em vampira, antes disso se matariam. E duvido que ela sobrevivesse a transformação sendo uma bruxa. Até hoje não entendo como você sobreviveu.

-Então o que explica o mesmo nome?

-Ela deve ter algum parentesco muito longínquo, que por algum motivo não possuía mais magia no sangue.

Samantha assentiu, sentindo certo alivio por não ter o sangue sujo de Katherine.

-Quem foi a primeira bruxa? – continuou com sua seção de perguntas.

-Histórias assim nunca são reveladas, sou um vampiro, mas não sei nem mesmo como foi que os vampiros passaram a existir.

A garota concordou, enquanto os dois voltaram a seguir caminho disparando por entre as árvores em silêncio.

-Troy, tem outra coisa.

-Diga.

-Eles sabiam que eu estava viva, eles sabiam da minha transformação. Eles sabiam como eu era. Alguém os informou.

Troy compreendeu o que ela queria dizer:

-E você supõe, que ou Katherine ou a bruxa que a ajudou a denunciou. Mas... Katherine não devia estar morta?

-Algo me diz que não seria tão fácil me livrar dela, e que ela ainda não está satisfeita com a vingança, ela espalhou que o feitiço de proteção se rompeu, Ela deve ter sobrevivido e espalhou que fui transformada, e é claro, duvido que tenha dito quem foi que me transformou, ela não seria tola, pois se o tal de Klaus me quer viva agora, provavelmente no começo também me quis, e que eu saiba a transformação não conta como viva. Só espero que se minha teoria estiver certa eu a ache antes dele, quero acabar com ela eu mesma.

-Tem algo mais Samantha. – Troy murmurou apreensivo.

-O que é?

-Lembra-se quando eu disse que há muito tempo algumas raças tentam criar um ser que possua mais de uma das raças? Vampiro com poderes de bruxas, ou lobisomem, e até mesmo um vampiro lobisomem. Híbridos. Mestiços de duas raças.

-Lembro, mas você nunca me disse os motivos.

-É porque nunca soube direito, mas dizem que o sangue de alguém que possua raças misturadas adquire certas... Características próprias, raras.

-Que características? – Perguntou, as frases começando a fazer sentido.

-Não sei, mas o sangue é poderoso. E quem o bebe...

-Adquire os poderes – terminou ela. – Então eles não me querem morta apenas por vingança ou por medo do que posso me transformar, mas também por causa de meu sangue. Espere... mas e Greg?

Troy hesitou:

-Quando Greg bebeu seu sangue seus poderes não haviam despertado, apenas era capaz de intensificar sentimentos, criá-los, ou até mesmo obedecer a seus desejos, como da vez que me disse que Katherine se repudiou com seu sangue. Você quis que ela sentisse dor, mentalizou isso, e foi isso que ocorreu.

-Está me dizendo que se quiser posso matar com meu sangue?

-Provavelmente não mais, antes acredito que se mentalizasse de forma forte o suficiente conseguiria.

A vampira piscou confusa:

-Mas... Agora... Agora que meus poderes por herança estão adormecidos, o que Klaus pretende fazer?

-Klaus vai querer despertar seus poderes das duas raças adormecidas.

-Mas por que eles não criam um hibrido ao invés de correrem atrás de mim?

-Porque todas as tentativas falharam, todos morreram. O corpo não aguenta tanto poder. E Katherine não deve ter feito todo o dever de casa, ao contrario teria se interessado mais se você iria sobreviver ou não.

-Katherine era um jumento. Um jumento inteligente, mas mesmo assim um jumento. Mesquinha a ponto de pensar apenas em si mesma e seu sorriso vencedor do prêmio mais falso. Agora deixando de lado a miss vovó egoísmo. Se tantas pessoas morreram nas tentativas de criar-se um hibrido, porque estou viva? Como meu corpo aguentou? E o que garante que se meus poderes despertarem realmente, meu corpo aguentará?

-Não sei responder isso, mas você possui o sangue de uma das raças mais poderosas, uma raça nunca misturada. Os venator’s mantêm-se intocáveis. E com certeza o sangue deles é o mais poderoso. Eles matam vampiros não só por obrigação, mas também por desejo. Nosso veneno é à base da alimentação deles.

-Mas nosso veneno não iria queimá-los? Secar o sangue deles?

-Por este motivo o sangue deles é tão forte. Ele resiste ao nosso veneno.

Samantha pareceu perdida:

-Então porque meu sangue venator não foi mais forte que o veneno de Katherine.

-Sua transformação não estava completa. Katherine soube agir no momento certo. Eu não daria mais nem dois meses para que você virasse uma meio bruxa meio Venator.

-E se eu virasse? O que aconteceria? Eu me transformaria em um animal de uma hora para a outra?

-Se Katherine estivesse perto, provavelmente.

-Como assim?

-Sem treinamento nenhum deles consegue se transformar, ao menos que esteja a uma distância considerável de um vampiro.

-Por quê?

-Não sei.

-O que você quer dizer com “treinamento”?

-Eles possuem táticas de treinamento que ensinam os recém transformados a terem mais autoridade sobre suas próprias mutações. Eles possuem algo como barreiras. Barreiras que os impedem de fazerem determinadas funções. Quanto mais barreiras eles ultrapassarem mais forte se tornam. A primeira a ser quebrada e a que os impede de se transformar em qualquer lugar. Quebrada essa eles se transformam na hora e local que quiserem em lobos de porte médio. A próxima quebrada aumenta sua velocidade, tamanho, força e aguça muito mais os sentidos. A terceira os deixa entre um meio termo de forma de humano e de lobo, sua força é bem... Você pode imaginar.

-É há mais barreiras?

-Sim, mas a maioria das vezes apenas a segunda é quebrada.

-Quais são as outras?

-As outras aumentam ainda mais as habilidades e permitem... Bem... Um maior contato com a natureza... Algo como ter certos domínios sobre a natureza e muitas vezes sobre a mente do adversário.

Samantha piscou surpresa:

-Domínio sobre a natureza?

-Sim, não me pergunte quais. E nunca peça para nenhum deles lhe mostrar suas habilidades, você não terá tempo nem de descobri-las.

-E quebrada as barreiras eles podem simplesmente fazer tudo isso?

-Não. Primeiramente eles precisam de muita técnica, treinamento, e habilidades para quebrar qualquer uma dessas barreiras, e depois de quebra-las precisa aprender a dominá-las, desbloquear as habilidades e aprender a usá-la. Quanto mais treinamento e prática, maior será a agilidade com que atacará os inimigos. O golpe sairá mais forte, mais rápido, e pode atingir mais de um de uma só vez.

Samantha ficou pensativa.

-E “ele”, o venator que você não quer me dizer quem é e que por algum motivo está me ajudando, ele vai ficar bem? – Sua sobrancelha se inclinou enquanto seus olhos se estreitavam apreensiva.

Troy sorriu:

-Digamos somente que os vampiros não estavam em seu dia de sorte, e agora já devem todos ter partido para seja onde for que os vampiros vão depois de morrer novamente.

-Eles eram três, ele era só um. Como isso é possível?

Troy soltou uma gargalhada envolvente:

-Quem sabe ele tenha conseguido se divertir um pouquinho.

Samantha não soube o que mais dizer, então seus olhos pregaram-se em Troy, analisando-o:

-E você? Como está? – perguntou preocupada vendo as manchas de sangue seco sobre seu rosto e roupas.

O vampiro por um momento ficou surpreso.

Há quanto tempo alguém não lhe perguntava alguma coisa assim?

Sorriu dando de ombros:

-Não sou um venator, mas também não sou feito de um material tão facilmente quebradiço.

Samantha assentiu, mordendo o lábio inferior e corando um pouco:

-Mas você... Bem você disse-me que se sente mal por machucar e julgar alguém sem ao menos conhecer. Não possui exatamente um equilíbrio entre ser cruel ou ser bondoso. Só possui a segunda opção.

-Isso não quer dizer que irei os deixar fazer o que bem entenderem, eles queriam machucá-la. – respondeu como se aquilo tudo fosse obvio e sorrindo. – Como eu disse, sou um cavalheiro. Tanto que... – parou, fazendo com que Samantha parasse também – venha cá.

A vampira inclinou as sobrancelhas não saindo de seu lugar.

Troy bufou aproximando-se dela. Com delicadeza levou a mão direita até o cabelo cor de mel da garota, retirando uma folha seca que se prendera ali, durante a briga.

-Pronto, bem melhor. – Disse enquanto jogava a folha fora e colocava a mecha de cabelo para trás da orelha da garota vendo-a corar.

¨¨¨¨¨¨¨¨

O incidente com os vampiros fez com que Samantha e Troy perdessem os rastros de Damon e Stefan.

Outros seis meses se foram sem encontrá-los. Samantha se sentia mais longe do que nunca deles.

Os dias se passavam ao mesmo tempo longos e curtos. Longos por não tê-los por perto, e curtos por ir dormir sem encontrá-los.

A questão de como eles a receberiam também não saia de sua cabeça. Como seria? O que eles diriam? Eles a culpariam por ter trazido Katherine até eles?... Bem eles não estariam errados a culpando, mas ela não podia negar que ouvir deles próprios esta acusação doeria mais do que sua própria consciência lhe avisando.

Sua vida passava como borrões, dia após dia com uma dor sufocante tentando afundá-la. Nenhum outro vampiro os havia encontrado, muito menos lobisomem ou qualquer outra espécie. Nem mesmo seu ajudante secreto, sendo este o motivo de suas maiores dúvidas. Quem era ele? Por que a ajudara? De onde Troy o conhecia?

Troy não colabora em lhe dar respostas, ele era excelente em fugir do assunto. Mas tirando este fato o vampiro era a melhor companhia imaginável. Seu humor possuía apenas duas variações: bom e ótimo.

Ótimo quando estava realmente bem e feliz.

Bom quando geralmente pensava muito em Jane.

Mas fosse da forma que fosse ele nunca reclamava de nada para Samantha, mas assim como ele havia aprendido a decifrá-la, ela aprendeu a compreendê-lo simplesmente observando seus gestos, a maneira como falava, a intensidade do brilho de seus olhos, o tamanho de seu sorriso.

Ele não gostava de falar sobre si, não gostava de valorizar seus problemas, simplesmente os ignorava, mas Samantha sempre insistia em querer ajudá-lo, mesmo ele não pedindo.

Verdadeiras amizades não são feitas somente de palavras, mas sim de compreensão, e nisso tanto um como o outro eram ótimos.

Troy independentemente do humor da garota sempre estava ali, ao seu lado, para tudo que ela precisasse.

Ele passará a exercer um domínio sobre ela de uma dimensão que não havia explicações. Ele era seu amortecedor, aquele que tornava tudo mais suave, menos dolorido. Aquele que dava cor aos momentos de escuridão, conforto nos momentos de solidão.

Tudo estava bem, na medida do possível, bem até demais por se tratar de Samantha. Tranquilo demais. Os poucos encontros com vampiros foram sem nada de incomum, apenas vampiros. Vampiros interessados somente em manter sua alimentação como estavam acostumados, sem ao menos desconfiar de que a garota ao lado deles era caçada por seres muito mais poderosos do que eles que se achavam os grandes maiorais, tratando humanos como um delicioso prato de sopa em dia frio. Aquilo irritava Samantha, não o fato de eles não se darem conta, é claro, mas sim a forma como tratavam os humanos, como se fossem meros objetos descartáveis.

Mas tirando o fato de algumas confusões que Samantha se metera por pensar desta maneira, e também em consequência de suas crises histéricas. Nada de realmente ruim havia acontecido, é claro que aquilo não podia continuar daquela maneira por muito tempo.

O sol naquela tarde era uma grande bola laranjada que obrigava a todos a se abrigarem do excesso de calor.

Troy e a vampira haviam chagado a pequena vila, os dois estavam três dias sem parar para descansar, e a sede já os incomodava.

Samantha ficou satisfeita quando entraram na pequena, mas bem organizada pensão. O dono era um senhor bem apessoado com uma idade avançada.

Mesmo com o colar o Sol quando muito forte a incomodava, sua visão por ser mais apurada se tornava mais sensível.

O homem os recebeu com um sorriso.

Troy pediu ao homem que reservasse dois quartos, um para ele e outro para sua “prima”. Assim que o vampiro terminou de falar Samantha foi logo perguntando:
-O senhor poderia nos informar se dois rapazes, um de cabelos negros olhos de um azul muito bonito, não muito alto – conforme ia falando a garota ia fazendo gestos e expressões – e outro um pouco mais alto de olhos cor de carvalho, cabelo castanho claro. Tanto um como o outro muito bonito e que devem ter se identificado pelo sobrenome Salvatore. Eles estiveram por aqui?


O homem pensou por um momento. Seus lábios se franzindo pensativo:

-Olha sinto muito Srta. Blayker mas não, não me lembro de tê-los visto por estas bandas.

Samantha soltou um suspiro e continuou:

-E uma moça, ruiva, olhos verdes... – Troy sempre fazia uma careta quando Samantha pedia informações de Jane.

Desta vez o homem ficou em silêncio por mais tempo, e quando respondeu sorria:

-Ora essa, claro, claro, lembro-me dela, passou aqui alguns meses atrás, e agora que você falou lembrei-me de porque suas características me pareciam familiares. Ela estava procurando por você Srta. Blayker.

Samantha por um momento sentiu o chão em baixo de seus pés sumir.

Troy por impulso pegou o pulso dela, segurando-a com força.

Samantha pestanejou sentindo as pernas ficaram bambas.

O homem arregalou os olhos:

-Mas o que houve? Pensei que essa fosse uma noticia boa?

Troy sorriu. Ele era ótimo em sorrir até mesmo nas piores situações.

-Está tudo, ela só está cansada, irei levá-la até seu quarto. Obrigado.

O homem assentiu confuso e indicou uma porta logo ao lado.

Troy e Samantha foram até ela e a abriram revelando uma escadaria estreita de madeira. Os dois subiram Samantha ainda meio trôpega.

Quando chegaram ao corredor com varias portas Troy abriu a porta que exibia o mesmo número de uma das chaves que o homem lhe alcançará.

Assim que entrou no quarto Samantha se deixou despencar na cama. A sacola com suas roupas e a caixa de sua mãe caiu de lado.

Troy havia abandonado sua expressão calma. Na verdade quando Samantha finalmente criou coragem para encará-lo ele estava tenso, mais tenso do que em qualquer outra ocasião de que ela se lembrava. Seus lábios brancos. Seus olhos brilhavam diferentes do normal.

-Troy? – chamou ela, com a voz fraca.

O vampiro continuou imóvel.

-Troy sinto muito... Eu não queria.

Quando o homem dissera aquilo Samantha sentiu como se o mundo houvesse virado de cabeça para baixo.

Jane havia deixado Troy para cassá-la. Era a resposta clara. A solução obvia.

-Eu realmente não...

-Samantha pare de se desculpar, por favor, está bem? Dez anos Samantha... Dez anos... Quando lhe encontrei fazia pouco mais de dez anos que seus pais haviam sido assassinados não é mesmo? – ele voltou a andar de um lado para o outro – Dez anos... Dez anos... Dez anos que você estava sumida... Dez anos que lhe procuravam... Dez anos que Jane havia ido embora... Como eu não havia percebido isso antes?

A boca da vampira tremia. Algo por dentro dela revirava. Um nó apertava sua garganta.

Ela havia feito Troy sofrer, antes mesmo de conhecê-lo. Quantos mais ela havia machucado?

Quando aquilo iria parar? Quando seu peso de culpa iria deixar de aumentar?

Mas havia algo que ela poderia fazer. A única coisa que ela poderia fazer para tentar diminuir toda a dor que involuntariamente havia feito Troy sofrer.

Samantha o encarou em silêncio, para a surpresa do loiro os cantos da boca da garota se ergueram trêmulos, em uma falha tentativa de sorriso:

-Bem... Se isso for verdade... Agora ao menos sabemos uma forma de encontrá-la...

Desta vez foi Troy quem ficou confuso:

-O que quer dizer?

-Se ela está me procurando precisamos chamar a atenção dela.

Troy se boquiabriu, sua cabeça foi de um lado a outro lentamente, como se duvidasse estar ouvindo aquilo:

-Nunca – sua resposta foi firme, sem hesitação.

-Não seja bobo Troy, você a ama. E isso é o mínimo que posso fazer, ela lhe abandonou por minha causa, eu a tirei de você.

Troy bufou:

-Sua causa? Você por acaso a obrigou a te perseguir? Ela me abandonou porque quis.

-Não. Duvido. Duvido muito. Alguém deve tê-la ameaçado, ou alguma coisa assim.

-E por isso ela se sentia no direito de caçar uma garota que nem conhecia? Querer matá-la?

-Ela não é a única que quer isso Troy.

-Pouco me importa os outros, mas ela... Ela não devia ter feito isso.

-A chamamos aqui e você conversa com ela.

Troy tremia tentando se controlar para não gritar.

-Se fosse para lhe calçar ela não estaria sozinha, eles te matariam.

Samantha mordeu o lábio inferior:

-Eu não estaria mais aqui, Jane de uma maneira ou de outra não me aceitaria. Eu serviria apenas de isca, depois iria continuar a procurar por meus irmãos, e você iria esperá-la.

-Não te aceitaria? Pois isso só demonstraria que ela não liga mínima para mim. Não pense que eu iria querer qualquer coisa com ela se ela fizesse qualquer coisa com você.

Samantha levou a mão à cabeça.

Por que ele não entendia?

-Você a ama Troy.

-Do que importa eu amá-la se ela não da à mínima para mim? – suas palavras continuavam baixas, mas de um tom duro.

-Você não pode dizer isso sem saber os motivos dela.

-Motivos? Que motivos ela teria?

Samantha não respondeu, apenas ficou o encarando.

-Se ela me ama, precisa aceitar que onde eu estiver você estará comigo.

A garota bufou:

-Não pode cobrar isso dela.

-Não posso? Não posso? Ela que não pode querer lhe matar. Ela não tem o direito. Não tem.

-Ela tem tanto direito quanto qualquer um. E vai ter mais direito ainda quando souber que coloquei você em perigo.

-Você não entende, nunca entendeu. Eu não estou sendo obrigado a ficar aqui, você não me obrigou a ficar ao seu lado. Estou aqui porque quis, por minha vontade não sua.

-Não é aqui que você tem que estar, é ao lado de Jane.

-Eu não vou deixar que você se coloque em perigo. Eu não vou permitir que você saia por ai sozinha. Jane partiu porque quis.

-Jane partiu por minha culpa. Porque eu não deveria existir. Porque o que eu sou representa perigo. Perigo para você, perigo para minha família, para todos os que eu amo e até mesmo quem não conheço. A prova está bem clara, olha o que aconteceu com meus pais, meus irmãos, Greg, Alex, Margareth e sabe se lá quantos mais. Eu fiz você sofrer...

-O problema não está em você. Você não escolheu ser isso. O problema está neles, no fato de acharem que tudo gira em torno do poder, poder, e nada mais.

-Basta disso Troy, você não pode me defender. Você já fez muito por mim e o que eu fiz? Eu lhe tirei Jane. Grite comigo, faça qualquer coisa, mas, por favor, não diga que eu não tenho culpa de nada porque isso não é verdade.

O loiro bufou.

A dor transparecia em seus olhos de cristais, tanto quanto nos olhos de Samantha.

-Você simplesmente não entende. – Dizendo isso Troy saiu do quarto batendo a porta com força. A dor em suas feições se ampliou, seus olhos possuíam um marejar que não deveriam estar ali.

Samantha se deitou enfiando o rosto nos travesseiros. O nó em sua garganta aumentando. As lágrimas finalmente escorregando por sua face.

Por que ela não poderia ao menos deixar de sentir? Deixar de se importar? Quem sabe desta forma ela conseguisse não interferir na vida de ninguém.

Ela não queria ter magoado Troy. Não queria.

Ela era uma arma de destruição. Uma arma de destruição criada para matar e magoar todos os que amava.

Ela queria deixar de existir. Queria nunca ter existido. Queria nunca ter nascido.

O que aconteceria se ela simplesmente desligasse seus sentimentos?

Ela ainda lembrava-se de quando Alex que lhe disse: “seus sentimentos são seus piores inimigos e seus maiores aliados”.

Ela entendia perfeitamente a parte dos piores inimigos. Ela entendia perfeitamente que com isso ele pretendia deixar claro para que ela nunca desligasse seus sentimentos.

Troy também havia lhe dito que se arrependia de ter desligado seus sentimentos.

Mas doía tanto, doía tanto não saber o que fazer para parar de ferir quem amava.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Continua...

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Sab Jul 07, 2012 7:00 pm

Capitulo 41- Tem males que vem para o bem

Samantha levantou de madrugada. Não precisou perder tempo se vestindo, pois não se dera ao trabalho de tirar seu vestido.

Apenas pegou a sacola em que estavam suas outras roupas, o dinheiro que Edmundo lhe alcançara e a caixa que sua mãe lhe deixara, e saltou a janela sem fazer qualquer ruído.

Estava uma noite clara, iluminada pelo brilho forte da lua.

Por fim ela sabia que não conseguiria desligar seus sentimentos. Do que adiantaria?

Agora ela só precisava tentar concertar todos os erros e mágoas que causara. Primeira coisa era deixar Troy. Sim ela havia prometido a Vanessa que não iria magoá-lo, mas era necessário. Ele precisava de Jane, isso podia perceber-se pelos olhos dele cada vez que ouvia o nome dela. E enquanto Samantha estivesse com ele, ela sabia que ele não iria procurar por Jane. Não depois do que haviam descoberto. Não depois de saber que Jane a queria morta. Assim como tantos outros.

O vento batendo em seu rosto era reconfortante, clareava seus pensamentos, lhe deixava mais lúcida para saber o que iria fazer.

Depois de deixar Troy havia uma única coisa que era estritamente necessário: achar seus irmãos.

Ela precisava garantir que eles soubessem a verdade. Precisava garantir que eles estivessem bem. Precisava revê-los.

Depois disso não se importava de morrer. Não ligando se caísse em uma emboscada ou se ela mesma se matasse. Com certeza isso pouparia trabalho para muitos, e pouparia quem quer que fosse o próximo de sofrer por culpa dela, direta ou indiretamente.

Ela só precisava garantir que seus irmãos ficassem bem. Só isso. Apenas isso e nada mais.

O vilarejo estava silencioso, nenhum andante.

Por garantia Samantha entrou na floresta assim que a avistou.

As árvores eram suficientemente separadas para que a luz da lua a adentrasse até mesmo ali.

Uma coruja piou e a vampira a ouviu levantar voo.

A ave sabia, pressentia o perigo se aproximando. Seus instintos avançados lhe alertava sobre a vampira.

Do mesmo modo como todos os outros animais que assim que a ouviam aproximando-se já saiam em debandada.

Ela gostava de animais. Quando humana costumava passar horas os observando.

Porém agora ela estava limitada a somente vê-los fugindo. Dela.

Ela nunca fora normal, nunca gostara realmente de brincar como as outras garotas. Sempre possuíra seu próprio lema do que era diversão: estar com seus irmãos. Brincar no lago, cavalgar, passar a tarde toda apartando as brigas de Damon e Stefan enquanto se fartavam com a grande variedade de frutas do pomar.

Independentemente do que fosse ela só precisava estar com eles. Esse era seu sinônimo de diversão.

Ela havia se divertido. Havia se divertido muito. Se sua vida acabasse agora ela não teria sido totalmente perdida. Totalmente em vão.

Ela realmente havia sido feliz junto de seus irmãos e Giuseppe. Muito feliz.

Um farfalhar de folhas lhe chamou atenção, fazendo com que reduzisse a velocidade.

Havia um vulto logo à frente.

Os cabelos balançando ao vento. Os braços cruzados sobre o peito. A expressão impassível.

A luz da lua deixava os fios dourados, como se possível, mais belos do que já eram.

A garota sentiu o peso em seu estômago aumentar.

A dor de vê-lo magoado era pesada demais. Afundava-a, afogava, lhe derrubava deixando-a sem reação.

Ela queria fechar os olhos. Queria poder voltar no tempo. Queria ser apenas uma criança. A mesma criança que passava as tardes aproveitando ao máximo a presença de seus pais, ou brincando com Carmelo, seu cachorro.

A mesma criança que dizia todos os dias possuir os pais mais perfeitos do mundo. Os pais que mesmo estando esgotados sempre lhe acompanhavam em suas brincadeiras.

Quem sabe eles soubessem. Quem sabe era só mais uma maneira de se prepararem, aproveitar ao máximo enquanto tivessem tempo.

É, era exatamente isso, eles só queriam aproveitar o tempo limitado que teriam com ela. Eles sabiam. Eles esperavam por tudo o que tinha acontecido, ou pelo menos grande parte.

Mas ela sabia que nada que fizesse iria mudar aquilo. Fechar os olhos não traria seus pais de volta, não mudaria nada.

Eles não voltariam. Eles não ganhariam vida somente por ela almejar aquilo.

Ergueu os olhos como se pedisse desculpas.

Troy estava ali. Troy adiantara o passo que ela daria. Ele a conhecia o suficiente para saber que ela tentaria fugir.

Fugir. Aquela palavra deixava a garota enojada.

Ela era uma fugitiva.

Fugia de todos, fugia de tudo, fugia de si.

Ela não queria fugir, mas qual era a outra saída? Se até mesmo depois de morta poderia deixar seu sangue ao alcance de quem quer que fosse para criar um provável super-hibrido.

A garota parou de frente para o vampiro:

-O que faz aqui? – perguntou, tentando ao máximo manter a voz firme. Fingir-se de indiferente.

-Isso, pergunto eu. – Ele estava tremendamente irritado.

Encarou-o por um momento.

Os olhos de cristais que tanto a fascinavam, os fios de cabelo dourado, a linha perfeita de sua mandíbula.

A vampira tentou manter-se firme, porém sua voz falhou ao dizer:

-Estou indo embora.

-Isso eu percebi, quero saber o porquê. Já não lhe deixei claro o suficiente que irei com você para onde quer que você vá?

Ela fechou os olhos respirando fundo e impedindo-se de chorar:

-Sinto muito Troy. Prometi que não me afastaria, mas as coisas mudaram, ou sou eu ou é Jane, e ela é melhor pra você. Você a ama, ela não o colocará em perigo. Seja o que for que eu tenho a fazer preciso fazer sozinha, isso já está mais do que claro há muito tempo, e agora não há forma de ignorar. Ela lhe deixou antes mesmo de eu conhecê-lo, eu estraguei sua vida antes mesmo de você se aproximar de mim. Assim como estraguei a de meus pais, de meus irmãos, de Greg, de Alex, de Margareth. Não posso continuar fazendo isso. Não posso continuar me fingindo de cega. Você me ajudou mais do que eu merecia. Você tem todo direito de me odiar, mas não, você somente me ajudou, sempre que precisei você esteve ao meu lado. E agora é minha vez de retribuir, isso é tudo que posso fazer. Você ficará melhor longe de mim, mesmo que isso não seja exatamente o que queremos.

O loiro sorriu sem humor algum:

-Você está enganada em tudo que diz. Pensa que está agindo de maneira correta dizendo tudo isto, mas não está. Já lhe disse uma vez: cada um deles teve a oportunidade de escolher entre protegê-la ou não...

-Giuseppe e meus irmãos não, eles não sabiam do que se proteger, não sabiam o que eu era.

-Porque você não sabia e não havia como avisá-los. E sinto muito decepciona-la, mas pelo que deu para perceber seus irmãos tiveram chance de escolha. Agora não vou dizer por ninguém, somente por mim mesmo. Eu quero você aqui. Quero você comigo. Jane lhe quer morta? Beleza, ela que me mate primeiro, pois não vou mais desperdiçar meu amor por quem não dá a mínima para mim, pois do contrário ela não iria nem pensar em lhe ferir. E outra, a Jane que conheço simplesmente acharia que sair atrás de uma garota mestiça simplesmente não é de grande importância. Para que isso a ajudaria? Ela simplesmente ficaria assistindo de camarote enquanto todos se descabelavam preocupados com o que você representava. Se ela quiser matá-la deixará de ser a Jane que conheço, a Jane que amo... – passou a língua pelos lábios, nervoso, suas mãos involuntariamente fechando-se em punhos. Suspirou fundo tentando continuar -... E por consequência deixarei de amá-la.

-Você não escolhe se quer amá-la ou não, você simplesmente... Ama.

-Sei disso, mas ninguém consegue amar pela eternidade, se não houver no mínimo compreensão conjunta.

-Mas você a ama.

-Isso não significa quero ficar longe de você.

-Mas você precisa ficar longe de mim está bem?

-Por quê?

Samantha bufou:

-Porque eu sou um imã para desgraças, e isso vaia acabar atingindo você mais do que já atingiu.

-Você esqueceu-se de perguntar se eu me importo com isso. Se me importo que você atraia todos os infortúnios possíveis e impossíveis.

-Grande sensibilidade a sua. Você pode não se importar, mas eu me importo, está bem? – a garota gritou perdendo o controle. – Eu não quero que algo de ruim aconteça a você. Eu não posso permitir isso. Eu não suportaria. – Terminou ela abaixando a voz, por fim não passando de um sussurro.

Troy sorriu. Ele devia possuir um estoque de sorrisos guardados. Sorrisos para todo tipo de ocasião, mas que sempre acabavam sendo sinceros. Desta vez era uma mistura de sorriso de discordância e compreensão.

Em um gesto lento retirou um lenço branco do bolço da camisa e o estendeu para Samantha. A garota fez um bico, cerrando os dentes e franzindo a testa:

-Para que isso?

-Você está chorando.

-Eu não estou chorando.

Por que ela sempre precisava perder o controle e acabar gritando?

Troy se aproximou mais, ampliando o sorriso com a negação dela.

Antes de a garota perceber o que ele estava fazendo sentiu o polegar dele deslizar suavemente por sua bochecha.

-Sim você está chorando, e está descontrolada, como sempre.

A vampira urrou o empurrando usando menos força do que gostaria:

-Eu não estou descontrolada, está bem? Não estou descontrolada. Você é que não entende. Você não pensa é isso? O que você tem na cabeça? Titica de galinha? – os braços da garota a acompanhavam freneticamente fazendo gestos enquanto gritava.

Troy riu.

Samantha por um momento ficou pasma o observando:

-Do que está rindo.

-De você.

-Por acaso tenho cara de palhaça agora?

Ela cerrou os olhos com força, com raiva de si mesma por estar gritando.

-Não, não, você parece mais aquele anão daquele conto da garotinha branca e os sete anões, sabe aquele que vive implicando com todo mundo, mas que é o que faz a gente rir mais? O Ranzinza.

-É Zangado, idiota. – Ele havia conseguido fazer com que ela parasse de gritar.

-Tanto faz, mas você é exatamente como ele.

-Está me chamando de anã?

Troy a observou, seus olhos passando lentamente por ela. Quanto voltou a fixar seus olhos aos dela fez cara de pensativo:

-Bem...

-Hey, eu tenho 1,65, não sou baixa, você que é muito alto – se defendeu.

-Tenho apenas 1,85 de pura sedução – seu comentário foi acompanhado de uma gargalhada ressoante que teve como resposta o revirar de olhos de Samantha.

Troy parou de gargalhar de repente:

-Hey, foi só uma brincadeira não precisa rosnar desse jeito – repreendeu.

-Não fui eu.

Os dois se encararam tensos.

Troy olhou para o céu. Entre as camadas de galhos das árvores a lua se destacava. Um círculo branco em meio à escuridão. Lua cheia.

O vampiro xingou baixinho se concentrando.

-Que cheiro é esse?

-Lobisomens.

Samantha abriu a boca para perguntar alguma coisa, mas foi impedida.

Troy saltara sobre ela bem na hora.

Um lobo cinza, enorme, saltou no exato lugar em que ela estava segundos antes.

Samantha caiu com Troy em cima dela.

A garota gravou mentalmente para em uma próxima ocasião tentar evitar um contato tão próximo com o loiro. Não que ela não estivesse satisfeita que ela a tivesse salvo de virar churrasquinho mal passado de lobisomem, era só pelo fato da pele do vampiro ter um cheiro muito bom, fazendo com que ela não conseguisse raciocinar direito com tanta proximidade.

Troy interrompeu os pensamentos da vampira a levantando e disparando pela floresta puxando-a consigo.

Outro fato que ela precisava anotar: não se perder em seus acessos de fúria. Isso a deixava desligada para qualquer outra coisa que estivesse acontecendo ao seu redor.

Enquanto corria a garota sentia um bafo quente e passadas pesadas logo atrás dela.

Virou a cabeça rapidamente para olhar. O grande lobo cinza estava quase os alcançando.

Troy parou de correr bruscamente, Samantha tentou frear, mas acabou colidindo com ele, fazendo com que ele fosse obrigado a segurá-la para que não caísse.

A vampira xingou. Outro lobisomem estava ali, este de uma pelagem marrom, não tão grande quanto o outro.

Samantha e Troy começaram a se afastar lentamente para a direita.

Os lobos imensos observavam cada movimento deles.

-Argh – Samantha interrompeu o rosnar de seus perseguidores – Olha... – Troy havia ficado pasmo, a garota colocará as mãos para frente como se quisesse objetivar – Vocês não escolheram um bom dia... Noite que seja... Mas sério, meu último ano não foi fácil, e hoje foi um dia muito estressante. Agora de verdade... Eu estou muito, mas muito irritada mesmo... E em consequência estou com muita vontade de bater em o que quer que seja, e nenhum pouco de vontade de virar espetinho de lobisomem. Então coloquem o rabinho entre as pernas e vão atrás de algo mais apetitoso como, por exemplo... Hãm vamos ver...vamos ver...

Os lobisomens a interromperam com um rosnado ressoante.

-Hum, Samantha acho que sua tentativa de conversa amigável saiu às avessas.

-Não custava tentar – respondeu dando de ombros.

-É... Mas agora – Troy abaixou a voz para apenas um sussurro dando outro passo para trás com Samantha junto dele enquanto os lobisomens se aproximavam – Preparada para correr?

-Tem que estar não é mesmo?

-Vamos pelas árvores.

-No três?

-Não,... Agora.

Os dois pularam.

Os galhos por quais pulavam estalavam embaixo de seus pés, mas não se partiam.

A garota sentia o vento varrer seus cabelos para trás. E acima de tudo sentia o gosto que nunca imaginara ser possível da adrenalina passando por todo seu corpo como descargas de energia.

Ela não podia negar: correr a fazia esquecer-se de tudo. Fazia-a sentir livre.

Seus pés batiam com graciosidade e habilidade ao mesmo tempo conforme pisava nos galhos das árvores.

Fechou os olhos deixando dominar-se por seus instintos, as preses pressionando sue lábio inferior. As veias saltando por seu rosto.

Ao abrir novamente os olhos um vermelho sangue os possuía.

Abaixou se desviando de um ramo enquanto esticava os braços para cima fechando seus dedos em um galho ao seu alcance e se impulsionando para frente.

Troy grunhiu frustrado ao seu lado.

Samantha percebeu o motivo. Por mais que os dois corressem os lobisomens não desistiam. Mesmo que não fossem tão ágeis quanto os vampiros em escalada, os lobos os perseguiam pelo chão logo abaixo.

-Acho que seu breve discurso só serviu para que se esforçassem mais em acabar com nós.

-Não me culpe, apenas fui sincera. Sinceridade é um dom, não tenho culpa se eles não sabem escutar.

O loiro bufou.

Como em resposta o lobo menor e marrom disparou à frente deles e pulou para cima de um galho bloqueando a passagem dos vampiros.

Sem hesitar Troy foi logo falando:

-Você pega o da frente.

-Fale de um modo mais sutil, Troy. Por exemplo: acabe com o da frente.

-Muita sutileza a sua. E qual o motivo de estar dando uma de humorista?

-Estou de mal humor. Como pode perceber este dia não foi um dos melhores nem para mim nem para você. E como cereja do bolo você me chama de anã e dois cabeludinhos resolvem que querem me fazer de churrasquinho. É sério, quando for para eu morrer quero morrer de uma forma mais a altura de algo marcante.

-Então preocupe-se em não morrer. – Troy falou rapidamente antes de segurar rapidamente o pulso da garota fixando seus olhos nos dela – Não deixe nem sequer que ele te arranhe. – Suas mãos voaram para os ombros da garota, segurando-a firme, seus olhos implorando – Por favor, tome cuidado.

Dizendo isso deu um belo salto para trás caindo diretamente em cima do lobo cinza grandão.

Samantha piscou rapidamente, se recompondo, antes de se abaixar em posição de ataque.

Troy já havia lhe dito que qualquer mordida de lobisomem era fatal e este não era exatamente o melhor momento para morrer... De novo. Ela ainda precisava encontrar seus irmãos.

Com um gracioso, porém bem calculado salto a vampira saltou para cima do lobisomem marrom passando seus braços sobre o tórax do lobo. Com um baque forte, e nada gracioso os dois caíram rolando no chão.

Samantha apertou mais os braços em volta do tórax do animal enquanto ele se debatia tentando mordê-la.

Ainda com uma das mãos no tórax do lobo, levou uma das mãos até a garganta do lobisomem apertando-a e afastando sua cabeça para trás.

O lobo lhe deu uma patada no estômago deixando-a passageiramente sem fôlego e a obrigando a soltá-lo.

A vampira sentiu suas costas baterem no chão com um estrondo quando o lobisomem pulou por cima dela.

A garota urrou, afundando o punho no focinho do lobo, que grunhiu.

Antes que o animal tivesse tempo de se recuperar, Samantha lhe ergueu pelas duas patas da frente e o arremessou contra uma árvore.

Limpou rapidamente o vestido o abanando com as duas mãos e se preparava para saltar novamente sobre o lobisomem quando Troy a impediu:

-Espere – disse, segurando-a pelo ombro – ele pode saber de alguma coisa- respondeu ao olhar indagativo dela.

-Não creio que ele irá dizer. – A garota respondeu, desviando os olhos em direção ao adversário de Troy caído mais ao longe.

Troy foi até o lobisomem contra qual Samantha lutara e o encarou:

-Vamos fazer um acordo – nisso arrancou alguns pelos da nuca do lobo marrom que grunhiu – deixamos vocês vivos, mas em troca você nos responde algumas perguntas.

O lobo soltou um rosnado olhando para o companheiro caído logo atrás.

-Ele não está morto. Ainda. Você que decide. Algumas respostas em troca de suas vidas. E se as responderem errado, ou tentar nos enganar, nós o encontraremos. – Disse mostrando os pelos que havia arrancado. – Isso será muito útil para achá-los onde quer que forem. E então? Como vai ser?

Os olhos amarelos do lobisomem por um momento se fixaram ameaçadoramente para Troy, mas em seguida se desviaram para Samantha.

Troy percebendo se virou para ela:

-Ele precisa voltar à forma humana.

Por um momento Samantha não entendeu, sua testa se vincou confusa. Troy ergueu uma sobrancelha e a garota compreendeu.

Com um muxoxo de impaciência se virou de costas e se afastou alguns passos.

Claro, era só o que lhe faltava. Troy protegendo sua virtude.

Alguns estalar de ossos se fez ouvir, e uma respiração mais suave, mas ainda assim sôfrega substituiu a respiração pesada.

-Pegue isso. – Samantha ouviu Troy dizer.

Alguma coisa leve foi jogada no ar.

-Pronto Samantha, pode virar-se.

Samantha se virou, seus olhos passaram rapidamente pelo homem que roubara o lugar do lobo, ainda encolhido e enrolando em o que parecia ser uma camisa cinza, deixando apenas a parte acima do tronco totalmente desnudo.

A garota não podia deixar de negar que esperava mais de um lobisomem, mas seus pensamentos logo foram varridos de sua mente quando seus olhos foram até Troy.

Ali estava a resposta de onde é que o lobisomem tinha arranjado uma camisa e do objeto que ela ouvira Troy alcançar para ele.

É claro que Samantha já havia percebido que Troy não possuía apenas um sorriso perfeito, olhos de cristais cintilantes, um cabelo que parecia balançar mesmo sem vento, mas também um corpo que não podia ser facilmente deixado de notar.

Mas aquilo? Aquilo era uma injustiça tremenda. Onde é que estavam os defeitos?

Seus ombros largos eram acompanhados de braços e peitorais perfeitamente definidos. Um leve tom de bronzeado se fazia notar na luz da lua.

A garota fixou os olhos no lobisomem.

O que ela estava pensando? Troy era seu amigo e nada mais. Não é mesmo? E além do mais ela era apaixonada por Greg, está certo que ela nunca teve tempo de descobrir realmente o que sentia por ele, mas mesmo assim ela sentia algo por ele. Mesmo que as chances dela ficar com ele eram mínimas afinal de contas ele estava morto, mas ela não podia ignorar o fato de que ele estava morto exatamente pelo fato de ter tentado salvá-la.

Sim, ela estava confusa.

Ok, mas ela não podia negar que Troy era bonito. Lindo. Muito lindo.

-Como nos achou? – a voz do loiro a trouxe de volta a realidade.

O lobisomem demorou a responder:

-Ouvi vocês pedindo informações hoje de tarde. E ficou mais do que na cara o que vocês eram.

-Se ficou tão na cara o que éramos você sabe algo sobre quem procurávamos. Diga o que você sabe.

-Eu vi a mulher, a ruiva, mas ela somente passou por aqui procurando a garota, agora os outros dois, os dois Salvatore’s eles deixaram alguns estragos por onde passaram. Não pudemos impedi-los porque não era lua...

-Não quero saber disso. Para onde eles foram?

-Quem? A ruiva ou os outros dois?

-Se estamos pedindo informações dos três é porque são os três não é mesmo Sr. Pelúcia? – Samantha respondeu em total falta de escrúpulos.

Troy a repreendeu com o olhar, mas Samantha não viu porque estava evitando olhar para o vampiro.

O lobisomem fechou o semblante mais do que já estava fechado:

-Engula sua linga e morra sufocada, sangue suga em miniatura.

A garota estreitou os olhos perigosamente:

-Caso não tenha percebido “Au Au” você não está em posição de mandar nada. E não é cavalheirismo insultar a altura de uma dama.

O homem rosnou, Samantha retribuiu rosnando mais alto.

-Olha, estamos tentando todos ser amigáveis não é mesmo? Por que brigar? Vamos agir todos pacificamente. O que uma boa conversa não resolve?

-Diga isso para sua amiguinha morcega – o homem grunhiu ainda fuzilando Samantha com os olhos sem sucesso, pois a garota estava a ponto de enterra-lo com os olhos.

-Samantha colabore está bem?

A vampira revirou os olhos e ficou quieta.

-Bem... Então para que direção eles foram?

-A ruiva eu não sei, mas os outros foram para o norte.

-Quanto tempo isso faz?

-Umas duas semanas.

-Eles estavam sozinhos?

-Tirando as garotas que pegaram para fazer um lanchinho, sim estavam sozinhos.

Samantha sentiu um arrepio percorrer seu corpo ao ouvir aquilo.

O lobisomem a encarou:

-Qual é a dessa garota? É uma sangue suga é não aguenta ouvir a verdade.

-Como já disse, não é você quem faz as perguntas aqui.

-Samantha...

-Está bem, Está bem.

-Acho que já respondeu o que precisávamos saber – Troy continuou. – Agora lembre-se, temos um acordo: não abra o bico sobre nós e vocês continuam vivos.

-O acordo não era esse...

-Vai por mim, se pedirem sobre nós é melhor para você fingir que não sabe de nada.

O lobisomem xingou revoltado.

Troy estendeu uma das mãos para o lobisomem:

-É sempre um prazer fazer negócios com os de outras espécies, ainda mais quando são tão compreensíveis.

O lobisomem ignorou a mão que Troy lhe estendia fazendo uma careta de nojo.

Samantha deu um passo para frente:

-Hey onde está sua educação? Sua mãe não lhe ensinou que devemos retribuir um cumprimento?

-Se você deixar essa... Essa “coisa” irritante aqui por mais um segundo eu juro que não me responsabilizo por meus atos.

Troy garrou firme o pulso de Samantha a puxando para longe e se afastando.

-De vez em quando é bom manter a boca fechada sabe? – falou, quando já estavam mais longe.

-Não tenho a culpa se nasci com escassez de paciência.

Troy riu retirando uma camisa de mangas comprida limpa de dentro da bolça que havia pegado encostada em uma árvore.

-Hey, se você já estava com suas roupas ai o tempo todo porque é que não se vestiu logo?

Troy eriçou uma das sobrancelhas para ela:

-Qual a diferença?

A garota corou. Troy abriu um sorriso.

Samantha bufou começando a afastar-se dele, mas Troy a segurou, prendendo-a entre seus braços:

-Você não me respondeu. – Disse se aproximando.

-Se enxerga Troy, não sou obrigada a lhe responder nada. – Cortou ela tentando se desvencilhar dele.

Troy aproximou mais seu rosto do dela, testando-a.

A vampira sentiu seu rosto esquentar ao sentir seu corpo preso entre uma árvore e o corpo do vampiro.

Não era bom sinal ela gostar tanto da sensação de seu corpo colado no dele e sua boca a centímetros dos lábios do loiro.

Estreitou os olhos. Com um movimento rápido um de seus braços se soltaram e ela o levou com força até o rosto de Troy lhe aplicando um tabefe com mais força do que o necessário.

Troy a soltou levando uma das mãos ao lugar em que Samantha havia lhe acertado:

-Caramba, o que foi que lhe deu hoje?

-Você mereceu. – Disse, virando de costas para ele e voltando a andar.

-Por quê? – Disse enquanto terminava de vestir a camisa e voltava a andar.

A garota se virou. Seus olhos queimando:

-Você ia... Você ia... – ela não conseguiu terminar.

-Te beijar? – o vampiro a interrompeu, terminando a frase por ela.

Samantha não respondeu, apenas sentiu seu rosto corar mais ainda.

Troy sorriu:

-O que lhe faz pensar isso? Prendê-la contra uma árvore não implica necessariamente em querer beijá-la.

A garota deu as costas para ele voltando a andar em passos largos.

A risada do loiro a alcançou:

-Éh, eu ia te beijar – admitiu. - Você perdeu uma grande oportunidade.

Antes que se desse conta a vampira já havia voltado até ele e lhe aplicado outro tapa na cara.

A garota encarou o loiro que a encarava surpreso.

Samantha mordeu o lábio inferior, se dando conta do que havia feito:

-Desculpa... É que... Não sei. E você deveria esperar Jane, se ela está mesmo me procurando uma hora ou outra ela vai aparecer por aqui.

Troy deu de ombros:

-Primeiro iremos atrás de seus irmãos.

-Eu irei atrás de meus irmãos e você fica esperando por Jane.

-Esqueça, essa você perdeu.

-Troy... – tentou argumentar.

O vampiro a ignorou, seus olhos preocupados ao fitá-la:

-Você está preparada?

Samantha o encarou:

-Como assim preparada?

-Seus irmãos, eles estarão diferentes dos que você conheceu.

Ela deu de ombros:

-Sei disso E exatamente por isso que preciso encontrá-los. É meu dever ajudá-los. E de qualquer forma... Eles sempre serão meus irmãos.

Troy assentiu:

-E depois?

-Depois que o quê?

-Que os encontrarmos... Éh, bem... Não sei como seus irmãos irão me receber.

Samantha compreendeu o que ele queria dizer.

-Bem, eu não irei poder ficar muito tempo com meus irmãos. Não posso coloca-los em riscos novamente. E ainda tem o fato de que provavelmente eles não ficarão muito felizes em ver-me. Porém ainda acho que você deveria esperar por Jane.

Troy sorriu:

-Você vai mesmo continuar perdendo seu tempo falando sobre um assunto já resolvido?

A vampira revirou os olhos enquanto os dois voltavam a seguir caminho.

Agora ela estava perto. Agora ela os encontraria. Seus irmãos. Ela iria revê-los. Finalmente revê-los.

¨¨¨¨¨¨¨

Continua...

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Qua Jul 11, 2012 9:50 pm

Capitulo 42 - Reencontro

A garota sabia que era ali. Sabia que era aquela casa. Finalmente, depois de tanto procurar. Ali estava. Ali estavam eles. Não havia dúvidas, ela havia reconhecido a voz de Damon. Seus irmãos estavam ali. Seus irmãos. Seus.

O sobrado de dois andares de cores claras aparentava ser antigo, e sem duvida alguma abandonado até que Damon e Stefan o invadissem.

O dono provavelmente já havia falecido há bastante tempo. O que outrora deveria ser um belo jardim agora não era nada além de um matagal ao redor da casa.

Samantha sentiu um arrepio passar por seu corpo, não de frio, pois até mesmo o clima daquela noite parecia ter mudado, mas sim de emoções que ela não sabia distinguir claramente.

Troy havia parado ao lado dela olhando para o sobrado.

-Me espere do lado de fora, Damon e Stefan tenho certeza que não ficarão dando pulos de alegria ao ver-me, e se o vir junto de mim provavelmente irão tomar providências precipitadas. – Samanta o alertou dando chegando mais para perto da porta.

-Certeza? Eles estão...

-Vou saber lidar com eles, Troy, independentemente da maneira que agirem. Isso é uma coisa que preciso fazer sozinha. Eles são meus irmãos, essa é minha obrigação, o mínimo que posso fazer depois de tudo que causei a eles. E eu... Os amo.

Troy a encarava preocupado.

-Fique tranquilo, eu ficarei bem. – A vampira o assegurou.

O loiro levou a mão à cabeça bagunçando o cabelo, preocupado:

-Se eu perceber algo de errado entrarei atrás de você.

Samantha assentiu.

Troy com um suspiro saiu de perto da entrada indo para um dos lados da casa encostando-se à parede.

Samantha se colocou diante da porta, tensa.

Respirou fundo, levando os dedos trêmulos para a aldrava com pássaros incrustrados presa a porta.

Seus dedos se curvaram sobre o bronze frio. De forma lenta levou a aldrava de encontro à madeira da porta.

O choque entre a madeira e o bronze veio na forma de uma batida seca.

A vampira piscou uma vez de forma lenta, puxando o ar também com a mesma lentidão.

Seu coração aparentava estar mais vivo do que havia estado nos últimos meses. Disparava em seu peito.

Bateu mais uma vez a aldrava contra a porta.

Como resposta uma das vozes que ela mais sentia falta gritou lá de dentro:

-Não há ninguém em casa. A não ser é claro, esta belíssima voz do além que voz fala. Volte outro dia, repare que disse dia, e em uma hora mais oportuna. Está achando o quê? Que isto é uma casa de vampiros?

Samantha sentiu todos os seus ossos estremecerem ao ouvir a voz de Damon.

A saudade que sentira deles era tamanha que se tornara uma dor física. Seus dedos se apertaram mais contra o bronze.

Respirou fundo novamente tentando ganhar coragem:

-Na verdade acho está hora bem oportuna. E lamento muito, mas pretendo resolver meus assuntos pendentes agora mesmo. – Sua voz não lhe traiu. Ela soube esconder o medo e todos os outros sentimentos que a invadiam.

E se eles não quisessem nem ao mesmo ouvi-la?

Ao som da voz da vampira tudo ficou em silêncio.

-Damon, Stefan, abram está porta. Sou eu... Samantha.

Novamente o silêncio veio como resposta, somente para aumentar gradualmente o nervosismo da garota.

Respirou fundo tentando não desmoronar ali mesmo.

-Terei de arrombar? – esperou alguns instantes para ver se obtinha resposta, mas como não obteve prosseguiu - Já que preferem assim por mim tudo bem.

Enrolou os cabelos o jogando para trás, ergueu a barra do vestido, e em seguida com um chute certeiro, as mata juntas da porta rangeram antes de se soltarem por completo derrubando a porta com um estrondo.

Por o que pareceu ser um longo momento o mundo parou para a garota.

Os dois estavam ali. Belos, como sempre, ou até mesmo mais belos ainda. Seus irmãos. O que restara de sua família. Damon e Stefan.

Mas eles não estavam sós.

A grande sala, porém empoeirada, estava lotada de mulheres seminuas. Três delas caídas em um canto. Mortas.

Não foi realmente uma surpresa encontrá-las ali. Na verdade ela já havia sentido o cheiro de humanos. Mas mesmo desta forma não pode deixar de se sentir atordoada.

As mulheres possuíam os olhos sem foco. Como marionetes sem vontade própria. Hipnotizadas para servirem do que quer que fosse. Objetos para serem usados e depois descartados.

Samantha manteve o controle sobre o cheiro forte de sangue.

Seus olhos se pregaram em Damon e Stefan parados lado a lado, encarando-a.

Eles haviam mudado pouca coisa.

Damon possuía os mesmos cabelos negros de onde pendiam uns poucos cachos. Os olhos azul céu possuíam um brilho estranho. Um brilho que Samantha não ficou feliz em identificar. Um brilho cruel. Um brilho assassino. Um brilho de profunda mágoa. Dor.

Stefan os mesmos cabelos castanho claro brilhante, os olhos de folha de carvalho com o mesmo olhar assassino dos de Damon. Só que pior.

A dor dos dois atingiu Samantha como uma faca. A dor deles se misturando com a dela.

Ela sentia medo. Diversos tipos de medo. Medo de não ser perdoada. Medo de ter novamente a culpa jogada toda sobre seus ombros. Medo de que eles não a compreendessem. Medo de perdê-los de vez, sem volta.

Por um momento a vampira se arrependeu de pedir que Troy a esperasse do lado de fora. Por um momento ela o quis ali como apoio. Como seu alicerce para mantê-la de pé. Mas aquilo ela sabia que precisava fazer sozinha.

-O que faz aqui? – a pergunta brusca vinda de Stefan fez a faca revirar em seu peito.

Nunca ela o havia escutado falar daquela maneira. Nem com ela nem com ninguém. Aquele era um tom de voz que não combinava saindo da boca dele.

A vampira deu um passo, adentrando a casa sem problema algum. Com certeza aquela casa não possuía mais um dono legitimo.

-O que acha que estou fazendo aqui? Procurando o coelhinho da páscoa é que não é. Por acaso perderam os miolos durante a transformação?

-Saiba que procurar o orelhudo dos ovos de chocolate lhe traria mais proveito. – Damon rebateu, os olhos faiscando.

-Minha atual dieta não inclui chocolate se é que vocês me entendem. Agora se não se importam poderiam mandar as... Éh... Damas para suas devidas residências? – pediu indicando as mulheres esparramadas pela sala.

-Por que não vai você procurar outro alguém para honrar com sua presença? – Stefan a cortou seco.

-Onde está seu vampirinho? Transformou-te e te deixou jogada pelo mundo? – Damon continuou.

Os olhos da vampira queimaram de forma perigosa.

Sem dizer palavra alguma disparou pela sala compelindo as mulheres para que se esquecessem de tudo e fossem embora.

Nenhum dos dois a impediu. Somente a observaram em silêncio. Tamanha era a expressão de mágoa em seus rostos que podiam facilmente ser confundidas com ódio.

As mulheres uma por uma começaram a se vestir novamente e sair porta a fora.

Quando todas haviam saído, Samantha voltou a encará-los:

-Precisamos conversar.

-Esqueceu-se de perguntar se queremos conversar. – Damon interveio de modo suave, mas venenoso.

A vontade de se esquecer de tudo e somente abraça-los, fez com que Samantha hesitasse por um momento. Mas ela sabia que precisava contar a verdade a eles, e que se pegasse muito leve eles não a ouviriam, por isso continuou:

-Acho que você não notou que eu não perguntei a ninguém se queria conversar, eu simplesmente anunciei que iriamos conversar. E a não ser que seus cérebros tenham sido abduzidos vocês sabem que aquela carta não era a verdade. O que querem? Fugir da verdade? É mais fácil me ver como a vilã ordinária e sem coração do que acreditar que a garota que eu tentei alertá-los ser uma psicótica mentirosa tenha enganado vocês?

Stefan abriu a boca para interrompê-la, mas ela o ignorou e prosseguiu:

-Para todo caso, estou aqui hoje para tirá-los da falsa ignorância. Então acho bom me escutarem, ao contrario saíram como ignorantes e covardes que fogem da verdade. Escutem-me primeiro, depois estão livres para fazerem o que for da vontade de vocês. E se querem me culpar, culpem-me pelos motivos certos, não pelo que não pelos errados.

Damon bufou:

-É uma lástima que não sejamos seus cachorrinhos e neste caso não precisamos perder nosso tempo lhe dando ouvidos. – Disse desviando de Samantha e indo até a porta.

Samantha foi atrás dele o barrando:

-Acredito que nenhum de vocês dois ficaria contente em ganhar uma sombra extra, portanto me escutem se quiserem se ver livre de mim. Nunca soube como controlar meu mau gênio direito, como humana, e não é agora que tudo está intensificado que irei domá-lo. Portanto vocês sabem que não irão se livrar de mim assim tão facilmente. Não me esforcei para encontrá-los à toa. Então vocês têm duas escolhas: escutem-me agora, ou me aturem perseguindo-os por todo lado que forem, e vai por mim, quando eu estou de bom humor eu sou péssima, mas quando eu estou de mau humor até o diabo foge de mim. Seria muito é... Digamos... Interessante atormentá-los até que me escutassem.

A garota falava de forma lenta e clara, sua mão direita pousada no peitoral de Damon impedindo-o de continuar seu caminho.

Sem perder tempo a garota voltou a falar:

-O nome dele era Greg, – pronunciar aquele nome lhe trazia lembranças dolorosas – foi com ele que dancei no baile.

-Sabemos disso, você deixou bem claro naquela maldita carta. - Stefan a interrompeu.

Samantha assentiu molhando os lábios:

-Mas ao contrário do que vocês supõem não foi ele quem me transformou... Foi Katherine.

Damon soltou uma risada sarcástica:

-É claro, por que não culpar Katherine não é mesmo? Seu passa tempo preferido...

Damon fez menção de se soltar, mas Samantha foi rápida. Em um movimento ágil o prendeu contra a parede o segurando com força. Damon tentou se soltar, porém sua tentativa foi em vão:

-Me transformei antes de vocês dois, e ainda ganhei um treinamento extra, portanto estou um pouco diferente da Samantha que vocês conheciam. Sou mais forte que qualquer um de vocês dois – Completou com uma piscadela. - E já passou da hora de vocês voltarem ao mundo real. Katherine nunca passou de uma vaca, uma vaca sanguessuga. É isso ai, não finjam que não sabiam. Esperava mais de vocês do que simplesmente se apaixonarem por alguém tão fútil e sem escrúpulos como ela. Ela matou meus pais...

-Você não pode dizer...

-Eu tenho certeza do que digo. Certeza absoluta. – Cortou ela, impedindo Damon de falar qualquer coisa. - Ela matou meus pais, mas eu fugi, e é claro ela é mesquinha o bastante para não saber perder. Isso explica o fato de ela ter voltado para Mystic Falls...

-Ela é uma vampira, não havia meio de você escapar dela, isso tudo é baboseira. –Stefan interveio.

-Minha mãe era uma bruxa, ela me ajudou. – A garota emitiu grande parte da história, não querendo colocar Stefan e Damon em mais riscos ainda – Katherine quis me atingir de todas as formas, primeiro virando vocês contra mim, depois, quando achou ser a hora certa me transformou. Ela sabia que isso era muito pior do que morrer. Minha primeira vitima ela fez com que fosse Margareth, eu matei Margareth – a voz da garota não exibia emoção, apenas uma rouquidão ia se apossando dela aos poucos. – Mas é claro antes de minha transformação estar completa ela me compeliu a escrever uma carta a vocês, uma carta que emitia toda a verdade. A não ser pela pista que consegui dar sobre meu diário, nele continha um pesadelo que eu havia tido que me revelou a verdade. Quero dizer, a verdade sobre Katherine, pois sobre vampiros eu já sabia.

O rosto de Damon inflexível deu lugar a uma máscara de dor. Igualmente ao rosto de Stefan:

-Foi você. – Os dois disseram em uníssono.

-Foi você que alertou nosso pai. – Stefan prosseguiu.

Samantha fez uma careta apática:

-Qual parte vocês não entenderam? Ela matou meus pais, ela me transformou, me fez matar Margareth, matou Alex, matou Greg, e pediu que sua bruxinha medrosa me impedisse de entrar em Mystic Falls. Queriam o quê? Que eu lhe desse um buquê de flores com um cartão de “muito obrigada”. Faça-me um favor acordem para a realidade. Ela me tirou vocês, ela transformou vocês...

-Eu quis isso.

Samantha piscou confusa. Não, não podia ser verdade. Damon Estava mentindo:

-Você o quê? Você não pode... Você não pode ter escolhido isso Damon.

-Pois escolhi.

Stefan havia ficado em silêncio. Samantha ainda encarava Damon, sua boca se abrindo e fechando sem pronunciar nada.

-Mas não se preocupe maninha – ele deu uma ênfase sarcástica à última palavra – quando você e Stefan conseguiram tirá-la de mim eu não teria ido em frente. Porém, Tefinha achou as perspectivas de ser vampiro muito interessantes.

Samantha desviou os olhos para Stefan para em seguida voltar a olhar para Damon:

-O que foi que vocês fizeram com você mesmos? – sua voz saiu como um sussurro dolorido.

-Engraçado você dizer isso – Stefan recomeçou. – Pensei ter ouvido você dizer que Katherine estava aqui por sua culpa.

A vampira abaixou as pálpebras, mantendo-as fechadas por um momento. A faca em seu estômago a penetrando mais fundo.

-Eu me referia ao fato de vocês terem se tornado dois covardes. Vocês desligaram não é mesmo? Desligaram seus sentimentos. Como puderam? Como? Logo vocês... Logo vocês... Que para mim sempre foram... – a garota deu de ombros sem saber o que exatamente dizer.

-Não somos mais humanos, não precisamos de sentimentos. - Damon disse enquanto os dois encaravam a irmã.

-Não é questão de o que você é, é questão de saber levar isso da melhor maneira possível. Independentemente de vocês serem vampiros ou não, vocês não podem simplesmente sair matando. Essas pessoas tem família – Samantha indicou as mulheres caídas em um canto da sala – elas têm família que as amam. Elas tinham uma vida toda pela frente.

-Por que eu deveria me importar com elas ou com seus familiares? Isso por acaso vai me ajudar em alguma coisa? – Damon inquiriu levantando uma das sobrancelhas.

-Você gostaria de ser tratado como um refratário de sangue? Nada, além disso? Eles não são simples alimentos para nós Damon. E nós só somos monstros se escolhermos ser. Isso depende somente de nós mesmos. Sinceramente, Katherine transformou vocês no que vocês sempre disseram que nunca seriam. Deixaram que ela os tratasse da maneira que bem entendesse, sendo que além de ela ser uma vaca sanguessuga, nunca chegou nem sequer ao dedinho do pé de vocês. Ela era uma covarde, traíra, mentirosa, fútil, com apenas uma beleza que era insuficiente para fazer valer toda sua falta de caráter. Ela não merecia vocês, ela nunca foi boa o suficiente para nenhum de vocês. E agora olha só no que vocês se transformaram...- Samantha ergueu uma sobrancelha para os dois – O Damon e o Stefan que conheço nunca agiriam desta maneira.

-Deve ser pelo fato de que o Damon e o Stefan que você conhece estarem mortos, maninha. E talvez o fato de você ter simplesmente desaparecido conte alguns pontos para o que nos tornamos.

-Eu nunca os deixei por vontade própria. Eu tentei voltar, tentei ir até vocês, mas a barreira que a bruxinha fez me impediu.

-Nós a procuramos, dia após dia, e nunca encontrávamos nada. Nos também nunca imaginamos que você faria isso. Não queira nos julgar, você não tem direito para tal ato, não depois de ter nos abandonado – Stefan falou novamente em um tom que surpreendeu Samantha. Fúria.

-Há uma grande diferença em abandonar e ser obrigada a tão ato. Eu não os abandonaria por vontade própria. Nunca. E minha transformação acabou tendo alguns imprevistos. Eu não queria ficar andando por ai estraçalhando pessoas. Sei que causei muito mal a vocês, mesmo sendo sem querer, mas, por favor, por favor, voltem a ser quem vocês sempre foram. Eu nunca fui tão boa quanto vocês, sempre ganhei em nossos jogos, mas ser uma boa jogadora é diferente de ter um bom coração, e vocês... Vocês tem o coração maior do que imaginam. Ele é precioso demais para ser ignorado. Seus sentimentos são seu bem mais precioso. Eles machucam... Sei disso tão bem quanto vocês, mas quando os ignoramos deixamos de ser humanos, deixamos de ser nos mesmos, simplesmente vivemos em um mundo sem cores. No começo pode até ser bom não ligar para nada nem ninguém, mas com o tempo isso se torna cansativo. Cansativo a ponto de ficarmos sem reação, sem saber o que fazer perdidos no vazio. – A vampira praticamente suplicava, sua voz assumindo um tom de desespero, seus braços caindo ao lado de seu corpo.

-Sentimentos não tem valor quando não temos mais quem amar.

-Ou quando nos trazem simplesmente uma dor insuportável. – Stefan completou a fala de Damon.

Samantha olhou para eles por alguns momentos antes de perguntar:

-Qual de vocês dois fez aquilo com nosso pai?

O rosto de Stefan se transformou em pura dor. Aquilo atingiu Samantha deixando-a momentaneamente tonta.

-Stefan... – começou ela.

-Eu não me importo, foi ele quem nos matou primeiro. Ter você como vampira ele poderia suportar, mas pelo visto nos dois éramos descartáveis o suficiente para ele querer se livrar.

-Não, não é assim. Ele não pensava dessa maneira. Ele amava vocês...

-AMAVA? QUAL PAI DA UM TIRO NO PEITO DOS PRÓPRIOS FILHOS?

-Ele estava sofrendo...

-sofrendo? e nós? nós estávamos o quê?

-Ele com certeza se arrependeu, Stefan.

-ELE NUNCA SE ARREPENDIA, E DUVIDO QUE ALGUM DIA VIRIA A SE ARREPENDER DISSO.

-Era difícil para ele... Ele não sabia como agir.

-Eu diria que ele sabia exatamente o que estava fazendo. – Damon os interrompeu.

-Ele achava que era o melhor para vocês.

-É CLARO, NO SEU MUNDINHO DOS SONHOS ONDE TODOS QUEREM O BEM UNIVERSAL. – Damon prosseguiu, sarcástico.

-MEU MUNDINHO NÃO É EXATAMENTE DOS SONHOS.Samantha o cortou.

-VOCÊ AO MENOS NÃO MATOU NEM SEU PAI NEM SUA MÃE?Stefan cuspiu as palavras venenosamente.

-Você ao contrário de mim não teve culpa em nenhum desses casos. Sua mãe estava doente, por isso não aguentou o parto. E eu sei o quanto é difícil se controlar perto de humanos, você não tem culpa Stefan.

-O QUE VOCÊ SABE SOBRE CULPA?

-MAIS DO QUE VOCÊ IMAGINA. Convivo com ela todos os dias. Sei bem o quanto ela é venenosa e nos consome.

O olhar que os dois lançaram a Samantha fez com ela desse um passo involuntário para frente, como se quisesse abraça-los.

A boca da vampira se abriu algumas vezes sem emitir som. O rosto dela o espelho da dor do rosto dos irmãos.

-Por favor... Perdoem-me... Eu não queria machucá-los. Vocês são tudo o que me sobrou.

Damon sorriu sem humor:

-E o garoto do baile?

-Greg? Já disse que Katherine o matou. Ele tentou me ajudar, e acabou como todos os que tentaram me proteger.

-E onde você esteve esse tempo todo?

-Me adaptando como vampira, e procurando por vocês...

-Procurando por nós? Já se passou um ano, e agora é que você aparece. E diz que estava procurando por nós? – Stefan soltou uma gargalhada nada do feitio dele.

Damon a fitou balançando a cabeça sem acreditar:

-Quer saber? Se nós somos tudo o que lhe sobrou, considere-se sem ninguém. A mim ao menos você não tem.

Samantha sentiu uma umidade no rosto e percebeu que estava chorando.

Ela abriu a boca para dizer alguma coisa, mas foi impedida, quando uma voz suave chamou seu nome.

-Samantha. – a voz vinha de trás dela, antes mesmo de se virar ela já sabia que era. Troy.

O rosto dele exibia dúvida e ao mesmo tempo preocupação.

-Troy está tudo...

Um rosnado a impediu de continuar.

A vampira se virou para seus irmãos, o rosto deles transfigurado perfurando Troy com os olhos.

-Damon... Stefan... Não façam isso. Troy, saia.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Continua...

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Sab Jul 14, 2012 8:10 pm

Capitulo 43 – Estarei sempre aqui

Samantha não pensou. Simplesmente sabia que não podia deixar que eles atacassem Troy.

Damon e Stefan partiram para cima dele a toda velocidade.

Porque Troy não se mexia? Porque ele não fazia nada que indicasse que se defenderia?

A vampira não teria tempo de impedi-los. Não os dois ao mesmo tempo.

Então recorreu à única alternativa que lhe sobrava.

Ela estava mais perto de Troy do que Damon e Stefan. E ainda era mais veloz e sabia utilizar melhor sua velocidade.

Quando deu por si já estava prostrada entre Troy e seus irmãos.

Ela só teve tempo de ver o vislumbre de Troy arregalando os olhos surpresos antes de sentir o punho de Damon afundou em seu rosto com força, e o de Stefan em seu estômago a fazendo ofegar.

Troy a segurou impedindo que caísse com o impacto. Os braços dele quente contra a cintura da garota.

A vampira engasgou cuspindo sangue e levando a mão ao estômago:

-Seus dois grandes idiotas, meu vestido é novo e não sou necessariamente uma vampira com dinheiro o suficiente para comprar roupa todos os dias. – Falou entre arquejos.

Damon e Stefan pareciam confusos vendo que atingiram Samantha deram um passo para trás parecendo irritados:

-Nos procurou tanto para contar uma história totalmente inventada, maninha? Você está de parabéns, isso sim é que é saber desperdiçar tempo.

Samantha enrugou a testa se recuperando dos socos, Troy ainda a segurava, esquecendo-se de soltá-la.

-Espere um minuto... Vocês... Vocês... Estão achando que este é Greg? – Perguntou confusa indicando Troy, deixando os outros três confusos também, mas pela expressão de Damon e Stefan era exatamente aquilo – Não, não. Vocês estão enganados, este é Troy, ele é... Éh... – a vampira olhou para Troy como se procurasse um termo certo para defini-lo – Bem... ele é meu amigo... Ele vem me ajudado bastante...

Troy a encarava de forma peculiar.

-Seus sentimentos são tão profundos quanto uma poça d’agua se comparada ao oceano maninha.

A vampira sentiu um acesso de fúria tentando dominá-la. Damon a cada fala se tornava mais frio.

-E seu senso de perspicácia está tão eficaz quanto à tentativa falha de uma mãe tentando convencer o filho a comer legumes, irmão.

Damon inclinou uma das sobrancelhas sorrindo de lado:

- Fala tanto de Katherine e agora mal largou de um quer se jogar nos braços de outro?

-Continue dizendo asneiras que lhe darei o prêmio de maior asno do século. Katherine os cegou por completo.

Ela sabia que nem Damon nem Stefan haviam a visto dançando com Greg, e que somente o conheciam pela carta e por possíveis comentários de Katherine, mas as suposições deles irritavam-na.

-É bem mais fácil jogar a culpa nos outros não é mesmo?

-Esta pergunta você saberia responder melhor do que eu.

-Claro, agora sou eu quem quer se livrar da culpa.

-Não estou tentando me livrar da culpa, apenas já estou satisfeita coma culpa que carrego para ser bondosa e carregar também a de Katherine. Agora me digam uma coisa, se eu tivesse conseguido voltar para Mystic Falls, voltar como vampira, o que eu vocês fariam ao ver-me?

Nenhum dos dois respondeu de imediato. Mas Stefan foi mais rápido a responder:

-Você era nossa irmã, independentemente de ser vampira ou qualquer outra coisa. Mas você deixou de lado esse cargo ao nos ignorar. Se você estivesse lá tudo seria diferente. Eu não teria concluído a transformação.

A garota hesitou fixando seus olhos aos de Stefan:

-Eu queria ter estado lá Stefan, eu queria ter ficado ao lado de vocês ode sempre foi meu lugar. Eu teria ter tido tempo de impedir Katherine. Mas... tudo foi muito rápido. E quando eu em dei conta já havia uma barreira que me separava de vocês. Só que agora eu voltei, eu achei vocês, eu posso ajudá-los a se adaptar, assim como Troy me ajudou. Eu... eu não posso ficar com vocês pelo tempo que queria, pois assim estaria colocando-os em perigo. Eu não sou quem eu pensava que era, nunca fui quem eu pensava que era, e isso está se tornando a cada dia mais desagradável, mas eu posso ajudá-los. Eu quero ajudá-los.

Damon bufou:

-Pois já é tarde para isso. Só concordo com uma coisa que você disse: você nunca foi quem todos pensávamos que era. Você se tornou algo totalmente ao contrario do que demonstrava ser. Jogou fora tudo o que nos fez acreditar ser verdade. Eu realmente acreditava que você se importava com nós, mas era tudo uma farsa. Você não passa de uma manipuladora egoísta.

Samantha o encarou, seus olhos ganhando uma umidade indesejável. Ela não sabia o que mais dizer. Não sabia como fazê-los acreditar. Ela não podia dizer a eles toda a verdade. Sabia que teria desmoronado se não fosse Troy a segurando.

-Ela nunca abandou vocês, todos os dias ela pensava em vocês.

Os olhos dos dois passaram pela vampira e se voltaram furiosos para Troy.

Samantha colocou uma mão para trás tentando empurrar Troy para longe dos irmãos.

O loiro não se afastou dela.

-Damon, Stefan, parem com isso. Minha cota de saco de pancadas já deu por hoje.

-Então saia da frente.

-Tentem me tirar que vocês irão se envergonhar por toda a eternidade por terem apanhado de sua irmã mais nova.

Os dois abaixaram os olhos para ela. Sua nuca queimava sentindo os olhos perplexos de Troy presos nela.

-Quer saber? Cansei. Só faz um favor maninha. Esquece que eu existo. – Damon falou sem demonstrar qualquer flexibilidade em sua fala.

-Deixe-nos em paz. Não nos procure mais.

-Wom que coisa fofa unidos contra Samantha. - A garota retrucou, venenosa.

-Por que você não faz um favor para a humanidade e enfia uma estaca em seu próprio coração, maninha?

-Não sou de ficar prestando muitos favores, sabe? Afinal, como você mesmo disse eu sou a egoísta manipuladora.

-Mas não se sinta oprimida. Você não só e uma egoísta manipuladora como também é a pior de todas. – Stefan a retrucou.

-Comovente sua compaixão, Stefan, mas infelizmente não dou ouvido a covardes, como você e Damon tem provado ser.

-Pouco me importo para quem você de ouvidos, contanto que você mantenha-se fora de meu caminho. – Damon replicou.

Samantha piscou perplexa, sentindo a faca em seu estomago revirar. Seus olhos ameaçaram se inundar ao ver Damon e Stefan passar ao seu lado se encaminhando para a saída.

Quando é que eles entenderiam?

-Esperem.

Os dois foram obrigados a se virar para olha-la quando foram agarrados pelas costas, as mãos de Samantha segurando firme suas camisas.

-Stefan... Você me deve uma promessa... Você sabe do que falo.

A vampira balançou a mão deixando visível a pulseira que Stefan lhe dera.

-Você me prometeu. – Continuou agarrando-se a uma fina linha de esperança.

Ela não havia se esquecido, de maneira alguma ela havia esquecido que Stefan havia prometido cuidar de Damon.

Stefan a fitou por um momento antes de dizer:

-Eu não sou mais o Stefan que fez aquela promessa idiota. Aquele Stefan está morto.

-Aquele Stefan não está morto, ele é apenas covarde o bastante para se fazer assim.

Stefan sorriu sarcástico:

-Ou você é idiota o bastante para acreditar que um dia tudo voltara ao normal.

-Sei que tudo não será como foi um dia, mas se ter esperança é ser idiota, então sim, eu sou a maior das idiotas.

-Então maninha fique você balançando seu raminho verde, que eu irei atrás de algo mais útil. – O irmão mais velho a retorquiu.

A vampira continuou segurando com força a camisa dos dois:

-Você tem obrigações de irmão mais velho Damon...

Damon a interrompeu rindo de forma sarcástica:

-Acho impressionante sua capacidade de sonhar maninha.

Por um momento tanto Damon como Stefan pensaram que a garota lhes atacaria de alguma forma, mas se surpreenderam. Mais uma vez.

Samantha estreitou os olhos até se tornarem duas fendas perigosas, tremores passavam por todo seu corpo. Em um impulso, sem saber o que fazer ou o que iria receber em troca a garota fez o que sentia vontade de fazer desde o primeiro momento me que havia colocado o pé dentro daquela casa, desde o dia em que Katherine a havia separado de seus irmãos. Seus dedos afrouxaram e ela soltou ambos os irmãos, seus braços voando até o pescoço deles envolvendo-os, fazendo com que colidissem um com o outro, e os abraçou fortemente. Seu rosto enterrado entre o peitoral de Damon e Stefan que a observavam surpresos, sem reagir, os braços pendendo ao lado do corpo imóveis.

-Eu também estava com saudade de vocês irmãos. Muita saudade. E caso precisem de alguma coisa, qualquer coisa eu estarei aqui. O tempo máximo que poderei ficar em um mesmo lugar é seis meses, caso contrario as coisas podem se complicar para meu lado. Então durante os próximos seis meses irei esperá-los aqui. Não sei se irão voltar, não sei se me encontrarei viva até lá, mas eu tentarei. Eu os esperarei. Sempre irei esperá-los. Sempre estarei disponível para ajudá-los. E mesmo que tentem fugir disso, eu sempre serei a irmã de vocês, e sempre pegarei no pé de vocês. E não, eu não irei abandoná-los. Eu nunca desistirei de vocês, e não é porque eu os estou deixando partir agora que estou fracassando, ao contrário, estou deixando que partam porque confio em vocês e deixo-os livres para que tomem suas próprias decisões. Agora deixo avisado: mesmo que tentarem fugir, se vocês não voltarem eu os encontrarei. Eu irei novamente atrás de vocês, e da próxima vez eu não serei boazinha como fui hoje. E só para o caso de terem esquecido: Eu amo vocês. Sempre foi e sempre será assim.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

A grama verde e macia era a arquibancada perfeita para se admirar as estrelas. O lago logo a frente fazia um som relaxante.

Damon e Stefan não esboçaram qualquer reação ao serem abraçados pela irmã, somente se afastaram o mais rápido possível.

Samantha não os impediu. Deixou que eles partissem noite adentro.

Ela e Troy já haviam deixados suas coisas em seus devidos quartos na pensão em que estavam alojados, antes mesmo de ir ao encontro de Damon e Stefan.

Ela não estava necessariamente cansada, e sabia que se fosse se deitar cedo não conseguiria pegar no sono, então tanto ela quanto Troy decidiram aproveitar o tempo livre para ir dar uma volta.

Os dois agora estavam deitados sobre a grama. Os olhos da garota exibiam um brilho que chegava perto de dever cumprido.

-E então, - Troy começou, seus olhos de cristais cintilantes ganhando um brilho a mais por causa das estrelas enquanto ele deitava a cabeça de lado para encarar Samantha – por que você deixou que eles partissem?

Samantha não respondeu de imediato. Seus olhos estavam focalizados nas estrelas.

-Eu não acredito que algo forçado seja real ou permanente. Mesmo que eles ficassem presos isso só serviria para que passassem a me odiar, odiar-me de verdade, e isso seria a gota d’agua para mim. Prefiro deixá-los livres, se for da escolha deles eles voltarão. Se não for... Bem...simplesmente vou sentir mais falta do que sou capaz de descrever, mas tentarei e novo e se preciso, de novo e de novo e de novo, até conseguir. Eles sabem o que é certo e errado, agora também já estão cientes da verdade. Não pude contar quem realmente sou, não por falta de confiança, mas sim por medo de colocá-los novamente em perigo.

-E se eles não se tornarem um bom exemplo de vampiro a seguir? Quero dizer... Se eles matarem mais pessoas?

-Conheço os dois, poderia dizer que conheço mais os dois do que a mim mesma. Eles farão exatamente o contrario do que eu lhes pedir se pegar muito no pé deles. Eles já estão em alerta, mais do que isso seria virar a mesa de vez e acabar com tudo.

-Eu não entendo. Nunca tive irmãos, mas todos os irmãos que eu conhecia sempre brigaram por coisas mínimas. Vocês parecem se compreender muito bem. Ao menos antes de tudo isso acontecer.

-Isso tem vários lados de se olhar. O primeiro e por eu ser adotiva. Eu perdi muita coisa que amava, Troy. Perder meus pais e tudo o que eu considerava “meu mundo” foi extremamente doloroso. Quando eu os vi pela primeira vez eu achava que ia morrer. Estava frio, eu estava ensopada por causa da neve que caia das árvores, e eu sabia que não veria meus pais novamente, nem eles, nem nada de minha antiga vida. Damon e Stefan me acolheram de um jeito... Um jeito que só eles conseguiriam e o mínimo que eu podia fazer era retribuir. Era algo natural, muitas vezes me esqueço de que não tenho o mesmo sangue que eles. Nós brigávamos, sim brigávamos bastante. Mas acho que a maioria dos irmãos são assim, mas lá no fundo todos sabem o valor que dão um ao outro. Se eu tivesse que escolher entre minha vida e a deles, ou minha felicidade a felicidade deles, sem duvida alguma, eu escolheria a deles.

-O que você acha que os levou a se apaixonarem de tão forma por Katherine?

-Katherine acima de tudo era linda. Não nego isso. Também tem a parte de que ela era divertida, sem muitas frescuras. Ela sabia se fazer de inocente, e usar a máscara certa para cada ocasião.

Troy não fez mais nenhuma pergunta.

Somente o barulho do lago logo à frente quebrando a calmaria da noite.

-Bem, você sabe não é?

Samantha inclinou a sobrancelha confusa:

-O quê?

-Caso você precise de alguém para ajudar a manter seus irmãos longe de confusão... – ele deixou a frase morrer no ar dando de ombros.

Samantha sorriu.

De inicio um sorriso simples, mas que depois se intensificou.

Troy em um movimento brusco havia se sentado e a encarava.

Seu rosto exibia um sorriso novo. Aquele Samantha ainda não conhecia.

Um sorriso de perplexidade, alegria, fascínio...

Só então ela reparou.

Ela havia sorrido. Ela.

Então era por isso que seus lábios haviam estranhado aquele movimento.

Quanto tempo fazia que ela não sorria? A não ser é claro por risos irônicos.

A testa da garota se franziu.

Ela não sabia direito o que a havia levado a fazer aquilo. Não sabia dizer o porquê de estar sorrindo.

Só sabia que ela se sentia leve.

Estava tudo ali. É claro, nenhuma lembrança a havia abandonado, todas elas permaneciam. As boas e as ruins. Todas suas perdas estavam ali gravadas mais forte do que cicatrizes em seu coração, em sua alma.

Mas de certa forma ver seus irmãos novamente era como se caísse algumas gotas de chuva depois de messes e meses de seca.

Eles estavam diferentes. Estavam com cicatrizes assim como ela, mas ela pode pedir desculpas, pode esclarecer grande parte da verdade. Pode alerta-los sobre o perigo que eles mesmos poderiam causar a si próprios.

Poder reencontrá-los.

E também tinha Troy.

Troy que agora a narrava com uma expressão tão estupefata que a fazia corar.

Troy que havia ficado ao seu lado lhe protegendo dela mesma o tempo todo.

Troy... Simplesmente Troy.

Samantha sentou-se na grama também, ainda confusa consigo mesma. Sua testa fortemente vincada.

Troy ainda a encarava, sua mão estendida em direção a ela.

Ameaçou tocar o rosto da vampira, mas acabou recolhendo a mão rapidamente.

-Uau... – Foi tudo o que disse ainda a encarando.

Samantha sentiu seu rosto ficando cada vez mais quente.

Troy voltou a estender a mão em direção a ela, desta vez a tocando e mantendo o rosto dela seguro em sua mão enquanto traçava uma linha com os dedos sobre as bochechas da garota.

Um gesto tão dele. Samantha era acostumada à mão dele sempre levantando seu rosto para que ela o encarasse, mas de certa forma ela se sentiu eufórica desta vez.

-Posso lhe perguntar uma coisa? – a voz suave dele saiu rouca, uma rouquidão gostosa que fez com que a garota estremecesse.

Ela só teve forças para assentir lentamente.

-Por que você se jogou na minha frente quando seus irmãos vieram para cima de mim? – pediu, seus olhos analisando a reação dela.

Samantha se sentiu corar mais ainda, se é que aquilo ainda fosse possível.

-Eu não podia deixar eles te atacarem. – Falou tentado acabar com a hipnose que os olhos de Troy a deixavam. – Não entendo, por que você não se defendeu? – Por que sua voz estava tão fina?

-Não me defendi porque eram seus irmãos, e eu não queria machucá-los, pois poderia magoá-la, e não imaginava que você ia fazer aquilo. – Seus olhos ganharam um brilho mais aceso. – Mas por que você não podia deixar que eles me atacassem? – Ele voltou a perguntar, sua mão ainda segurando o rosto da vampira.

-Não era justo, eu não podia deixar. Você... Você... Você sempre me ajuda. E, bem... Seria covardia de minha parte eu não tentar impedi-los, deixar que eles continuassem com a confusão.

-Covardia?

-Éh, covardia, quando uma pessoa se importa com a outra ela não deixa simplesmente que elas se virem sozinhas.

-Você se importa comigo?

Samantha sentiu o calor começar a descer por sua nuca, seu estômago deu uma reviravolta que ao mesmo tempo era desconfortável e quente, porém... Agradável. A pergunta a havia pego desprevenida.

Porque os olhos dele precisavam ser daquele jeito?

Por que precisavam brilhar tanto. Por que o contorno negro em volta da cor de cristal precisava deixar os olhos dele tão hipnotizantes?

-Não Troy, eu não me importo com você, me joguei na sua frente porque gosto de apanhar mesmo. – A garota brigou interiormente consigo mesmo. Ela não acreditava que o estava atacando daquela forma. Por que a defesa dela era sempre o ataque? – Sabe levar socos na cara é um ótimo rejuvenescedor, – continuou sarcástica – e na barriga, bem, na barriga...

A garota foi interrompida.

Troy havia aproximado mais o rosto do dela deixando-a perdida.

A respiração dele misturando-se com a dela.

Aquilo era constrangedor. Nessas horas ela gostaria que vampiros não precisassem de coração, e muito menos que eles acelerassem daquela forma. Não era agradável saber que ele estava ouvindo seus batimentos que mais pareciam dezenas, ou talvez centenas de tambores batendo em sincronia.

-Você vai me bater se eu fizer isso? – o loiro pediu baixinho, quase que em um murmúrio.

A vampira não respondeu. Era exigir muito de ela mesma tentar reencontrar sua fala. Podia sentir a respiração dele contra seu rosto. Assim como ouvir o coração dele e até mesmo senti-lo.

O vampiro recebeu o silêncio dela com um sorriso. Sua mão descendo de forma lenta e quente pelo pescoço de Samantha, pousando ali. Enquanto sua outra mão livre se preocupava em fazer o contorno da cintura dela, puxando-a contra si.

A garota sentiu um arrepio passar por seu corpo, ao se ser prensada contra ele. Os músculos do abdômen do vampiro se faziam sentir sobressalente a camisa de linho que ele vestia.

Automaticamente seus lábios se separaram e seus olhos se fecharam, sentindo o hálito dele rente ao seu rosto, segundo antes de ter seus lábios selados aos dele.

A boca do vampiro era macia, seus lábios mesmo sedentos eram gentis. Sua língua se entrelaçando na dela de forma sutil.

Ela estava ciente de cada parte de seu corpo em contato com a dele.

Os dedos da mão direita do vampiro apertaram de leve suas costas, prendendo-a mais contra ele. Enquanto que a esquerda continuava em contato com a parte nua de seu pescoço.

Um calor suave era transmitido do corpo dele para o dela, envolvendo-a por completo.

A vampira levou uma das mãos aos cabelos dourados de Troy, a entrelaçando a eles. Sua outra mão envolveu ao pescoço dele o prendendo, assim como ele havia feito com sua cintura.

Era diferente de beijar Greg. Não era necessário urgência, era calmo, tranquilo. Como uma brasa envolvente. Com Greg era fogo, sua pele queimava ao fazer qualquer contato com a dele, não de modo ruim.

Os dois eram bons, de modos diferentes, mas agradáveis, alucinantes. A única diferença é que ela não poderia mais ter Greg. Ele não voltaria mais. Enquanto que Troy estava ali. Presente de modo indiscutível.

A respiração da garota estava sufocada quando Troy se afastou alguns centímetros por um curto período, antes de voltar a pousar seus lábios aos dela simplesmente os deixando ali.

As bochechas dele haviam ganhado um leve tom avermelhado, se bem que se comparadas as de Samantha poderiam ser consideradas translucidas, que só serviu para contratar de forma esplendida com todo o resto de seu rosto.

Os olhos dele se fixaram aos de Samantha quando finalmente ela abriu os seus.

A respiração dele se juntando a dele e se tornando uma só.

Por o que Samantha não soube dizer se foi muito ou pouco tempo, que a vampira considerou pouco, os dois apenas ficaram se encarando de forma intensa, até que Troy, como se algo o tivesse acordado de repente, afastou-se.

Seu rosto ganhou uma expressão de dor que Samantha não entendeu.

-Eu não devia... Eu não devia ter feito isso. Samantha por favor, desculpe-me.

E sem esperar resposta partiu, deixando-a mais atordoada do que nunca.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Continua...

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Sab Jul 21, 2012 7:06 pm

Capitulo 44 – Acima de tudo: amigos

Samantha acordou, se lavou, colocou um vestido de um bege claro e desceu as escadarias de dois em dois degraus.

A Sra. Julies, dona da pensão que ela e Troy estavam alojadas estava ocupada com os preparativos do café:

-Sra. Julies saberia dizer-me se meu “primo” já está acordado? – perguntou aproximando-se da senhora robusta já na casa dos cinquenta anos.

Troy como todas as outras vezes continuava dizendo que Samantha era sua prima para não levantar suspeitas.

-Ora menina, pensei que ele havia lhe avisado.

-Avisado? – perguntou confusa.

-Sim, sim, estranhei o fato do jovem Troy sair tão cedo, quando lhe perguntei onde ia disse-me que ia resolver uns problemas.

-Ele lhe disse quando volta? – a garota sentia uma estranha sensação no estômago. Como um peso.

-Nem bom dia deu direito, cá entre nós o garoto aparentava estar atordoado, sem saber o que fazer.

Samantha se sentiu empalidecer e se amparou em uma cadeira para não cair.

-Mas o que foi que deu em vocês dois hoje? – perguntou a mulher esbaforida largando o que estava fazendo e indo até Samantha.

-Estamos bem... Estamos bem. – respondeu ela se endireitando. - Irei atrás de Troy, preciso pegar um ar fresco. – Samantha falou depressa se desviando da mulher e já se encaminhando para a saída.

-O sol ainda nem nasceu direito menina, não pode sair sozinha por ai em uma hora dessas, espere, irei terminar aqui e lhe acompanho.

Nessas horas manter a aparência de humana era um fardo. Já não bastava ter que se alimentar de comida sem sentir fome?

-Irei ficar bem, não demoro. – A mulher falou mais alguma coisa que Samantha ignorou enquanto afastava-se rapidamente.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

As ruas estavam praticamente vazias, os poucos andantes encaravam Samantha como se vissem alma penada.

A garota os repreendia pelo olhar, o que fazia alguns abaixar a cabeça e seguir em frente constrangidos, e outros a encararem mais ainda, um do segundo caso serviu de café da manhã para ela. É claro, ela não o matara, mas pela forma que o homem a julgou pelo olhar foi o que eu ela teve vontade de fazer.

Troy não se encontrava em canto algum.

Samantha já havia buscado por todo o povoado e agora pela floresta, mas nada.

Onde ele estava? Por que ele estava fazendo aquilo com ela?

-TROY?

Apenas o eco de sua própria voz e os animais se afastando podiam ser ouvidos:

-TROY? NÃO SEJA TOLO, APAREÇA.

Ele iria abandoná-la apenas por culpa de um momento de... De... O que havia sido aquilo?...Eles eram amigos não eram? Por que haviam se beijado? E... Por que ela havia gostado tanto? E Greg? Greg ainda estava ali, gravado em sua pele, em suas lembranças. Lembranças que ainda queimavam ao serem tocadas, que ainda doíam ao serem revividas pela mente.

-TROY, POR FAVOR, APAREÇA, ESQUEÇA TUDO, SOMOS AMIGOS, você prometeu que não me abandonaria, você não pode quebrar sua promessa... Você não pode. – Conforme falava sua voz soava mais baixa, o peso em seu estômago aumentava juntamente com o nó que se formava em sua garganta. – Esqueça que aquilo aconteceu, Troy. Prometo que esquecerei também.

Pulou em cima de um galho de árvore para em seguida pular em outro mais acima e assim foi até que em um segundo já estava no topo da grande árvore.

Seus olhos perscrutavam a floresta. O povoado estava longe, ela já havia deixado seus limites.

Nenhum sinal de Troy.

As mãos da garota se prenderam ao tecido de seu vestido amarrotando-o.

Troy não podia deixá-la. Ele não tinha esse direito, não depois de tudo que havia lhe dito. Não depois de tudo que havia lhe prometido. Não depois de torna-la tão dependente dele. Ele não podia, simplesmente não podia. Não podia e não podia. Ela havia dado várias chances para ele, disse muitas vezes para que ele partisse, disse que ele estaria se colocando em perigo ao ficar ao lado dela, mas em todas as ocasiões ele escolhera ficar. Em nenhuma ele opinou em partir.

Então por que agora?

Por que agora que ela finalmente estava se sentindo quase como se estivesse feliz. Feliz por ter encontrado seus irmãos, feliz por poder ter dito o que sentia, feliz por poder abraçá-los.

Abraça-los, como havia sido bom. Era como se depois de muito tempo ela estivesse de volta ao lar. De volta ao seu devido lugar.

Várias das palavras que Damon e Stefan usaram contra ela a machucaram, fizeram-na hesitar e duvidar de si mesma se conseguiria continuar, a única coisa que fez com que fosse em frente foi o desejo, precisão, necessidade de ajudá-los. De provar que os amava. De provar que estava ali. De provar que se importava e sempre se importaria com ambos.

Por um momento ela teve a leve esperança de que eles a abraçariam de volta, de que eles lhe lançassem um sorriso e dissessem “Hey, brincadeirinha, nós também sentimos sua falta”. Mas foi apenas uma vã esperança, nada mais do que isso. Uma esperança que acabou ao vê-los sair noite a fora.

Porém, mesmo naquele momento ela estava satisfeita. Estava satisfeita por ter feito ao menos uma parte do que gostaria de ter feito. Por tê-los alertado, dito a verdade.

E agora ali estava ela mais uma vez sozinha, sem saber o que fazer. Perdida.

Ela estava ciente de que havia tentado fugir de Troy também, mas quando tentou fugir dele foi apenas por não suportar que ele se machucasse por ela. Ela havia lhe tirado Jane. A mesma Jane que fazia os olhos de Troy brilhar ao pronunciar o nome. Como ele queria que ela agisse? Como ela deveria agir naquele momento? Ficar ao lado de Troy sabendo que ele não se aproximaria e nem buscaria Jane enquanto soubesse que a colocaria em perigo. Impedindo-o de continuar seu próprio caminho por culpa dela?

Não, ela não conseguiria agir dessa maneira, por isso decidiu que iria fugir. Mas isso não significava que ela queria Troy distante dela. Não, de jeito maneira. Ao contrário, ela precisava dele ao seu lado, porem sabia que não podia privá-lo de algo tão especial para ele. Não podia privá-lo de Jane.

Mas do que adiantou? No final ele estava lá. Ele adiantou seu passo e a impediu. Impediu-a de partir.

Aquela foi mais uma das ocasiões que Samantha tentara convencê-lo que seria melhor para ele ficar longe dela, e como sempre ele a ignorara. Escolhera ficar com ela.

Então por quê? Por que justamente agora ele estava fazendo isso?

Conforme a manhã seguia seu rumo a sensação de desespero se apoderava de Samantha, a afundando cada vez mais.

Assim a manhã se foi, dando lugar à tarde e depois a escuridão. Troy não voltara.

A vampira havia voltado à pensão algumas vezes durante o dia, mas ele também não aparecera por lá. Ela não acreditava que o envolvimento de humanos fosse ajudar em algo, e se começasse a fazer demasiadas perguntas certamente era o que iria acontecer, então simplesmente foi até a pensão às escondidas e vasculhou o quarto de Troy.

O quarto estava normal, sem nada acrescentado. O perfume do loiro se espalhava por todo o ambiente, fazendo a saudades ganhar proporções maiores tornando se uma dor física a ausência dele. Ele era seu vicio... Ele era seu alicerce... O que a mantinha de pé... Ela não poderia perdê-lo.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

A Sra. Julies já se encontrava desesperada quando Samantha em fim retornou. A garota ignorou as perguntas dizendo que havia encontrado Troy e que ele não voltaria naquele dia. – “E quem sabe nem no próximo... ou no próximo...” acrescentou para sim mesma desolada. – Quando finalmente conseguiu convencer a exasperada senhora de que já havia se alimentado, a garota conseguiu subir ao seu quarto trancando a porta em seguida.

Jogou-se em cima da cama, se enrolando em posição em posição fetal.

Seu queixo tremia com a força que cerrara os dentes, se impedindo de gritar.

“Idiota, idiota, idiota. Covarde”.

Por que ele fizera isso com ela?

Seu corpo se balançava com as convulsões causadas por sentimentos distintos, confusos. Raiva, medo.

Muito medo de perdê-lo.

Ela não podia perdê-lo, já havia perdido demais. Sua carga de perdas já estava alta demais para suportar perdê-lo também.

Estava confusa. Muito confusa. Não havia esquecido Greg ainda, provavelmente nunca esqueceria, mas Troy lhe passava segurança, conforto.

Não se importava em tê-lo ao seu lado somente como amigo. Sabia que ele amava Jane, e sempre a amaria. Ela estava ciente disso. Mas tudo o que pedia era para tê-lo ao seu lado. Que ele fosse seu amigo. Que continuasse ali. Sim, ela sentira algo ao beijá-lo. Algo muito forte. Não sabia distinguir ao certo o que era, mas sabia que havia gostado.

Mas o que mais ela podia esperar?

A cada dia ela ficava mais próxima de Troy. Os dois já estavam há meses podendo contar somente um com a ajuda do outro. E ainda tinha o fato dele compreendê-la, estar sempre ao seu lado, em todas as horas para o que ela precisasse. E é claro... O fato... Bem... O vampiro sabia como ser único.

Porém, mesmo que os dois estivessem confusos, Troy não precisava...

-Samantha. – O chamado veio baixo.

A vampira ergueu a cabeça. Seus olhos passando rapidamente pela cortina que balançava com a janela aberta, e prendendo-se nos dois globos de cristais que a encaravam preocupados, temerosos, duvidosos.

Troy estava ali. Diferente, e ao mesmo tempo igual. Seu corpo parecia tenso, seus músculos visivelmente retesados.

-Desculpe. – Continuo ele, percebendo que não obteria resposta.
A garota levantou-se de um salto, prostrando-se de frente a ele os olhos transformados em duas fendas ameaçadoras:


-Idiota. – A palavra foi pronunciada de uma forma surpreendentemente ameaçadora, fazendo Troy molhar o lábio inferior, nervoso. - Onde você estava seu grande... Grande... Grande idiota, irresponsável, covarde... – O loiro afastou-se um passo assustado. O rosto da garota estava transfigurado. Seus olhos vermelhos, ou pelas lágrimas que agora lhe escapavam ou pela raiva, ou quem sabe a junção dos dois. Suas mãos estavam fechadas em punhos, enquanto ela se esforçava para manter os braços caídos ao lado de seu próprio corpo.

-Calma... Eu... Eu... Eu só não sabia o que fazer... Eu estava com medo de perdê-la, precisava pensar.

-PRECISAVA PENSAR? Vai me dizer que agora tem um lugar especifico para pensar? NÃO PODIA PENSAR AQUI? Ou sei lá... Deixar um bilhete dizendo “Hey fui me reunir com os elfos da floresta. Eles me ajudam a pensar”. – Disse irônica, sentindo uma enxurrada de emoções dominá-la. O alivio por vê-lo ali a fazia querer chorar. Mas a raiva por ele a ter deixado apavorada lhe impulsionava a pular para cima do loiro. – POR QUE NÃO ME RESPONDEU QUANDO LHE CHAMEI? SEUS DENTES CAIRIAM CASO RESPONDESSE?

A garota parou de gritar, provavelmente para ter mais fôlego para continuar depois, mas Troy aproveitando a oportunidade aproximou-se colocou o indicador direito sobre os lábios dela:

-Psiu... humanos não possuem uma audição tão sensível quanto a nossa, mas do jeito que você grita poderiam ouvir a um quarteirão daqui...

-Wonn ele está preocupado que eu grito demais. – Continuou sarcástica, tentando evitar que um súbito tremor a invadisse em razão do toque dele. - Não vai dizer-me que trouxe seus companheiros elfos junto, e que estou os encomo...

Troy deslizou a mão pelo pescoço dela subindo até seu queixo e erguendo seu rosto para que ela o encarasse. A garota de súbito ficou com a face rosada se calando, como se fosse um boneco de corda e a corda em que a corda acabara.

-Não tem elfo nenhum, eu... Apenas precisava decidir-me rápido. Precisava descobrir o que eu sinto por você. – Parou encarando-a, seus dedos acariciando de leve a pele da vampira. - Está tudo confuso, Samantha. Jane ainda está em minha mente, mas eu me sinto bem ao seu lado, eu preciso de você ao meu lado, preciso de você onde eu estiver, necessito de você mais do que eu necessito de sangue, mas não sei o que é isso. E eu precisava decidir o que fazer com isso... Precisava decidir de uma maneira que não te perdesse. –Os olhos dele a prendiam de tal forma que a garota havia se esquecido de como piscar.

Ela odiava. Realmente odiava deixar-se levar tão facilmente pela hipnose dos olhos do vampiro. Cristais. Estilhaços de cristais penetrando-a. Adentrando fundo em sua alma. Deixando-a vulnerável. Tirando-lhe sua total capacidade de pensar racionalmente. Roubando todo seu autocontrole.

Munindo-se das migalhas de força que lhe restavam esforçou-se para conseguir perguntar. Seus olhos ainda fixos aos dele:

-E o que decidiu? – tentou colocar firmeza em sua voz, porém falhou.

Ele sorriu. Um sorriso nervoso, mas que deixava visíveis as covinhas, e que demarcava mais ainda seu maxilar.

A garota cravou as unhas em suas próprias mãos, impedindo-as de irem até o rosto do vampiro e traçarem suas feições.

Os dedos do vampiro deslizaram de leve sobre o pescoço dela, fazendo-a estremecer fechando momentaneamente os olhos.

-Decidi que independentemente do que sinto por você nada irá nos afastar. Não importa a forma que eu esteja com você... Eu só preciso estar com você.

-E o que isso significa? – pediu ela, abrindo os olhos e encarando-o.

-Significa que a escolha está com você.

-A ESCOLHA ESTÁ COMIGO? – perguntou, aumentando o tom da voz - Garoto idiota você some o dia inteiro, diz que foi pensar e agora vem dizendo que a escolha está comigo?

-Minha decisão está tomada, mas ela não depende apenas de mim. O que você quer de mim Samantha? – a pergunta foi firme, direta. - Acha que devemos dar uma chance para que exista um “nós dois” além de amigos? Você quer isso?... Mas primeiro quero deixar bem claro que o que for para acontecer daqui para frente só servirá para deixar nossa amizade mais forte. Será como uma experiência. Uma experiência para descobrimos o que sentimos um pelo outro. Você ainda não esqueceu Greg, assim como eu não esqueci Jane, mas ambos precisamos seguir em frente, e quem sabe seja mais fácil se seguirmos em frente juntos. Eu não sei o que sinto por você. Eu não sei definir isso. Quando lhe vi pela primeira vez é como se já a conhecesse... Há muito tempo. Eu preciso de você perto de mim. Eu necessito de você perto de mim. Não sei porquê... Nem como... Só sei que preciso de você. Aqui. Comigo. Sempre. Mas preciso saber: você quer tentar? Quer dar uma chance para que possamos descobrir o que fazer com nós dois? Qual é sua escolha, Samantha? O que você decide?

Não era fácil pensar com a boca dele tão perto. Seus lábios macios, um tom meio rosado, movendo-se de forma sincronizada ao dizer cada palavra, ao pronunciar cada sílaba.

Samantha respirava em lufadas. O rosa de seu rosto tornando-se cada vez mais intenso, as mãos de Troy ainda obrigando-a a encará-lo.

Seus olhos analisaram-no sem saber o que dizer.

Havia tanto por dizer, tanto a ser discutido, tantas coisas mal solucionadas.

Greg, ela não podia ignorar tudo o que ele havia feito por ela. Não podia ignorar o que ela lhe causara. Não conseguia ignorar que ainda desejava saber ao certo o que sentia por ele. Fora somente seu sangue que o levou a agir daquela maneira? Ele algum dia chegou a sentir algo por ela?

Jane. Eles ainda não haviam encontrado Jane. E mesmo que a ruiva estivesse provavelmente querendo ver à garota cortada em fatias e jogada no sol, Samantha não podia ignorar que era ela quem Troy amava.

Medo. Ela também estava com medo. Medo de perder Troy. Medo de perdê-lo por não saber ao certo a forma que seus sentimentos chamavam por ele.

E havia algo mais... Algo que ela não sabia dizer o que era. Algo que a incomodava, mas que ela não conseguia chegar à conclusão do que realmente era. Algo ou... alguém.

Mas ela não podia negar, mesmo com todos aqueles “porém’s” ela queria Troy. Quem sabe o quisesse tanto justamente porque era ele quem a estava ajudando a seguir em frente mesmo com tanta coisa fora do lugar, tanta coisa faltando, tantas perguntas sem respostas, tantas dúvidas a possuindo.

Troy a fazia se sentir bem, protegida, segura e o mais perto da felicidade que ela poderia estar depois de tudo que havia ocorrido.

Troy era como a estrela que a guiava. Alguém que estava sempre disposto a estender uma mão quanto ela precisasse.

Mas o que ela diria? O que ela responderia a ele?

Mordeu o lábio inferior, nervosa, corando mais ainda ao perceber Troy a analisando absorto.

-Deixo a escolha em suas mãos. – Disse por fim.

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Troy sorriu, seu sorriso de covinhas perfeito, seus olhos de cristais brilhando de uma forma alucinógena, hipnotizante.

-Você sabe qual é minha escolha. – Sussurrou, o hálito quente dele fazendo com que a garota fechasse os olhos momentaneamente perdida em sensações que ela não saberia descrever.

Quando voltou a abri-los Troy ainda a encarava.

Ele esperou, mas ela nada disse apenas seus olhos o desafiavam.

O vampiro inclinou-se para ela, suas mãos descendo pela curva da cintura da garota.

Samantha estremeceu ao sentir a boca dele descendo por seu pescoço.

A vampira arfou. Seus olhos fechando-se automaticamente, mas sua boca pronunciando por fim:

-Eu a aceito... Aceito sua escolha... Estou de acordo com ela. – Murmurou.

-Disposta a ir até que ponto? – pediu beijando lhe o pescoço, seus lábios macios contra a pele dela.

Não era certo aquela pergunta ser feita daquela forma. Para ser uma pergunta justa, com direito a duas alternativas era necessário que Troy estivesse no mínimo a três metros dela. Agora ela só via uma alternativa, apenas uma alternativa irrecusável:

-Já lhe disse que aceito sua escolha, portanto... Estou disposta a ir até onde ela me levar. – Respondeu sua voz mais fraca que o mais leve dos murmúrios.

Ela pode sentir o sorriso dele se abrir contra a pele de seu pescoço.

-Estou satisfeito com sua resposta... Muito satisfeito.

Troy a jogou contra a parede, suas mãos subindo pela cintura dela e indo até as fitas que prendiam seu vestido, soltando-as. Sua boca explorava o pescoço da garota empurrando seu vestindo ombro abaixo.

O corpo do vampiro a prendia contra a parede, suas mãos explorando cada centímetro do corpo da vampira.

Ela podia sentir cada músculo do corpo dele em contato com o seu, separados apenas pelo que restava de suas próprias roupas e pelas roupas do vampiro.

Os lábios dele encontraram sedentos os dela. A garota entrelaçou uma das mãos nos cabelos do loiro, enquanto a outra se ocupava em se livrar de sua camisa de algodão branca. Os ombros dele eram largos, os músculos perfeitamente delineados e a pele de um bronze claro complementava sua beleza. Deslizou os dedos passando pelo peitoral do vampiro, subindo por seus ombros e parando em seu pescoço.

Troy deixou que o vestido da garota deslizasse pelo corpo dela, até chegar ao chão.

Os olhos do vampiro a analisaram por um momento. Seus olhos possuindo o corpo dela, cheios de desejo.

A garota sentiu uma onda de rubor a invadir por completo ao sentir os olhos dele sobre seu corpo.

Um som rouco escapou da garganta do vampiro, enquanto pegava-a nos braços levando-a até a cama, deitando-a ali.

Samantha voltou a percorreu o peitoral de Troy, seus dedos fortes de mais faltaram com a delicadeza, deixando marcas profundas de suas unhas.

Troy terminou de livrar-se das roubas de ambos e Samantha gemeu ao sentir as mãos dele percorrerem seu corpo, suas peles se fundindo. Linhas abrasadoras desenhando cada centímetro de se corpo.

A pele dele queimando contra a sua. O calor de seus corpos misturando-se e tornando um só.

-O que somos? – perguntou ela, em uma lufada de ar.

O vampiro voltou a beijá-la enquanto suas mãos a exploravam. Sua nuca... Seu pescoço... Sua barriga... Seus seios...

-Isso o tempo nos dirá. – O loiro respondeu finalmente, levantado por um segundo os olhos até os dela, suas pupilas dilatadas afundadas em desejo, luxúria.

Samantha voltou a emaranhar seus dedos nos cabelos dele o puxando mais contra si, suas pernas envolvendo a cintura do loiro o mantendo prisioneiro.

A boca dela fazendo todo o percurso de seus ombros largos até seu pescoço descendo por seu peitoral. Suas unhas deixando marcas nas costas dele.

O loiro gemeu levantando o próprio tronco e voltando a passar os olhos pelo corpo da garota, de maneira lenta. Seus lábios entreabertos:

-Linda – sussurrou, sua voz assumindo um tom quase indefinível, tamanha rouquidão. O desejo mais que nunca presente em seus olhos.

Samantha corou:

-Não me olhe desse jeito. – Murmurou, repreendendo-o com a voz fraca.

O loiro soltou uma risada baixa e rouca. Suas mãos contornando o corpo da vampira, chegando até seus seios e apalpando-os de leve.

A garota gemeu, apertando seus pés contra as coxas do vampiro e fechando os olhos sem se dar conta.

Troy inclinou-se, subindo a boca pela barriga da vampira, e continuando o caminho até chegar entre seus seios, onde suas mãos ainda se ocupavam.

Desceu as mãos até as coxas dela, apalpando-as e as prendendo mais firme contra seu próprio quadril. Seus olhos buscaram os de Samantha:

-Está nervosa. – Sussurrou em afirmação.

A garota mordeu o lábio inferior, mas nada disse. Sabia que sua voz a trairia.

Troy sorriu. Suas mãos refizeram a curva da cintura dela. Segurando-a pelas costas e levantando-a poucos centímetros da cama.

A boca do vampiro colando-se a dela, suas línguas encontrando-se e dançando em sincronia os lábios macios e quentes dele contra os dela.

A vampira passou o braço pelo pescoço dele, deslizando as mãos pelos músculos de seu ombro e cravando as unhas sobre a pele dele.

Troy gemeu, sentindo a dor prazerosa das unhas da garota sobre sua pele.

Prendeu os lábios da vampira mais um segundo entre os seus, antes de fazer o caminho contrario que havia feito antes. Sua boca traçando a linha do pescoço dela, descendo por seus ombros, distribuindo beijos, enquanto sua língua brincava com a pele dela, sentindo-a se arrepiar. Parou sobre um dos seios da garota, arrancando-lhe um gemido e quando deu-se por satisfeito continuou deslizando a boca por sua barriga, e finalmente chegando à parte da garota que mais pedia por seu toque.

Samantha mordeu com força o lábio inferior, impedindo-se de gritar, tamanho o prazer que a dominava. Deixando apenas que um fraco gemido lhe escapasse.

-Troy... – Pediu rouca.

O vampiro riu rouco, passando a explorá-la com mais intensidade.

A garota mordeu seu próprio lábio novamente sentindo o gosto de seu próprio sangue, e mesmo assim não conseguindo impedir-se completamente de gemer.

Troy demorou-se por mais um instante antes de voltar a subir a boca pelo corpo da garota, continuando a explorá-la com a língua.

Samantha apertou com mais força as pernas contra os quadris dele, enquanto sentia a boca do loiro sobre a dela novamente.

Troy a envolveu em seus braços a trazendo mais para si, fazendo com que fosse possível a garota sentir cada músculo dele sobre seu próprio corpo, o calor da pele dele fundindo-se a dela.

A garota gravou as unhas com mais força contra a pele dele

-Independente da forma que for... Só sei que te amo. – O loiro murmurou contra a boca dela impulsionando seu próprio corpo para frente fazendo com que seus quadris terminassem de se encaixar.

A vampira gemeu contra os lábios dele ao senti-lo penetrá-la. A dor leve sendo substituída pelo prazer.

Ela pode sentir as mãos dele aumentaram a pressão sobre suas costas, enquanto deixava escapar um gemido.

Samantha deixou a cabeça pender para trás, entregando-se por completo, deixando que Troy voltasse a deitá-la com as costas sobre o colchão enquanto voltava a penetrá-la.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Continua...

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Den!se ;D

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Sab Jul 28, 2012 7:33 pm

Capitulo 45 – A melodia do coração

Samantha aconchegou-se mais para perto de Troy, enterrando sua cabeça sob o pescoço do vampiro e sendo embebedada pelo perfume âmbar do vampiro, que se espalhava por todo o quarto.

Troy como resposta a envolveu mais firme entre os braços mantendo-a presa ali.

A vampira suspirou longamente, sua mão direita pousada sobre o peitoral do louro, abrindo e fechando de maneira satisfeita os dedos sobre a pele dele.

Ela se encontrava em um meio caminho entre a consciência e o mundo dos sonhos.

Seus olhos se abriram de forma monótona.

A primeira coisa que viu foi o pescoço, cor de bronze claro, de Troy. Erguendo um pouco mais o olhar encontrou suas feições ainda adormecidas.

Sua boca se inclinava em uma insinuação de sorriso. Seus cabelos brilhavam a luz do som que se infiltrava pela cortina clara. Tudo acentuado por um maxilar bem delineado.

Samantha o observou por minutos incontáveis. Uma sensação estranha a dominava, algo como monotonia, calma, tranquilidade. Uma extrema sensação de paz e segurança.

Fechou os olhos novamente expirando o cheiro da pele dele, para depois com cuidado, para não acordá-lo, puxou para longe suas pernas que ainda o envolviam e desvencilhou-se dos braços dele.

A garota sem se dar conta pegou-se o observando novamente enquanto enrolava-se na colcha da cama.

Cada mínimo detalhe que o compunha era perfeitamente trabalhado. Seus músculos dando contornos à pele bronze, que se tornava ainda mais bela ao receber a luz do sol sobre si.

A vampira corou ao perceber os lábios dele subindo minimamente. Ele a conhecia bem o suficiente para saber que ela preferiria se vestir antes de vê-lo acordado.

Sem esperar mais um minuto sequer, acordou de seu devaneio pegando suas roupas foi para trás do biombo localizado ao outro lado do quarto para se vestir. Ela não estava exatamente com muitas opções de vestidos, por isso acabou escolhendo um creme e o vestiu rapidamente. Assim que terminou de vestir-se e se lavar voltou ao outro lado do quarto Troy já estava sentado na cama vestindo apenas uma calça e deixando todo seu tronco de fora.

Samantha subiu o olhar sobre o peitoral do outro até encontrar seus olhos.

Dois poços de cristal cintilantes. Troy se levantou indo até ela sorrindo. Seu típico sorriso de covinhas. A garota sentia suas bochechas queimarem.

O loiro simplesmente se curvou para ela lhe aplicando um beijo sobre o topo de sua cabeça, e a segurando ligeiramente entre seus braços.

Quando a largou, Samantha, ainda meio zonza, se sentou. Penteou os cabelos e quando finalmente foi tentar começar a amarrar a parte de trás de seu vestido, ainda solta, Troy já estava de volta dessa vez mais desperto.

A erguendo pela cintura, colocou as mechas cor de mel dela para frente e pegou para si a missão de prender seu vestido.

Os dedos dele eram quentes contra a pele da vampira.

Samantha se sentiu bambalear momentaneamente, Troy a segurou entre seus braços descendo a boca por seus ombros.

-Troy – gemeu ela frustrada – isso não é justo.

-Por quê? – perguntou ainda descendo os lábios pelo pescoço da vampira.

Ela demorou a responder. Seus olhos estavam fechados, sua respiração ofegante.

-Porque... Bem porque... Isso é revoltante.

-Revoltante?

-Sim... Revoltante... Sinto-me desorientada.

-Esta era exatamente a intenção. – Respondeu sentindo a garota amolecer em seus braços.

Troy a girou em seus braços.

Samantha ofegou audivelmente ao fixar seus olhos aos dele.

Por que ele precisava ter aqueles olhos?

A pergunta logo fugiu de sua mente quando o vampiro aproximou mais sua boca da dela, selando seus lábios sobre os da vampira.

A garota o prendeu pelo pescoço, enquanto Troy a mantinha firme presa em seus braços.

Suas línguas dançavam juntas de maneira afável.

O bem que Troy lhe fazia consistia exatamente nisso: Ser seu porto seguro. A calmaria depois da tempestade, uma longa tempestade. E também a maneira como ele a compreendia melhor até mesmo do que ela própria.

Troy separou sues lábios dos dela somente para perguntar:

-Quer dançar?

Samantha franziu o cenho confusa.

Troy sorriu ao ver a confusão dela:

-Venha – disse puxando-a para o meio do quarto, uma de suas mãos se manteve firme um pouco acima da cintura da dela, enquanto a outra segurava uma das mãos da garota.

Samantha manteve o braço livre sobre o ombro de Troy, mas ainda estava confusa.

-Como pretende dançar sem música?

Troy soltou um risinho baixo.

-Somos vampiros. Use sua audição para fazer o som.

A vampira inclinou uma de suas sobrancelhas.

-Esqueça o mundo lá fora por alguns instantes. – Continuou ele. – Ainda possuímos coração. Quer uma melodia melhor do que o som da vida? O som dos sentimentos?

Samantha o encarou. Seu rosto transparecia fascínio.

-Não sou uma boa dançarina.

-Sem problemas. Esqueceu-se que sou também seu professor? Basta acrescentarmos este detalhe a lista. Agora feche os olhos.

Ela não o obedeceu momentaneamente, seus olhos estavam perdidos nos olhos dele.

Ao fechá-los ouviu o murmúrio baixo de Troy perto de seu rosto:

-Concentre-se somente no som do nosso coração. Junte-os e faça sua própria melodia.

-Mas e se minha melodia for diferente da sua?

-Ela não será. – Garantiu-lhe ele.

Música do momento

Samantha se concentrou.

Primeiramente era apenas um som desconexo. Batidas que não podiam ser classificadas como rápidas ou lentas. Simplesmente o som mais simples e também o mais complexo e valioso.

Juntando o som de seu coração com o de Troy, as batidas passaram a ser rítmicas. A união de sons suaves representando desde o mais forte ruflar de tambores até o mais singelo som de piano.

Um som baixo audível somente para os dois. Um som que pertencia somente aos dois.

-Se solte, deixe que eu a conduza.

Samantha somente assentiu perdida sobre o som.

Seus pés ainda descalços começaram a deslizar lentamente, a mão de Troy ainda a mantendo firme.

A cada volta ela sentia seu vestido acompanhá-la, com um giro.

Troy se aproximou mais dela. A garota deitou a própria cabeça sobre o peitoral dele, ainda nu. O vampiro deixou seu próprio rosto descaçar sobre a cabeça de Samantha.

Por um motivo indecifrável ela sentiu as lágrimas assolarem sobre seus olhos.

Não sabia exatamente o porquê. Ela só sabia que se sentia... Segura. Amada.

Sabia que nunca esqueceria seus pais, Greg, Alex, Margareth. Sabia que ainda poderia decorrer anos até que Stefan e Damon a aceitassem novamente.

Mas ela tinha Troy.

E sabia, que enquanto tivesse Troy ao seu lado ele a protegeria. Até mesmo de si mesma.

Não sabia exatamente o que sentia por ele. Sentimento não são tão facilmente decifráveis. São os códigos mais bem elaborados que já existiram, os mais complexos. Assim como o bater de um coração, não poderiam ser copiados. Eles não surgiam de algo científico. Não surgiam de algo racional. Simplesmente aconteciam. E sua beleza estava justamente no enigma que representavam. Um enigma sem capacidades de ser desvendável.

Ela só sabia que pensar em Greg ainda fazia seu coração dar saltos, a dor assolar, a faca girar. Pensar nele levava-a as poucas lembranças que tinha dele. Poucas. Mas de tamanha vivacidade que se tornaram inapagáveis.

Ela nunca esqueceria o que ele havia feito por ela. O que Alex havia feito por ela... Alex...

Ela sempre admirara a amizade de Alex e Greg. A devoção de um para com o outro.

A vampira gostava de Alex. Mesmo sabendo que ele havia sido contra Greg se aproximar dela.

Agora ela o entendia mais do que nunca. Ela sabia perfeitamente os motivos que o levaram a ficar contra o próprio amigo. Acima de tudo ele colocava sua amizade. Uma amizade que custou a própria vida, mas que ela tinha certeza que se ele tivesse outra chance ele faria exatamente igual. Ele nunca abandonaria Greg.

Assim como ela iria fazer de tudo para proteger Troy.

O que ela sentia por Troy era diferente do que sentia por Damon ou Stefan, ou até mesmo por Greg, diferente do que já havia sentido por qualquer um. Era algo sem classificação. Algo novo. Algo que ela não acreditava ser capaz de existir. Ela não o amava da mesma maneira que amava seus irmãos, seus pais ou Margareth, mas era algo com a mesma intensidade. Algo inumano. Algo que a fazia querê-lo sempre perto, independentemente de como. Ela só o queria ali. Ele feliz. A felicidade dela passara a ser interligada com a dele. Uma dependia da outra.

Ele podia ser seu professor. Seu amante. Mas acima de tudo, ele sempre seria seu amigo. Seu melhor amigo. Seu porto seguro.

Era como se mesmo que o mundo todo fosse dominado pelas trevas, mesmo que todas as estrelas se apagassem, que tudo tivesse um fim. A amizade dos dois permaneceria imutável, inesgotável.

A classificação ela não sabia. Só sabia que o amava.

Só sabia que ele havia conseguido ajudá-la a deixar todas as feridas em cicatrizes, elas sempre estariam ali, mas suportáveis enquanto ele estivesse ali, ao seu lado.

Ela se sentia flutuar pelo quarto nos braços dele. O lugar em que mais se sentia segura.

Por mais que ela insistisse em esconder, ela sentia medo, muito medo. Não da morte, exatamente o contrário disso: medo do futuro, medo do que a aguardava pela frente.

Até que ponto mais ela suportaria? Até onde ela conseguiria chegar sem desistir? Ela teria coragem para ir até o fim?

O que seria o fim?

De que cor ele estaria pintado?

Vermelho? Mais perdas? Mais dor? Mais sangue?

Branco? A paz tão esperada.

Ou preto? O completo esquecimento, a completa inexistência. O apagar de tudo. O evaporar de todas as lembranças. O deixar de existir em corpo e em alma.

Ela apenas esperava que Troy pudesse estar ao seu lado para o que for que viesse. Só esperava poder tê-lo consigo sem que ele se ferisse.

-Ai meu pé.

Samantha levantou a cabeça rapidamente abrindo os olhos.

-Owh, eu falei que eu não sabia dançar. – Disse preocupada, olhando para os pés de Troy.

Para sua total perplexidade Troy estava rindo.

-Seu... Seu... Seu idiota, você estava mentindo?!

-Viu como sua confiança em si mesma está baixa? – fez a pergunta como se fosse uma afirmação, ainda rindo.

A vampira mesmo parecendo furiosa não fez menção de se soltar dos braços dele.

Troy firmou seus olhos ao dela. Um sorriso ainda a brincar em seus lábios.

Samantha meneou a cabeça, mas sem se conter sorriu:

-Idiota, é isso que você é. Um idiota.

-Damas não devem usar palavras deste escalão.

-Meu porte de dama nunca foi dos melhores.

-Já o meu de cavalheiro sempre foi exemplar.

A vampira começou a abrir a boca para questioná-lo, porém o rosto de Troy se aproximando do dela a distraiu.

Com o próprio queixo ele empurrou novamente a cabeça dela para seu ombro, respirando entre as mechas de cabelo da garota enquanto a levava pelo quarto lentamente disse em um sussurro:

-Obrigado por lembrar-me de como é viver. Já havia me esquecido.

Samantha não respondeu. Somente enterrou mais a cabeça na pele dele sentindo seu perfume.

-Temos uma aposta não é mesmo? Você disse que no final, quando tudo estivesse resolvido eu teria de fazer uma promessa. Que eu saiba ainda não estamos no final. Então não é necessário agradecimentos. – Disse por fim.

-Pensei que a aposta se aplicava somente a você.

-Pois agora estou dizendo que ela se aplica também a você.

Samantha sentiu Troy menear a cabeça lentamente.

Fechou os olhos se deixando levar mais uma vez pelos braços de Troy.

A garota ficou em silêncio, deixando seus pensamentos voarem sem destino, até Troy voltar a falar:

-Tenho medo.

A garota apertou a mão sobre o ombro dele:

-Medo de que?

Ele parou de conduzi-la, somente a abraçando com a cabeça pousada sobre a dela.

-Medo de não conseguir protegê-la.

Samantha foi pega de surpresa:

-Bem... Quanto a isso pode ficar tranquilo, eu sou dura na queda. Concentre-se apenas em manter todos seus membros em seu devido lugar.

-Do que você tem medo?

-Não é certo dizermos nossos medos. Ao dizê-los ficamos vulneráveis.

-Eu lhe disse o meu.

-Mas eu não direi o meu.

-E onde ficam os direitos iguais?

-Na parte de livre escolha. Você escolheu me contar, eu escolhi não contar.

Troy bufou:

-Então me diga, qual é seu maior sonho?

Samantha ficou em silêncio.

-Diga-me, qual seu maior sonho. – Insistiu ele.

-Sonhos também precisam ser mantidos em segredo. Só assim serão sonhos. A partir do momento que os dizer eles deixaram de serem sonhos, e se tornarão muito pesados para se carregar.

-Sua filosofia de vida é muito individualista.

-Não tenho exatamente uma filosofia, só digo o que acredito ser verdade.

Troy voltou a conduzi-la pelo quarto.

-Você teve medo de Katherine?

-Não medo dela, mas sim do que faria para as pessoas que eu amava.

-O que aconteceu foi pior do que você imaginava?

Samantha perdeu alguns momentos pensando naquilo.

-Acho que foi. No fundo eu tinha esperanças de que ao me separar deles ela se daria por vencida. Tinha esperanças que ela deixasse meus irmãos em paz, ou que meu pai conseguisse livrá-los dela antes que ela pudesse envenená-los um contra o outro. Porém foi apenas esperança... Uma vã esperança.

-Se suas suspeitas de que ela está viva se mostrarem reais, o que você pretende fazer?

-Só digo que ela vai me pagar. Muito caro.

-Não mude por ela.

-Não irei mudar por ela, mas eu tenho o direito à justiça. Você mesmo que disse que justiça é a palavra certa.

-Só não quero mais que ela te faça sofrer.

-Agora eu sei melhor quem eu sou. Estou acordada, não de olhos vendados. Estarei preparada. Saberei como defender-me e defender quem amo.

Troy a afastou alguns sentimentos só para poder pegar o rosto dela entre suas mãos e a encará-la. Seus olhos dois globos de brilho, enquanto que os de Samantha eram dois vulcões, quentes e profundos.

-Você está preparada? Preparada para enfrentar o que quer for? Preparada para valorizar todos que depositaram tudo em você?

Samantha sentiu o peso da pergunta. Para assegurar que não falharia com a resposta somente respondeu:

-Já nasci pronta. Agora precisamos pensar em algo para dizer para a Sra. Julies sobre seu sumiço. E um motivo para decidirmos morar durante um tempo aqui. Lembre-se: para todos na cidade somos apenas primos. E prometi aos meus irmãos que estaria aqui durante os próximos sies meses.

-Simples, sumi porque fui encontrar papai que decidiu vir para cá. Iremos comprar uma casa e papai por ser doente não pode sair nem receber visitas. Apenas nós, família zelosa devemos cuidar dele. E como ele chegou quando todos já estavam dormindo, ninguém o viu.

Samantha piscou para ele:

-Você inventou isso agora?

-Não passei o dia todo ontem conversando com elfos como você supôs.

A vampira revirou os olhos:

-E se não acreditarem?

-Igual não poderemos ficar por muito tempo. Seis meses já é arriscar demais. Sem contar que não temos nem certeza se vai valer a pena. Como saber se seus irmãos irão procurá-las?

-Ao menos um dos dois vai aparecer. Precisa aparecer.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Continua...

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Ter Ago 07, 2012 8:09 pm

Capitulo 46 – O que foi que eu fiz?
Troy puxou Samantha mais para cima de seu colo. Sua boca raspando de leve pelo pescoço dela, arrepiando-a.
A vampira traçava linhas imaginárias sobre o braço do vampiro que a envolvia.
As primeiras horas da manhã eram acompanhadas por uma brisa fria.
Esse era o costume dos dois: saírem logo de manha para se alimentar dos primeiros andantes que apareciam.
Ter controle sobre si mesma tornava-se cada dia mais fácil para ela. É claro que sua garganta ainda queimava ao estar perto de humanos, mas ela aprendera a controlar-se de forma imaculável. Suas vitimas só ganhavam dois pequenos furos na lateral do pescoço, de resto nada poderia denunciar que a sua quantidade de sangue havia diminuído consideravelmente.
Troy subiu os lábios até a orelha da garota a fazendo estremecer.
-Troy... Cuidado... Alguém pode nos ver.
Troy riu baixinho.
-Boatos já se espalharam sobre nos dois, então não é tão de grande importância continuar dizendo que somos apenas primos.
-Mais um mês... Um mês e iremos partir.
Troy pousou a cabeça sobre a dela pensativo.
Os dois estavam na pequena praça da cidade, sentado em um dos bancos, que àquela hora da manha ainda estava vazia.
-Você ainda acredita que algum deles voltará? Seus irmãos... Quero dizer.
-Sim... É isso que eu espero.
Troy assentiu.
-E se eles não aparecerem?
-Não decidi o que fazer caso isso aconteça – respondeu ela, molhando os lábios, preocupada.
-E se eles aparecerem? – o loiro pediu, seus olhos um brilho preocupado.
-Irei agir conforme a situação que eles se encontrarem – explicou ela deixando que um suspiro cansado lhe escapasse.
-E depois disso?
-Pretendo viver da forma mais humana possível. Eu tinha sonhos quando era humana, e mesmo com todos os imprevistos não pretendo desistir deles, a única diferença é que foram acrescentados alguns obstáculos a mais.
-Quais sonhos?
-Já lhe disse Troy, sonhos não devem ser ditos verbalmente.
O vampiro bufou:
-Seu passa tempo preferido é deixar-me confuso, não é mesmo? – pediu cético.
A garota sorriu:
-Admito que confundi-lo me agrada, porém neste caso é apenas uma questão de crença, mas caso sirva de consolo irei começar realizando um sonho de meu pai, Giuseppe, quero dizer, é meu sonho também, porém é algo que preciso fazer mais por ele do que por mim. O dinheiro que Edmundo alcançou-me é suficiente para que eu de entrada em alguma universidade, depois de alguma forma ou de outra precisarei arranjar um emprego.
-Já lhe disse que isso não é problema.
-Não pretendo ser sustentada por ninguém Troy, e também estou ciente de que dinheiro não dá em árvores.
Troy revirou os olhos preparando-se para discordar dela quando seu corpo retesou-se, tenso:
-Há alguém se aproximando.
Samantha assentiu afastando-se dele e sentando-se com agilidade do outro lado do banco, afastada do loiro.
Seus olhos foram até o lado em que escutava passos.
Dois corações batendo ritmado, o sangue sendo bombeado, quente e denso. Só pelo cheiro e pelo som sua garganta secava lhe deixando com sede.
Mas ela não precisava daquilo, ao menos não naquele momento, por isso obrigou-se a ignorar o aroma.
Lentamente o som aumentava proporcionalmente ao cheiro, conforme os passos aproximavam-se, até que as donas dos passos surgiram virando a esquina que levava a praça.
Uma mulher bela, de pele chocolate e olhos negros como a noite. Seu cabelo preso em um coque no alto da cabeça. Segurava pela mão uma garotinha que era possível observar claramente que era sua filha, os olhos como duas jabuticabinhas brilhantes, as mechas de cabelo lhe pendiam ao lado do rosto na forma de cachos perfeitos.
A mulher exibiu um sorriso acanhado, para Troy e Samantha que retribuíram, e fez menção de voltar a andar, mas a garotinha a impediu. Seus olhos de jabuticaba fixos em Samantha.
Samantha sorriu para ela.
A garotinha simplesmente continuou a observá-la com uma expressão que a vampira não compreendia.
Recorreu à mulher lhe lançando um olhar de indagação, mas a mulher parecia estar tão encabulada quanto ela.
A criança se soltou da mãe e foi a passos lentos até Samantha, parando logo a sua frente.
Samantha levantou-se do banco, e se adiantou até a garotinha ajoelhando-se de frente para ela a fim de ficarem da mesma altura.
A garotinha que a encarava, os olhinhos brilhantes, a vampira lhe estendeu uma mão chamando a pequenina mais para perto de si. Um sorriso gentil em seus lábios. Um sorriso que não era facilmente encontrado no rosto de Samantha.
A criança deu um passo à frente e em seguida parou.
Manteve seus olhos em Samantha por mais alguns instantes antes de com um dos dedinhos da pequena mãozinha indicar a loira a sua frente. Em seguida levou a mão até o lugar em seu peito em que se encontrava seu próprio coração. Para depois abriu o máximo possível os dois braços, esticando-os para o lado, em um sinal que Samantha usará muito quando criança para indicar algo de tamanho realmente grande que a surpreendia.
Samantha sorriu novamente para a garotinha.
Levando a mão com cuidado até o rosto dela e alisando as bochechas macias da pequenina com os dedos, disse:
-Pode falar minha princesa. – Disse tentando encorajá-la.
Os olhinhos de jabuticaba da garotinha brilharam esplendorosamente. E então ela disse, levando sua mãozinha sobre o coração de Samantha:
-Brilho bonito... Brilho bem bonito... Muito brilho.
Samantha por algum motivo tremia. Um toque humano sobre seu coração a deixara surpresa. Mas para sua total perplexidade mulher que acompanhava a garotinha se aproximou, sua boca se abrindo e fechando sem pronunciar som algum. De seus olhos lágrimas desciam escorrendo por seu rosto.
Samantha desviou os olhos da garota para encarar a mulher.
Troy ao seu lado parecia tão sem reação quanto ela.
-Minha filha... – Começou a mulher – Minha filha... O que você fez com minha filha?
Samantha abriu a boca, mas não conseguiu fazer com que saísse som algum.
-Co... Como você fez isso? Quem é você moça? O que você é?
-Eu... Eu não fiz nada... Eu... – a loira tentou defender-se.
-Minha filha... Ela... Ela... Ela era muda.
Samantha piscou sentindo-se tonta:
-Como é? – pediu levantando-se.
-Ela... Ela... Teve alguns problemas quando era recém-nascida... Mas... Mas agora...
Samantha sorriu contrariada, sua cabeça balançando de um lado para outro;
-Não, não, deve estar ocorrendo um engano. Quero dizer... Algo antes mesmo de ela ver-me deve ter ocorrido para que a situação mudasse.
A mãe ignorou o que a vampira havia digo, avançando até ela e a abraçando.
Samantha sentiu as lágrimas molharem seu pescoço. A mulher tremia pelos espasmos causados pelo choro.
-Obrigada, obrigada, obrigada. Eu... Eu não sei como retribuir. O... O que posso fazer para retribuir?
A vampira estava estática, as palavras da mulher chegavam até ela como se fossem de um lugar distante, uma outra dimensão.
O que estava acontecendo ali? Não podia ser verdade, simplesmente não podia. Não, não, não. Não era ela quem havia feito aquilo. Não poderia ser. Como ela faria algo como aquilo? A mulher estava brincando, era isso?
-Moça? Moça o que posso fazer por você? Qualquer coisa... Qualquer coisa...
Troy percebendo o estado de Samantha foi até a mulher e a puxou para longe da vampira, sorrindo:
-Está tudo bem. Ela está assustada, deixe-me levá-la para casa. Mostre a novidade para sua família, mas peço que, por favor, não espalhe o que aconteceu aqui. Isso pode gerar desconforto para minha “prima”.
A mulher ao encarar Troy arregalou os olhos, como que o que visse não pertencesse a esse mundo.
Troy voltou a sorrir, inclinando uma das sobrancelhas, constrangido.
A mulher lançou mais uma olhar para Samantha e outro para Troy. Em seguida pegando novamente a mão da garotinha, que passara a olhar para Troy com o mesmo olhar de admiração, agradeceu mais uma vez e fez menção de ir embora. Mas a filha novamente a impediu, soltando-se de sua mão e abraçando com força as pernas de Samantha.
A vampira sentiu uma estranha sensação de conforto. De certa forma sentir os bracinhos finos da pequenina lhe fazia sentir-se bem.
Tentando esquecer as coisas estranhas que haviam acabado de acontecer, Samantha abaixou-se novamente envolvendo a garotinha com seus próprios braços, abraçando-a também.
-Obrigada moça – a voz fininha lhe sussurrou.
A vampira não soube o que dizer.
-Você não precisa se preocupar – continuou a pequenina, como se respondesse a alguma lamentação da outra.
Samantha afastou-se da garotinha apenas o suficiente para encarar seus olhinhos brilhantes. Como resposta a menina sorriu, um sorriso infantil fascinante, inclinando-se e beijando a bochecha de Samantha antes de afastar-se dela.
Lançando um último olhar para Troy, a pequenina voltou para sua mãe e as duas foram a passos lentos embora. Tanto uma quanto a outra virando-se várias vezes para olhá-los.
Troy foi até Samantha prendendo-a em seus braços. Segurando o rosto dela entre suas mãos a obrigou a encará-lo:
-Está tudo bem?
-Troy... Eu... O que foi que eu fiz? – perguntou desesperada, seu rosto pálido.
-Você a ajudou Samantha, ajudou muito. Não faço ideia de como, mas você a ajudou.
-Eu a ajudei Troy...
A vampira deixou a frase morrer no ar.
-Hey, isso é bom. Não precisa ficar assim. Você fez algo maravilhoso.
-É exatamente isso Troy, eu a ajudei... Eu. Você entende o que isso quer dizer? Pela primeira vez eu... Consegui ajudar alguém não lhe causar mal.
Troy a apertou mais o rosto dela entre suas mãos beijando o topo de sua cabeça:
-Não foi à primeira vez. Você já ajudou mais vezes do que sequer imagina. Você me ajudou.
-Não, isso não é verdade. Mas agora finalmente eu ajudei alguém, eu ajudei a garotinha. Mas... O que eu fiz? Como eu fiz aquilo?... O que eu sou Troy?
-Você é alguém mais especial do que imaginávamos, somente isso. Você é especial – disse afagando os cabelos dela. - Agora é melhor irmos para casa.
O loiro envolveu-a pela cintura, ajudando-a a fazer o caminho de volta para casa.
A casa que os dois haviam comprado era pequena, em cores claras, localizada em um dos lados mais calmos da pequena cidade.
Samantha sentia a cabeça girar.
-Troy... A raça... A raça de meu pai, os venator eles... Eles são capazes de fazer isso?
-Não, os poderes deles são basicamente úteis apenas para acabar com vampiros e lobisomens.
-E minha mãe? As bruxas... Elas podem fazer isso?
-Nunca ouvia falar. Elas não podem ir contra o que a natureza impôs. E também você não pronunciou feitiço algum. Bruxas fazem magia através de feitiços. Você não precisou.
-Não posso ter sido eu a fazer aquilo, deve haver outra explicação.
Os dois haviam chegado à entrada da casa cor de creme. Troy abriu a porta para Samantha ficando de lado para que ela passasse.
-Você fez algo muito bom. Não tem porque reclamar disso. Se não descobrirmos agora, uma hora ou outra iremos descobrir como você conseguiu. Não a necessidade de se pesar.
-Mas... Mas o que eu sou Troy? O que eu sou? Como eu fiz aquilo? - as mãos da garota tremiam descontroladamente.
-Exatamente isso que eu gostaria de saber.
Samantha pulou assustada ao ser recebida por uma voz que não era a de Troy.
Uma voz que ela sempre reconheceria. Uma voz que fez todas as perguntas desaparecerem de sua cabeça.
Seus olhos se depararam com os dele. Dois globos azul céu.
Suas pernas esticadas confortavelmente sobre a poltrona da sala.
A voz da vampira sumiu. Ela só conseguia olhá-lo.
Um sorriso de lado se formou em seu rosto. Seu sorriso. Um sorriso que só ele conseguia fazer de maneira tão excentricamente bela:
-Olá maninha, prazer em rever-me, não é mesmo? Pois bem não sinta se desconfortável, isso é algo que acontece rotineiramente com as pessoas que me rodeiam.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Continua...
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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Sab Ago 11, 2012 9:20 pm


Capitulo 47 - Damon
- Damon.
Samantha custou a pronunciar o nome. Todo seu corpo paralisado por uma confusão de emoções.
- Vejo que ainda lembra meu nome – o moreno ressaltou observando a irmã encará-lo, trêmula.
Ela queria dizer: “Mais provável esquecer-me de meu próprio nome ao esquecer-me do seu”, ou então, “Não seu completo idiota, estou a meses esperando aqui por um gnomo. Por que me daria ao trabalho de saber seu nome?”.
Mas ela nada disse, somente continuou a encará-lo.
Damon prosseguiu:
- Quanta precaução, porque não colocam na porta da casa uma placa com os dizeres “Abrigo de vampiros”?
Samantha sabia que ele referia-se ao fato de ter conseguido entrar na casa sem problemas. Mas comprar uma casa havia sido a única saída para ela e Troy. Não poderiam ficar morando em uma pensão durante todo o tempo que esperavam por um dos Salvatore, e também mesmo que compelissem um humano para que assinasse os papeis da casa no lugar deles isso só deixaria as coisas mais difíceis se precisassem vender a casa às pressas. Portanto a garota apenas ignorou o que o irmão havia dito.
Damon levantou-se da poltrona em que estivera sentado, a fim de encará-la melhor. Seus olhos pararam sobre as mãos de Troy, que ao fechar a porta haviam se voltado para a cintura da garota.
- Está se desmanchando em pedaços maninha? – Damon não esperou resposta, se encaminhou até ela soltando-a de um Troy surpreso. – Caso esteja, reivindico para mim a posição de segurá-la inteira.
Samantha sentiu seu rosto esquentar enquanto Damon passava o braço por sua cintura a puxando para trás de si, fuzilando Troy com os olhos.
- Pensei que fossem amigos. Foi o que disse-me da ultima vez - a pergunta era claramente destinada a Samantha, mas Damon não se deu ao trabalho de livrar Troy de seu olhar reprovador.
- Bem... – a vampira sentiu sua face esquentar mais um pouco – agora somos um pouco mais que amigos.
Damon se voltou para ela estreitando os olhos:
- Um pouco mais que amigos?... Um pouco mais que amigos... – voltou-se para Troy. – Vai ser um pouco mais que amigos na casa da vovozinha, garoto. Se prezar sua cabeça em firme em cima de seu pescoço trate de ficar “um pouco mais que amigo” de outra garota por ai.
As sobrancelhas de Troy se ergueram em câmera lenta.
Samantha percebia que ele se esforçava para não rir.
- Já vi que a ausência de delicadeza é de família. Mas sinto muito, seu pedido é um daqueles impossíveis de realizar – disse simplesmente, dando de ombros.
A vampira segurou firme o braço do irmão o impossibilitando de avançar para Troy.
- Não há necessidades de discussões está bem? Vamos ser civilizados...
- Se acalme Samantha, - Troy começou - estou tão propenso a arranjar briga com seu irmão quanto você a permitir que brigássemos. Vou fazer o seguinte, deixarei você as sós com ele e vou ir me alimentar. Depois eu volto. - Desviando de Damon foi até Samantha erguendo o rosto da garota entre as mãos. Em seus olhos um brilho preocupado – Você vai ficar bem? Está se sentindo melhor?
A vampira balançou a cabeça lentamente. Sua mão que segurava o braço de Damon tremia, enquanto que seus olhos fixos nos de Troy se perderam por um momento na imensidão de cristal.
Troy assentiu sorrindo. Foi em direção à porta, não sem antes encarar Damon dizendo:
- Não se preocupe não irei chamá-lo de cunhado se não for de seu desejo, porém eu tenho o direito de ficar perto dela se for de meu desejo. E tenho o direito de pedir a você que, por favor, tente não pegar tão pesado com ela.
Dizendo isso saiu, deixando os irmãos encarando a porta pela qual ele havia passado.
Samantha soltou o braço de Damon, enquanto ele se virava a encarando, como se procurasse algum ferimento.
- Garoto topetudo. Como se estivesse no direito de pedir-me qualquer coisa.
- Ele só está preocupado.
- Preocupado que eu possa machucá-la? – pediu inclinando uma de suas sobrancelhas.
- Sem querer ofendê-lo irmão, mas não sou exatamente uma garota frágil, nem mesmo para os padrões de uma vampira, eu saberia defender-me de você. Porém não é com isso que Troy está preocupado.
- Então o que é?
A vampira desviou os olhos do irmão, mordendo o lábio inferior.
- Eu voltei aqui por dois motivos, – começou Damon – o primeiro deles é querer saber a verdade. Toda a verdade. Sem qualquer ocultação dos fatos.
- A verdade pode colocá-lo em perigo – Samantha o alertou erguendo o rosto para fitá-lo.
- Sei me defender.
- Um grande perigo – complementou, ela.
- Para mim o perigo nada mais é do que uma grande diversão – Damon articulou com um sorriso de lado.
Samantha suspirou:
- Estou falando sério Damon. Fui caçada durante todos os dias de minha vida, mesmo sem saber disso. E se souberem que você sabe a verdade poderão caçá-lo também, principalmente para tentar me atingir. Eles sabem que atingindo vocês também me atingirão.
- Isso eles podem me fazer sabendo ou não a verdade.
- Mas você não sabendo a verdade ficara mais fácil de fingir não me conhecer, e assim se proteger.
- Não tenho medo.
- Deveria ter.
- Eu vim atrás da verdade e quero a verdade – falou firme.
A garota passou a mão pelo rosto preocupada.
- E Stefan? Onde está?
- Este é o segundo motivo que me trouxe aqui. Mas antes de responder sua pergunta quero que você responda a minha.
A garota foi até a poltrona que Damon estivera deitado até pouco tempo antes e desmoronou dizendo:
- Antes de começar preciso que me prometa não contar a ninguém, nem o que lhe direi agora e nem que e meu irmão, se alguém perguntar finja que não me conhece, que nunca me viu. É a única forma que tenho de protegê-lo.
Damon sentou-se ao dela, deitou a cabeça no colo da irmã, esticando novamente as pernas sobre o estofado.
Samantha não pode deixar de sorrir, seus dedos se enroscaram no cabelo negro do irmão, os acariciando.
- Eu coloquei-os em perigo sem saber. Minha mãe como lhes disse era uma bruxa, não somente uma bruxa, mas sim uma bruxa da mais poderosa linhagem, a Original. Meu pai pertencia à outra raça.
- Que raça? Vampiros?
- Não, não. Há outras raças além de vampiros e bruxas, inclusive a dos lobisomens, mas meu pai pertencia a uma que sou obrigada a manter em segredo, pois se souberem que você sabe da existência deles o caçarão sem trégua, até destruí-lo.
- Diga-me que raça.
- Desista, você não me fará dizer. Lhe direi apenas o que é necessário para que acredite que minha versão da história é a real. Só digo que o passatempo preferido dessa raça é acabar com vampiros e lobisomens.
Samantha narrou toda a história, ou pelo menos grande parte dela, até chegar à manhã que antecederá o baile.
- Em meu sonho, ou melhor, pesadelo eu vi Katherine, ele me atacava no sonho, ela era uma vampira. Então armei para tentar descobrir se meu subconsciente estava com razão. Mas quando ocorreu sua briga com Edmundo, que mais tarde descobri também ser parte do plano dela, ela aproveitou para me deixar inconsciente e levar-me para longe. Antes de tudo ela me contou quem eu era. Fez questão de me jogar na cara que eu fui o botão de acionamento que levou a causa da morte de meus pais. Greg, o rapaz que dancei na festa, e Alex, seu amigo, tentaram me ajudar, mas Katherine e sua bruxinha domesticada conseguiram impedi-los, e é claro que somente impedi-los não bastava para ela. Meus poderes por parte bruxa ameaçaram despertar, mas ela conseguiu impedi-los me matando com seu sangue em meu organismo. [...] Ela ameaçou matar Margareth na minha frente. Margareth, Damon, nossa Mag – a voz da garota estava embargada – Eu não podia deixar que ela fizesse aquilo com Mag. Não podia. Mas eu não fui forte o bastante, eu não resisti ao cheiro do sangue. Eu a matei... Eu a matei.
Damon pegou uma mecha de cabelo da vampira e começou a fazer cócegas no ouvido da garota.
- Se pensarmos bem, e de forma clara e óbvia chegaremos a conclusão de que não foi exatamente você quem matou Mag. Primeiro fato: você foge até mesmo de baratas. Segundo: você se pudesse escolher sempre escolheria ficar perto da Mag. Terceiro você não possuía controle e não era exatamente você, mas sim um lado seu movido somente por seus instintos.
Samantha tentou afastar a mão de Damon que lhe fazia cócegas, mas ele a ignorou e continuou a fazer.
A garota sabia que não adiantaria contra argumentar com ele, então continuou sua história:
- Eu precisei isolar-me por um tempo. Eu não queria tirar a vida de mais ninguém, e também meu sangue não queria aceitar o veneno. Somente quando Troy apareceu foi que ele me convenceu a seguir em frente – ela não quis mencionar nenhum fato sobre o venator sem nome. - Ele vem me ajudado desde então. Ajudado muito. Quando tive uma espécie de visão, vi que você, Stefan e nosso pai estavam com problemas, mas quando cheguei era tarde demais. A barreira que havia me impedido de entrar na primeira vez, quando tentei alertá-los, não estava mais lá, eu consegui entrar em Mystic Falls, porém não encontrei nenhum de vocês, fui atrás de Edmundo e ele me contou o que havia acontecido. Então comecei a procurá-los. E o resto você já sabe.
- Bem quanto à barreira não estar mais lá deve ter algo relacionado com o fato da bruxinha ter virado churrasquinho. Mas vamos deixar os mortos em suas tumbas, ou cinzas, que seja tanto faz, e vamos ao que interessa o que você é agora?
- Meus outros poderes estão adormecidos, mas continuam comigo. Sou uma vampira só que ainda represento perigo ao ponto de vista de alguns, e mesmo se não representasse muitos iriam me querer morta.
Damon fez um bico pensativo:
- Você não pode reclamar de possuir uma vida parada. E uma adrenalina de vez em quando faz bem maninha.
Samantha revirou os olhos:
- Agora é sua vez. Conte-me onde está Stefan.
O rosto de Damon se nublou, sua mão que estivera ocupada fazendo cócegas em Samantha caiu em cima de seu peitoral.
- Vim avisá-la que a partir de agora Stefan está sobre a supervisão da Vovó Neurótica. .
Samantha piscou confusa:
- Sobre a supervisão de quem?
- Cachinho de Presas – Damon explicou entediado. Suas mãos voltando a se ocupar em enrolar o cabelo de Samantha nas pontas dos dedos, puxando-os.
- Poderia traduzir? – a garota pediu.
- A Loira Maquiavélica.
- Meu idioma, por favor – insistiu fazendo uma careta ao sentir Damon puxar com força uma mecha de seus cabelos, e lhe dando um tapa de leve na mão.
Damon fez um bico de falsa mágoa, mas a respondeu mesmo assim:
- Também conhecida como Alexia Branson, ou – fez um bico para dar ênfase – Lexi como é mais popularmente chamada. Como preferir. Mas eu opto por Vovó Neurótica.
- De onde vocês a conhecem? Por que ela está com Stefan? – Samantha se levantou abruptamente, deixando a cabeça de Damon cair sobre o estofado, e continuando o bombardeio de perguntas. – O que ela quer com Stefan? Quem ela é? O que ela quer?
Damon fez uma careta massageando a cabeça:
- Quantas perguntas, maninha. Pena que eu não possa respondê-las acredito que acabei de sofrer um traumatismo craniano, e corro riscos de perder até mesmo a voz devido ao susto que você me deu.
Samantha ficou pálida com o ultimo comentário. Ela não havia contado a Damon sobre a garotinha da praça, e nem pretendia contar. Não sem antes saber ao certo o que havia ocorrido.
Damon vendo a expressão dela perguntou:
- Afinal de contas qual o motivo do Garoto de Ouro estar tão preocupado com seu estado?
Samantha abaixou os olhos para encarar Damon que se sentara.
Ela foi impedida de formular uma resposta, pelo barulho da porta se abrindo.
É claro, ela devia imaginar que Troy estava esperando apenas o momento certo para entrar. Pois desde que ela começara a narrar a história já devia ter se passado ao menos uma hora, e Troy nunca necessitaria de tanto tempo para se alimentar, ao menos não sabendo que Samantha poderia precisar dele ao seu lado.
O loiro exibiu um sorriso ao mesmo tempo de cumplicidade e compreensão ao ver o rosto da vampira de suavizar e um suspiro de alivio lhe escapar.
- Olha quem diria, dois Salvatore na mesma casa e a casa permanece inteira.
- Para que perder meu tempo tentando despedaçar uma casa, se tenho você para mandar em uma viagem sem volta Garoto de Ouro? Já é a segunda vez em um mesmo dia que você se intromete em meu caminho, não terá uma terceira.
Troy riu, ignorando a ameaça.
- Damon, você não me respondeu, quem é essa Lexi? – Samantha os interrompeu antes que surgisse mais alguma ameaça ou comentário maldoso de qualquer parte.
Damon cruzou os braços atrás da cabeça, deitando a cabeça para trás de modo despreocupado.
- Apenas alguém disposta a perder tempo tentando controlar o lado: “Sou um Garoto Rebelde”, de Stefan.
- Como Stefan está?
- Tefinha como sempre é um garoto organizado, faz até listinhas com o nome de suas vitimas. O que acha maninha? Bonita recordação não é mesmo? Ei, você, dois passos para trás, e nem pense em colocar essa sua mão em qualquer parte do corpo de minha irmã – ficou em alerta vendo Troy aproximar-se da vampira. - Estou de olho.
Samantha levou um susto com a mudança súbita de assunto de Damon. Troy revirou os olhos.
- Damon... – a garota começou.
O vampiro levantou-se rapidamente, lançando um olhar torto para Troy antes de se virar para Samantha:
- Não se preocupe maninha, já estou de saída. Vou atrás do precioso licor da vida, de preferência vindo de uma bela fonte.
- Eu irei com você.
- Não preciso de babá.
- Damon...
Já era tarde, antes que Samantha terminasse de falar Damon já havia saído porta a fora.
Troy a encarava, perplexo:
- Você deixará ele ir?
- Sim e não. Primeiro deixarei que ele pense que não estou por perto. Damon está controlado demais, eu não acredito que ele continue matando suas vitimas sem dó nem piedade, mas se ele me vir por perto a situação pode ser diferente. Então eu o observarei de longe para ver se minha teoria está certa, e caso esteja errada eu apareço e o impeço de matar quem quer que seja.
- Por que ele se daria ao trabalho de se passar por assassino?
- Porque ser bonzinho a todo instante é complicado. Ele prefere surpreender.
Troy eriçou uma das sobrancelhas, mais perplexo do que antes, mas seguiu a vampira quando ela saiu atrás do irmão.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Os dois observaram Damon de longe enquanto ele se aproximava de uma garota bonita de sedosos cabelos negros. Ele não teve trabalho em convencê-la a ir para um lugar mais reservado e em seguida depois de se aproveitar um pouco da situação beber seu sangue.
Samantha duvidava que a jovem se dera conta de que seu sangue estava sendo drenado. Seu rosto expressava um intenso prazer.
Damon sugava o sangue avidamente, mas como Samantha supôs ele parou antes de causar danos permanentes na vítima.
Ao se certificar disso Samantha e Troy voltaram para casa antes que Damon desse conta da presença dos dois, a garota com um imenso sorriso no rosto.
Damon demorou a voltar, e quando voltou não deu nenhuma satisfação a ninguém.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
O dia seguiu com Damon mantendo Troy afastado de Samantha a todo custo.
Samantha mesmo dizendo que ele estava exagerando, resolveu que deixaria passar, ao menos por enquanto. Afinal Damon estar ali já era uma grande coisa.
A situação se complicou quando chegou a hora de irem dormir.
A vampira já estava pronta para ir deitar-se. Havia acabado de dar boa noite para Damon e seguia para o quarto que dividia com Troy, quando foi interceptada pelo irmão.
Troy que estava ao lado da garota murmurou cansado:
- De novo não.
Damon inclinando as sobrancelhas para Samantha perguntou:
- Onde pensa que vai?
Ela bufou:
- Estou indo brincar de amarelinha, irmão - respondeu irônica.
- Sei bem que não é exatamente de amarelinha que você quer brincar, maninha. – Retrucou.
A garota sentiu seu rosto corar por inteiro:
- Olha Damon, a casa tem somente dois quartos. Então você fica com um e eu divido o outro com Troy. Não vamos arranjar confusão sem necessidade está bem?
- O Garoto de Ouro que vá dormir na casinha do Totó.
Troy revirou os olhos:
- Acho que ciúmes de uma irmã têm limites, Damon. Samantha já está bem grandinha para fazer suas próprias escolhas.
Samantha não teve tempo de segurar Damon. Quando viu ele já estava prendendo Troy pelo pescoço contra a parede.
A vampira puxou o irmão para longe de Troy:
- Vamos ser sensatos, por favor? Vamos chegar a um acordo. Eu durmo na sala, e vocês ficam cada um com um quarto.
- Você vale tanto quanto eu, maninha, sei bem que você na primeira brecha que arranjasse se esgueiraria para dentro do quarto do Garoto de Ouro.
- Então durma vocês dois no mesmo quarto Damon – cortou ela revoltada os olhos se estreitando para o irmão. Ou então fica você com a sala.
- Tenho uma alternativa melhor maninha. Você fica no meu quarto e eu a mantenho protegida do seu “um pouco mais que amigo”.
- Damon...
- É claro que você precisa respeitar toda minha inocência maninha. – complementou, ele, com uma piscadela.
- Damon... – tentou ela novamente.
- Se não quer isso podemos aderir a última alternativa: livramo-nos do Garoto de Ouro, e ficarei despreocupado sabendo que ele não mais poderá relar em nenhuma parte de seu corpo maninha.
Troy abriu a boca para retrucar, mas foi impedido pela vampira:
- Está tudo bem Troy, por hoje é melhor deixarmos assim. Mas que fique bem claro Damon: isso ainda vai ter troco.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Samantha se jogou na cama cansada.
Sua cabeça estava girando com as surpresas do dia
Damon empurrou a irmã para um dos lados da cama deitando-se ao lado dela e cruzando os braços atrás da cabeça.
- Hoje é seu dia de sorte, maninha, faz noção de quantas mulheres gostariam de estar em seu lugar?
Samantha bufou seu rosto enterrado no travesseiro:
- Infelizmente estou ciente disso. Mas minha maior sorte está em ser sua irmã, pois desta forma você não será meu somente por uma noite, mas sim por todas as noites, manhas e tardes, mesmo que estejamos longe.
- Sinto muito maninha eu não posso ser seu porque não tenho dona.
- Não sou sua dona, sou sua irmã.
- Então não use o termo “meu”.
- Eu o uso, porque na frente de “irmão” preciso esclarecer que é meu.
Damon sorriu de lado.
Samantha se virou passando a encarar o teto.
Os dois ficaram em silêncio até Samantha perguntar:
- Você me perdoou?
Damon virou-se para olhá-la, mas a vampira ainda encarava o teto.
- Perdoei pelo que?
- Por eu ter causado tudo isso a vocês – esclareceu ela.
Damon não respondeu.
- Não precisa responder só me diga: você acredita em mim?
Novamente o vampiro ficou em silêncio. Samantha o encarou por um momento, mas vendo que não obteria resposta se virou de lado desejando boa noite.
Damon fixou seus olhos no nada dizendo por fim:
- Eu amo ela.
Samantha voltou-se novamente para ele, uma mão de ferro apertando seu coração:
- Ela não merece seu amor, nunca mereceu.
- Mas eu a amo.
- Katherine não lhe deu o valor que você merece Damon.
Damon não disse mais nada.
Samantha suspirou:
- Antes era tudo tão fácil.
O irmão se virou para olhá-la. Seus olhos se fixos aos dela enquanto dizia:
- Eu gostava de ser seu super-herói. Gostava de protegê-la de seus pesadelos.
Samantha sorriu:
- Eu gostava de ter você me protegendo. Você ficava comigo até que eu me acalmasse e pegava no sono novamente.
- Você cabia de atravessado na cama.
- Você adorava me derrubar.
Damon deu uma piscadela para ela:
- Sempre em cima do tapete.
Samantha aumentou o sorriso:
- É – disse simplesmente, a lembrança invadindo sua mente.
Flashback
Quando o irmão abriu a porta, a garotinha estava sentada em cima da cama, os joelhos dobrados e os braços trêmulos envolvendo-os, seus olhos, até aqueles momento fixos no vazio, assustados, desviaram-se para encarar Damon.
O garoto tinha pouco mais de treze anos, seu rosto estava sonolento e em seus braços trazia consigo seu travesseiro.
Os dois globos azuis analisaram a irmã, preocupados:
- Pesadelo?
Ela assentiu levemente abaixando a cabeça, envergonhada, suas bochechas rosadas.
Ela não queria ter gritado. Não queria mais uma vez ter acordado Damon, porém o mesmo pesadelo de sempre lhe atormentava. E ela sentia falta deles... Seus pais. Sentia falta deles ali.
Damon se aproximou dela pulando na cama sentando-se de frente para ela suas mãos foram até os cabelos da irmã, bagunçando-os de leve:
- Quer que eu lhe conte outra estória? – perguntou com uma piscadela, a voz doce.
A garota abanou a cabeça de um lado para o outro negativamente:
- Suas estórias sempre são voltadas para um mesmo personagem principal: você mesmo Dam – explicou ela, a voz fina de seus poucos recém-completados sete anos.
- Porque eu sou seu super-herói.
Samantha sorriu pondo-se de pé sobre a cama ajeitando Damon de uma forma que ele ficasse em uma posição favorável para que ela pudesse deitar na horizontal apoiando sua cabeça sobre o colo dele.
Damon se ajeitou deitando-se e voltando a mexer com os cabelos da irmã.
A garotinha fechou os olhos, já mais calma.
Um silêncio aconchegante se apoderou do ambiente, só quebrado por Samantha ao perceber que Damon havia parado de mexer com seus cabelos:
- Dam? – chamou.
Não houve resposta.
- Dam? – chamou novamente, desta vez mais alto.
- O que é?
- Está dormindo?
-Não, maninha, estou contando estrelas – respondeu irônico.
-Huumm... E quantas você já contou?
-Caso não tenha percebido, maninha, estamos em seu quarto com um teto acima de nós, portanto aqui não há estrelas.
- Mentira.
- Mentira?
- Sim, mentira. As estrelas podem estar em qualquer lugar se você imaginá-las. Basta que você imagine e elas aparecerão.
- Imaginação não é real.
- É real para você.
- O que é real só para mim não tem valor.
- Tem sim, não é porque os outros não veem que não é real. Meus pais são reais para mim, mesmo que você nunca os veja.
- Neste caso é diferente.
- Não é não, se consideramos qualquer coisa importante, seja ela grande ou pequena, mesmo que ela esteja apenas na nossa imaginação, ela vai ser real, tão real como qualquer outra coisa. Muitas vezes é bom fugir da realidade um pouco. Criar um mundo só nosso.
- Não deveria ser eu a estas lhe dizendo estas coisas?
A garotinha sorriu:
- Você está ocupado fingindo-se de durão.
- Você não é muito diferente de mim.
- Mas com vocês eu não tenho medo de parecer uma boba sentimental.
Damon sorriu.
Samantha inclinou-se para olhá-lo, sorrindo também:
- Eu gosto deste teu sorriso.
- E qual a diferença deste meu sorriso para qualquer outro sorriso?
-Ele é real. Quando você sorri de lado você está ou pensando bobagens, ou sendo irônico, ou fingindo indiferença. Quando você sorri assim, do jeito certo, é porque você está sorrindo de uma maneira sincera, e gosto quando você sorri porque realmente deseja isso. Ainda mais quando você sorri por algo que eu fiz ou falei.
- Você não deveria falar essas coisas.
- Por quê?
- Porque não gosto que digam coisas assim sobre mim.
- Eu sou sua irmã e vou continuar dizendo. O que você vai fazer?
Damon estreitou os olhos analisando-a.
A garota não teve tempo nem de se defender, quando viu já estava rolando em direção ao chão.
Caiu em cima do tapete.
- Dam, sinto muito, mas diferentemente dos outros eu não caio fácil em suas armadilhas ou ameaças.
Fim do flashback
As lembranças pareciam ao mesmo tempo distantes e recentes.
- Damon?
- Hum?
- Não podemos deixar Stefan do jeito que está, precisamos ajudá-lo.
Damon cerrou o maxilar:
- Ele não quer ser ajudado.
- Ele precisa ser ajudado.
- Primeiro ele precisa aceitar ajuda.
- Eu vou ir procurá-lo. Você vem comigo?
Damon a encarou:
- Por que iria?
- Porque ele é um dos Salvatore, ele é nosso irmão.
Damon nada disse.
Samantha sorriu:
-Partimos amanhã.
- Não disse que iria.
- Você não disse que não iria, perguntou por que iria, e como tenho vários argumentos para que você vá então certamente isso representará um sim. Só estou chegando ao resultado final adiantadamente.
- E se eu disser que não vou?
- Você diria isso?
Damon bufou.
Samantha sabendo que havia ganhado se virou sorrindo e fechando os olhos.
A garota estava começando a entrar no mundo da inconsciência quando ouviu Damon murmurar:
- Eu não lhe perdoo... Porque não tem o que perdoar.
A vampira adormeceu com aquelas palavras. Um sorriso desenhado em seus lábios.
¨¨¨¨¨¨¨¨
Continua...
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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Qua Ago 15, 2012 8:44 pm

Capitulo 48 – Complicada

Troy já estava na sala quando Samantha se levantou.

O perfil do vampiro se destacava contra a janela aberta, que exibia um nascer de dia onde o azul claro prevalecia dominante.

A brisa leve que entrava jogava os cabelos do loiro para um lado. Seu rosto pensativo.

Ao ver a vampira encaminhou-se para ele sorriu:

- Livrou-se de sua prisão?

Samantha mordeu o lábio inferior, mas não nada disse. Parou de frente para o vampiro, deixando que ele a prendesse pela cintura puxando-a para si:

- E então, como foi sua noite? – Troy voltou a perguntar.

- Acho que tenho meu irmão de volta. Ao menos um deles. Esclarecemos várias coisas.

- Ele irá ficar com nós?

- Mais ou menos – disse, erguendo os olhos para prendê-los contra os dois globos de cristal que a encaravam de perto. – Stefan está piorando. Dessa vez precisarei agir de maneira diferente.

Troy assentiu, suas mãos subindo pela cintura da garota:

- Damon nos acompanhará?

Samantha meneou a cabeça de forma positiva, enquanto sentia seu corpo amolecer entre os braços quentes do vampiro:

- Ele o viu por último poderá nos guiar. E Stefan necessita tanto de mim quanto de Damon – esforçou-se a dizer percebendo Troy aproximar-se cada vez mais dela fazendo com que a respiração dele se tornasse sensível em sua própria pele.

-Iremos hoje? – pediu descendo a boca pelo pescoço de Samantha fazendo-a fechar os olhos.

- Sim – disse debilmente pressionando mais seu corpo contra o dele. – Quanto antes melhor.

- Você está em condições?... Quero dizer... Como está se sentindo em relação à garotinha do parque? – ele havia voltado seu rosto para encará-la.

Samantha deu de ombros, ofegante:

- Estou bem. Não entendo nada do que realmente aconteceu, e não sei como descobrir. Então por enquanto não posso fazer nada.

Troy a apertou mais firme em seus braços, os dois momentaneamente em silêncio, até Troy desabafar:

- Não entendo os motivos que seu irmão tem para me odiar.

O hálito dele varreu o rosto da garota a deixando momentaneamente perdida.

- Ele... Ele não te odeia. Ele só tem problemas de aceitação quando se trata de ver-me perto de qualquer homem que não seja ele ou Stefan.

Troy riu baixinho:

- O que ele pensa que irei fazer? Aproveitar-me de você? – pediu com malicia, enquanto voltava a descer seus lábios quentes pela nuca da garota, distribuindo beijos.

Samantha ofegou baixinho, arrepiando-se:

- Provavelmente é isso – concordou entorpecida.

- E por que é tão difícil para ele me chamar por meu próprio nome?

- Acredite, ele pegou leve com você. Ele sabe criar apelidos bem mais cruéis.

- Garoto de Ouro – murmurou Troy, afastando sua boca da pele dela por poucos instantes. – Que falta de criatividade. O que o levou a me chamar assim?

Samantha, para a surpresa do vampiro, corou:

- Seus cabelos dourados, e... Bem... Eu disse que você tem me ajudado bastante. E... Éh... Ouro é valioso, assim como... Bem... Como tem se tornado cada vez mais para mim – terminou ela corando ainda mais.

Troy sorriu para ela. Seu sorriso de covinhas.

Samantha ergueu o polegar direito passando pela pequena cavidade que se formará no rosto dele enquanto sorria.

Seu dedo fez um movimento de vaivém sobre a pele dele.

Troy ampliou o sorriso, suas mãos descendo pela cintura da garota até chegarem a suas coxas. Pousando ali. Aumentando a pressão de seus dedos sobre o vestido que o separava da pele da garota.

Samantha levou as duas mãos para o pescoço dele, o enlaçando e puxando seu rosto para junto ao dela.

A boca dele se prendeu a sua. Os lábios macios se selando contra os dela. Sua língua explorava a boca dela de maneira sedenta, enquanto a garota retribuía com a mesma intensidade.

Troy virou-a a prendendo contra a parede. Suas mãos impulsionaram as pernas da garota para que ela enrola-se as em volta da cintura dele.

A vampira deitou a cabeça para trás ao sentir a boca de Troy traçar uma rota de sua boca até seus ombros.

Com a respiração ofegante Samantha subiu suas mãos pelas costas dele por baixo de sua camisa. Seus dedos se cravando na pele do vampiro.

Ela podia sentir todo seu corpo coberto por línguas de brasa envolvente.

Suas pernas apertaram mais seu quadril contra o dele. Todo o corpo do vampiro correspondendo ao dela. Assim como cada toque dele era altamente perceptível para ela.

Com uma das mãos Troy apoiava Samantha, enquanto a outra deslizava por todas as partes do corpo da garota que estavam ao seu alcance.

- Não sou o único culpado – murmurou ele, a voz rouca contra a pele da garota, fazendo-a estremecer. - Na verdade, a maior parcela da culpa é sua.

Samantha soltou um riso, também rouco.

- Não me importo realmente em levar a culpa. Só acho que você está preocupado demais quando deveria aproveitar o pouco tempo que temos.

Ela sentiu os lábios dele se desenhando em um sorriso enquanto deslizava de seus ombros para sua nuca, subindo por seu pescoço e se instalando ao lado da boca da vampira.

- Posso resolver isso rapidamente – disse ele por fim.

Samantha sorriu, antes da boca dele se colar contra a dela novamente.

Apertou mais seus dedos sobre a pele dele, sua mão subindo por suas costas explorando seus músculos definidos. Podia sentir Troy também empenhado em explorá-la, as mãos do vampiro descendo por debaixo do tecido do ombro de seu vestido.

Um ofegar rápido. Um xingamento baixinho. E em seguida um:

- Que diab... – a frase morreu no ar.

Samantha mal teve tempo de se soltar de Troy quando Damon o pegou pelo pescoço jogando-o contra a parede do outro lado da sala.

Um punho afundou no rosto do loiro antes que ele pudesse se defender.

Damon já levantava a mão para acertá-lo do outro lado do rosto, quando Troy o impediu afastando-o sem grandes esforços. O loiro tinha mais experiência na área de ser vampiro.

Samantha finalmente recuperada, com as bochechas escarlates correu segurar o irmão.

Damon rosnou.

Troy franziu a testa a ajeitando a camisa. Seus cabelos bagunçados e sua boca um tom mais avermelhado que o comum. O corte feito pelo punho de Damon em seu rosto, já estava cicatrizando.

- Olha Salvatore, eu sou contra a violência - com um suspiro longo o loiro começou mais calmo do que qualquer um conseguiria depois de levar um murro. - Sou da paz. Portanto não quero briga, e também sei que Samantha não ficaria contente em ter que apartar uma briga nossa. Sem contar, que depois ela daria um de seus ataques de fúria e iriamos ser dois vampiros mortos, ou perto disso. Sei que ela é sua irmã, mas olha eu não vou magoá-la. Acima de tudo ela é minha amiga, e dou mais valor a ela do que você se quer imagina. Quero protegê-la tanto quanto você. Quero ajudá-la. Quero ficar ao lado dela para que quando ela precise eu esteja lá.

Damon bufou tentando soltar-se dos braços da irmã:

- E para protegê-la precisa bancar o desentupidor e ainda tentar deixá-la sem roupas? – pediu irônico.

- Isso foi uma escolha feita por mim e por ela, não estou obrigando-a a nada – Troy defendeu-se.

- Ela é apenas uma garota. É meu dever protegê-la. Não deixarei que canalhas como você a enganem.

Foi a vez de Samantha bufar:

- Damon, fico feliz por você se importar comigo, porém eu sei defender-me sozinhas de canalhas. Acontece que Troy não é um deles. Foi escolha minha estar com ele.

- Você não sabe o que diz maninha. Não sabe nem como reconhecer um canalha.

Samantha revirou os olhos:

- Ah, claro, isso vindo de quem se apaixonou por Katherine Pierce.

Damon estreitou os olhos encarando-a:

- Quer saber? Quer quebrar a cara quebre – disse o moreno soltando-se da garota com um solavanco e saindo pela janela.

Samantha suspirou:

- Damon espere – disse lançando um olhar significativo para Troy e partindo atrás do irmão.

¨¨¨¨¨¨¨¨

- Damon – voltou ela a chamar, alcançando o irmão e o segurando pelo ombro. – espere. Desculpe-me. Fui grosseira, como sempre sou a maior parte do tempo. Mas me perdoe. E que é... Difícil para mim também, Katherine me tirou tudo. Tirou-me até mesmo você e Stefan quando eu mais precisei de vocês. É difícil ver você sofrendo por ela. Doí ver você sofrendo por ela – disse sincera.

Damon virou o rosto a fitando nos olhos, mas nada disse.

Samantha continuou:

- Eu não quero perdê-lo novamente. Não, sabendo que logo terei que me afastar de você. Já perdi muito e não quero perder mais nada. Mas não posso ficar sem Troy. Ele é muito importante para mim. Perto dele me sinto... Segura, protegida. Preciso dele perto de mim. Preciso muito dele perto de mim. Não me entenda mal, não estou falando de Troy como namorado, estou falando como amigo. Porque é isso que ele significa para mim acima de tudo. Na verdade não acredito realmente que eu e Troy sejamos a pessoa certa um para o outro. Ele ama muito outra pessoa, e não creio que ela deixará de amá-la. E sabe o que mais machuca? – sorriu sem humor – fui eu quem a tirei dele, mesmo sem saber. Eu o fiz sofrer. E ele nunca me culpou, ao contrário, sempre ficou ao meu lado. Tudo o que eu quero é que ele seja feliz, não precisa ser necessariamente comigo. Pois mesmo que eu goste de ficar com ele o mais importante para mim é ter a amizade dele. Pode parecer confuso, mas eu nunca me entendi direito. Nunca compreendi direito meus próprios sentimentos, Damon. Eles me confundem, me enganam. Foi assim com Greg, eu até hoje não sei definir o que sentia e ainda sinto por ele. Com você e Stefan é fácil, é natural. Eu os amo e ponto final. Vocês são como meus sentidos, olhos, ouvidos, nariz, tato, e paladar. Vocês me ajudam a admirar tudo o que a vida tem de melhor. Greg era como algo novo, algo novo que me encantava profundamente, mas que me foi tirado cedo demais. Já Troy é como meus pés, minhas pernas, ele me mantém de pé. Tendo ele perto de mim, independente se for como amigo ou algo mais eu sei que posso seguir em frente que ele estará do meu lado sempre que eu precisar. Só quero que você compreenda, Damon, que você e Stefan sempre serão essências em minha vida e que eu os amo infinitamente.

Damon não havia desviado os olhos dela, permanecendo o tempo todo em silêncio.

Os poucos andantes que passavam pelos dois os encaravam. Samantha ficou feliz por não ter que ficar na cidade para ouvir os boatos que circulariam sobre ela.

Os olhos de Damon estavam pregados na irmã de uma forma estranha. Dois oceanos agitados, perturbados.

- E deveria aprender a ignorá-la... – começou ele. – Mas simplesmente, por mais que eu tente não consigo. Por que não consigo agir com você da mesma maneira que ajo com qualquer outro? – seus olhos se estreitaram confusos.

Samantha sorriu. Um sorriso que somente Damon e Stefan sabiam como invocar. Somente eles possuíam o direito de apreciá-lo.

- Não me iludo com sua fachada de indiferença. Eu aprendi a conhecê-lo. Aprendi a ler as entrelinhas que você esconde em cada gesto, cada palavra, cada sorriso... Cada olhar. Afinal, é para isso que serve os irmãos. Podemos brigar, nos desentendermos, fingir que nos odiamos, mas isso nunca será duradouro, pois uma hora ou outra aprendemos a lidar com nossas diferenças, uma hora entendemos que por trás de cada desentendimento existe um porque, seja preocupação, medo, uma tentativa de alerta. E o que leva a este porque é a importância, e a importância é movida pelo amor. E uma junção de tudo isso é o que define ser irmão.

Os olhos de Damon cintilavam mais do que nunca, o azul hipnotizante contrastado pelos fios de cabelo negro.

Ergueu o polegar levando-o até o rosto da irmã, roçando-o de leve nas bochechas da garota.

- Gostaria de voltar a ser seu único super-herói.

Samantha sorriu:

- Não se preocupe, este cargo só possui um lugar, e já está ocupado por você.

Com um ultimo sorriso a garota se inclinou nas pontas dos pés, passando os braços em volta do pescoço do irmão, abraçando-o com força.

As lágrimas foram automáticas. Escapavam pelos olhos dela escorrendo por toda a extensão de seu rosto até caírem sobre os ombros de Damon.

- Desculpe-me por tudo. Desculpe-me por continuar precisando de você. É só que... Eu sinto... Tanto... Sua falta e a de Stefan ao meu lado... Como sempre foi.

Damon por um momento hesitou, mas acabou por abraçá-la também, pousando sua cabeça sobre a da irmã e fechando os olhos:

- Você sempre foi complicada.

A garota não conseguiu retrucar, um pequeno soluço lhe escapou:

Damon a segurou pelos ombros afastando-a o suficiente para que ela o encarasse:

- Hey, está parecendo uma garotinha chorona.

- Damon, eu sou uma garota.

- Você é uma Salvatore. – Retrucou, ele, como se ela houvesse esquecido algo óbvio.

Samantha soltou um meio termo entre risada e soluço:

- Seus olhos também estão brilhando mais do que o normal.

Damon riu irônico:

- Sinto em decepcioná-la maninha, mas o problema está em você, e não em mim. Suas vistas devem estar fracas.

A garota revirou os olhos:

- Meus olhos não me enganam, Damon. Eu sou uma vampira.

- Sua taxa de vampirismo deve estar muito baixa.

Samantha riu:

- Ou você está amolecendo.

Damon inclinou as sobrancelhas:

- Está me confundindo com Stefan, maninha?

O rosto dos dois subitamente ficaram sérios.

Damon bufou.

- Se você quer ter a honra de minha companhia para ir buscar o Salvatore perdido, acho bom ir logo antes que eu desista.

Samantha assentiu:

- Já conversei com Troy, iremos hoje mesmo.

Damon revirou os olhos:

- O Garoto de Ouro irá junto?

- Damon, já conversamos. E você implica com Troy, mas gosta dele, até arranjou um apelido bonitinho, não ofensivo.

O vampiro riu irônico:

- Apelido bonitinho? Não sabia que tinha passado essa impressão, mas sem problemas tenho varias alternativas...

- Ok, ok esquece isso. Vamos deixar tudo resolvido para irmos atrás de Stefan

- Mas tente não se esquecer de que suportar o Garoto de Ouro não quer dizer que eu me importo se uma estaca for fincada em seu coração.

Samantha fez uma careta, mas se esforçou para ignorar o comentário. Não era necessário botar mais lenha na fogueira.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Continua...

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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Sab Ago 18, 2012 9:41 pm

Capítulo 49 – Simples lembranças marcantes
Se perguntassem para Samantha como foram as quase três semanas de viajem até chegarem ao lugar em que Damon havia visto Stefan por último, provavelmente ela não saberia responder. Foram longas e ao mesmo tempo curtas.
Logo depois de ter voltado para casa com Damon, ela e Troy começaram os preparativos para a viagem. A casa foi comprada pelo mesmo homem que havia vendido a eles. É claro com uma pequena dose de compulsão usada por Troy.
Depois de deixarem tudo preparado, e terem se alimentado, partiram.
Troy como sempre ignorava todas as implicâncias de Damon, somente sorrindo como resposta, o que deixava Damon mais propenso a irritar-se com ele.
Samantha implicava com Damon por ele implicar com Troy. Damon somente sorria vendo a reação da irmã.
Apesar de tudo, nenhum deles poderia negar que a viajem foi divertida.
Nova Orleans, Luisiana, Estados Unidos, ali estavam eles.
Damon havia os levado até um casarão estilo francês. Ornamentado por altos pilares.
O sol estava alto ainda quando chegaram. Damon foi direto empurrando as grossas portas de madeira. Com um rangido as portas se abriram.
Era um lugar agradável e de bom gosto. Mobília de requinte distribuída pelo cômodo de modo a proporcionar conforto.
Nenhuma barreira impediu Damon de passar pela porta. Samantha e Troy entraram em seguida a ele.
- O antigo Stefan provavelmente teria no mínimo trancado a porta. Se bem que o antigo Stefan também não era fanático por um drink a modo “La mujer” – o moreno comentou inclinando uma das sobrancelhas.
A vampira bufou enquanto observava um dos quadros da parede.
- Exatamente por este motivo estamos aqui. Viemos abdicar o que é nosso. Eu quero meu Stefan. Meu irmão – a voz da garota não demonstrava nenhuma hesitação.
- Estamos aqui por motivos diferentes, maninha. Você quer bancar a alma caridosa, e eu estou apenas esperando na arquibancada para ver qual lado ganha.
Em uma fração de segundos vários movimentos se seguiram sucessivamente.
Os olhos de Samantha se estreitaram de maneira perigosa. Seu rosto se virou de maneira lenta para Damon. E em seguida ela já prendia o irmão pelo pescoço contra a parede.
A testa do vampiro se vincou surpreso. Os olhos da garota queimando de encontro aos do irmão:
- Abaixe as barreiras, Damon. Elas são inúteis contra mim. As conheço muito bem, são as mesmas que uso. E também lhe conheço muito bem, não tente fingir que não sente. Você tem sentimentos.
- Isso não significa que faço uso deles. Caso não saiba, maninha, nós vampiros...
-...Possuímos a capacidade de bloquear todo e qualquer sentimento – terminou a frase por ele. – Tolice. Podemos ignorá-los, mas nunca deixar de sentir. Duas coisas facilmente confundíveis, porém, totalmente diferentes. E impossível deixar de sentir, ninguém possui essa capacidade. A única coisa possível é escolher ignorá-los. Até mesmo humanos podem optar por fazer isso. Mas você mesmo está se iludindo. Você sente. Você se importa. E está aqui pelo mesmo motivo que eu.
Damon sorriu de lado:
- Diz tudo isso com muita convicção para quem afirma nunca ter bloqueado sentimentos.
- Não vejo o ar, porém posso senti-lo. Conheço minha mente. Conheço todos meus defeitos e todas minhas qualidades. Sei como funciona minha mente sem precisar acionar qualquer dispositivo de covardia e medo. Pois é isso que é. Continue fingindo não se importar e passarei a chamá-lo de covarde.
Os dois globos azuis se estreitaram. Dois pedaços de céu, contra a mais quente lava de vulcão.
Troy os observa perplexo.
Um movimento periférico chamou a atenção dos três.
E mais uma vez, antes que qualquer um se desse conta do que estava acontecendo, Samantha já havia soltado Damon e prendia contra a parede a loira que havia surgido.
A mulher, ou mais precisamente dizendo, vampira, pois suas presas abriam caminho entre seus lábios de tom rosado. Os cabelo de um loiro mais ouro do que o de Troy, caia em forma de cachos perfeitos pouco abaixo de seu ombro. As bochechas salientes e os olhos como chocolate quente derretido.
Por trás das veias que distorciam as feições, Samantha podia perceber que ela era bonita.
- Quem é você? Onde está meu irmão? – a garota começou o interrogatório, sua voz autoritária.
A outra vampira revirou os olhos, com um movimento ágil, e sem esforço soltou-se da garota que a segurava. Invertendo suas posições.
- Docinho, caso não tenha percebido você está na minha casa. As perguntas aqui, quem faz sou eu – seus traços vampiros já haviam sumido. Um sorriso de alerta brincando em seus lábios.
Troy se aproximou rapidamente, segurando pelo ombro a loira que mantinha Samantha presa. Sem machucá-la, apenas um sinal de alerta:
- Olha – começou – não gosto de bater em mulheres, sejam elas vampiras ou não, mas se você machucá-la serei obrigado. Então por favor, solte-a.
Damon soltou uma gargalhada estrondosa, mas seu comentário foi interrompido:
- Hum estou tendo uma visão? Uau o que é isso? – comentou a vampira lançando um olhar sugestivo para Troy. – Mamãe caprichou em loiro? E ainda por cima cavalheiro. Mas vamos ao que interessa, não use seus sermões contra mim, use-os contra a loirinha esquentadinha. Ela que quis atacar-me em minha própria casa. Afinal – voltou o rosto para encarar Samantha – quem é você?
Com um puxão forte Samantha se soltou da vampira. Troy se afastou da outra loira também.
- Samantha Salvatore, e suponho que você seja Alexia Branson.
- Tinha que ser Salvatore. Mas sério? Salvatore, uma garota Salvatore? Uma garota Salvatore que aparenta ser tão sem escrúpulos quanto o irmão mais velho. Cruzes. O pai de vocês era o que? Santo só pode.
Damon sorriu de lado:
- Suas provas de amor me comovem Lexizinha. Não sabia que me tinha em tão alta estima.
Lexi bufou.
- Desde quando vocês tem irmã?
Samantha lançou um olhar fulminante para o irmão:
- Típico. Odeiam admitir que possuem uma irmã que amam. Sabe como é: homens – a garota comentou em tom casual.
Lexi vincou a testa:
- Com certeza uma Salvatore.
Samantha sorriu:
- Sem duvidas Salvatore. E para variar, a única mulher da família – completou firme.
Lexi sorriu analisando a garota:
- Humm, sabe? Achou que estou começando a gostar de você.
Damon bufou revirando os olhos:
- Claro isso que dá juntar a maquiavélica número um com a maquiavélica número dois. Tanto uma como a outra só possui a aparência de inofensivo.
Troy riu:
- Cuidado Damon, as condições hoje não estão a seu favor.
- Calado Garoto de Ouro, vá procurar um arco-íris sorridente.
- Hey, hey, hey – Samantha interviu fazendo sinal com as mãos para que parassem – bandeira branca, por favor. Bandeira branca.
- Olha quem diz: a princesa da paz. Não é mesmo maninha?
Samantha ignorou o comentário voltando-se para Lexi:
- Onde está Stefan?
- Aprendendo que humanos não são somente uma taça de vinho. – Vendo a expressão confusa de Samantha prosseguiu, fazendo sinal para que a seguissem. - Venha comigo.
Samantha a seguiu, juntamente com Troy e Damon.
Seguiram por um longo corredor, onde os dois lados da parede era adornado com belos quadros. Viraram a direita passando por uma porta branca para depois descerem uma escada modelada em pedra bruta.
Outro corredor, este mais escuro que o primeiro e úmido.
Pararam de frente a uma porta grossa.
Lexi tirou um pequeno molho de chaves do decote de seu vestido. Colocou a chave em seu lugar e girou uma vez, antes de voltar-se para Samantha:
- Essa é a única forma que conheço de ajudá-lo – girou a chave outra vez, destravando-a e dando espaço para que Samantha passasse.
A garota se adiantou para frente empurrando a porta e adentrando o cômodo fracamente iluminado, que lembrava a um quarto vazio, a não ser por uma cadeira provençal, feita em uma madeira grossa e escura, presa ao chão. Nela estava Stefan. Seus pulsos presos à cadeira por correntes.
A vampira engoliu em seco ao ver o irmão. Seu rosto se retorcendo em uma careta de dor.
Ele estava fraco. Devia fazer no mínimo quatro dias que estava ali. O simples movimento de erguer a cabeça para encará-la foi feito de forma lenta e sôfrega.
- Você? Você de novo?... Você de novo não - as palavras soaram fracas, porém venenosas.
Samantha as ignorou. Sem se dar conta, sem ter o mínimo de controle sobre sua reação correu quebrou o espaço que a separava do irmão. Envolveu seus braços ao redor dele deitando sua própria cabeça sobre o cabelo dele.
- Psiu... Psiu... Vai ficar tudo bem – murmurou, algumas lágrimas lhe escapando e pousando sobre os fios de cabelo do irmão. – Estamos juntos novamente. Ficará tudo bem.
Stefan se debateu inutilmente tentando afastar-se dela:
- SAIA, SAIA DAQUI – Sua face estava distorcida, as presas aparecendo.
Samantha o soltou, somente para abaixar seu rosto para encará-lo. Sua mão indo até o rosto do irmão e o segurando:
- Não vou embora. Não antes de vê-lo bem. Portanto se for seu desejo ver-se livre de mim precisa querer melhorar.
Seus dedos alisavam delicadamente as veias que se salientavam pelo rosto do irmão.
- Vamos lá Stefan, você consegue. Você é mais forte do que isso.
- VÁ EMBORA.
- Pare de bancar o garoto mimado Stefan. Deixe de birra. – Damon reclamou entrando no quarto junto com Troy e Lexi.
- Vamos Stefan, tente. Tente acalmar-se. Diga Damon, diga que ele consegue. – A garota pediu.
Todos os olhos, com exceção os de Samantha, fitaram Damon.
O vampiro pareceu surpreso, hesitou por um momento, seus olhos indo e vindo entre a irmã e o irmão.
- Vai lá, Stefan. Samantha já ameaçou me chamar de covarde, se eu sou covarde imagina você o que será.
- Tirem-na daqui – Stefan grunhiu.
-Stefan você só precisa se concentrar. Vamos lá. Respire calmamente, puxe o ar e solte o novamente de forma suave – a garota prosseguiu. Seus dedos ainda bailando sobre a pele do irmão.
- VÁ EMBORA.
- Vamos Stefan, você consegue. Não preocupe-se em querer me matar. Vai por mim, a fila para isso já está bem grande. Concentre-se somente em ser mais forte. Só se concentre em ser você. O verdadeiro Stefan.
- NÃO A QUERO AQUI.
- Desculpe-me Stefan isso não é questão do que você quer ou deixa de querer. E ora essa, não devo estar tão repugnante assim. Estou limpa, cheirosa e meu vestido esta incólume.
Troy encarava a garota, o desespero dela visível. Prendeu seus próprios pés no chão impedindo-se de arrastá-la para longe dali.
- Stefan, vamos lá. Olhe – as presas da vampira apontaram para fora, seus olhos assumindo um tom avermelhado, as veias de seu rosto se destacando de forma idêntica as de Stefan. – Viu? Somos iguais. Você pode controlar também. Acompanhe-me. Puxe o ar pelo nariz, solte-o pela boca. Lentamente. Calmamente. Imagine um riacho correndo, aquele mesmo em que costumávamos nadar. Concentre-se no barulho da água. Siga-o, fixe-se a ele. A água vai acalmá-lo. Vai trazer de volta o verdadeiro Stefan. Vai Stefan, esforce-se. Você consegue.
- Garota seu irmão tem um descontrole maior do que jamais vi. Isso não irá ajudá-lo – Lexi a alertou.
Samantha não desviou os olhos para olhá-la. Suas feições voltando ao normal:
- Ele é meu irmão. Eu sou a culpada disso tudo. Devo isso a ele. Vamos Stefan...
Damon bufou, com velocidade inumana foi até Stefan, afastando Samantha dele e o segurando pelo pescoço:
- Sem enrolação Stefan. Sabe muito bem que ela não vai desistir enquanto você não mandar essa cara de buldogue com diarreia embora.
Nenhum movimento. Apenas a tensão. Tensão essa densa o suficiente para ser cortava com uma navalha.
Samantha colocou-se de pé. Seus olhos brilhando em desafio:
- Ok, vamos lutar. Lexi solte-o. Seu problema é comigo não é mesmo Stefan? Pois bem, vamos resolvê-lo. Pode me socar a vontade. Não reagirei. Mas no final terá duas alternativas: ou trazer o verdadeiro Stefan de volta por vontade própria, ou o trarei a força. E você além de levar uma surra, vai levar uma surra de uma mulher... Sua irmã... Mais nova. Seria constrangedor.
Todos a encaravam, enquanto ela encarava Stefan. Damon o soltou, afastando-se um pouco.
- Não. – Troy quebrou o silêncio. – Há outros meios. Não permitirei que use este, Samantha.
- Troy...
- Não. Não ficarei aqui assistindo você se fingir de saco de pancada.
- Troy...
- Desista – disse firme.
- Solte-o, Lexi – a garota pediu, virando-se para a outra vampira.
Ela não teve tempo de se esquivar. Quando deu por si Troy já a segurava de costas para ele.
- Largue-me Troy.
- Não, a não ser que você desista desta tolice.
- Troy estou falando sério.
- Por acaso eu disse eu que estava brincando?
- Hum – Damon os interrompeu – gostei de ver Garoto de Ouro. Admito que estou impressionado.
- Então como vai ser? – o loiro pediu contra a nuca da vampira, ignorando o comentário de Damon.
Samantha não respondeu de imediato.
- Ok, tudo bem. Agora me solte.
- E o que me garante que você não fará nenhuma idiotice?
- Lexi está com a chave. Preciso dela para soltar Stefan, Troy.
O vampiro encarou Lexi.
Ela sorriu:
- Relaxa loiro, já aprendi a não cair no joguinho dos Salvatore.
Troy hesitou, mas por fim soltou Samantha.
Samantha cerrou o maxilar. E pasmando a todos, foi para um dos cantos do quarto, ajeitou o vestido e sentou-se no chão.
Damon inclinou uma das sobrancelhas:
- Meditando, maninha?
- Irei fazer companhia a Stefan. Vamos fazer uma dietinha básica, nem eu nem ele beberemos sague, até ele deixar de ser um tolo covarde. Podemos criar uma dupla Stef: irmãos uva passa. O que acha? Preparado para minha agradável companhia? Prometo-lhe que o irritarei de todas as formas possíveis. Vai ser divertido.
Damon bufou. Troy e Lexi piscaram apáticos.
- Isso é demais. Para mim basta. Quem quiser ficar que fique, mas eu tenho coisa melhor para fazer do que aturar maluquices. Se precisarem de mim procurem onde estiver a diversão. Eu sou a diversão. Eu sou a festa – Lexi disse, enquanto ia para a porta e desaparecia.
Samantha olhou em direção a Troy e Damon:
- Vocês dois podem subir. Do contrário minha ideia da dupla vai toda água a baixo.
Damon sorriu de lado lançando um último olhar para irmã antes de virar-se para a porta:
- O que acha Garoto de Ouro? Quanto tempo o psicológico de Stefan sobrevive a Samantha? Vamos fazer uma aposta? Se eu ganhar você manterá suas patas para sempre longe de minha irmã, e seu eu perder... Ah bem, eu nunca perco.
Troy hesitou encarando Samantha. A vampira fez sinal afirmativo tentando tranquilizá-lo.
Ele hesitou, mas acabou por seguir Damon para fora.
¨¨¨¨¨¨¨¨
As primeiras horas passaram de forma monótona. Samantha não disse nada, muito menos Stefan, sendo que o último exibia no rosto uma expressão de extrema revolta, mesmo fazendo de tudo para ignorar a presença da irmã.
Depois a vampira narrou a mesma história que contara a Damon, omitindo também as mesmas partes.
Stefan não exibiu sinal de que se importava com qualquer coisa vinda dela.
As horas continuaram passando de forma lenta e cansativa. A noite chegou silenciosa. Troy tentara varias vezes em vão convencê-la a alimentar-se. Damon também, de sua maneira, mas tentou. A garota não deu ouvidos nem a um nem a outro, mesmo com sua garganta já queimando.
Ela não cedeu. Nem as tentativas de persuasão do irmão mais velho e de Troy, nem a sua sede, e muito menos ao azedume de Stefan.
Tentou tirar o irmão de sua total falta de comunicação de vários modos, cantarolou, assoviou, e estava rodopiando pelo quarto escuro, quando começou a falar sem pausa:
- Olha que ironia Stef. Quando eu era humana nunca consegui chegar nem perto de ter os requisitos necessários para ser uma dama. Agora que sou vampira Troy tem me ensinado várias coisas. Por incrível que pareça ele conseguiu ensinar-me a valsar de forma perfeita, e até piano aprendi a tocar, é claro não tão bem quanto você e ele, mas juro que não quebrei nem um cristal. Vocês não poderão chamar-me de gazela de pata quebrada, porque claro nunca fui uma gazela, porém agora mais do que nunca estou longe de ser uma. Mas eu também não sou uma completa dama, porém isso acredito que nunca serei. Assim como não sou uma completa vampira. Continuando, também não sou totalmente bruxa, e agora, muito menos sou humana. Isso me confunde. Então o que eu sou? Um pouco de cada? Ou nenhum deles? Você me acha estranha Stef? Quero dizer, sei que não sou normal, mas qual é meu grau de estranheza? – a vampira tagarelava sem parar, de vez em quando somente parando para encarar o irmão. – Acha que tenho concerto Stef? Porque, por exemplo, algumas vezes falo demais, outras de menos. Agora por exemplo acredito que deveria estar falando de forma mais pausada para você se expressar também. Acha que estou falando demais, irmão? Quer dizer alguma coisa? Fique à vontade. É muito bom se expressar. Devemos fazer isso, sabe? Expressar-nos digo. Deixar bem claro nosso ponto de vista e contra argumentar. Porque é bom contra argumentar. Contra argumentando alcançamos resultados mais satisfatórios. Todos possuímos direitos. E eu me vejo no direito de esclarecer minhas opiniões e dúvidas. E você Stef quais são suas dúvidas? Sente-se oprimido por suas dúvidas? É, porque quando tenho dúvidas não consigo ficar tranquila até solucioná-las. Não gosto da “dúvida”, sabe? Prefiro a certeza, ela é mais concreta. Gosto de coisas concretas, bem definidas, claras. Então quando tenho uma dúvida...
- POR QUE ESTÁ AQUI? – Stefan interrompeu-a, seu maxilar cerrado, suas mãos fechadas em punho.
Samantha parou de frente para ele, sorrindo.
- Ora essa Stef, seu raciocínio é mais desenvolvido do que isso. Faça perguntas em que a resposta já não esteja mais clara do que uma tarde de verão.
- SAIA DAQUI... POR FAVOR, SAIA DAQUI.
Samantha ampliou o sorriso, dando um pulinho e batendo palmas:
- Assim que eu digo, Stef. Assim mesmo. É exatamente disto que estou falando. Coloque emoção nas palavras. Expresse-se, desabafe. Ahn, aliás, um ponto para mim. Samantha 1x Stefan 0 – completou com uma piscadela e um sorriso de lado.
- DEIXE-ME EM PAZ.
- Isso, isso. Com mais força. Assim: DEIXE-ME EM PAZ SAMANTHA. VÁ EMBORA. SUMA DAQUI. DESAPAREÇA. VÁ EMBORA. EU TE ODEIO, VOCÊ ACABOU COM MINHA VIDA. – A garota gritava fazendo gestos com a mão, por mais que tentasse esconder, estava visível que aquilo a machucava.
Stefan ficou em silêncio, sua expressão pela primeira vez se suavizando. Duvidoso, confuso. Seus olhos se prenderam na irmã, como se quisessem radiografá-la.
Samantha percebendo sorriu. Desta vez de forma meiga, dócil:
- Isso deixa o jogo em: Samantha 2 x Stefan 0. Minha interpretação foi excelente não acha? Minha amostra de emoção está bem afinada. Mas você ainda tem chances de virar o jogo Stef. Basta que mande este Stefan covarde embora e traga meu Stef de volta. Se fizer isso automaticamente a vitória será sua.
Stefan continuava a encará-la. A palavra “odeio” que ela dissera anteriormente para referir-se a si mesma, de certa forma soava forte demais.
A vampira sentou-se no chão defronte a ele. Sua voz assumindo um tom suave, compreensivo:
- Há algumas horas atrás Stefan, eu disse a Damon que ninguém, nem mesmo nós, possuí a capacidade de desligar sentimentos. Repito isso a você. Ignorar não é como desligar. Ignorar é sentir, mas fingir não dar importância. Isso não significa que não irá doer. Desligar é apagar, e sentimentos não podem ser apagados. Quando me vi sozinha, sem saber nem mesmo o que eu era, sem saber o que fazer comigo mesma, com o corpo de Margareth sem vida ao meu lado, eu quis deixar de sentir. Quis muito deixar de sentir. Quis não dar importância. Quis muito isso. Mas pensei comigo mesma: vale a pena? Onde fica meu orgulho? Meus valores? Querendo ou não, não se importar é covardia. É fugir de algo que deveríamos encarar. Eu sei que doí. Sei por experiência própria, mas ninguém irá julgá-lo, nem eu nem Damon. Não o culpamos. Quem sou eu para culpá-lo pelo que quer que seja? – pediu sorrindo sem humor - E Damon é Damon poxa. Mesmo fingindo que não ele se importa com você tanto quanto eu, e se preocupa também. Sabemos que não foi exatamente você que fez aquilo com nosso pai. Sabemos que não era de seu desejo fazer aquilo. Eu fiz o mesmo com Margareth, e lhe garanto que não tem um dia que eu não penso “eu deveria ter me controlado, eu deveria ter me esforçado mais”. Doí Stefan sei disso, mas precisamos continuar em frente. Você precisa ser forte. Eu lhe peço perdão por tudo que lhe causei, mas peço que, por favor, Stefan volte a ser o antigo Stefan. Não precisa ser por mim, até se você não aceitar meu pedido de desculpa tudo bem, apenas melhore por você mesmo. Vamos lá Stefan, religue.
Stefan não piscava, seus olhos fixos na irmã. Seu rosto assumindo uma expressão diferente.
- Eu não vou desistir. Eu não vou desistir Stefan, enquanto não trazê-lo novamente – a vampira falou de forma baixa, mas com determinação.
Há certas coisas que nem a ciência e nem a Igreja conseguiram até hoje chegar a um conceito concreto. O amor é uma delas. Digo amor porque acredito que todo e qualquer sentimento é derivado dele. Até mesmo o ódio, pois para chagarmos ao ponto de odiar alguém há um motivo muito forte por trás disso, que leva direta, ou indiretamente ao amor.
Aquela garota sentada de frente ao irmão podia ter muitos defeitos, porém o amor que nutria por seus irmão era algo indiscutível, inesgotável. Isso estava claro em seus olhos, seu sorriso. Em sua mão pairando no ar hesitante em tocar o irmão.
As imagens foram surgindo sem aviso prévio na mente de Stefan. Um passeio em uma tarde ensolarada. Um jogo de pique-esconde. Um susto bem planejado. A risada estardalhosa da garota enquanto passava em disparada em seu cavalo ultrapassando os irmãos.
“Hey Stefan, já reparou? Nossos nomes possuem a mesma inicial.”
“Stef caso o pai expulsar a mim e a Damon de casa você irá com nós não é mesmo?”
“Stefan qual dos dois vestidos acha que fica melhor? Damon disse que se for para usar em casa ele prefere o vermelho, mas se for para sair é para eu ficar com o lilás, pois o vermelho é muito decotado. Ele é tarado, aparenta algumas vezes esquecer que somos irmãos.”
Primeiro somente a sombra de um sorriso apareceu no rosto cansado do vampiro.
“Stefan, Stefan, Stefan, corra aqui Stefan. Olhe a mamãe pássaro está ajudando o filhote a dar seu primeiro voo.”
O sorriso se firmou no rosto do vampiro, neutralizando suas feições.
“Não quero que isso seja apenas da boca para fora Stefan, eu quero que você prometa que aja o que houver você vai ficar do lado de Damon, mesmo quando ele disser para você se afastar. Prometa Stefan. Prometa de coração.”
Uma luz se ascendeu por trás dos dois globos verde carvalho. Uma umidade repentina apossando-se deles.
Lembranças. Lembranças que por mais simples que sejam nunca podem ser facilmente esquecidas. Momentos simples, gestos simples, palavras simples, sorrisos sinceros. Quando acompanhados daquilo que denominamos “amor” transformam o que era para ser algo qualquer em momentos únicos, inesquecíveis. Momentos esses que simbolizam o verdadeiro sentido da vida. Lembranças poderosas. Lembranças capazes de corroer o mais forte dos corações e iluminar a mais completa escuridão. Momentos capazes de encher o mais vasto vácuo. Capazes de calar o mais falador dos seres, e fazer falar o mais calado. Momentos... Momentos. Simples momentos de valor incalculável.
Foram eles, aqueles simples momentos que trouxeram de volta o brilho por trás do verde carvalho. Foram eles que indicaram o caminho de volta por entre a escuridão. Eles preencheram o vazio. E juntamente com uma garota atrevida, mandona, muitas vezes irritante, estranha, de fases, orgulhosa trouxeram de volta ao lar quem estava perdido.
Sentimentos nunca são apagados, eles continuam lá, apenas esperando por algo forte o bastante para despertá-los novamente. Lembranças fortes o suficiente para despertá-los novamente. E ali estavam elas. E ali estava ele novamente. Ali estava Stefan. Ali estava Stef. Pois acima de todos os defeitos da garota sentada no chão a frente dele havia uma coisa de valor sobrepujante... Aquela garota era sua irmã. Sempre seria: sua irmã.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Continua...
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Re: Brilho Eterno [Dedicada p/ Vaanny e Keroll]

Mensagem por Den!se ;D em Sab Set 01, 2012 9:09 pm

Capitulo 50 - Jogo
A lua crescente brilhava no céu negro. Um vento fraco soprava enquanto uma coruja se fazia ouvir ao longe.
Stefan e Samantha, sentados sobre o telhado da casa, perdiam-se em seus próprios pensamentos.
Depois que o vampiro rendera-se novamente a sentir, foi fácil para a garota convencê-lo de que ele possuía escolhas, mesmo sendo um vampiro.
E para a total alegria da irmã ele escolheu tentar controlar-se, decidindo-se por alimentar-se de sangue animal.
Samantha o estava acompanhando nessa nova dieta, mesmo repudiando-se com sangue animal. Ela ainda sentia-se culpada pelo que o irmão havia se transformado, e acreditava que desta forma podia redimir-se. Então seus últimos três dias foram passados a base de sangue animal.
Stefan, sentado a sua direita, brincava com os dedos da mão da garota, enquanto ela deitava a cabeça descansadamente nos ombros do irmão.
Ela não podia negar que era bom ter um pouco de paz de vez em quando, especialmente quando se está acompanhada das pessoas que ama. Damon, Stefan e Troy, agora eram tudo o que ela possuía, os únicos que podia chamar de família, pois Troy de certa forma também fazia parte deste grupo. Ele era muito mais do que amigo ou namorado, era uma parte essencial para a alegria dela.
- Como foi que encontrou a mim e a Damon na primeira vez? – Stefan interrompeu o silêncio.
A garota sorriu:
- Os lobisomens são bem úteis quando estão em desvantagem.
- Então eles existem mesmo?
- Sim. E por incrível que pareça são mais ranzinzas do que eu. Estressam-se pelo simples fato de mandá-los colocar o rapinho entre as pernas e sumir.
Stefan riu:
- Isso não deve ser nada ofensivo para eles, não é mesmo? – perguntou irônico ainda rindo.
- Ahn, talvez o fato de tê-los chamado de “Au-Au”, contribui para tanta antipatia. Mas também, não me julgue, ainda não me esqueci da reação do Lockwood para comigo.
- Lockwood? O que ele tem a ver com isso, Samy?
- Eles eram uma linhagem de lobisomens. Porém para serem lobisomens completos precisam ser responsáveis pela morte de alguém. E o Sr. Lockwood sabia sobre meus pais e não me classificava exatamente como amiga.
Stefan soltou um assubiu surpreso:
- Era bom quando ignorávamos todas essa realidade que agora conhecemos.
Samantha assentiu:
- Só que eu uma hora ou outra seria obrigada a conhecê-la, Katherine só fez o desfavor de piorar.
A expressão de Stefan assumiu um tom de mágoa:
- Eu não acreditava que ela fosse capaz disso.
- Ela era boa atriz. E vocês homens sinto muito minha sinceridade, mas quando estão apaixonados são piores do que cego em tiroteio. Não é de se duvidar que esqueçam até mesmo o próprio nome.
- Também não é assim, Samy – protestou ele.
- Claro que é Stefan, vocês perdem a noção. Vocês não tem um pingo de intuição. Ficam se derretendo por qualquer rabo de saia.
- Ela não era qualquer uma.
- Tem razão, ela era a pior de todas. Um rabo de saia com presas de acompanhamento.
Stefan não respondeu mais nada.
Samantha esperou em silêncio por alguns minutos antes de perguntar:
- Você acredita que ela esteja mesmo morta?
O vampiro não respondeu de imediato.
- Katherine? Não acredito que eles a deixariam escapar.
Samantha suspirou.
- Pensei que a odiasse – Stefan comentou vendo a reação dela.
- Sim. Mas isso vai complicar a situação. Me obrigará a fazer uma viajem até o inferno.
Stefan franziu o cenho confuso:
- O que a leva a pensar isso?
- Ameacei Katherine de que me vingaria, nem que fosse necessário ir até o inferno.
- Ela já está morta, Samantha, esqueça-se disso.
- Não me peça para fazer o impossível, Stefan. Farei questão de cumprir minha ameaça. Mas não acredito que ela será tão difícil de ser cumprida.
- Por quê?
- Katherine era uma vaca sem coração... – se interrompeu pensando por um momento - esqueça a parte da vaca tenho dó do animal. Mas o fato é que não posso negar que ela era/é esperta. Não acredito que esteja morta.
O vampiro cerrou o maxilar sem dizer nada.
- Da próxima vez serei eu a escolher alguém que mereça você e Damon – a garota continuou. - Se alguém querer ter algum de meus irmãos irá precisar de meu consentimento.
Stefan suavizou a expressão sorrindo:
- Diga isso a Damon que ele terá uma resposta na ponta da língua.
- E eu estarei esperando por ela. Ninguém mandou vocês nascerem com o dedo torto e uma total falta de intuição.
O irmão chacoalhou a cabeça sem saber o que dizer. Por fim perguntou:
- E o tal de Troy?
Samantha riu:
-Por favor, Stefan, não tem nada que você possa usar contra Troy. O caráter dele é tão cristalino quanto seus olhos. O único problema dele é não ter defeitos e, tentar proteger-me de forma exagerada.
- Não, não – Stefan continuou. – Não foi isso que quis dizer. Eu só queria éh... Bem o que existe entre vocês dois?
Samantha piscou por um momento, suas bochechas ganhando pinceladas de um rosa forte:
- Troy é algo especial – começou. - Em primeiro lugar o vejo como amigo, mas isso acabou evoluindo. Mas não sou eu a dona do coração dele. Ela chegou bem antes de mim.
-E onde ela está?
- Um dia eu quero saber a resposta para sua pergunta. Ainda quero encontrá-la.
Stefan pareceu confuso:
- Você quer encontrá-la? Não lhe entendo Samy. Você não gosta de Troy?
- Gosto Stefan. Demais. Porém a amizade dele para mim já é o suficiente.
- E se a outra aparecer? O que acontecerá?
- Primeiro provavelmente ela terá vários motivos bem cabíveis parar querer matar-me. Mas se eu sobreviver não irei desistir do que me pertence. Ela pode ocupar a posição de namorada. Esposa até, quem sabe. Mas a posição de amiga é minha por direito, e isso ninguém nunca será capaz de tirar-me.
- Você fala como se fosse normal ela querer matá-la – o vampiro resmungou.
Samantha sorriu:
- Stef já lhe disse, mas da metade do mundo sobrenatural gostaria de ver-me como tapete de fronte a lareira.
Stefan murmurou algo inaudível, até mesmo para a vampira.
- Não acredito que Troy deixaria quem quer fosse encostar um dedo em você.
Samantha estranhou o fato de Stefan estar falando aquilo:
- Por que diz isso?
- A forma que ele te olha, não sei, é como se... Como se estivesse preparado para segui-la até mesmo nos lugares mais obscuros. Como se estivesse prestes a jogar-se na sua frente para impedir quem quer que fosse de machucá-la.
A garota ficou com o olhar vago por alguns instantes. Seus pensamentos distantes.
- Eu não sei explicar. Não sei explicar Stef. Ele é algo que não sei como explicar. Um anjo, um amigo. Alguém que necessito comigo. Sempre. Eu também estaria disposta a fazer qualquer coisa por ele, assim como por você e Damon.
O irmão sorriu;
- Eu preciso agradecê-lo. Agradecê-lo por ter cuidado de você.
A vampira esticou a mão bagunçando o cabelo do irmão. Um sorriso brincando em seus lábios carmim.
- Samy?... Posso lhe perguntar uma coisa? – o vampiro inquiriu repentinamente nervoso.
- Diga.
- Éh... Bem... Áh... É algo... – começou, seu nervosismo evidente - Algo digamos... pessoal, você... você e ele...
- Won não Stefan, por favor – a garota se levantou levando as mãos aos ouvidos. – Não acredito que você está perguntando-me isso – seu rosto banhado em vermelho. – Não termine de fazer está pergunta, por favor.
Stefan assentiu, tão constrangido quanto ela, ou até mesmo mais.
- É só que... você é minha irmã Samy, e isso é estranho, porque... Bem – o vampiro também começava a corar – eu sempre a verei como alguém a quem devo cuidar. Minha irmã mais nova. Minha irmãzinha.
Samantha revirou os olhos, destampando os ouvidos:
- Ora Stefan, eu sou ela também, sempre serei, apenas carrego comigo várias “Samantha’s”. Assim como você carrega consigo vários “Stefan’s”.
- Vários Stefan’s? Já descobriram onde fica o planeta natal de Tefinha? – uma nova voz os interrompeu.
Antes de Samantha se virar Damon já a havia puxado para seu colo, sentando-se no telhado também.
A garota se assustou com o puxão repentino e fez uma careta para o irmão.
- Sim irmão, descobrimos. Do mesmo planeta que eu e você – respondeu ela usando o mesmo tom irônico.
- Quanta ironia, maninha.
A garota bufou:
- Olha quem diz.
- O que quer dizer com isso? Eu falo somente a verdade, não estava sendo irônico – Damon se defendeu.
Stefan fez pouco caso da discussão dos irmãos, somente meneando a cabeça de um lado a outro.
Damon pegou uma das mechas do cabelo da irmã, enrolando-a com os dedos.
- E então? Estão planejando um novo ataque contra coelhinhos indefesos?
Samantha deu-lhe um cascudo:
- Sem brincadeiras sobre nosso cardápio, a não ser que queria testá-lo.
O moreno sorriu de lado:
- Quem sabe em minha terceira vida. E você, maninha, deveria voltar a seus antigos hábitos, seu humor está pior do que antigamente, se é que isso, e possível.
Stefan pareceu desconfortado.
A garota revirou os olhos:
- É bom testar coisas novas. E mudando o rumo da conversa para algo que de preferência não envolva sangue ou coisas do tipo, o que acham de jogarmos algo para nos distrairmos? Como nos velhos tempos. Desta vez podemos fazer duplas, dois contra dois, Lexi pode ser a juíza.
- Vou avisando que não quero choradeira quando a dupla adversária perder – Damon advertiu-os.
- Não seja precipitado, Damon, o que lhe garante que sua dupla irá ganhar? – Samantha interrompeu-o.
Damon fingiu pensar:
- Minha incrível habilidade de ganhar sempre – disse convicto.
A vampira soltou uma gargalhada:
- Ok, vamos fazer uma aposta. Eu jogarei contra você, se minha dupla ganhar você está proibido de fazer qualquer piada contra minha dieta e a de Stefan, e também deixará Troy em paz – a garota colocou-se de pé com a mão estendida para o irmão mais velho. – E então? Aceita?
Damon a encarava, e Stefan os observava.
- Onde estão meus beneficio? – Damon, perguntou estreitando um dos olhos – Quando, repare que disse quando e não “se”, eu ganhar você se afasta do loiro.
- Não, isso não é algo que se possa apostar.
- Está com medo de perder maninha? – perguntou em tom de desafio.
A garota estreitou os olhos:
- Medo é uma ilusão que cria barreiras impedindo-nos de prosseguir. Garanto-lhe se eu possuir isso nunca lhe contaria e muito menos deixaria visível. Portanto, prepare-se para perder.
- Eu sempre ganho.
- Seu sempre está prestes a deixar de existir – retrucou ela com uma piscadela.
¨¨¨¨¨¨¨¨
Samantha e Troy contra Damon e Stefan. Lexi era a juíza.
Depois de achar Troy, que estivera se alimentando, Samantha e ele foram até a clareira que combinará com Stefan e Damon de encontrá-los juntamente com Lexi.
A vampira não quis perguntar onde é que eles haviam arranjado a bola para o jogo. Sabia que não era de um modo que poderia ser considerado a favor das leis.
O jogo começou equilibrado. Troy era mais ágil, mas não possuía tanta pratica no jogo como Damon, que passará tardes incontáveis jogando junto com os irmãos. Mas Samantha era boa o suficiente para deixar o jogo justo. Desde que o irmão lhe ensinara o jogo, que era uma espécie de futebol americano, a garota havia passado diversas tardes jogando, mesmo naquela época suas habilidades não sendo tão favoráveis quanto eram agora.
Damon se divertia com o jogo, não era todo dia que ele possuía a chance de tentar arrancar fora qualquer parte do corpo de Troy ao seu alcance.
Foi este motivo, que obrigou Stefan a trocar de lugar com Troy. As desculpas para Damon querer arrancar fora a cabeça do próprio parceiro eram mais escassas.
Mas ele não deixou de tentar argumentar que tanto Troy quanto Stefan não eram grandes parceiros, principalmente pela aposta envolvê-los também de uma forma que se beneficiariam se Samantha ganhasse, mas conforme ele próprio dissera ele era autossuficiente para ganhar sem a ajuda de quem quer que fosse.
¨¨¨¨¨¨¨
Samantha deu um encontrão brusco com Damon, os dois caindo, mas não antes da vampira conseguir lançar a bola, fazendo mais um ponto.
- Há, há, há, mais um – a garota foi até Stefan batendo na mão que ele lhe estendia.- E os Salvatore mais novos continuam na frente – completou com uma piscadela.
Stefan sorriu.
Damon bufou:
- O jogo ainda não terminou, maninha, ao contrário, está apenas começando. E as chances dele virar são grandes.
- Desculpe-me, mas não irei perder. Não gosto de perder, então prefiro esforçar-me para ganhar. Espero que não fique triste com a derrota eminente.
A garota sorriu de forma descarada enquanto sem esforço algum se adiantava para Damon e tomava novamente a bola, que ele havia acabado de recuperar, das mãos dele.
- Hey irmão estou decepcionada, esperava por um desafio maior – disse virando-se para encará-lo e jogando a bola no ar, fazendo-a dar uma cambalhota e a pegando novamente. – Constrangedor, perdendo para a irmã mais nova. Uau quem diria que as poucas semanas entre a minha transformação e a sua seriam o suficientes para me deixar mais ágil, não é mesmo? Muito útil. – Completou, com uma replica perfeita do sorriso de lado que Damon costumara usar.
A garota estava tão entretida com Damon que acabou por não perceber a aproximação de Troy.
Quando se deu conta ele já havia roubado a bola das mãos dela passando-a para Damon novamente.
Troy riu baixinho puxando a garota, ainda surpresa, para si:
- Ainda há alguém mais rápido por aqui Samantha - disse erguendo-a pela cintura e selando rapidamente seus lábios aos dela.
Samantha piscou, buscando manter o equilíbrio e impedir que suas pernas cedessem de vez ao sentir seu corpo repentinamente tão perto ao do loiro.
O loiro cambaleou para o lado, quando Damon arremessou a bola com toda a força contra a cabeça dele.
Samantha não se deu conta instantaneamente do ocorrido. Ainda estava aérea. Quando voltou a si, virou-se para Damon:
- Hey, Troy não é se adversário.
Damon sorriu de lado, satisfeito:
- Estamos em um jogo, não podemos dar ao luxo de nos distrairmos. Joguei para que ele pegasse se não pegou o problema e todo e unicamente dele.
A risada de Lexi soou de longe.
A loira estava sentada no galho de uma das árvores que rodeava a clareira:
- Olha que máximo, Damon Salvatore com ciúmes da irmãzinha. Que coisa meiga.
- Por que não vai botar bobes no cabelo, Cachinhos? – Damon retrucou.
Lexi riu indiferente ao comentário dele:
- Vamos fazer um acordo? – não esperou resposta. – Eu pego o loiro e você tem sua maninha de volta.
- Por que os dois não param de perder tempo com coisas impossíveis e voltam à atenção ao jogo? – Samantha os interrompeu. – E Lexi, você chegou tarde, sinto muito, mas uma loira na vida de Troy já é o suficiente, e adivinha? Essa vaga é minha. Desista.
- Possessiva Salvatore? – a vampira mais velha perguntou, divertindo-se.
- Só cuido do que é meu por direito.
Lexi soltou outra gargalhada.
Troy sorriu ao lado de Samantha, envolvendo novamente seus braços ao redor da cintura dela:
- Humm, gostei disso – sussurrou contra o pescoço da vampira.
A garota revirou os olhos, sentindo-se arrepiar:
- Não se acostume, Troy.
Troy virou-se para Stefan:
- Ela sempre foi assim?
- Sendo sincero, ela está bem dócil ultimamente – Stefan respondeu, sorrindo. – Ao menos se compararmos a algumas crises que ela costumava dar quando humana, sendo a principal quando descobriu que Damon havia achado seu diário e escondido.
Damon fez uma careta com a lembrança:
- Ela teve a audácia de colocar pó de mico em minha cama, isso tudo sem eu não ter nem conseguido abrir o diários dela – comentou olhando incrédulo para a irmã.
Samantha soltou uma gargalhada:
- Você não tinha o direito de sequestrar a Di.
- Eu não consegui nem abrir aquela coisa.
- Claro, acha mesmo que eu iria deixa-lo destrancado?
- Di? – Troy perguntou confuso.
- Era o nome do meu diário – a vampira respondeu dando de ombros.
Foi a vez de Damon gargalhar:
- Como sempre criativa não é mesmo maninha? Por que será que ela escolheu “Di” adivinha, adivinha, cuidado que essa é difícil. Hã já sei “Di” de abreviação de “Diário”. Você é um gênio miniatura de Salvatore – o moreno zombou fazendo sinal de positivo para a irmã mais nova.
- Ao menos fiz diferente do que a grande maioria costuma usar. E caso não saiba irmão: altura não é o suficiente para definir minhas capacidades.
Troy soltou um riso baixo, murmurando de forma quase inaudível:
- Ranzinza.
Samantha boquiabriu-se, encarando-o:
- Traidor. E ainda por cima um traidor desqualificado. É tão difícil assim decorar? O anãozinho da estória era Zangado. Zan-ga-do. E não ranzinza.
- Você que quis associar a palavra ao anão, eu não mencionei essa parte – Troy defendeu-se abrindo as palmas da mão em sinal de defesa, mas seu sorriso deixando claro que era exatamente aquele o significado por trás da palavra.
- Olha, e não é que existe um cérebro por trás dessa bagunça cor de ovo – Damon disse de forma maldosa.
Troy bufou sem dar importância ao comentário do moreno.
- Sabe, eu realmente prefiro vocês dois um contra o outro – Samantha esclareceu lançando um olhar de acusação para ambos.
Stefan riu, indo até a bola que ainda estava jogada no lugar em que foi parar depois de Damon tentar arrancar a cabeça de Troy:
- Cuidado, Samy – disse ele – é bom tratar Troy melhor, ao menos enquanto Lexi estiver por perto – terminou ele, jogando a bola para a irmã que esticou os braços pegando-a no ar.
- É isso aí – Lexi voltou a gritar – não vou mandar o loiro embora se ele quiser se esquentar na minha cama.
Samantha virou-se para Lexi, mas não pode deixar de perceber Troy corar. Riu interiormente. Os olhos do vampiro ganhavam mais destaque do que já possuíam ao contrastar com a pele corada.
A garota adiantou-se alguns passos em direção a Lexi, encarando-a, seus olhos estreitando-se de forma perigosa, enquanto jogava a bola de uma mão para a outra:
- Desista, Lexi, estou guardando Troy para uma ruiva. Não há mais vagas disponíveis. A única que restava não está mais disponível. Como disse a pouco: agora é minha.
A vampira se preparava para jogar a bola contra Lexi, quando sentiu seus pés afastarem-se do chão.
Damon a levantara do chão, segurando-a sobre seu ombro:
- Tenha ciúmes de algo melhor maninha. Para que se importar com o Garoto de Ouro se você tem a mim?
- Damon, coloque-me no chão – pediu autoritária, mas não era fácil ser levada a sério quando se está de cabeça para baixo com o cabelo caindo sobre o rosto.
- Ora, maninha, caso não tenha percebido você não possui autoridade sobre mim.
- Mas tenho autoridade sobre meu corpo – grunhiu, debatendo-se.
- Não neste momento.
- Largue-me, Damon.
- Não seja estraga prazeres, você sabe que tem sorte.
- Sorte? Onde está minha sorte nisso?
- No fato de estar sendo carregada por mim – respondeu o moreno, presunçoso.
A garota bufou, mas não conseguiu evitar um sorriso:
- Damon, agora é sério, coloque-me no chão. Segurar-me deste jeito não vai evitar para sempre o fato de eu e Stefan estarmos ganhando de você e Troy.
- Vocês roubaram.
- Aceite os fatos, não tente contorná-los.
- Então a Vovó de presas roubou.
- Ao contrário de você, Salvatore, eu sei contar muito bem – Lexi os interrompeu.
- A conversa ainda não chegou na Cacholândia para estar se intrometendo. Sei contar tão bem quanto sei que você é mais velha que a vovó Salvatore Lexizinha.
- Mais uma palavra e você vai saber como é ser um vampiro sem presas – Lexi ameaçou.
- Hey, hey – Samantha interviu. – paz é bom de vez em quando. E Damon, solte-me.
Damon sorriu de lado:
- Irei soltá-la, para no caso da Cachinhos Psicótica resolver cumprir o que disse eu ter como defender-me.
A garota sentiu seus pés tocaram o chão novamente.
Sua testa se franzindo, enquanto passava seus olhos de Damon para Troy repetidas vezes:
- Vocês dois – disse apontando para eles – joguem justo. O próximo que me... Ahn... – a vampira sobressaltou-se, ao sentir novamente seu corpo ser levantado – você também não, Stefan.
- O que dizia, Samy? – perguntou sorrindo, segurando-a nos braços.
- Onde é que fica minha liberdade? Poxa, não sou boneca de...
A garota parou a frase pela metade. Seu rosto assumindo uma expressão estranha. Uma careta que podia ser reconhecida como dor.
- Samy? – Stefan a encarava preocupado, enquanto a colocava de volta no chão.
A garota assentiu, seu olhar vago.
- Acho que... vamos ter que parar o jogo por aqui. Lembrei-me... de algo que... preciso terminar. – Seus olhos buscaram os de Troy, trocando frases mudas por um segundo, antes de a garota sorrir nervosa e com um aceno disparar para fora da clareira.
¨¨¨¨¨¨¨¨
Troy a alcançou, segurando-a pelo ombro e virando-a para que ela o encarasse.
O rosto da garota estava transfigurado pela dor.
As mãos foram até o rosto dela, segurando-o com delicadeza:
- O que aconteceu? – sua voz não passou de um sussurro suave, preocupado.
A vampira tremia. Afastou-se alguns centímetros do loiro e estendeu os dois braços para que ele visse.
O vampiro arfou.
A pele do antebraço da garota havia se rasgado de dentro para fora. Um tipo de corte que indicava ter sido causado por um nível de queimadura forte o suficiente para cortar a pele.
- Como... Como... – fosse o que fosse que o vampiro iria perguntar a frase morreu no ar. Suas mãos estendidas segurando a parte do braço da garota livre de cortes.
- Primeiro senti uma forte pontada, como na ocasião que você me ensinava a bloquear minha mente – disse ela, sua voz fraca. - Depois senti meu sangue de certa forma... Ferver... em sentido literal – a garota segurava-se para não ter uma crise histérica. – O que é isso Troy?
Os olhos de Troy brilharam preocupados de encontro aos dela. O vampiro molhou os lábios antes de dizer;
- Suponho que eles estão te procurando. Estão tentando saber sua localização por meio de magia. Os venator não podem ser encontrados por nenhum feitiço localizador. Resumindo, sua parte venator, venatrix, quer mantê-la escondida, mas sua parte vampira quer impedir a parte venator de assumir o controle. O veneno das duas raças entra em colapso, um não aceita o outro e isso lhe causa isto – terminou desviando os olhos para os braços dela.
A vampira abriu e fechou a boca sem conseguir dizer nada. Seus olhos brilhavam de forma indefinida, uma umidade apossando-se deles.
- Então... Então... Eles já podem saber onde estamos?
Troy meneou a cabeça de um lado para outro:
- Não sei lhe dizer. Isso depende se seu lado venator, foi forte o suficiente para apagar sua localização.
Samantha fez menção de dizer algo, mas simplesmente abaixou a cabeça fazendo uma careta de dor e sorrindo sem humor.
Troy ergueu o rosto da vampira, aproximando se dela e a envolvendo em seus braços. A garota afundou a cabeça em seu ombro.
Com delicadeza o vampiro levou a mão até o cabelo dela, massageando-os.
- Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem. Eu prometo – murmurou ele.
Samantha riu sem humor algum:
- Eu não posso ficar perto deles... Damon e Stefan. Estou colocando-os em perigo.
- Por que estaria colocando-nos em perigo?
Samantha se sobressaltou ao ouvir a voz do irmão mais velho.
Tanto Stefan como Damon encaravam a ela e a Troy.
¨¨¨¨¨¨¨
Continua...

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