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Love Never Dies

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Re: Love Never Dies

Mensagem por Dany_Salvatore em Sex Mar 16, 2012 9:20 pm

Maamy, quando vai tet mais???
Jah to com saudade da fic...
Nao demora muito viu.
Beijos!
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Dany_Salvatore

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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Sab Mar 17, 2012 12:00 am

Dany_Salvatore escreveu:Maamy, quando vai tet mais???
Jah to com saudade da fic...
Nao demora muito viu.
Beijos!

Filhota amr, bom te ver d nv! *-------------*
Hj tem mais amr, e talvez amanhã tb, fz esse correndo pq estava demorando mt pra postar, sorry.
Sendo assim, ñ está mt bom, mas espero q vc goste.
Bjins, amucê filhotaaa
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Keroll Salvatore

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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Sab Mar 17, 2012 12:07 am

Capítulo 52 - And The Game Begins (Part 1)
E Começa O Jogo





O moreno fechou os olhos em fendas quando o sol foi de encontro com o rosto pálido do mesmo. Seus olhos supersensíveis arderam levemente com a claridade repentina.

Damon estava na esquina da casa de Elena, olhando a breve movimentação nas ruas. Vizinhos curiosos poderiam vê-lo se tentasse escalar até a janela do quarto de Elena, o que só o deixava irritado. Além de não poder entrar do modo mais fácil, também era obrigado a andar de dia, coisa que o vampiro não apreciava completamente.

Caminhou com passos largos até a entrada da casa, ainda cuidadoso a cada mísero som ou movimento que o cercava. De certa forma, o vampiro estava em alerta-vermelho com toda aquela estranha situação.

Damon notou duas coisas simultaneamente enquanto girava a maçaneta da porta: A primeira era que havia algum tipo de rastro de poder ali, que não vinha dele e muito menos de Stefan. E a segunda foi a que o deixou ainda mais confuso: Uma respiração lenta no segundo andar da casa seguida por batimentos regulares.

O vampiro abriu a porta lentamente, ouvindo um ruído digno de filme de terror vindo da porta. Revirou os olhos pelo próprio pensamento. Desde quando o vampiro é que ficava cuidadoso enquanto entrava na casa de um humano?

Olhou ao redor, vendo se havia alguém no andar de baixo, mas apenas se deparou com o silêncio sepulcral. Deu de ombros, indo em direção às escadas e subindo-as vagarosamente.

No corredor, Damon pôde visualizar cada quarto. O mais próximo era o de Elena, mas não era necessário para o vampiro checá-lo. O quarto em frente ao de Elena sim importava.

Ele abriu a porta, deparando-se com um clarão rosa vindo das paredes. Era estranho para o vampiro estar ali novamente, como se fizesse séculos que ele não ia ali, e não somente horas.

Ele inclinou-se lentamente, pegando um ursinho em cima da cama da menina.

-Felpudo, hã? –disse dando um sorriso sem humor. - Logo você voltará para os braços da sua dona. Devo estar enlouquecendo, só pode. Falando com ursos de pelúcia! –bufou revirando os olhos enquanto saía com o ursinho nas mãos.

A respiração que ouvira antes vinha do final do corredor, mais especificamente do quarto de Judith. Damon caminhou a passos lentos até lá, sempre cuidadoso.

Poderia ser uma armadilha no fim das contas, como saber? Aquilo com que estavam lidando não era muito confiável.

Ele abriu a porta lentamente, empurrando-a. Ficou um tempo parado, apenas olhando cada detalhe dentro do quarto, procurando algo anormal. Como não encontrou nada que parecesse ameaçador, o vampiro entrou cautelosamente no cômodo.

A primeira expressão que fez foi de choque, seguida por alivio e depois por uma breve irritação.

Judith estava bem ali, dormindo tranquilamente em sua cama. Os cabelos bagunçados caíam livremente por sua face rosada enquanto ela ressonava baixinho.

Damon revirou os olhos. Ao menos ela estava segura. Menos uma com quem se preocupar.

Deu as costas à mulher adormecida, saiu do quarto e fechou a porta. Uma noticia boa para Elena: Sua tia problemática estava bem.

O vampiro tateou por instinto as próprias roupas, em busca do pequeno aparelho celular que sempre carregava consigo. Revirou os olhos ao perceber que havia o esquecido no bolso de sua jaqueta, que estava com Elena.

Ela teria que esperar agora.

Entrou brevemente no quarto de Elena, sentindo o odor floral dela por toda parte, deliciando-se. Caminhou até a cama da garota, vendo o diário em cima da mesma. Elena não se importaria se ele arrancasse uma folha, se importaria?

Dando de ombros, Damon destacou cuidadosamente uma folha em branco, pegou uma caneta, e imitando com precisão a letra de Elena escreveu:

Tia Judith, saímos cedo. Piquenique no parque com Damon, Margaret e Bonnie. Chegaremos a tempo do jantar, prometo. Desculpe-me não tê-la avisado com antecedência, Damon teve essa ideia ontem à noite quando me trouxe para casa. Achei que não se importaria. Qualquer coisa ligue-me.



Com amor, Elena.


Sorriu abertamente, satisfeito com o próprio trabalho. É claro que Judith não se importaria. Ela gostava dele, era óbvio.

Desceu as escadas de dois em dois degraus, indo em direção á cozinha. Poderia deixar o recado para Judith, caso esta acordasse antes que Elena chegasse em casa com Margaret, o que era extremamente provável.

Foi até a geladeira, pegando um imã e grudando o recado na mesma. Na certa, Judith o veria ali e talvez não se preocupasse tanto.

Saiu da casa tão rapidamente quanto entrou, lembrando-se de trancar a porta quando saiu. Judith certamente ficaria confusa, mas ele pouco se importava. Tinha mais a fazer do que virar babá de tia fujona. Afinal, não tinham provas de que Judith tinha sido realmente seqüestrada, tal como Margaret.

Naquele momento ele tinha prioridades: encontrar Margaret, Stefan, e acabar com certo demônio que ousava desafiá-lo. Três tarefas simples que ele planejava cumprir, e antes do próximo amanhecer.

O vampiro andou confiante pelas ruas de Fell’s Church, sabendo que em breve teria a vingança pela qual tanto esperava.

***

Aodh encarou longamente a loura que andava sem parar de um lado para o outro. Era irritante, ele admitia, mas o que mais poderia fazer? Tinha que se manter ocupado com alguma distração, do contrário era arriscado que tentasse fazer algo que atrapalhasse os planos de Vaanny.

Suspirou pesadamente, deixando-se tombar a cabeça para trás levemente enquanto fechava os olhos, sentindo o calor do sol. Não era tão bom para quem estava acostumado a viver nas sombras, mas era quase significante para ele.

-Eu já volto, prometo.

A voz do tal de Ryan atraiu a atenção do garoto, fazendo-o abrir os olhos rapidamente. Uma ideia perversa vindo à sua mente.

O castanho saiu rapidamente da casa, indo em direção ao carro estacionado perto da Ferrari de Damon. Aodh sorriu, caminhando a passos lentos em direção ao rapaz que mexia despreocupado no porta-malas.

Ele cantarolava uma canção qualquer num tom extremamente baixo, enquanto procurava alguma coisa.

-Onde foi que coloquei? –perguntou a si mesmo, revirando algumas coisas. –Achei!

Aodh viu quando o rapaz virou-se e quase gritou de susto ao vê-lo parado atrás dele, perigosamente perto, com um sorrisinho sádico nos lábios.

Quando Ryan viu que era apenas um garoto, relaxou os músculos em seguida.

-Caramba, cara! –fez uma careta. –O que você pensa chegando assim de fininho? Quer que alguém tenha um ataque do coração?

Aodh tombou levemente a cabeça para o lado, avaliando o rapaz.

-Perdoe-me, não foi minha intenção deixá-lo apavorado. –deu um meio sorriso cínico. –Achei que fosse mais corajoso depois de servir de lanche para um vampiro faminto. Se é que me entende.

Ryan arregalou os olhos enquanto abria e fechava a boca sem parar, sem conseguir compreender o que acontecia ali. Como aquele garotinho sabia? A menos que...

-Ah, entendi. –assentiu uma vez. –Vampiro, não é? Isso explica as roupas.

Aodh arqueou a sobrancelha.

-Como é?

-Damon também usa preto. Nunca entendi direito. Se bem que Keroll e Vicky também preferem cores escuras. Coisa de vampiros?

O moreno revirou os olhos, impaciente com aquela conversa irritante.

-Que tal isso: não me interessa.

-Você é bem mal educado para um garoto do seu tamanho. –Ryan apontou o dedo para o garoto à sua frente.

-E você é muito ousado para um reles humano normal. –retrucou numa voz assustadora. –Tem noção de que posso arrancar seu coração num piscar de olhos?

Ryan fraquejou, encarando o garoto mais atentamente, vendo as estranhas gotas vermelhas que pingavam dos cabelos negros dele. Ele não era um vampiro! Ele era...

-Aodh?! –Ryan deu um passo para trás tentando afastar-se da presença do demônio parado à sua frente, mas deparou-se com o carro impedindo-o de prosseguir.

O sorriso do garoto aumentou, seus olhos faiscaram de excitação.

-E ele provou que tem algum Q.I... –disse por fim, provocando-o. –Parece que Damon se enganou, não é? Confesso que quando vi você também não dava nada, mas pelo visto você fez o dever de casa...

Os olhos de Ryan continuavam arregalados enquanto tentava formular alguma frase coerente.

-Não fique tímido. –Aodh deu um sorriso encorajador. –Sei que muitos perdem a fala quando descobrem o que eu sou, então vou tornar tudo o mais agradável possível para você. Primeiro, sim, eu sou um demônio, mas vamos pular essa parte. Não quero que fique balbuciando ‘o que você é?’. É chato, se quer saber.

O castanho estava ainda mais confuso. O medo e o choque ainda impediam que o rapaz pudesse falar alguma coisa sem gaguejar.

-Segundo, eu sei que está querendo fugir, mas não perca seu tempo tentando. Eu te alcanço meio segundo depois de você sair correndo, então poupe o meu tempo e o seu e fique quieto. Sem falar é claro, que não adianta gritar pela sua namorada vampira. Ela não vai te ouvir. –deu uma piscadela. –E terceiro, mas não menos importante, a pergunta que está na sua mente desde que deduziu o que eu sou: Eu vou ou não te matar?

Ryan respirava em lufadas, tentando encontrar um meio de escapar daquele garoto, demônio, ou o que quer que ele fosse.

Aodh aproximou-se, vendo como o outro tentava escapar em vão, sabendo que tudo o que ele dissera era a mais pura verdade. Caso ele fugisse, seria muito fácil para Aodh alcançá-lo e tornar tudo ainda pior.

-O que vai fazer? –balbuciou o outro, vendo Aodh lançar-lhe um olhar sereno.

-Você sabe o que eu vou fazer. –disse simplesmente, dando de ombros. –Nem sei por que pergunta.

-Por quê?

Aodh o encarou longamente, parecendo pensativo por meio segundo.

-Por que eu vou te matar? –o rapaz colocou a mão no queixo, comprovando que estava pensando. –Bem... Porque eu gosto. –deu um sorriso sádico. –Porque você me irrita. Porque você é um passe para uma boa brincadeira. E... –ele se aproximou mais do outro, sussurrando. –Porque eu quero. Porque eu posso. E eu vou.

Ele avançou novamente, no mesmo instante em que Ryan pegou um pé-de-cabra rapidamente no porta-malas e tentava acertar o demônio com o mesmo.

Aodh revirou os olhos, olhando para o objeto de ferro com o qual o outro tentara acertá-lo.

-Um pé-de-cabra? Jura? Podia ser mais criativo.

A mão de Ryan parara no meio do caminho, fazendo com que o rapaz se assustasse. Ele não conseguia mover-se.

-Deveria passar mais tempo com a amiga morena da sua namorada. –Aodh deu um meio sorriso. –Ela conhece muitos truques meus, dentre eles... A Telepatia!

Ele disse a última palavra com assombro, reverência. Era claro que estava brincando com o outro rapaz à sua frente, apreciando o medo dele.

-E... O meu truque favorito... –Aodh encarou o outro profundamente. –Devorar almas.

Os olhos de Aodh assumiram um tom de vermelho profundo, enquanto as pupilas do mesmo pareciam dilatar-se e voltar ao normal ao mesmo tempo, meio que girando, prendendo a atenção do outro. Era impossível desviar o olhar naquele momento.

Uma áurea negra e pulsante envolveu o corpo do garoto, parecendo aumentar cada vez que ele se concentrava mais e mais.

De repente, Aodh ouviu o outro gritar, as chamas negras envolveram todo seu corpo, queimando-o aos poucos, extraindo dele tudo o que ele poderia oferecer à Aodh de poder, de vida. As labaredas engolfavam qualquer grito de dor que o mesmo poderia dar. Apenas Aodh conseguia ouvir, e ao mesmo tempo deliciava-se com aquilo. Era prazeroso para ele sentir aquilo.

O rapaz caiu ao chão, de joelhos, os braços abertos, urrando de dor. As chamas negras o envolviam completamente agora, queimando-o vivo. Os olhos viraram parte das chamas, assim como todo o resto. Num instante ele era parte das chamas negras, e os gritos não cessavam nunca.

Quando as chamas o consumiram por inteiro, deixando apenas cinzas, as sombras voltaram a unir-se à que cercava Aodh, transformando-se numa só novamente. Aodh tombou a cabeça para trás, como se respirasse toda aquela chama negra para dentro de si mesmo, absorvendo tudo o que ela havia extraído de Ryan.

Ela parecia ser obediente, entrando no rapaz enquanto ele expirava tudo.

Quando as chamas haviam desaparecido, Aodh deu uma leve tapa no ombro, tirando uma folha morta que havia caído, e suspirou. Belo café-da-manhã.

-Agora, fase dois.

Fechou os olhos, voltando a se concentrar.

O dia parecera ter parado enquanto ele se concentrava por um breve instante, abrindo os olhos em seguida com um sorriso triunfante pendurado nos lábios perfeitos.

Uma brisa suave varreu o local onde estava, levando para longe as cinzas do rapaz cuja alma havia sido roubada por Aodh. Apenas mais uma para ele.

Caminhou confiante de volta a casa, pisando forte nos degraus e suspirando antes arrumar a jaqueta, abrir a porta e entrar na mansão que servia de esconderijo a seus novos inimigos.

Continua...


Última edição por Keroll Salvatore em Sab Abr 28, 2012 12:31 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Ter Mar 20, 2012 4:07 pm

Vou jogar sujo com vcs agora. Twisted Evil Parece q a fic não está tendo os resultados desejados, portanto só volto a postar se tiver pelo menos dois coments.
Caso não, a fic ficará parada.
No
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Dany_Salvatore em Ter Mar 20, 2012 8:35 pm

NAAAAAAAO FAÇA ISSO SE NAO EU VOU MORRER Sad
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Den!se ;D em Ter Mar 20, 2012 8:41 pm

Maaaaaaaaana eu cheguei \o/
wonnn mana Damonzito sente tanta flata da mag que ta ate falando com o felpudo kkkk
Nosso baby nao esquece de nada kkkkkk deixou ate o aviso pra tia Judith
ixe Damonzito acha uma tarefa simples acabar com o AodhzinhO? aiaiai cuidado Damon o Aodh sabe ser esquentadinho
nossa que susto que o Ryan deve ter levado coitado s evirar e dar de cara com o Aodh kkkkkkkkkkk
OMG Aodhzinho quando quer assusta O.O
O Aodh ta revoltado kkkkkkk acho que isso tudo é saldade da Mag
God!! tadinho do Ryan
aaaaaaaaaa mana Aodh esta assustador, o que vai acontecer? ele vai matar todo mundo? O.O
nao demora mana, fiquei curiosa aqui,e nem pense em me deixar sem fic senhorita mana, ruuuummm onde ja se viu fazer ameaça de ficar sem postar, olha, olha vou fala rpra mamys que vc esta rebelde querendo matar sua irma do coração deixando ela sem caps pra ler, pode nao mana, eu smepre vou estar aqui babndo em cada caps novo \o/ e fazendo meu ego crescer cada vez mais de orgulho por ter a familia mais talentosa. Entao nem pense em me deixar sem caps mana, eu posso dmemorar pra vir comentar mas nunca vou abandonar aqui #fato
te amooo muito mana linda
estou com sdds, agora estou com menos trabalho na escola entao vou tentar entrar mais seguido no msn pra conversarmos pq ultimamente ta dificil ne? kkkk
bjao mana, estaria esperando por mais um de seus c
aps fabuloso[/font">s
s2
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Re: Love Never Dies

Mensagem por GS em Ter Mar 27, 2012 5:55 pm

OI NOVA FÃ NA AREA.
OLHA SUA FIC É LINDA,O ESTILO DELA É UNICO.
ELA É VICIANTE.ADORO AS MUSICAS Q VC POSTA NO INICIO DE CADA CAP.
E AGORA EU TO SUPER ANSIOSA PRA VER O Q VAI ACONTECER.BJS
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Vaanny em Ter Mar 27, 2012 6:33 pm

Olhaa que filhoota chantagista Shocked
que tenso filhoota... maldade fazer ameaças.
sabe que o controle emocional da sua mamis aqui é delicado, neh? hehe '
desculpe ainda não estar atualizada amr. sei que sou uma mãe desnaturada. /fato
mas vim aqui deixar bem visível meu coment pra vc nem sequer pensar numa loucura dessas.
kkk '
beijoos filhoota
Ps: poste mais! ordem de mãe, viu?
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Qua Mar 28, 2012 12:21 pm

Dany_Salvatore escreveu:NAAAAAAAO FAÇA ISSO SE NAO EU VOU MORRER Sad

Heei, nd de morrer hein filhota? Pode não! pale
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Qua Mar 28, 2012 12:27 pm

Respondo o restante dq a pouquinho, tá bom?


Última edição por Keroll Salvatore em Qua Mar 28, 2012 12:34 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Qua Mar 28, 2012 12:30 pm

GS escreveu:OI NOVA FÃ NA AREA.
OLHA SUA FIC É LINDA,O ESTILO DELA É UNICO.
ELA É VICIANTE.ADORO AS MUSICAS Q VC POSTA NO INICIO DE CADA CAP.
E AGORA EU TO SUPER ANSIOSA PRA VER O Q VAI ACONTECER.BJS

Oie GS (qual seu nome msm?), seja muito bem-vinda tá?
Desculpe a crise de escritora! Kkkkkk
Own, obg pelo carinho flor, fiquei babando aq!
Loguinho eu posto mais, tá bom?
Bjins, e obg pelo recado carinhoso e por acompanhar a fic!
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Qua Mar 28, 2012 12:42 pm

[size=18]wonnn mana Damonzito sente tanta flata da mag que ta ate falando com o felpudo kkkk
Nosso baby nao esquece de nada kkkkkk deixou ate o aviso pra tia Judith
ixe Damonzito acha uma tarefa simples acabar com o AodhzinhO? aiaiai cuidado Damon o Aodh sabe ser esquentadinho
nossa que susto que o Ryan deve ter levado coitado s evirar e dar de cara com o Aodh kkkkkkkkkkk
OMG Aodhzinho quando quer assusta O.O
O Aodh ta revoltado kkkkkkk acho que isso tudo é saldade da Mag
God!! tadinho do Ryan
aaaaaaaaaa mana Aodh esta assustador, o que vai acontecer? ele vai matar todo mundo? O.O
nao
demora mana, fiquei curiosa aqui,e nem pense em me deixar sem fic
senhorita mana, ruuuummm onde ja se viu fazer ameaça de ficar sem
postar, olha, olha vou fala rpra mamys que vc esta rebelde querendo
matar sua irma do coração deixando ela sem caps pra ler, pode nao mana,
eu smepre vou estar aqui babndo em cada caps novo \o/ e fazendo meu ego
crescer cada vez mais de orgulho por ter a familia mais talentosa. Entao
nem pense em me deixar sem caps mana, eu posso dmemorar pra vir
comentar mas nunca vou abandonar aqui #fato
te amooo muito mana linda
estou
com sdds, agora estou com menos trabalho na escola entao vou tentar
entrar mais seguido no msn pra conversarmos pq ultimamente ta dificil
ne? kkkk
bjao mana, estaria esperando por mais um de seus c
aps fabulosocolor=red]s2
Manaaaaaaaaaaa! \o/
Damon com sdds da Mag é realmente mt fofo mana!

Psé mana, nosso baby ñ deixa nenhuma ponta solta!
É melhor Damon tomar cuidado... Vai q Aodh cisma com ele? O.O
Imagina o susto né mana? KKkkkkkkkkkk
Aodh sabe ser malvado quando quer. #fataço
Saudade da Mag, será? O.o
Tb fiquei com peninha do Ryan. é3
Será q ele vai matar td mundo? Hm...
Desculpe-me pela crise de aspirante à escritora, mana. é3 Maus msm...
Bateu aquela insegurança, sabe como é esse negócio? rsrsrs
Own, obg pelo carinho mana, amooo mt vc!!!!
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Qua Mar 28, 2012 12:45 pm

Vaanny escreveu:Olhaa que filhoota chantagista Shocked
que tenso filhoota... maldade fazer ameaças.
sabe que o controle emocional da sua mamis aqui é delicado, neh? hehe '
desculpe ainda não estar atualizada amr. sei que sou uma mãe desnaturada. /fato
mas vim aqui deixar bem visível meu coment pra vc nem sequer pensar numa loucura dessas.
kkk '
beijoos filhoota
Ps: poste mais! ordem de mãe, viu?

#correndo
Maus mamy, deu crise, como falei pra Dê...
É, eu sei q foi maldade... Sorry...
Vc ñ é uma mãe desnaturada! RUM
Bjins mamy, e pode deixar q assim q der posto mais.
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Den!se ;D em Sex Mar 30, 2012 12:50 pm

maaaaaaaana cade mais? quero mais mana,nao pode desanimar nao, eu to aqui esperando ô \o/
nao demora mana rummm e nada de parar de postar
bjao mana te amo s2
e to morrendo de sdds Sad
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Sex Abr 06, 2012 3:11 pm

Capítulo 53 - And The Game Begins (última parte)
E o Jogo Começa





-Até que enfim deu o ar de vossa graça, Ryan. –Denise deu um tabefe de leve na cabeça do outro. –Tinha que demorar tanto? E cadê o tal CD que você ia me emprestar? Esqueceu não foi? Eu sabia!

O rapaz ficou confuso com o modo que a garota loura falava. Sempre rápido e direto. Não era algo tão comum de se ver. Ela era realmente uma tagarela chata.

-Desculpe-me Dê. –deu um sorriso estonteante. –Não encontrei.

-Tá, tá. Como se você conseguisse se lembrar de qualquer coisa, não é? Sem falar que aquele seu porta-malas é uma bagunça! –a morena baixinha revirou os olhos.

-Estão brigando por causa de um CD? –Vicky revirou os olhos. –Estamos a ponto de uma crise e vocês se preocupando com um maldito CD! Tinha que ser! Estou cercada de loucos.

O rapaz deu de ombros, olhando ao redor e deparando-se com Elena escorada em uma das poucas janelas. Deu um breve sorriso, caminhando até lá.

-Esperando por Damon?

A garota se assustou pela entrada repentina do outro, arregalando os olhos.

-Nossa, você me assustou! Não devia chegar assim!

-Desculpe-me. Não era minha intenção assustar você, só queria conversar. Você estava dormindo quando cheguei, não tive tempo de me apresentar. –ele estendeu a mão para ela, dando um sorriso. –Sou... Ryan.

Elena olhou em dúvida para a mão estendida dele. Ora, o que tinha de mais? Ele só estava sendo educado!

-Elena, muito prazer. –ela apertou levemente a mão dele.

-O prazer é inteiramente meu, Elena, acredite. –o sorriso dele aumentou enquanto virava a mão dela e depositava um singelo beijo.

A garota deu um sorrisinho breve, um tanto quanto surpresa pelo ato.

-Obrigada. –puxou levemente a própria mão, fingindo prestar atenção em algo lá fora. –Então... Namorado da Keroll, não é?

-Lanchinho das tardes livres, melhor dizendo. –escorou-se ao lado dela, também fitando algo lá fora. –Sou só a distração.

Elena pareceu surpresa, fitando o rapaz atentamente.

-Não parece se importar. –comentou.

-Eu deveria? –arqueou a sobrancelha. –Que outro motivo um vampiro teria para perder seu tempo com um humano qualquer? Convenhamos, eles podem fazer quase tudo, ter o que quiserem. Por que seriamos mais importantes do que lanches do fim-de-tarde?

Ela fez uma careta.

-Eu não sou um lanche para Damon. –rebateu. –Ele me ama.

-E você acredita? Sério? –Ryan suspirou pesadamente. –Pode até ser que ele te ame, mas você o divide com outra coisa que ele ama muito. E que nunca largaria por nada.

-E o que seria isso?

-O poder, minha cara Elena. Simples assim. –deu de ombros, como se não se importasse. –Se Damon tivesse a chance de escolher, qual acha que ele escolheria?

-A mim, é claro. –respondeu, já ficando irritada.

Ryan deu uma gargalhada, suspirando em seguida.

-Eu discordo. Acho que ele iria querer os dois, e tornaria o poder algo que você também amasse, assim, você iria com ele, e ele não teria que escolher entre nada. Coisa básica de gente egoísta.

Elena o encarou furiosa, fechando as mãos em punhos.

-Você não o conhece, não tem direito algum de falar dele!

‘Ryan’, pareceu não abalar-se com aquilo, dando um sorrisinho cínico.

-Ah, conheço sim. E como conheço.

-Não me interessa se ouviu alguma coisa sobre ele em algum lugar. Não me importa se você se acha o sabe-tudo sobre a vida de Damon. Deixe-me dizer uma coisa: você não sabe absolutamente nada sobre Damon Salvatore. –a loura deu as costas ao outro, realmente irritada com a ousadia que ele tivera em falar mal de Damon.

O rapaz a observou partir, rindo consigo mesmo. Aquilo realmente foi engraçado. Ele não sabia nada sobre Damon? Que resposta mais idiota! É lógico que ele sabia mais de Damon Salvatore do que o próprio Damon!

Deu de ombros, olhando atentamente o movimento lá fora, ou fingindo que prestava atenção realmente.

A conversa com Elena fora bastante divertida para ele, como tudo naquele dia prometia ser. As coisas estavam indo como o esperado afinal.

Agora só faltava Damon voltar para a diversão finalmente começar e ele poder agir como tanto queria. O que faria primeiro? Mataria ou apenas os faria de idiotas?

Poderia fazer os dois, quem sabe? Teria tempo de sobra até o anoitecer...

-O que deu em Elena afinal?

Um leve resmungo tirou-lhe de seus devaneios, fazendo-o encarar surpreso a ruiva que encostava-se ao seu lado. A tal bruxa, sem dúvidas.

-Não faço ideia. –disse simplesmente, ignorando-a.

-Ela sempre foi estranha mesmo. Se as coisas não acontecem do jeito que quer, sempre fica com raiva.

O rapaz a encarou, sem realmente apreciar sua companhia. Assentiu com a cabeça e voltou a prestar atenção em qualquer coisa lá fora. Que bruxa irritante.

-Não entendo por que Damon vive dizendo que a ama. Acho que ele merece coisa melhor, não concorda?

Ele voltou a encará-la, um sorriso sem humor formando-se em seus lábios.

-E a seu ver, esse ser superior certamente seria você, correto?

Bonnie corou violentamente, escondendo o rosto entre seus cabelos.

-Não disse isso.

-Mas obviamente pensou. –o outro rebateu. –Escute bem garota, e preste bastante atenção: se acha melhor que Elena, mas você nunca será melhor do que ela. Damon não quer você, e isso não vai mudar. –deu de ombros. –Você é apenas uma garotinha mimada para ele, e ainda por cima falsa, já que vive falando de sua ‘melhor amiga’ pelas costas. Ele só te atura por que você é útil, então pare de fazer drama e encher meu saco com sua vidinha ridícula de bruxa adolescente.

A ruiva irritou-se com aquilo.

-Quem pensa que é para falar assim comigo?

-Opa, opa, opa bruxinha! Foi você quem veio se lamentar e falar da sua vida para mim. Não tente me culpar agora por dizer umas boas verdades na sua carinha. –ele ergueu as mãos em frente ao próprio corpo, deixando as palmas para frente.

-Boas verdades? Boas verdades? Você... –ela fechou os olhos com força e apertou os lábios.

-Bonnie! –Denise gritou irritada do outro lado da sala. –Damon me pediu para ensiná-la o feitiço, e você está aí de papo furado com Ryan! Mexa-se antes que eu a jogue em um poço!

-Já vou Denise! Até por que cansei de tentar ser educada com esse daí. –saiu batendo os pés com força no chão.

Ryan/Aodh balançou a cabeça negativamente algumas vezes.

-Garotas nervosinhas. –comentou num tom baixo. –É por isso que prefiro ficar longe.

-Ah é, você fica muito longe.

Forçou um meio sorriso para a morena que se aproximava dele.

-Falava de Bonnie e Elena, não de você.

Ela assentiu, fazendo biquinho enquanto fechava os olhos levemente.

-Você e sua mania de julgar os outros.

Deu de ombros, não pretendendo prolongar a conversa. Diferente das outras, aquela garota poderia descobrir que ele não era exatamente Ryan, já que conhecia melhor o tal garoto. Precisava ser muito esperto, até mesmo no jeito de falar. Qualquer deslize poria fim à sua brincadeira de teatro.

-E Damon? –perguntou como quem não queria nada.

-Saiu. –disse a morena. –Mas por que a pergunta?

-Curiosidade. –disse simplesmente abrindo um sorriso.

Um estrondo foi ouvido do outro lado da sala, seguido por um grunhido.

-Desculpa Denise!

Bonnie havia feito o feitiço errado, obviamente. Caso contrário, Denise não estaria com os cabelos esverdeados.

-Que droga, o que tem de complicado em se concentrar? Era apenas para localizar o Ryan! E ele está do outro lado da sala!

Aodh arregalou os olhos por um momento, antes de voltar à sua fachada. Que grande imprevisto! Como aquela bruxinha iria achar Ryan, se tecnicamente ele estava morto?

-Bem... Denise... –deu um sorrisinho simpático. –Talvez ela tenha mais facilidade em encontrar pessoas com as quais já tem uma ligação. Você sabe, como amizade. Peça para Elena ficar em qualquer lugar da casa e mande-a procurá-la. Talvez dê certo.

Denise bateu o pé com força, negando veemente.

-Se ela conseguir encontrar alguém que não conhece, poderá encontrar qualquer pessoa. Então ela vai continuar tentando te sentir e ponto.

Ele trincou os dentes, visivelmente irritado.

Você vai mandá-la buscar Elena Gilbert.

Os olhos de Denise saíram de foco por meio segundo antes de a garota bufar, irritada.

-Acho que Ryan tem razão. Elena! Venha aqui! Você vai ser a cobaia!

Ele quase suspirou de alivio, mas estava ciente da garota parada a seu lado.

-Ficou tenso. –observou com os olhos castanhos semicerrados.

Ele deu um sorriso fraco.

-Não gosto de ser o centro das atenções.

-Ah é? E desde quando?

-Desde sempre.

-E desde quando se importa com as bruxarias de Dê?

-Desde que ela tentou me queimar. –respondeu com um sorrisinho irônico.

-E desde quando se irrita quando ela te usa?

-Virou interrogatório? –rebateu arqueando a sobrancelha. –Por que se for um, eu só falo na presença de um advogado.

Ela revirou os olhos, parecendo convencida.

-Por um momento achei que você não era você. –disse simplesmente. –Mas a idiotice é a mesma de sempre. Não deve existir mais de um idiota do seu nível.

Ele observou a garota sair lentamente.

Idiota? Ela o havia chamado de idiota? Ótimo, já tinha mais uma para sua lista. Se bem que ela já estava na lista, de qualquer maneira. A única diferença agora é que estava no topo dela. Que garotinha impertinente! Idiota!

O som de algo cortando o vendo ao longe atraiu a atenção do garoto que abriu um sorrisinho sádico enquanto suspirava.

A porta da frente abriu-se com brutalidade, revelando o tão esperado convidado do dia.

-Ninguém para me recepcionar, fiquei magoado.

***

Stefan aproximou-se lentamente da loura que estava sentada de pernas cruzadas. Parecia extremamente focada em sua meditação, mas ele sabia que ela tinha plena consciência de tudo que se passava a seu redor.

-Falta muito mais tempo? –perguntou quebrando o silêncio.

-Ainda é cedo, Stefan. Como Margaret disse, espere a noite.

Ela sequer abriu os olhos, mantendo-se de pernas cruzadas e focada em qualquer coisa.

-Não tem que fazer isso, sabe? Seja lá quais forem os motivos de Katherine para fazer isso, você não precisa.

Ela abriu os olhos lentamente, encarando-o.

-Não preciso?

O vampiro assentiu, encostando-se a uma árvore.

-Sim. Não precisa sacrificar pessoas inocentes. É errado, e lá no fundo eu sei que você sabe disso. Sacrificar uma criança e uma adolescente não é correto.

Ela o fitou profundamente.

-E se... E se eu não tiver escolha? E se eu apenas estiver tentando proteger alguém? –perguntou. –Seria certo deixar quem amo simplesmente morrer?

Stefan arregalou os olhos verdes por um momento. Como assim proteger alguém? Ela tinha alguém que queria proteger? Mas como? Ela era tão... Maléfica.

O rumo que a conversa tomara deixara Stefan extremamente confuso. Seria realmente possível que ela tivesse alguém a quem queria cuidar e proteger? Mas se fosse assim, essa pessoa deveria estar em perigo. Katherine seria capaz? Katherine teria Vanessa nas mãos?

Não, parecia algo surreal demais. Katherine não era mais forte que Vanessa, não podia ter alguém com que ela se importasse em suas mãos. Seria muito fácil para Vanessa resgatar a tal pessoa, se é que ela realmente existia.

O vampiro ficou calado, avaliando o que tinha acabado de ouvir, extremamente surpreso. De fato, aquilo não era nada do que ele esperava.

-Então... Você tem alguém que quer proteger. É isso? –a testa do vampiro franziu-se de confusão. Aquelas palavras pareciam surreais demais saindo de sua boca.

Ela deu de ombros.

-Todos nós temos alguém, Stefan.

-Mas alguém com quem você se importe? Parece meio estranho vindo de você, se quer saber. Isso não é algo que eu achei que você diria algum dia.

Ela o ignorou, voltando a fechar os olhos e se concentrar.

-Vaanny, eu posso ajudá-la. –tentou. –Não precisa machucar pessoas inocentes para salvar alguém que ama. Pense bem, essa pessoa iria gostar disso? De você matar? Eu acho que não.

Ela abriu os olhos novamente, suspirando.

-Você não consegue ajudar nem a você mesmo, Stefan. Então pare de oferecer ajuda. Já tenho quem me ajude e ele me ajuda há séculos.

Ele arqueou a sobrancelha, um tanto quanto confuso. Ótimo, agora tudo fazia menos sentido do que antes!

-Te ajuda... –ele assentiu. –Aodh, não é? É ele quem te ajuda.

-Ele me protegeu, mas não se importa com que eu quero cuidar ou não. –ela revirou os olhos, como se aquilo fosse óbvio para qualquer um. –Eu falo de outra pessoa. Assim como você, meu caro Stefan Salvatore, eu também tenho um trato com alguém. E não foi comigo que você fez o pacto, exatamente.

Os olhos verdes do rapaz pareciam ainda mais confusos do que antes. Do que ela estava falando afinal? O trato que fizera havia sim sido feito com ela. Ele mesmo vira quando ela cortou sua própria mão...

-Como assim? O que quer dizer?

Ela deu de ombros, um sorriso cínico brincando em seus lábios.

-Pobre Stefan, está aí uma coisa que ele não esperava. Não é? –ela arqueou a sobrancelha dourada. –Como pode acabar com esse trato, se ele não sabe com quem o fez?

***

Bran olhou profundamente para as irmãs brigando em meio à neblina. Não dava para acreditar na tamanha idiotice que estavam fazendo. Seria mesmo possível que elas não podiam manter-se quietas por um segundo? Um mísero segundo?

-Quietas! –gritou extremamente irritado. –Será possível que não podem ficar quietas?

As três pararam para olhar os dois irmãos que estavam caminhando lentamente até elas.

-Não manda em nós, Bran. –Lyana parecia irritada enquanto fuzilava o irmão com os olhos. –Não tente dar-me ordens, não é Aodh.

Ele revirou os olhos, vendo pelo canto do olho que Vougan parecia tenso com alguma coisa. Por que ele estava assim afinal? Logo iriam dizimar um bando inteiro de vampiros! Ele deveria estar pulando de alegria, mesmo sendo o mais chato.

-Mas eu trouxe ordens dele. –disse ignorando o irmão. –Ele quer que nos preparemos para uma festinha no mundo humano.

As três arregalaram os olhos para os irmãos.

-Festa? No mundo humano? Sério, Bran?

Ele revirou os olhos para a irmã, bufando.

-Arya, minha doce irmãzinha, Aodh nos instruiu a vir buscá-las para que fiquemos preparados para quando ele der o sinal e possamos começar a agir. O de sempre. A única diferença é que são todos vampiros. –Vougan suspirou, sentando-se e levitando em pleno ar.

As três soltaram gritinhos de aprovação.

-Vampiros! Almas tão antigas, tão poderosas, tão únicas! –Luna praticamente quicava. –Quando vamos? Quando?

-Calma Luna. –Bran deu de ombros. –Falta Dragon.

-E onde está aquele inútil? –rebateu Arya, cruzando os braços contra o peito. –Sempre estragando tudo!

Os cinco concordavam com aquilo. Dragon sempre estragava tudo quando Aodh planejava algum momento divertido em ‘família’. Ele sempre se atrasava e sempre fazia algum tipo de besteira, que fazia com que Aodh se irritasse e acabasse com a diversão dos seis durante meses!

-Vougan, tente encontrar aquela mula. –Bran colocou a mão na têmpora.

-Paciência, irmãos. Dragon já está vindo. –disse simplesmente, apontando para uma luz escura vindo de um canto.

O garoto ruivo andava lentamente até os outros, os olhos do mesmo demonstravam um tédio profundo.

As mãos dele estavam dentro dos bolsos de uma calça jeans azul rasgada enquanto ele parava ao ver a reunião que estava diante de si. Não era comum para Dragon ver todos juntos e ansiosos daquela forma.

Os olhos alaranjados do rapaz semicerraram-se brevemente enquanto avaliava as expressões dos irmãos.

-Perdi alguma coisa? –perguntou voltando a caminhar. –Que caras são essas?

Bran o encarou por um breve momento, abrindo a boca para retrucar com uma resposta mal educada, mas antes que pudesse falar, Vougan interviu.

-Onde estava? –perguntou perscrutador.

O outro deu de ombros, parando em frente à Bran.

-Por aí, por ali... Você sabe.

-Não, eu não sei. –disse o outro simplesmente. –Sei que Aodh disse que você estava quebrando as regras, como sempre, e ficou irritado. Deveria ter ficado aqui e cuidado das meninas.

-Elas não são bebezinhos que precisam de babá vinte e quatro horas por dia. –rebateu com uma careta. –Até parece que elas conseguem ficar caladas por meio minuto.

Arya, Luna e Lyana fuzilaram o outro com os olhos, desejando que ele explodisse.

-Não tente colocar a culpa nas meninas, Dragon! –Vougan parecia irritado. –Aodh pediu que Bran levasse Judith de volta para casa e que eu o ajudasse caso fosse preciso. Foi preciso, por isso saí. Mas você ficou incumbido de mantê-las aqui e a salvo. Apenas isso. E quando dei às costas, você simplesmente saiu e as deixou sozinhas!

Ele encarou Vougan profundamente por um instante, antes de puxar o outro pelo pé e prendê-lo pelo pescoço, apertando-o cada vez mais forte.

Não era natural alguém brigar daquela maneira na Terra das Sombras. Aodh sempre mantinha o controle de tudo, por isso Bran apenas arregalou os olhos e encarou os dois em estado de choque, assim como as irmãs.

-Nunca mais tente dar uma ordem a mim, Vougan. Você não é nada além de um telepatazinho mixuruca que faz uns truquezinhos idiotas. Nada mais. Você não manda aqui e principalmente: Você não manda em mim!

Bran piscou algumas vezes, vendo que Vougan parecia tão surpreso quanto ele.

-Acalme-se, Dragon! –Bran se aproximou lentamente do irmão que ainda apertava o pescoço de Vougan. –Somos todos irmãos aqui. Vougan só estava conversando amigavelmente. Não vamos nos exaltar...

-FIQUE FORA DISSO, BRAN!

Os olhos alaranjados de Dragon tornaram-se duas esferas vermelhas cintilantes, o rosto parecia desfigurado enquanto os dentes tornavam-se cerras afiadas.

Bran estancou no lugar, surpreso com aquilo. Desde quando Dragon mudava de forma? E daquele jeito?

Controle. Dragon precisava de controle. Caso contrário o que aconteceria com ele? Aodh dissera que era necessário, para todos eles, aprenderem a controlarem-se, do contrário, os poderes tomariam conta deles completamente, assumindo sua vontade própria. Será que Dragon não compreendia?

-Dragon, acalme-se, precisa se controlar...

-EU NÃO QUERO ME CONTROLAR, BRAN! –gritou para o outro, apertando o pescoço do irmão com força.

Vougan, se puder me ouvir, reaja. Eu sei que odeia violência, mas é agora ou nunca, meu irmão. Pensou, torcendo para que Vougan pudesse ouvi-lo de alguma forma.

Vougan desviou os olhos para Bran, virando a cabeça levemente. Sim, ele tinha ouvido, mas por que ainda não fazia nada? Por que se deixava ser estrangulado pelo próprio irmão? Naturalmente, Vougan não morreria, mas aquilo era uma afronta! Sem falar, que ninguém sabia que consequências catastróficas poderia desencadear uma briga entre eles.

-Vougan! –Arya avançou para frente, decidida a ajudar o irmão.

Bran segurou a irmã pelos ombros, recebendo um olhar mortal da garota.

-Vai se machucar Ary, fique de fora dessa vez. –pediu delicadamente, usando o apelido da irmã como se aquilo pudesse persuadi-la.

Bran e Arya eram considerados ‘os gêmeos’. Não por serem parecidos em aparência, pois isso não eram, mas sim por terem a mesma aparência de idade e terem ‘nascido’ na mesma época. Ou seja, foram criados juntos, portanto, eram considerados como gêmeos.

-E Vougan? Vai simplesmente ficar aí parado e deixar que Dragon faça sei-lá-o-quê com ele? É assim que nos protegemos? –os olhos dela cintilaram para ele.

-Eu não disse que não ia ajudar Vougan, eu vou. –declarou simplesmente. –Do meu jeito, mas vou. O que pretende fazer? Fale sério, você não é párea para Dragon. Especialmente quando ele está furioso. Deixe comigo irmã.

Ela não estava convencida, era tão claro quanto à água mais cristalina. Garotas! Sempre precisavam complicar absolutamente tudo! Especialmente Arya.

A garota bufou, contrariada, mas ainda assim obedeceu.

-Até que você é bem forte, Vougan. –a voz estranha de Dragon soou zombadora. –Achei que desmaiaria mais depressa.

O garoto de olhos acinzentados lançou um olhar mortal ao irmão que o suspendia no ar pelo pescoço, e tão rápido que o outro mal percebera, ergueu uma das mãos e a fechou brevemente, fazendo Dragon fazer uma expressão estranha.

Os olhos de Dragon arregalaram-se enquanto ele abria e fechava a boca sem parar, como se estivesse de alguma forma buscando ar, mas não conseguisse. Ele apertou o pescoço de Vougan com mais força, como se os dois travassem uma batalha ali para ver quem desistia primeiro, e ao ver de Bran, Vougan parecia extremamente concentrado demais para perder.

-Desista, Vougan. –a voz de Dragon saiu sufocada, comprovando que também estava sendo estrangulado por Vougan.

-Primeiro você, irmão.

Bran arregalou os olhos vermelhos por um momento. Seria uma alucinação sua, ou acabara de ouvir Vougan usar um tom cínico ao dizer a palavra ‘irmão’?

Dragon aguentou por mais um tempo, até que puxou Vougan para mais perto e deu um soco com toda a força que ainda lhe restava.

O garoto voou pelo espaço entre eles, mas sequer teve tempo de pensar direito, já que Dragon saltou, deu uma cambalhota no ar e caiu em cima dele, esmagando-o com seu peso.

Bran correu até os irmãos, vendo como Vougan tentava conter as caretas de dor que aos poucos iam ficando evidentes no rosto do rapaz de olhos cinza. Ele respirava lentamente, como se alguma coisa estivesse quebrada, ou talvez fosse o peso de Dragon sobre ele.

-Eu nunca perco uma briga, irmãozinho.

Vougan cerrou os dentes com força para reprimir um grito de dor quando Dragon enfiou algo pontudo em seu peito. Podia não parecer, mas eles podiam sim sentir dor. Isso se fosse causado por alguém que soubesse como causá-la.

-E... Nem... Eu. –Vougan levantou a mão muito lentamente, fechando os olhos com força em seguida.

Não houve sequer tempo para que pudessem pensar direito. Dragon urrou de dor de repente, saindo de cima do irmão e andando sem rumo, as mãos na cabeça. Ele mantinha os olhos fechados, a testa franzida. A cada momento gritava cada vez mais alto.

Vougan respirava lentamente, mas Bran podia ver o quanto estava concentrado.

-Vougan, pare. –ele ajoelhou-se ao lado do irmão, verificando se ele estava bem. –Está exigindo demais de você mesmo, vai acabar apagando.

O garoto caído cerrou os dentes com mais força, ao mesmo tempo em que ouviram mais um berro de Dragon, antes deste cair de joelhos no chão e fixar seus olhos no nada.

Bran arrancou a adaga que estava enfiada no peito de Vougan, vendo como a pele juntava-se imediatamente. Ele ficaria bem, concluiu satisfeito.

-Nossa, espero nunca irritar você. –brincou ajudando o outro a levantar-se.

-Isso não me irritou, apenas me preocupou. –Vougan apoiou-se no irmão. –Dragon está descontrolado, exatamente como nós não devemos ficar. Exatamente como Aodh disse que não podíamos ficar... Ele acabará se matando!

Bran não tinha nenhum argumento ou resposta para bater aquilo. Dragon estava realmente indo por um caminho sem volta.

-Vai ver ele só está irritado. –sugeriu.

-Quando ele fica irritado, bate em alguém. Um humano. Não em mim. Não tenta matar seus próprios irmãos!

Ele ficou calado, vendo como Vougan lutava contra a dor que ainda sentia. Não era comum para Bran ver algum de seus irmãos naquele estado. Era estranho demais para ele ver como uma briga entre eles poderia ser devastadora. E por um momento, ele achou que poderia ser até... Fatal.

Continua...


Última edição por Keroll Salvatore em Sab Abr 28, 2012 12:34 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Den!se ;D em Sab Abr 21, 2012 6:18 pm

Esse Aodh hemm mana gosta de tirar com a cara dos outros
e quanta sinceridade com bonnie kkkkkkk
ele nao deixou nem a Elena escapar, se bem que dela nao tenho pena,continuo revoltada com ela mana #fato
e Bonnie me deixando de cabelos verdes, onde ja se viu? Suspect rummm
nossa essa foi por pouco, quase que o plano do Aodh vai por agua abaixo, Aodh Aodh que negocio é esse de ficar me hipnotizando rummm garoto malvado
Ai Damonzito chegou, tenho medo do que o Aodh vai querer fazer com ele
Quem a mamys quer proteger? o.0 fiquei curiosa agora mana, e s eo pacto que o tefinha fez nao foi com ela foi com quem? O.o mana, mana sempre me deixando curiosa ne?
não gosto do Dragon mana, mas o que, ou quem foi que fez ele perder o controle daquela forma?
ixe quero so vre o que o Aodh via fazer quando descobrir que ele partiu pra cima do Vougan
o Vougan arrasou kkkkkkk colocou o Dragon no seu devido lugar
mas que coisa e essa de se reunirem todo mundo pra fazerem nós de refeiçaõ? rummm gostei nao coisa feia, sao todos crianças rebeldes mana kkkkkkkkk
Mana o caps ficou otimo como sempre
desculpa a demora ams vc sabe como esta complicado pra mim entrar na net ultimamente
estou ansiosa pelo proximo mana
quero ver no que vai dar o plano do Aodh
bjao mana linda te amo s2
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Sab Abr 28, 2012 12:46 pm

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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Seg Abr 30, 2012 9:03 pm

Capítulo 54- Conflicts of Feelings
Conflitos de Sentimentos



"O tempo está passando
Muito mais rápido do que eu
E eu estou começando a me arrepender de não passá-lo com você
Agora eu estou imaginando porque deixei isso preso dentro de mim
Então, estou começando a me arrepender de não ter dito tudo para você
Então, se eu ainda não o fiz, tenho que deixar você saber

Você nunca vai estar sozinha

De agora em diante
Mesmo que você pense em desistir
Não vou deixá-la cair
Você nunca vai estar sozinha
Vou te abraçar até a dor passar

E agora, enquanto eu puder

Estarei te segurando com ambas as mãos
Pois sempre acreditei
Que não há nada que eu precise a não ser você
Então, se eu ainda não o fiz,
Tenho que deixar você saber

Você nunca vai estar sozinha

De agora em diante
Mesmo que você pense em desistir
Não vou deixá-la cair
Quando toda a esperança tiver desaparecida
Eu sei que você pode continuar
Vamos ver o mundo sozinhos
Vou te abraçar até a dor passar

Ooooh!

Você tem que viver cada dia
Como se fosse o único
E se o amanhã nunca chegar?
Não o deixe escapar, poderia ser a nosso único dia
Você sabe que apenas começou
Cada dia, pode ser nosso único
E se o amanhã nunca chegar?
Amanhã nunca vai chegar?

O tempo, está passando

Muito mais rápido do que eu
Estou começando a me arrepender de não ter dito tudo para você

Você nunca vai estar sozinha

De agora em diante
Mesmo que você pense em desistir
Não vou deixá-la cair
Quando toda a esperança se for
Eu sei que você pode continuar
Vamos ver o mundo sozinhos
Vou te abraçar até a dor passar

Eu estarei lá de qualquer forma

Não vou desperdiçar mais nenhum dia
Eu estarei lá de qualquer forma
Não vou desperdiçar mais nenhum dia..."


Juh avaliou atentamente a expressão de Dani enquanto a morena esfregava os braços repetidas vezes. Ela estava com frio, isso era óbvio.

-Dani, podemos voltar se quiser. –Juh sugeriu, caminhando ao lado da morena.

A outra negou veemente com a cabeça.

-Não. Senão você não larga do meu pé.

Aquela história de novo?

-Não vou atrás de você, fique tranquila. Na verdade, nem me lembro de ter pedido sua ajuda. –a outra morena rebateu, irritada com aquilo.

Não era culpa dela ter sido assassinada e simplesmente ter sido abandonada ali no mundo humano, perdida, sem ninguém para ajudá-la, dizer o que tinha que fazer. Só sabia que tinha que se encontrar. Encontrar seu próprio corpo. Mas ainda assim, nada daquilo era culpa dela. Dani poderia ser mais compreensiva.

-Não pediu, mas precisa. E não importa o que você diga, vai procurar por mim cedo ou tarde, já que sou sua única conexão com o mundo.

-Você está congelando, Dani. Definitivamente, uma camiseta branca não é a peça de roupa ideal para este lugar. Deve estar quase abaixo de zero aqui!

A morena bufou, revirando os olhos para Juh. Aquele típico olhar que ela lhe lançava quando tentava dizer que ela estava sendo idiota.

-Vá para casa, vista um casaco e volte. Eu tenho tempo.

A garota deu uma gargalhada alta enquanto encarava Juh incrédula.

-Você tem tempo? Pelo amor de Deus!

-Ué, eu estou morta mesmo. –deu de ombros. –Que diabos ainda pode acontecer?

A outra ponderou por um momento, dando de ombros.

-Seu corpo ainda está por aí.

-E vamos achá-lo, mas não se você congelar.

A outra morena parecia ponderar a ideia. Estava realmente congelando ali, e não ajudaria nada duas almas tentando salvar um corpo. Por mais que ela odiasse admitir, Juh tinha toda razão com aquilo.

-Certo, mas você vem comigo. –disse derrotada. –Eu vou ajudar você.

Juh apenas assentiu satisfeita em ter conseguido convencer a ‘sua’ mediadora a voltar para casa e vestir algo mais quente. Ela via como a garota tremia sem parar, batia levemente os dentes, estava pálida. Não era natural para um humano.
Um humano.

Juliana suspirou ao perceber o modo como não se incluía mais no mundo dos humanos vivos. Como já estava se adaptando ao fato de estar morta. Parecia uma realidade assustadora demais para que ela pudesse aceitar. Como aceitar que você morreu? E daquela forma brutal? Ela tinha tantos sonhos, tantos desejos... Por que, de tantas pessoas em Fell’s Church, isso foi acontecer logo com ela?

Não havia lado bom em estar morta. Ainda assim, por algum motivo ela ainda estava entre os vivos. Andando num mundo que não pertencia mais á ela.

Será que seus pais já haviam sido informados sobre o desaparecimento de seu corpo? Como será que estavam? Mais tristes e desolados do que antes? Qual terá sido a reação deles ao receberem um telefonema de alguém que sequer conheciam dizendo que sua filha única fora encontrada morta. Supostamente por um animal.

Não era bem assim. Juliana não se lembrava de quem a tinha matado, mas lembrava-se com precisão da voz. Sexy, máscula, sensual. O tipo de voz que faria qualquer garota derreter. Não ela. Aquela voz causava-lhe náuseas.

Ela caminhava calada ao lado de Dani, vendo que a morena ainda tremia. Ela não tinha ideia do quanto Juh a invejava por sentir frio. Ela daria tudo para sentir aquele frio novamente...

Dani tocou-lhe no braço, avaliando a expressão triste da outra. Aquele toque fazia bem á Juh. Ela quase podia fingir que ainda era... Viva.

-Tudo bem?

A garota fez uma careta.

-Estou morta, meu corpo sumiu, não sei para onde devo ir. –ela fitou Dani. –Acha que eu estou bem?

-Certo, foi uma pergunta idiota. –ela suspirou. –Mas podia ser pior.

-Como?

-Você podia não ter me conhecido. –piscou, dando um sorrisinho.

-Não faz muita diferença se você quer...

Juh parou de falar, arregalando os olhos ao ver uma luz prateada cortando o céu. O que era aquilo? Era um... Era um...

-Dani, abaixe-se! –gritou, puxando a menina para o chão, bem a tempo de livrá-la de um golpe na cabeça.

-O que é isso? –a outra gritou, tampando os ouvidos com as duas mãos ao ouvir um som alto e forte.

-Eu não sei! A mediadora aqui é você! –gritou de volta, empurrando a garota para trás de uma árvore enorme e acinzentada.

-Eu nunca ouvi isso antes! –Dani parecia apavorada. –Que barulho foi esse? –sussurrou ao ouvir um som parecido com alguém fechando um leque.

Juh arregalou os olhos, sentindo-se com medo de verdade pela primeira vez desde que morrera. O que estava acontecendo? O que queriam com elas? O que era aquilo?

-Vamos sair daqui quando eu contar até três. –Juh disse olhando ao redor. –Pode correr, não pode?

-Minhas pernas servem para isso. –Dani deu uma risada nervosa. –Em que furada você me meteu, fantasminha?

-Nem eu mesma sei. –Juh se pegou respondendo, olhando com cautela para os lados. –Sumiu? Ou está apenas fingindo?

Dani colocou a mão sobre o peito, acalmando-se aos poucos. A morena estava tão nervosa que Juliana podia ouvir os batimentos dela.

-Só há um modo de descobrimos, não acha gênio?

-Você não consegue parar de ser chata nem quando sua vida está em perigo, não é? –rebateu a outra morena. –Vamos logo com isso. Um, dois...

Juh saiu rapidamente do esconderijo, olhando atentamente ao redor. O que estava ali antes não estava mais. Tudo o que ela via era o chão começando a ficar coberto por algo que parecia neve e folhas caindo. Não havia ninguém ali além dela e de Dani.

-Hei! –Dani apareceu arfando. –O que aconteceu com o número três? Eu achei que você tivesse dito que contaria até três.

-O três você teria que imaginar. –disse a outra, acalmando-se. –Agora, em que confusão nós quase nos metemos?

-Não foi quase. –uma voz masculina e forte soou atrás de Juh. –Vocês estão encrencadas.

***

O vampiro varreu lentamente a sala com os olhos, olhando brevemente para cada um dos presentes ali. Estava quase feliz naquela manhã estranha.

-Alguém fez uma encomenda? –perguntou erguendo o ursinho de Margaret.

Denise bateu palminhas, andando até o vampiro.

-Obrigada, mas meu aniversário já passou. –ela piscou.

Damon revirou os olhos negros para a garota, arqueando uma das sobrancelhas para ela.

-O que houve, Dê? Decidiu mudar de visual antes da grande briga?

Ela revirou os olhos castanhos, visivelmente constrangida e irritada ao mesmo tempo.

-Culpe sua aspirante à bruxa! Pedi para que ela colocasse o feitiço em prática e ela pintou meus cabelos de verde. Verde! E nem é minha cor favorita!

-Achei que Bonnie tivesse que aprender a localizar pessoas e não a tingir cabelos. –rebateu olhando para a ruiva.

-Eu tentei! –justificou-se. –Mas achar Ryan foi bem mais difícil do que achar Elena.

-Isso porque Ryan é tão insignificante que a essência dele deve ser fraca. –Damon deu de ombros. –Nem todo mundo nasce com sorte. E Dê, ficou bem em você esse visual, se quer minha opinião.

Ela bufou, não muito convencida com aquilo.

-Me dê esse urso de uma vez. Temos coisas importantes a fazer, se bem me lembro.

Damon olhou por sobre o ombro de Denise, vendo Elena encarando-o um tanto quanto constrangida também. Suas bochechas ganhavam cada vez mais cor, deixando-o curioso. Do que ela estava com vergonha, afinal?

-Damon...

-Elena...

Eles pararam, vendo que haviam falado ao mesmo tempo. Ele sorriu, divertindo-se, enquanto ela desviou o olhar e corou.

Pareciam mais um daqueles típicos casais de novelas de época.

-Eca, é tão brega que dá vontade de vomitar. –Keroll alfinetou. –Se querem conversar, por que não a leva ao seu quarto, Damon? Assim podem acertar os ponteiros e depois jogarem-se nos braços um do outro. É tão fácil!

-É uma ótima ideia, Keroll. –o vampiro ficou sério. –Até porque tenho novidades sobre Judith.

-Minha tia? –os olhos de Elena fixaram-se no rosto do vampiro.

-Que eu saiba, sim. A não ser que você tenha outra tia. –ele deu um meio sorriso.

Elena avançou até ele, encarando-o profundamente.

-O que descobriu? Sabe onde ela está? Aconteceu alguma coisa com ela? Por favor, diga-me se ela está bem!

O vampiro a silenciou, colocando o dedo indicador sobre seus lábios.

-A sós, Elena. –respondeu simplesmente.

A loura assentiu, suspirando pesadamente. O olhar de Damon dizia que ele não aceitava um ‘não’ como resposta. Se bem que ela não pretendia dá-lo.

-Por aqui, mademoiselle. –Damon indicou as escadas, indo na frente para guiar o caminho.

-Uh, Damon atacando de francês! Elena que se cuide!

-Keroll! –três vozes disseram em uníssono, fazendo a garota calar-se.

-Gente nervosa.

Damon deu uma risada baixa enquanto subia as escadas com Elena bem atrás dele. Podia ouvir a respiração lenta dela, o coração batendo ritmado, os passos leves da garota, ela mexendo distraidamente no zíper da jaqueta dele.

Vampiros de todos os tipos paravam para olhá-los. Deviam saber que havia uma tensão pairando entre os mais velhos, mas mantinham-se calados e em seus devidos lugares. Era muito comum alguém perder a cabeça quando tentava ser arrogante e intrometido com os mais velhos.

O moreno ouviu quando a menina acelerou seus passos, ficando ao lado dele. Ela deveria estar com medo em ver tantos vampiros famintos encarando-a.

-Perdeu alguma coisa? –a voz do vampiro soou rude com o rapaz de camisa florida. –Além do senso de moda, é claro.

-Na-Na-Não senhor. –disse abaixando a cabeça. E para Elena acrescentou: - Sinto muito milady.

-Ótimo. –o vampiro sorriu. –Agora caia fora daqui.

O rapaz não pensou duas vezes antes de tropeçar até as escadas e sumir de vista. Novatos.

-Meu quarto fica na torre. Acho que você viu.

-Na... Torre? –a voz de Elena era confusa. –Por que dormia na torre?

-Longe da confusão dos vampiros. Às vezes eu vinha aqui pensar. Tem uma bela vista... E eu gosto. –respondeu indicando outro lance de escadas.

-Falta muito? –ela perguntou fazendo uma careta.

Damon sorriu para ela, pegando-a no colo tão rápido que a loura sequer teve tempo de processar direito o movimento que ele fizera.

-Segure-se. –um sorriso sacana brincava nos lábios de Damon.

Elena fechou os olhos, sentindo o peito do vampiro subir e descer lentamente, ritmado. O vendo silvou por ela por um momento, antes de Damon colocá-la gentilmente no chão e abrir a porta.

-Damas primeiro.

Elena abriu os olhos, vendo-o apontar com a cabeça para o cômodo.

Ela entrou cuidadosamente no amplo quarto de Damon. Ela nunca imaginaria que aquela torre fosse tão grande por dentro. E nunca imaginaria que veria o quarto de Damon.

As paredes eram brancas, refletindo a luz do sol que entrava pela janela enorme de vidro. Havia detalhes nas paredes, formas que Elena não conseguia entender direito, mas que davam ao quarto um ar ainda mais luxuoso. As cortinas que cobriam a janela eram de tecidos leves e suaves, uma branca e uma preta.

Atrás da cama havia uma placa do que parecia ser madeira, deixando o quarto ainda mais confortável e aconchegante. Na mesma placa de madeira havia outra, acolchoada e branca, servindo de cabeceira para a enorme cama de casal que ficava encostada à parede do lado esquerdo.

Elena olhou para a cama do vampiro, imaginando-o dormindo ali, olhando para o teto, pensando asneiras... O peitoral musculoso descoberto...

-Como eu disse... Tenho notícias sobre sua tia.

A voz dele sobressaltou-a, fazendo-a dar um leve pulo.

-Desculpe-me. –ele abriu um meio sorriso. –Não pretendia assustá-la.

Ele parecia cauteloso aos olhos da garota. Como se estivesse controlando tudo o que falava.

-O que descobriu, afinal?

Ele indicou uma confortável poltrona no outro canto do quarto.

-Sente-se.

A garota não questionou, caminhando a passos lentos até a poltrona. Só então ela percebeu que o chão do quarto era coberto por um tipo de tapete vermelho enorme que abrangia todo o cômodo.

-E então?

-Elena, eu preciso que se prepare para o que vai ouvir. –disse sério, abaixando até ficar cara a cara com a menina.

-Está me assustando... O que houve Damon?

O vampiro fitou-a profundamente, perdendo-se nos mar cristalino que eram os olhos da garota. Os olhos dela estavam claros, um pouco marejados de lágrimas, esperando pelo pior, talvez.

Damon percebeu que as mãos dela tremiam enquanto ela mexia-as nervosamente. O moreno as segurou com suas próprias mãos, apreciando o calor que emanava da pele dela, sentindo as correntes elétricas que o envolviam pelo simples toque.

-Sua tia...

Ela fechou os olhos, esperando realmente pelo pior.

-Está ótima e segura em casa dormindo profundamente.

Ela arregalou os olhos para ele, encarando-o profundamente.

-Minha tia... Ela está bem? –as lágrimas que ela segurara antes escaparam de seus olhos, caindo suavemente pelo rosto da garota, molhando suas bochechas rosadas.

-Shhh, Shhh, está tudo bem... –ele enxugou as lágrimas do rosto da menina com cuidado.

-Eu pensei, pensei... Você disse... –ela o encarou sorrindo. –Você quer me matar?

O vampiro gargalhou suavemente, negando com a cabeça.

-Só queria que você sentisse o impacto da surpresa. –deu de ombros.

-Você é inacreditável! –ela deu um sorriso doce para ele. –Obrigada.

Damon ficou sério, perdido no rosto da garota que tanto amava. Ela era tão linda! Como ele sentira falta de vê-la sorrir daquela maneira... Como sentira falta de sua Elena...

Aqueles olhos azuis tão belos, tão profundos, tão verdadeiros. Ele sempre sabia o que ela sentia apenas de olhá-la profundamente nos olhos. Os cabelos longos dela, caindo em uma cascata dourada até o meio das costas, brilhando tanto quanto o sol. A pele levemente rosada dela, quente, macia, cheirosa...

O vampiro estendeu a mão hesitantemente em direção ao rosto dela, ainda perdido nos traços perfeitos da loura. Parecia que não tinha consciência do que fazia naquele momento. Era apenas instintivo. Era irresistível demais estender a mão e tocar a pele macia.

Ele acariciou a pele dela com cuidado, sentindo a textura macia e o perfume doce que emanava dela. Há quanto tempo ele não sentia aquela pele contra a dele? Sem barreiras, sem restrições, sem medos?

Elena fechou os olhos, apenas sentindo o toque do vampiro, apreciando-o o máximo que podia. Não sabia quanto tempo poderia durar sua dose de Damon Salvatore. Ele parecia um tipo de droga que ela simplesmente não conseguia mais viver sem. E qualquer dose, por menor que fosse, era a única coisa que a mantinha sã e viva.

-Damon, eu...

-Tão linda... –ele a cortou apenas encarando sua mão acariciando o rosto da jovem.

A garota engoliu em seco, lembrando-se que precisava conversar com ele. Contar do sonho, contar que agora entendia completamente o que tinha acontecido. Precisava se desculpar de verdade com ele, dizer mais uma vez que o amava, pergunta-lhe se era tarde demais para os dois, ou se ele ainda era capaz de amar alguém egoísta como ela...

Ainda assim, naquele momento, com a voz dele tão profunda, os olhos dele postos em cima dela com ternura, paixão, carinho, desejo, ela não conseguia raciocinar direito. Damon causava-lhe os mais diversos tipos de sensações.

Ela segurou a mão dele, mantendo-a em seu rosto. Abriu os olhos e deparou-se com duas esferas negras fitando-a com intensidade. Tamanha que ela perdeu o fio da meada por um momento.

-Eu sinto muito por tudo o que disse para você. –Elena apertou a mão do moreno. –Eu sinto muito mesmo. E eu sei que nada justifica o modo como fui infantil e injusta, mas ainda assim... Se puder me perdoar algum dia... Se puder me amar como antes...

Ela abaixou a cabeça, sem querer encará-lo.

-Elena...

-Não, deixe-me terminar, por favor. –a voz dela saiu rouca, entrecortada. -O tempo inteiro você disse que era você quem não me merecia. Que eu era a joia mais preciosa do Universo e você tomou-me para si. –ela voltou a fitá-lo. –Mas não é verdade, Damon. Sou eu quem não te mereço aqui. Eu sei disso. E depois de tudo o que te fiz, te mereço ainda menos do que antes. E eu simplesmente odeio isso... Odeio ter sido tão fraca, tão egoísta, tão... Humana.

Ele esperou pacientemente, apenas fitando-a e avaliando cada expressão e cada sentimento que passava por seus olhos.

-Isso me machuca, sabe? Machuca muito! Eu simplesmente não quero perder você, embora saiba que se você quiser outra, estará mais do que certo. Por isso, aqui e agora eu te deixo livre. Livre para ser feliz com quem quiser e não precisar mais se preocupar comigo ou com minha família.

As lágrimas escorriam torrenciais pelo rosto da garota, fazendo-a soluçar baixinho. Ela levantou-se, vendo que Damon fez o mesmo, embora mais vagarosamente. Como se ele próprio estivesse processando o que ela tinha falado. Nem mesmo Elena entendia por que estava dizendo aquelas coisas.

A intenção era pedir que ele ficasse com ela. Mas quando ela começou a falar, simplesmente viu que até esse mero pensamento era egoísta. Damon poderia morrer por ela, por sua família. Deixá-lo livre parecia a melhor opção, embora fosse a que mais destroçasse seu coração em milhares e milhares de pedacinhos.

-O que você está dizendo? –ele finalmente quebrou o silêncio que se instalara ente os dois.

Ela percebeu o misto de raiva e diversão que ele usara na voz.

-Que... –ela virou-se, ficando de costas para ele. Não queria mostrar toda a dor que estava estampada em seus olhos. –Que... Acabamos. Que está tudo acabado entre nós.

Se ela estivesse encarando o vampiro, teria visto a dor que tomara conta de seus olhos geralmente insondáveis. Ainda assim, como a maioria das emoções, ele rapidamente escondeu isso. O que ela estava tentando fazer? Quais eram suas reais intenções com aquela conversa tão estúpida?

-Acabamos. –ele repetiu secamente. –Assim? Acabamos. Simplesmente você olha para mim e diz que o que havia entre nós acabou?

Ela engoliu o nó que se formava em sua garganta, tentando ao máximo que podia manter o controle de seu corpo e de seu coração. Seu desejo naquele momento era jogar-se em cima dele e beijar-lhe profundamente.

-Sim. É isso.

Ela sentiu quando ele se aproximou dela em sua velocidade sobre-humana, virou-a para que o encarasse e a segurou pelos ombros.

-O que há entre nós dois não pode acabar, entende? Nunca. –os olhos dele perfuravam os dela. –Não importa o que você diga, eu sei disso.

-Eu também sei. –respondeu levantando a mão para acariciar o rosto do moreno. –Acredite, eu sei. Eu não disse que o que eu sinto por você acabou. Eu disse que nós dois, juntos, acabamos.

Ela se afastou, aproveitando o momento de fraqueza do vampiro. Ele parecia em estado de choque ou algo do tipo. Simplesmente ficara lá, parado, como se absorvesse o que estava acontecendo entre os dois.

Elena caminhou a passos lentos, como se seus pés estivessem pesados demais para moverem-se mais depressa. A garota olhou para trás, vendo a expressão confusa do vampiro, vendo como aos poucos a expressão dele variava para uma de dor.

Os olhos dele pareciam mais escuros do que o natural, acabando com o controle da garota. Ela sabia o que ele estava pensando. Ele pensava que ela não o amava, era a única razão para tanta dor exposta em seu rosto.

Ela voltou-se para ele, mais rápido do que jamais achara ser possível, caminhou decididamente até o moreno e grudou seus lábios nos dele com força, passando os braços ao redor do pescoço do mesmo, aproximando seus corpos um do outro.

Damon retribuiu imediatamente o beijo, mesmo confuso, sentindo o gosto salgado das lágrimas da garota contra seus lábios. Ainda assim, o gosto de Elena não mudara nada. O beijo dela ainda era uma das melhores coisas que ele já havia experimentado antes.

Os lábios dos dois pareciam encaixar-se com precisão, enquanto suas línguas acariciavam uma a outra, com o mesmo desejo ardente de sempre, com a mesma doçura, o mesmo amor.

As mãos do vampiro foram de encontro à cintura fina da garota, apertando-a, puxando-a para mais perto, querendo mantê-la ali com ele para sempre. Querendo que ela ficasse em seus braços, onde estava segura, onde ele poderia sempre acolhê-la.

Depois as mãos adentraram a jaqueta de couro que ficava grande demais para o corpo pequeno de Elena. Ele gemeu contra os lábios dela, sentindo a pele quente e macia com suas mãos, apertando ainda mais a loura contra seu próprio corpo.

Elena afastou-se gentilmente, deixando-o confuso novamente. Por que se afastar? Estava claro que os dois queriam aquilo!

-Eu amo você. –ela disse suavemente. –Isso nunca, jamais vai mudar. Nem que eu viva para sempre.

-Você me perguntou se eu ainda poderia amá-la como antes. –ele continuou com as mãos contornando a cintura da garota, ainda por dentro da jaqueta. –E a resposta é não, Elena. Eu jamais poderia amá-la como antes.

A expressão dela era de choque e ao mesmo tempo de dor. Ela já sabia que seria assim. Ela o perdera no exato momento em que falara aquelas coisas para ele.

-Eu...

-Eu jamais poderia amá-la como antes, por que eu simplesmente te amo cada vez mais a cada dia que passa. –ele a cortou, sem se importar. –Eu a amo mais e mais a cada sorriso que você dá, a cada gesto que faz, a cada beijo, a cada abraço. Eu a amo, Elena. Isso sim nunca vai mudar. Não importa o que eu diga. Não importa o que eu faça. Amar você não é uma das coisas que eu tenha o poder de mudar.

O coração da garota pulou no peito e parou de bater ao ouvir aquelas palavras saindo da boca de Damon. Ele ainda amava! Ele a amava!

-Perdoe-me, meu amor, por favor. –ela abraçou-o com força, enterrando o rosto no peito do vampiro, sentindo-o abraçá-la com força. –Desculpe-me por ter sido uma idiota com você...

-Shhh... –ele a silenciou suavemente. –Já passou. Eu jamais poderia odiá-la Elena. É como odiar a mim mesmo. Você e eu, somos partes um do outro. Não ter mais você comigo é como viver sem um coração. –ele inclinou a cabeça levemente, sussurrando no ouvido da garota. –Eu te amo, Elena.

***

Juh virou-se lentamente para o homem que havia falado, entendendo no exato momento em que o vira o porquê da expressão de pavor de Dani. Era impossível não se apavorar com aquilo!

-Que diabos...

Um vento forte bateu contra as duas garotas, vindo das enormes asas que se eriçaram ao ouvir Juh praguejar.

É, de fato ela havia mesmo usado a expressão errada.

-O que você é? –a voz de Dani era assombrada.

-Sério? Com tantas perguntas menos óbvias você me vem com essa? –o homem parecia extremamente decepcionado e entediado. –O que você acha que são essas coisas enormes em minhas costas? Asas-deltas?

Juh quase riu com o comentário dele. O homem tinha senso de humor, ela admitia.

-O que você está fazendo aqui?

-Eu faço as perguntas aqui. –a cortou, parecendo quase irritado. –O que um fantasma e uma Mediadora fazem andando por aí numa floresta proibida?

-Um tour? –Dani não parecia querer contar nada ao homem.

-Deveria se envergonhar, Mediadora. Mentindo para um anjo? –ele balançou a cabeça negativamente.

-Você é mesmo um... Anjo?

O ruivo assentiu, parecendo meio entediado com toda aquela situação. Ainda assim, ele era extremamente belo. Os cabelos eram lisos e num tom de ruivo-escuro, quase um castanho avermelhado muito belo e brilhante. Os olhos dele eram azulados, mas elas podiam ver que a cor parecia variar entre o verde, violeta e cinza. Ele era musculoso, ela podia perceber isso mesmo sob o suéter preto que ele usava.

E as asas. Ela não podia deixar de prestar atenção às asas dele. Eram enormes. Muito maiores que ele, mesmo fechadas. Elas pareciam negras no escuro da floresta, mas ainda assim pareciam brilhar. E Juh pôde notar que não eram totalmente negras, a cor ia mudando conforme aproximava-se da ponta das asas, chegando a um cinza.

-Certo, a pose de durão não funciona comigo. –ele deu um sorriso estonteante para elas. –Meu nome é Jesse, sou um Anjo da Morte, mas não tenham medo nem nada do tipo. Não vou machucar vocês.

Dani parecia a ponto de ter um desmaio ao ouvir as palavras ‘Anjo da Morte’. Nem Juh estava muito confortável com aquele nome estranho.

-Sou Juliana. Esta aqui é Dani. –ela apontou para a morena atrás de si. –E nós não queremos problemas.

Ele semicerrou os olhos para as duas, avaliando-as profundamente antes de abrir um sorrisinho cínico.

-Não querem problemas, huh? Pois eu duvido muito, Juh e Dani. –ele piscou para ela.

-Sabe meu apelido? –a garota deu um passo para trás, assustada.

-Qual parte do Anjo da Morte você não entendeu? Você está morta e não deveria estar aqui. Caiu a ficha?

-Veio para me levar? –ela arregalou os olhos.

-Não, eu não. –ele deu de ombros. –Estou em uma missão importante. Só fiquei curioso quando vi vocês.

-Você quase nos matou do coração, isso sim! –Dani bufou, fuzilando o ruivo com o olhar. –Poderia ter dito ‘hei, sou um anjo, mas estou só de passagem!’. Mas você preferiu nos matar de susto!

Ele gargalhou altamente, seu corpo inteiro balançando enquanto ele praticamente se contorcia de rir.

-Eu quase tinha me esquecido do quão adorável é o senso de humor humano. –ele limpou uma lágrima no canto dos olhos. –Mas se me dão licença, eu preciso ir.

As asas dele bateram brevemente, levantando folhas, poeira e pequenos flocos de neve no ar. Eram ainda maiores quando abertas, e tão mais lindas. Pareciam brilhar como um céu noturno repleto de estrelas...

-Espere! –Juh se viu gritando.

-O que foi? –ele parecia preocupado com ela.

Poucas pessoas tinham olhado para ela daquela forma, tão preocupada. Como se pudesse fazer qualquer coisa por ela.

-O que busca? –ela perguntou.

Ele a encarou profundamente, avaliando o rosto dela. As asas batiam levemente, quase encostando ao chão sujo.

-Um garoto. –ele respondeu. –Não exatamente um garoto, mas... Parece com um. Você não o conhece, não ligue.

Outro som de asas batendo soou próximo a eles, fazendo Jesse revirar os olhos antes de descer e deixar suas asas fechar-se em suas costas.

-Quietas. –sussurrou para as duas.

Passos. Todos eles agora podiam ouvir passos pesados aproximando-se. As garotas estavam tensas, mas Jesse apenas estava... Impaciente.

-Eu disse que o vi. –uma voz fina e feminina soou.

-Como sempre, Jesse não perde a chance de ficar perto da criação. –uma voz masculina, trovejante.

Os dois aparecerem ao mesmo tempo, caminhando a passos lentos, porém extremamente decididos até os três parados no centro da pequena campina, próximos a um carvalho velho.

Os cabelos castanhos da garota caiam até bem abaixo da cintura, presos em uma trança coberta com detalhes prateados. Os olhos cor de mel dela olharam profundamente para Jesse e os lábios rosados dela retorceram-se em um sorriso satisfeito ao ver que ele a avaliava.

Ela trajava um vestido longo, branco-gelo, repleto de desenhos prateados e as longas asas brancas cintilavam atrás dela.

-Ammy. –ele deu um meio sorriso. –Tudo bem?

Ela assentiu, olhando para as garotas.

-Você não foi escalado para esta missão, Jesse. O que faz aqui? – outro homem perguntou.

-Um tour, Markus. –ele deu uma piscadela quase imperceptível para Dani.

O homem que vinha atrás da menina morena era assustador. Praticamente um brutamonte. Ele era enorme, muito mais alto do que Jesse. Os ombros dele eram largos, a cabeça parecia grande mais ao ver de Juh. Parecia o tipo de homem que poderia levantar um carro com apenas uma mão.

-Tentando me testar? –a voz dele era grossa, rude.

-Se eu quisesse testá-lo, mandaria você para uma escola. –Jesse deu de ombros. –Mas, ao invés disso, aqui estamos.

-Acha-se tão engraçadinho só porque Gabriel tem algum tipo de afeição por você. –o homem praticamente cuspiu as palavras. –Você não passa de um abusado, aproveitador, isso sim!

-Já chega, não acham crianças? –a garota revirou os olhos. –Não lhe dê ouvidos, Jesse, sabe que Markus é um ciumento.

O ruivo apenas deu de ombros, sem se importar com o outro anjo.

-Ele é um desocupado, isso sim. Já pensou em arrumar uma namorada, Markus? Assim, quem sabe, você não larga do meu pé?

O grandalhão fez uma careta para Jesse, suas asas azuladas eriçando-se para cima.

-Você tem uma, por acaso?

Juh percebeu como a menina de cabelos castanhos encarou Jesse longamente, fazendo uma singela careta por um momento. O que quer que anjos pudessem ter uns com os outros, parecia que aquela menina queria algo mais com Jesse.

-Se eu tivesse ou não, não seria da sua conta, seria? –Jesse piscou, dando um peteleco no próprio sobretudo, tirando uma casca de árvore que havia caído. –E Ammy, não deveria... Sei lá, fazer alguma coisa?

A menina piscou com seus grandes olhos cor-de-mel.

-Está me expulsando, Jesse? –ela parecia ultrajada e magoada ao mesmo tempo.

O anjo ruivo a encarou com curiosidade.

-Não disse isso. Só que acho que está atrasando sua missão por motivos tolos.

-Nossa missão está oficialmente mudada. –Markus encarou Jesse por um momento. –Miguel quer que você volte, agora mesmo.

Jesse fuzilou o irmão com os olhos, cerrando os dentes de frustração.

-Eu tenho que encontrá-lo! Eu preciso!

O outro sorriu cinicamente para o ruivo, parecendo apreciar sua irritação.

-Pois pode desistir. Por que se não voltar por bem, será por mal.

A morena fitou Jesse com atenção, avaliando as expressões do ruivo.

-Por que precisa tanto assim encontrar esse menino, Jesse? Sabe que ele só se mete em confusões. Entretanto, como nunca temos certeza de onde ele está, não podemos agir.

-Agir? Agir como? –o rapaz avançou, ficando frente a frente com a menina. –Matando-o? É assim que vocês querem agir? Matando uma criança?!

-Ele não é uma criança, Aodh! É um demônio! Um demônio frio e perverso que pretende matar toda a criação! –a menina segurou o rosto do ruivo com as duas mãos, tentando fazê-lo encará-la. –Por que não consegue compreender isso?

Jesse estava com o rosto meio virando, sem querer encará-la. Ainda assim, quando ela falara aquilo, ele olhou bem fundo em seus olhos cor-de-mel. A boca do rapaz abriu e fechou duas vezes, como se quisesse falar alguma coisa, mas no fim não falava nada.

-Eu acredito nele. –murmurou. –É só.

-Acredita nele? Pelo amor de Deus, Jesse, como consegue fazer isso? Você mesmo viu o que ele quase fez a nossos irmãos! Quase os matou, sem dó nem piedade!

-Ele nunca me fez mal algum! –o ruivo soltou-se bruscamente da garota. –Nunca ergueu um dedo contra mim! Sabe por quê? Porque ele não tem medo de mim, como tem de vocês! Ele sabe que pode confiar em mim, que vou ouvi-lo antes de julgá-lo e não simplesmente prendê-lo ou matá-lo!

As asas dela esconderam-se em suas costas, deixando-a de alguma forma parecendo vulnerável aos olhos de Juh. Que garota mais estranha.

-Jesse...

-Não! –ele estava vermelho de raiva. –Vocês sempre vivem se metendo onde não foram chamados! Deixem a mim e a Aodh em paz, ou esquecerei completamente que somos irmãos!

-Isso é uma ameaça, Jesse? –Markus fechou as mãos em punhos, os ombros tensos.

-Entendam como bem quiserem. –deu de ombros, virando-se para as meninas. –Vocês vêm, ou preferem ficar com esses dois?

Juh piscou, sem conseguir processar direito as informações que tinha acabado de ouvir. Uma briga de anjos? Sério? Era simplesmente pedir demais para sua cabecinha processar.

-Vamos. –a voz era de Dani e soava confiante. –Juh, ande.

Ela agarrou o braço do fantasma que ainda estava em algum tipo de estado de choque, arrastando-o para perto de si mesma e de Jesse.

-Isso não ficará assim! Essa afronta terá sérias consequências! –Markus abriu as enormes asas, assustando as meninas. –Gabriel tomará conhecimento de sua má índole! Acredite em mim, quando você estiver sendo punido, estarei assistindo de camarote!
Jesse semicerrou os olhos para o grandalhão, sua expressão extremamente séria.

-Você é assim Markus. Sempre tentando agradar aos arcanjos, não é? Tentando de alguma maneira ser mais do que um simples Anjo da Morte. O seu problema é que você se preocupa demais com isso e não presta atenção no resto.

Os olhos esverdeados do homem fuzilaram o ruivo longamente.

-E você passa tempo demais correndo atrás daquele bastardo duma...

-Cale a boca! –as asas de Jesse armaram-se, como se sentissem a fúria do rapaz e estivessem de alguma forma tão irritadas quanto ele próprio.

-Sente-se ofendido, irmão? –Markus soltou uma gargalhada estrondosa. –Desculpe-me, esqueci que ele é seu cãozinho de estimação!

Juh não sabia explicar exatamente o que acontecera em seguida.

Jesse lançou-se para o outro tão depressa que ela mal teve tempo de ver o movimento. Ela só vira quando o outro fora jogado ao chão, recebendo milhares de socos em seu rosto. O ruivo era muito menor que Markus, mas parecia extremamente forte enquanto o socava sem parar.

-Parem! Parem! –Ammy tentava em vão tirar o ruivo de cima de Markus. –Pelo amor de Deus, Jesse! O que está fazendo! Parem!

-Retire o que você disse! –Jesse gritou em meio à sua cólera. –Retire!

-Que os Outros o levem! –xingou o outro, chutando Jesse para longe de si. –Gabriel mandará você para o submundo por essa afronta!

-Como se ele fosse perder o tempo dele com um lixo como você que joga dos dois lados! –gritou de volta.

-Seu...

-Já chega! Os dois! –outra voz, mais firme, invadiu o espaço entre eles.

Continua...
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Seg Abr 30, 2012 9:24 pm

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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Dom Maio 27, 2012 6:55 pm

Capítulo 55- Distrust
Desconfiança




Juh encolheu-se ao lado de Dani ao ver mais um anjo entrando em seu campo de visão. Esse parecia ser mais velho, porém ainda era bonito como os demais. Tinha cabelos ligeiramente grisalhos, que apenas o conferiam um tipo de ar nobre. As asas dele estavam fechadas, mas podia-se perceber que eram brancas com singelos tons de prata.

-Não posso ausentar-me por cinco segundos e os dois já começam a se matarem? –perguntou decepcionado.

-Ele começou senhor. –Markus respirava rapidamente, o peito subindo e descendo.

-Mentindo para um arcanjo, Markus? –Jesse deu um sorriso cínico, o peito movendo-se descompassado. –Péssima ideia.

-Parem já com isso, os dois! – o homem olhou atentamente para os dois. –Primeiramente, Markus e Ammy, a missão dos dois fora instruir a criança a encontrar seu caminho. Não entendo por que estão aqui perdendo tempo conversando com Jesse. –ele encarou o ruivo. –E você, Jesse, o que está fazendo aqui? Não mandaram você para a Terra, se bem me lembro.

-Rafael... –Jesse parecia derrotado. –Eu só... Eu quero...

-Agora eu quero ver. –Markus murmurou, rindo do outro.

-Quieto Markus! –o mais velho praticamente rugiu furioso. –Não piore as coisas!

Rafael? Rafael... Juh tentava lembrar-se das poucas vezes que foi à igreja e ouvira o nome dos três principais arcanjos. Quem era mesmo Rafael?

Ela lembrava-se de algumas vezes tê-lo invocado, rezando sem parar quando estava doente ou algo do tipo...

Oh, sim! O arcanjo Rafael, o anjo da cura! Como ela podia ter esquecido?

Vê-lo era bem diferente de apenas ouvir histórias sobre ele. Um arrepio percorreu a espinha da morena, fazendo-a fazer uma careta. Onde ela havia se metido, afinal? Há alguns dias ela era apenas uma novata tentando se enturmar, e agora ela era um fantasma perdido, andando para cima e para baixo atrás de seu corpo que fora levado por alguém que ela não conhecia.

-Prossiga Jesse. –continuou o homem, olhando com atenção para o rapaz. –Não o julgarei sem provas, mas também não serei negligente caso você esteja fazendo algo que não deveria fazer.

O ruivo fez uma careta, olhando para baixo. Suas asas moviam-se em suas costas, como se a qualquer momento ele pudesse alçar voo e sumir no céu azul.

-Não tenho nenhuma razão que faça você ficar do meu lado. –disse após uma longa pausa de silêncio. –Eu já sei de que lado você está antes mesmo que tivesse vindo aqui.

Rafael olhou-o profundamente, erguendo levemente a cabeça.

-Que tal me contar?

-Para você me mandar para qualquer outra dimensão? Não, obrigado. –o tom de Jesse era ácido, mas ao mesmo tempo cuidadoso.

-É tão grave assim para ser castigado em outra dimensão?

Ele ficou calado, ou por que não queria responder, ou por que não era preciso, Juh não sabia.

-Há algo que queira me contar, Jesse? –o homem arqueou a sobrancelha. –Estou ouvindo.

-Isso não é um interrogatório, pelo o que sei. E ainda tenho o direito ao livre-arbítrio. Portanto não preciso responder nada que não queira.

-Você é muito audacioso para um simples Anjo da Morte, não acha?

-Não acho que seja um posto pequeno ou insignificante. Guio as almas até seu descanso eterno, algumas vezes eu mesmo as levo... Não vejo nada de errado.

O anjo mais velho assentiu, concordando uma vez com o outro.

-Não é. Só estou pensando alto.

-Pois eu o aconselharia a pensar mais baixo. –retrucou. –Não quero problemas. Deixe-me fazer o que tenho que fazer e ponto final.

-Quem o autorizou a vir aqui?

Juh começava a ficar tensa novamente. Aparentemente, Rafael era quem mandava ali, ou quem deveria mandar, mas aparentemente Jesse tinha uma coisa importante para fazer, e ao mesmo tempo proibida. Sendo assim, estava quebrando regras. Quem sairia ganhando ali? Era lógico que Rafael não estava disposto a ser afrontado, mas também era claro que Jesse não queria desistir de o que quer que o tenha feito ir até ali.

-Ninguém.

O anjo grandalhão, Markus, abafou um risinho de escárnio. Parecia apreciar ver o outro em uma fria. Juh fez uma careta para ele.

-Então você vem até aqui, sem autorização, briga com um de seus irmãos, e não pretende dar nenhuma resposta? É isso mesmo?

-É exatamente isso. –ele assentiu uma vez. –Algum problema?

-Você sabe que há todos os problemas nisso. Parece quase uma rebelião de um anjo só.

-Considere como quiser. –Jesse deu as costas. –Minhas lembranças á Gabriel.

Suas asas estavam prestes a dar-lhe o impulso necessário para voar, mas antes que ele pudesse, e mais rápido do que pudesse acompanhar, um borrão azulado lançou-se contra o ruivo, prendendo-o ao chão.

-Não ouse dar as costas a um arcanjo do nível de Rafael, Jesse!

Juh piscou, vendo o grandalhão em cima de Jesse, prendendo-o com força, mantendo-o no chão sujo da floresta.

-E você, seu mal educado, solte-o agora!

A morena piscou ao ver Dani pela primeira vez tomando uma atitude ali.

-Como é que é?

-Você me ouviu! Ou será que é mesmo surdo? Não sabia que é falta de educação querer um cara bonito só para você?

O homem fuzilou Dani com os olhos, e por um momento, Juh preocupou-se com a amiga. Ela era tão pequena e frágil se fosse comparada ao brutamonte chamado Markus. Era provável que ele conseguisse derrubá-la apenas com um sopro.

-Fique de fora, criança. Viemos ajudar vocês.

-Eu não me lembro de ter pedido ajuda. –a morena virou-se para a outra. –E você, Juh? Pediu?

Juh apenas conseguiu mover a cabeça debilmente, negando. Não estava disposta a meter-se numa briga de anjos, mesmo que quisesse ajudar Jesse. Ele passava um tipo de segurança que ela não sentia há muito tempo.

-Eu não. –murmurou.

-Largue Jesse, Markus! –Ammy puxou-o para trás, tentando fazê-lo soltar o ruivo. –Vai feri-lo desse jeito!

-Deixe-me Ammy! Por que se preocupa? –perguntou irritado.

-Por que é meu dever ajudar e não ficar vendo alguém lutar contra o próprio irmão!

-Fique de fora!

-Saia de cima dele!

-Já chega!

As asas de Jesse bateram com força, atingindo o anjo que estava em cima do rapaz. Ele recuou tonto enquanto Jesse levantava-se, tentando se recuperar da queda.

-Imbecil. –murmurou.

-Vocês dois parecem dois animais selvagens brigando. –Rafael balançou a cabeça negativamente. –O que farei com vocês?

Markus abaixou a cabeça, parecendo realmente temeroso pelas consequências de seus atos impensados. Já Jesse revirou os olhos, como se aquilo só o estivesse atrasando ainda mais. A impaciência era notável em seus olhos azulados.

-O que quer que queira fazer, pode ser rápido? –o ruivo trocou o peso para a outra perna. –Preciso resolver umas pendências ainda.

-Pois bem. –o homem deu um meio sorriso muito suspeito para o ruivo enquanto dava de ombros. –Já que tem algo tão importante para fazer, leve seus irmãos e as crianças junto com você. Assim terá companhia.

Jesse arregalou os olhos ao ouvir o que Rafael havia dito.

-Como é? Arrastar Markus e Ammy comigo? Por que não diz logo que eles estão aqui para me vigiar? Como babás estúpidas me seguindo para cima e para baixo!

-Você quer ficar? Pois se quiser, terá de acatar esta ordem. Ammy e Markus irão com você. Ponto final. E se desobedecer novamente, será severamente punido. Quem sabe você não se torne um caído, Jesse. Já que gosta tanto de ficar por aqui.

Ele engoliu em seco, visivelmente abalado pela ameaça do arcanjo.

-Tudo bem. –disse com um suspiro. –Mas não me responsabilizo por nenhum deles.

-Diz como se estivesse indo a uma guerra. –Ammy fez uma careta.

Jesse simplesmente deu de ombros.

-Talvez.

***

Alaric bateu a caneta mais uma vez na mesa de seu escritório, ainda pensando no que escrever em seu breve relatório sobre supostos vampiros em Fell’s Church.

O homem jogou a caneta na mesa, apoiando o rosto entre as mãos. O que estava fazendo, afinal de contas? Não deveria estar ali, escrevendo a droga de um relatório para um morador desesperado que achava que havia um vampiro matando pessoas ali, na cidade perfeita dele.

Deveria estar com Meredith, tentando colocar um pouco de juízo na cabeça da garota. Deveria dizer que ela não fosse de fato procurar os tais irmãos-vampiros. Que deixasse aquilo com profissionais como ele. Ela poderia morrer!

E a culpa seria inteiramente dele.

Que ideia estupida fora aquela de meter uma colegial num assunto daquela magnitude? Mantê-la como um tipo de espiã entre os alunos. Se bem que parecia que ele nem tinha escolha. Os olhos dela ditavam as regras, por assim dizer. Ela tinha um estranho poder de deixa-lo submisso a seus desejos.

O que era estúpido e insano.

Ela era uma garota de dezessete anos! Como poderia ter tamanho poder sobre ele?

-Você está muito enrascado, Alaric. –murmurou para si mesmo.

O telefone tocou, fazendo-o sobressaltar-se. Não era uma boa hora para procurarem por ele.

-Alaric Saltzman.

Uma voz rápida e sobressaltada soava urgente do outro lado da linha. O homem mal conseguia compreender as palavras que viam em uma torrente ininterrupta, confundindo-o cada vez mais. Ele só conseguira entender palavras como ‘sequestro’, ‘corpo’, ‘garota morta’, ‘provável vampiro’.

-Por favor, acalme-se senhor. –pediu atordoado. –Fale devagar, respire fundo. O que houve? Como assim um corpo sumiu do necrotério?

Outra jorrada de informações confusas soou do outro lado da linha. O homem que falava com Alaric era um dos legistas do necrotério da cidade, responsável por noticiá-lo sobre mortes estranhas revelando como causa-mortis perca de sangue e lacerações na área do pescoço. Ao que parecia, uma garota havia sido morta na escola local com essas características, e seu corpo havia sumido misteriosamente.

-Como ninguém percebeu alguém arrastando o corpo de uma adolescente por aí? –perguntou quase irritado. –Eu não quero saber se você não tem culpa, quero que me explique como isso pôde acontecer!

O homem respondeu atropelando algumas palavras. Alaric revirou os olhos. O que será que estava acontecendo? Como alguém havia roubado um corpo sem que ninguém tivesse ouvido nada? E por que alguém roubaria um corpo? Algum vampiro que queria esconder seus rastros? Então por que havia deixado o corpo no ginásio da escola?

-Quero que você cheque as câmeras de monitoramento. Alguma delas deve ter registrado isso. Ligue-me novamente caso encontre alguma coisa. Passo aí mais tarde para colher provas.

O caçador bateu o telefone no gancho realmente irritado.

A cabeça do homem latejava com tantos problemas cercando-o. Por que ele não podia ser um professor de história comum? Com uma casa grande, amarela, uma enorme varanda, balanço de pneu no quintal, pendurado numa grande árvore, crianças brincando pela casa, uma esposa adorável...

Alaric balançou a cabeça, tentando clarear seus próprios pensamentos. Precisava manter-se focado. Não era hora para tentar rever os prós e contras de sua profissão.

Levantou irritado da cadeira, caminhando a passos rápidos até a saída. Precisava encontrar Meredith antes de ir ao necrotério, pedir que ela se mantivesse longe daquele caso confuso. Estava ficando cada vez mais perigoso.

O homem pegou a chave do carro em cima de um balcão, apanhou o casaco no gancho próximo à porta e saiu rapidamente.

Um arrepio percorreu sua espinha ao deixar sua casa confortável e entrar no carro. Como se um tipo de mau pressentimento tomasse conta de si mesmo de repente.

Algo muito ruim estava para acontecer. E logo.

***

-Eu não quero. –respondeu a menina pela quinta vez.

-Precisa se alimentar Margaret. –Stefan deu um suspiro pesado enquanto segurava a maçã em frente ao rosto da criança.

-Pra quê? –rebateu fazendo um biquinho.

O rapaz revirou os olhos, lembrando-se de ser o mais suave e paciente que pudesse conseguir naquela situação. Por que ela fazia a relação com Damon parecer tão mais simples? Stefan tinha certeza de que se fosse o irmão mais velho pedindo que ela comesse, a menina devoraria a maçã em segundos.

-Para ficar forte e não desmaiar. –Miriam parecia estar tentando persuadir a criança também.

-Eu já sou forte e não vou desmaiar. Não preciso.

-Vai dizer que sua barriga não está roncando de fome? –perguntou o vampiro arqueando a sobrancelha. –Seja honesta.

A menina ficou calada por um momento até o som de sua barriga roncando fazer o vampiro e a ruiva sorrirem.

-Vamos. Coma.

-Não tem cereal? –perguntou enquanto avaliava a maçã.

-Não.

-Leite? Biscoitos?

Stefan negou com a cabeça.

A menina suspirou, mas deu uma mordida na maçã.

-Aproveitem o último dia em que poderão respirar. Menos você, Stefan.

A voz que soou era estranhamente repugnante para Stefan, mesmo que ele estivesse quase acostumando-se à ela.

-O dia fica perdido sem você para nos ameaçar. –comentou quase irritado.

A garota deu de ombros.

-Você tem até o pôr do sol para sair daqui. Só um aviso prévio. Se não sair antes, fique sabendo que não vou me responsabilizar por nada.

O moreno arqueou as sobrancelhas.

-Está me dando uma opção agora?

-Você sempre teve uma.

O vampiro tentava realmente acreditar no que saia da boca dela, mas parecia estranhamente surreal ele realmente ter alguma escolha ali. Não depois daquele pacto idiota.

-Você é cheia de artimanhas, Vanessa. Como vou saber se está blefando, ou miraculosamente dizendo a verdade?

Ela deu de ombros, encostando-se a uma árvore um tanto longe deles.

-Não vai saber. Mas pode testar, que tal? Vá embora.

Se fosse ou não blefe, Stefan não sairia dali. Seu plano ainda estava muito bem arquitetado em sua mente para que ele desistisse assim tão fácil de salvar o dia e finalmente teria o perdão de Elena.

Elena.

O próprio vampiro ainda se surpreendia como não conseguia deixar de amá-la. Mesmo estando com Miriam de alguma forma, ele ainda sentia seu coração acelerar no peito sempre que pensava em Elena. Ele a amava. Sendo assim, sempre amaria. Mesmo que ela o odiasse agora. Mesmo que ela amasse o irmão dele. Ele continuaria amando-a por toda a eternidade.

-Não vou a lugar nenhum. –respondeu por fim, voltando sua atenção para Margaret.

-Você é quem sabe, mas como eu disse não me responsabilizo por nada.

E saiu, deixando-o ainda mais confuso.

-Eu não consigo compreendê-la. –resmungou consigo mesmo. –Num momento jura que quer proteger alguém que ama, no outro quer que eu deixe duas meninas indefesas para morrerem impiedosamente e sozinhas.

O rapaz levantou o olhar, vendo Miriam e Margaret conversando sobre banalidades. Tinha que salvá-las de alguma forma. Não somente por Elena, mas por ele mesmo. Stefan sabia que agora que havia se afeiçoado a elas, deixá-las estava fora de cogitação. Era como uma redenção para si mesmo, depois de todo o mal que havia causado.

Ele havia ferido Miriam, colocando-a em perigo mortal expondo-a a Katherine de uma maneira que jamais deveria ter feito. Era culpa dele que ela estivesse ali, a mercê de mulheres perigosas que a queriam morta.

Margaret não era culpa dele, mas depois de todo mal que infligira a Elena, era o mínimo que o vampiro poderia fazer por ela. Salvar sua irmãzinha talvez fizesse o ódio de Elena diminuir com relação ao mais novo dos Salvatore.

Mas para isso ele precisava salvá-las. Será que Vanessa cairia na armadilha? Ele conseguiria controlar Katherine novamente? Damon o ajudaria quando ele precisasse? Elena o perdoaria caso não funcionasse o que ele tinha em mente?

As perguntas giravam na mente do vampiro, preocupando-o cada vez mais.

Por que ele não podia ser normal? Tudo o que ele queria era ser aceito quando mudou-se para Fell’s Church, uma cidade pequena, mas que tinha muita história. Queria simplesmente esquecer-se de que tinha mais de cinco séculos, de que seu o irmão o odiava, de que era um assassino. Um vampiro.

Parecia realmente que Stefan tinha um distúrbio de personalidade. Em alguns momentos cansava-se de ser a presa, o fraco, o traído, tornando-se perigoso e pouco se importando com as pessoas ao seu redor, machucando qualquer um que atravessasse seu caminho de fúria e solidão. Em outros momentos, era melancólico, triste, quieto, calado. Amaldiçoava seu triste destino em se tornar um monstro da noite. Amaldiçoava o jovem ingênuo que fora outrora.

Se pudesse voltar no tempo algum dia, diria a si mesmo que não cometesse o erro de trocar sua vida inteira pelo amor egoísta de Katherine. Que não desse atenção às palavras doces como mel que saiam da boca dela, aos gestos delicados, aos cabelos dourados voando contra o vento. Não valia a pena o enorme sacrifício.

Mas era tarde demais. O tempo jamais voltaria.
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Dom Jun 03, 2012 2:56 pm

Capítulo 56-Possession
Possessão




Aodh já estava entediado daquele joguinho. A cena melosa entre Elena e Damon quase havia feito o garoto vomitar. Não conseguia entender como as pessoas sonhavam com aquilo. Com um romance de tirar o fôlego. Era estúpido na opinião dele.

Simplesmente por que isso tornava o forte, fraco. O inteligente, estúpido. O rápido, lento.

Sabia que humanos tinham tendência a desejarem aquelas coisas, mas ainda assim não compreendia. O amor era como uma doença fatal que não havia cura. Tornava a pessoa fraca, estúpida, lenta, dependente. Não era exatamente como uma droga, era diferente. Era como um tipo de vírus que alguns adquiriam e tinham a capacidade de passar para um pobre coitado com falta de sorte.

Sim, era como um vírus. Um vírus que queria arrastar pessoas indefesas para sua perdição.

O vício que a droga causa tem cura. Com força de vontade somos capazes de resistir à tentação. Mas um vírus não. Ele vem sem avisar, entra em você sem autorização e se impregna dentro de seu corpo com raízes fortes.

Ou talvez, o amor fosse como aquelas doenças-terminais que surgem do nada e acabam com você. Havia muitas possibilidades.

-Xeque-mate. –Vicky abriu um enorme sorriso para ele. –De novo.

-Você é boa. –o rapaz forçou um sorriso a aparecer em seus lábios. –Mas só venceu por que eu estava distraído. Exijo revanche.

A morena deu uma gargalhada enquanto balançava a cabeça negativamente.

-Está louco para perder?

-Silêncio, vocês dois, estou tentando me concentrar!

Denise revirou os olhos para os dois, voltando sua atenção para o urso de pelúcia que flutuava no ar suavemente. Achar a essência de sua dona não deveria ser tão difícil quanto estava sendo, a não ser que tivesse uma interferência forte demais, e conhecendo Vanessa, era provável que fosse algo assim.

-Desculpe-nos, Denise. –Ryan apareceu bem atrás da loura, causando-lhe um estranho arrepio.

Denise ainda não entendia por que começava a sentir-se estranha na presença de Ryan. Arrepios, calafrios, sensações estranhas que geralmente sentia quando estava em perigo. Na certa devia estar muito cansada. Desde quando Ryan era um perigo estando fora de uma cozinha?

-Tudo bem, mas agora cale a boca.

Ela fechou os olhos com força, murmurando o feitiço lentamente, apreciando as palavras estranhas que saiam de seus lábios numa pronuncia perfeita. E mais uma vez falhou. Mais uma vez a barreira estava lá, impedindo-a de encontrar a garotinha.

-Tem alguma coisa me bloqueando. –resmungou.

Vicky levantou-se da cadeira, indo até a loura.

-Como assim te bloqueando?

-Não consigo encontrar a menina. Tem alguma coisa me impedindo.

-Acha que é Vanessa? –perguntou a morena.

Denise deu de ombros, sem saber o que responder. Sim, de fato poderia ser Vanessa, mas elas estavam lidando com coisas que iam além de Vanessa. Como Aodh, por exemplo. Ele também era um telepata. Poderia muito bem forjar uma barreira na própria mente dela e mantê-la sabe-se lá por quanto tempo. Se fosse isso, ele estava por perto, fazendo mais do que apenas sussurrando.

-Não tenho certeza. –respondeu por fim. –Mas definitivamente tem alguma coisa me impedindo de localizar a menina.

-E Stefan? Você conseguiria?

Mais uma pergunta cuja resposta ela desconhecia. Se não encontrava a menina, talvez também não pudesse localizar o irmão caçula de Damon.

-Posso tentar, mas ambas sabemos que a prioridade é Margaret. –ela olhou para a ruiva parada perto dela. –Bonnie, sua vez de tentar, talvez consiga.

A garota aproximou-se cautelosamente, temendo fazer alguma coisa errada, obviamente.

-Tudo bem, é só se concentrar em Margaret. Você a conheceu melhor do que eu, pode conseguir.

Ela assentiu enquanto pegava o ursinho com as duas mãos e o apertava. Fechou os olhos, fazendo o que Denise havia instruído. Concentrar-se, pensar na pessoa, bloquear tudo mais ao redor... Buscar...

-Morte.

Todos olharam fixamente para Bonnie enquanto a garota abria os olhos, vidrada no nada.

-Morte se aproxima. Virá veloz e cairá sobre todos os que respiram neste mundo. Os que descansam não terão mais paz eterna e o caos virá como uma onda arrastando tudo o que vir pela frente. As almas alimentam, o feitiço fortalece, a morte traz a vida... Para sobreviverem às trevas, é necessário antes que a luz morra...

A ruiva respirou fortemente enquanto curvava-se para frente, dobrando-se contra o próprio corpo e depois voltava à posição normal, arfando e piscando sem parar.

-O que foi? –perguntou confusa. –O que eu disse? Ou fiz?

As pessoas presentes na sala se entreolharam, confusas demais para formularem alguma frase coerente.

-Você foi... Possuída? –a resposta soou como uma pergunta.

Todas começaram a falar ao mesmo tempo, perguntando sobre o que aquilo queria dizer, se ela tinha encontrado a menina, se lembrava-se de algo...

Mas para Aodh nada daquilo interessava. Alguém do outro lado estava tentando avisá-las do que estava por vir, tentando salvar as pessoas do destino trágico que se aproximava. Alguém intrometido demais para o gosto do rapaz. Não era assim que as coisas funcionavam quando ele estava no controle da situação. Ninguém podia invadir assim e sair na boa, ileso. Ele se alimentava de almas, e se aquela alma intrometida voltasse, ele mesmo daria um jeito nela, definitivamente.

-Eu não daria muita atenção se fosse vocês. –deu de ombros. –Diga-me, Bonnie, isso é frequente?

A ruiva pareceu pensativa.

-Não. Acontece somente algumas vezes, mas dessa vez foi diferente das outras. Eu me sentia fraca depois que era... Sei lá, possuída. Mas dessa vez fiquei em paz. Calma. Algo do tipo.

Espírito de luz antigo, provavelmente. Mas por que se daria ao trabalho de contatar Bonnie e não Denise que era uma bruxa cem vezes melhor? A não ser que tivesse alguma raiz distante com Bonnie, talvez, sendo assim poderia ser um druida. Ou até poderia ser por que Bonnie era daqueles tipos de bruxas que atraíam fantasmas para si mesmas, sensitivas, algo assim...

-Desde quando entende disso? –a voz de Denise era desconfiada.

-Eu leio Denise. –rebateu. –E Bonnie, sabe dizer se era homem ou mulher?

-Não. –a ruiva parecia confusa. –Eu fico de fora. É como se ele ou ela me deixasse de fora dos assuntos dele ou dela e só me deixasse voltar quando acaba o que tinha que fazer.

-Típico de fantasma. –comentou. –Quando isso costuma acontecer?

A ruiva parecia cada vez mais confusa, as perguntas de Ryan vinham em intervalos curtos demais.

-Uma vez no cemitério... Outra na casa de Elena... Não sei exatamente, prefiro não me aprofundar nisso.

-É fácil livrar-se das possessões indesejadas. –deu de ombros. –Programe sua mente para se proteger contra ataques desse tipo.

Denise semicerrou os olhos para Ryan. Um sinal claro de desconfiança. Alguma coisa muito errada estava acontecendo ali. A sensação de que ela deixara algo crucial escapar praticamente piscava em sua mente. O que estava acontecendo ali?

-E você sabe disso por que...

-Eu leio Denise. –repetiu revirando os olhos. –Não tem que tentar um feitiço ainda hoje?

A loura caminhou a passos lentos de volta para a mesa onde o ursinho de pelúcia estava. Respirou fundo, lançou um último olhar de desconfiança para Ryan, e fechou os olhos, deixando sua mente ficar novamente à deriva.

Continua...
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Sab Jun 09, 2012 3:45 pm

Capítulo 57 - What The Heart Wants
O Que o Coração Quer





Quando eu vi seu rosto
Era como se um espaço
No meu coração se encheu
É como se eu soubesse
desde o começo,
Que você fosse toda outra parte de mim

É como eu tenho amado você desde ent
ão

O momento quando
Desde o início dos tempos
Você enche meu coração

Oh, meu amor
Porque demorou tanto tempo para encontrar
Seu toque
Espero que nunca tinha ido
Mesmo que tenha demorado tanto tempo
Para te encontrar...



Damon entrelaçou seus dedos nos cabelos macios e sedosos de Elena enquanto explorava a boca da loura com luxúria, saudade, quase desespero. Estar longe dela durante tanto tempo parecia exigir demais do vampiro. Certo que faziam apenas horas, mas para ele era praticamente uma eternidade sem vê-la, sem senti-la.

O perfume floral dela estava em torna parte, seduzindo-o cada vez mais enquanto os corpos dos dois estavam colados, separados apenas pelas roupas indesejadas. Era obvio que ambos queriam unir-se novamente, numa oração não de palavras, mas de gestos, carícias, lábios, pele, sensações. Elena era sua e somente sua, e Damon sabia disso.

Sempre soubera, na verdade, desde a primeira vez que a viu. Ela o pertencia, e isso sim era a verdade mais absoluta da vida dele, o que de mais concreto existia.

-Damon... –ela afastou brevemente os lábios, arfando em busca de ar. –Não devíamos... Não nessa situação...

Ele sabia exatamente do que ela estava falando naquele instante, mas não conseguia achar o ponto em que aquilo se tornava uma necessidade. Não era necessário que se mantivessem longe um do outro. Não era preciso. Isso não mudaria nada, apenas os torturaria ainda mais.

-Por que não? –perguntou com a voz rouca, tentando controlar-se enquanto a puxava para mais perto de si mesmo.

-Tantos problemas... –ela suspirou pesadamente por um momento. –Margaret, Stefan, Aodh, Vanessa... Não parece certo.

O moreno deu um sorrisinho contra a pele dela, acariciando-a com a ponta do nariz suavemente. Entendia a preocupação de Elena. Entendia todos os problemas que estavam enfrentando naquele instante. Entretanto ele também a entendia. E sabia que aquelas palavras eram apenas os contras de ficarem ou não juntos naquele momento, quando na verdade ela também o queria.

-E não nos entregarmos mudaria algo? –perguntou com doçura, segurando o queixo dela para que ela o encarasse. –Entendo que está preocupada, que quer salvar todo mundo que ama. Acredite meu anjo, eu sei. Entretanto você e eu merecemos esse momento depois de tanta confusão, não acha? Merecemos nos amarmos mais uma vez, como se fosse a primeira e a última. Eu te amo, Elena. Mas se você quiser esperar, vou respeitar sua decisão. Basta que me diga o que quer.

Ela abriu a boca diversas vezes, sem saber o que falar. Não entendia como ele sempre sabia exatamente as palavras que a deixariam muda. Ela queria, e ele sabia. Ela queria com cada fibra de seu ser estar novamente com ele daquela forma única, onde se sentia inteiramente dele. Ainda assim ela não conseguia parar de pensar em sua família, em seus amigos...

-Lembra-se daquela noite em que foi até meu quarto? –perguntou acariciando o rosto dele. –Você disse uma coisa... Você conseguiu fazer uma coisa... Queria que repetisse.

O vampiro tombou a cabeça para o lado, avaliando o rosto da loura com atenção. É claro que ele recordava a noite em que estivera no quarto de Elena. A primeira noite dos dois. A noite em que ela o escolheu. Em fora sua verdadeiramente pela primeira vez. Mas ambos haviam dito muitas coisas um ao outro. Era difícil saber com exatidão ao que ela se referia.

-Você disse para que eu esquecesse todos os meus problemas. –lembrou-lhe suavemente. –Do mundo inteiro. Naquela noite apenas nós dois existíamos.

Ele deu um meio sorriso, lembrando-se.

-Eu me lembro.

-Você me fez esquecer todos os meus problemas. –Elena o fitou profundamente. –Gostaria que fizesse outra vez.

Damon arqueou a sobrancelha. Ela queria que ele usasse seus poderes mentais sobre ela novamente? Tecnicamente ele apenas a acalmaria, passaria segurança, conforto, para ela. O resto era apenas entre os dois.

O moreno acariciou o rosto da menina com suavidade, vendo-a deleitar-se pelo carinho e pelo contato de suas mãos contra a pele macia. Estava funcionando, isso era óbvio. A sensação de bem-estar estava apoderando-se completamente de Elena, acalmando-a pouco a pouco.

A loura sentiu e aceitou com prazer quando a familiar sensação de leveza tomou conta de todo seu corpo. Sua mente parecia abrir as portas para a familiar neblina que nublava seus pensamentos mais obscuros, mantendo-os longe, enterrando-os no fundo de sua própria mente, onde esperariam pacientemente até que ela os quisesse por perto novamente.

Toda a preocupação, o medo, a incerteza, a dúvida, foram dissipando-se pouco a pouco até que restaram apenas as sensações boas e os sentimentos de felicidade que ela sentia ao perceber que em breve pertenceria ao homem que amava novamente.

O torpor logo chegaria, ela tinha plena consciência disso, porém já estava afetada demais pela presença do vampiro para notar completamente quando fora envolvida pela sensação.

Sua pele agora queimava contra a pele de Damon.

Ela era apenas desejo, amor, paixão e felicidade. Não havia mais as dúvidas ou os medos. Ela estava em paz consigo mesma, disposta a entregar-se ao amor que sentia por Damon sem pensar duas vezes. Era novamente a Elena daquela noite de véspera de ação de graças.

Damon envolveu o corpo da loura rapidamente, fazendo suas mãos segurarem a cintura fina da garota fortemente. Sentia o cheiro delicado que emanava da pele quente dela, fazendo-o enlouquecer lentamente, a textura da pele macia dela em contato com a dele...

Ela deitou lentamente a cabeça do vão do pescoço do vampiro, inspirando longamente o cheiro que emanava do mesmo. Aquele cheiro que a enlouquecia ao mesmo tempo em que a acalmava. Ele era tanto seu veneno quanto sua cura, não havia como escapar, e naquele momento Elena não pretendia.

Sentia tanto a falta dele! Daqueles músculos fortes contra o corpo dela, daquelas mãos envolvendo sua cintura, daqueles lábios tentadores contra os seus...

Ela gemeu baixinho quando uma das mãos de Damon subiu lentamente por suas costas, alcançando o fecho do sutiã.

-Damon... –disse tonta, tanto pelo toque dele quanto pela proximidade de seus corpos.

Ele sorriu enquanto sentia a pele macia e quente da garota. A mão dele que explorava lentamente cada parte da pele clara, subiu lentamente pelas costas da loura, passando pelos ombros, indo para a clavícula da moça e erguendo lentamente o rosto dela para que encarasse o vampiro.

O moreno olhou longamente nos olhos azuis da loura, sentindo-se sendo sugado por um instante. Os olhos dele desceram lentamente pelo rosto dela, memorizando cada mísero detalhe dela, cada linha delicada, depois passaram longamente pelo corpo esbelto dela, memorizando cada curva perfeita.

Ele inclinou-se lentamente para frente, olhando cheio de desejo para os lábios entreabertos de Elena. A loura esperou paciente pelo contato que tanto desejava, e aos olhos de Elena, não poderia ter sido melhor.

Damon fora extremamente doce e carinhoso ao encostar levemente os lábios nos da garota. Apenas saboreando lentamente, prolongando o momento, e ao mesmo tempo torturando-a. Ele sorriu contra os lábios dela ao sentir as mãos da garota adentrando por seu suéter preto, mas o sorriso substitui-se por um gemido baixo ao senti-la arranhando-lhe as costas, passando as mãos lentamente pelos músculos.

Elena sentiu os músculos definidos e perfeitos de Damon com suas mãos que ansiavam por mais. A garota passou as mãos lentamente para frente, sentindo o peitoral ainda mais tentador do vampiro, suspirando contra os lábios dele. Até que sentiu quando ele a apertou ainda mais contra si, invadindo a boca dela com a língua, completamente sedento.

Elena retribuiu da mesma forma, sentindo seu corpo pegar fogo contra o dele. Damon explorava cada canto da boca da loura, enquanto suas mãos fortes deslizavam pelo corpo dela, fazendo com que Elena sentisse que levava choques elétricos, ao mesmo tempo em que um rastro profundo de fogo passava por ela.

Damon a empurrou rapidamente contra a parede, segurando o quadril de Elena e erguendo-o lentamente, fazendo com que a garota entrelaçasse suas pernas do redor do vampiro.

O moreno sugou fortemente o lábio inferior da loura, fazendo-a fechar os olhos pela corrente de arrepios que sentiu quando ele voltou a apertá-la contra si mesmo, segurando firmemente uma das coxas da loura, querendo fundir seus corpos num só.

-Elena... –gemeu rouco enquanto descia os lábios lentamente pelo pescoço alvo da garota. –Minha Elena...

Ele a segurou no colo suavemente enquanto a carregava pelo quarto que era iluminado apenas pela luz da manhã que entrava pela janela de vidro. Tanto tempo sem sentir aquela pele macia e quente contra a dele... Damon sentia-se faminto por ela, ansioso como nunca se sentira antes.

Elena sentia-se flutuando nos braços fortes do vampiro enquanto ele a beijava cada vez mais intensamente, mas profundamente, deixando-a sem ar, sem reação. Ela sequer conseguia pensar em alguma coisa que não fosse os lábios e o corpo de Damon contra si.

Damon a deitou gentilmente na cama de casal no meio do quarto, interrompendo o beijo para permitir que a loura respirasse.

Ele passou a mão pelas costas dela, enquanto uma ainda segurava a cintura de Elena. Ela ergueu levemente o corpo para permitir que ele tirasse aquela jaqueta e a calça jeans que tanto incomodavam aos dois, e soltou um suspiro pesado ao sentir a mão do vampiro descendo lentamente e alisando lentamente a pele que ficava exposta.

O moreno libertou o corpo de Elena e deliciou-se com a visão do corpo seminu da garota coberto apenas pelo lingerie vermelho de renda que ela usava. Damon estava sedento demais pela garota para prestar qualquer atenção em qualquer coisa que não pertencesse naturalmente á ela.

Elena, por sua vez, passou as mãos até a barra do suéter que Damon usava, puxando-o para cima, tão ansiosa quanto ele para sentirem completamente a pele e o calor um do outro sem aquelas barreiras impedindo-os.

Damon ajudou-a em sua tarefa, revelando o peitoral musculoso, fazendo a garota morder o lábio levemente pela visão privilegiada do vampiro que abriu um sorriso malicioso para ela.

-Viu só o que estava perdendo?

Elena fez uma breve careta para ele, enquanto inclinava-se para frente, entrelaçando as mãos nos cabelos sedosos do vampiro, beijando-o apaixonadamente, tentando fazê-lo esquecer-se de qualquer coisa que não fossem os dois naquele momento único.

Parecia que tinha dado certo, já que com um gemido baixo, Damon voltou toda sua atenção para o corpo macio de Elena que pegava fogo contra o seu.

Ele a apertou fortemente contra si, passando ousadamente suas mãos pelo corpo macio da garota, arrancando fortes e demorados suspiros da mesma. Ele segurou uma das coxas dela novamente, levando-a até o próprio quadril, fazendo-a tombar a cabeça para trás enquanto gemia baixinho.

-Eu quero você, Elena. –sussurrou rouco no ouvido da loura. –Eu preciso de você.

Elena o encarou longamente, vendo aquele brilho nos olhos negros do vampiro, provando o quanto ele estava sedento por ela. O quanto ele a desejava, o quanto ele a queria tanto quanto ela o queria.

-Eu sou sua, Damon. –disse enquanto o fitava. –Somente sua...

O vampiro mergulhou contra o corpo dela, beijando-lhe toda a extensão do colo da garota, arrancando-lhe suspiros e gemidos cada vez mais altos. Ele passou os lábios pelo tecido fino do sutiã, fazendo-a agarrar seus cabelos negros com mais força, fazendo-o abrir um breve sorriso contra a pele quente dela.

-Isso... É... Golpe... Baixo... –gemeu enquanto as mãos dele deslizavam pela pele da garota.

-E isso? –disse rouco enquanto descia lentamente pela barriga macia de Elena, distribuindo beijos molhados por toda a extensão, passando a língua sensualmente pelo umbigo da loura.

Elena gemeu ainda mais alto, puxando os cabelos dele para cima, trazendo-o de volta e beijando-o longamente.

-Isso é ainda pior. –ela mordeu levemente o lábio dele. –Mas eu também sei brincar. –sorriu maliciosa enquanto mudava de posição com o vampiro.

Damon arqueou uma das sobrancelhas negras enquanto fitava a garota longamente. Um sorriso sacana apareceu lentamente nos lábios do moreno. Gostava quando Elena chegava àquele ponto onde estava agora. Aquele momento em que ficava tão sedenta por ele quanto ele por ela. O momento em que ela esquecia completamente qualquer coisa que não fosse ele.

-O que pretende fazer?

Elena apenas deu um meio sorriso para ele, aproximando-se do rosto do vampiro e mordendo-lhe levemente o lóbulo da orelha, fazendo-o fechar os olhos e sorrir baixinho.

-Vai me torturar? Mia bella e dulce Elena...

Ela se deliciou com o modo com o qual ele falara com ela. A voz de Damon com aquele sotaque de italiano fazia-a delirar ainda mais.

-Você me torturou primeiro. –acusou segurando o rosto dele e arranhando-o suavemente enquanto inclinava-se para beijá-lo.
Damon grunhiu levemente quando a garota se afastou levemente antes que ele pudesse aprofundar o beijo do jeito que queria.

-E você pretende prolongar ainda mais isso? –perguntou rouco.

Elena sorriu, beijando-lhe no canto dos lábios, fazendo-o soltar um muxoxo de indignação. A garota não esperou por qualquer outra reação do vampiro, passando seus lábios pelo pescoço dele, descendo pelo peitoral perfeito, demorando-se propositalmente na barriga definida, percebendo o quanto o vampiro se controlava para não agarrá-la como tanto queria.

Ela gemeu levemente ao sentir as mãos firmes dele em suas costas, alcançando o fecho do sutiã e o soltando lentamente, acariciando as costas agora nuas da garota.

Damon grunhiu, ficando sentado com Elena ainda em seu colo, tão ansiosa quanto ele para livrassem das peças de roupa que ainda formavam uma barreira entre os corpos dos dois, impedindo-os de unirem-se completamente.

Ele beijou o pescoço da garota, subindo até a orelha da mesma, causando-lhe arrepios enquanto dava um forte suspiro. O vampiro desceu suas mãos até os ombros dela, ainda distribuindo beijos por todo seu rosto, e desceu lentamente as alças do sutiã deixando-as deslizarem pelos braços de Elena junto com suas mãos que acariciavam a pele macia.

Pretendia ser o mais doce e carinhoso com ela do que jamais fora um dia. Pretendia fazê-la ver, sentir, entender a complexidade que era amá-la e ser amado por ela.

Não era apenas desejo, era amor. Um amor puro, doce, crescente. Um amor nunca visto antes, sem precedentes, sem barreiras, sem limites. Não era errado o que estavam fazendo, era apenas mais uma maneira de demonstrarem seu amor.

Ela apertou-se contra ele, sentindo a pele dele tão quente quanto à dele, sentindo suas formas encaixarem-se como se fossem feitas na medida certa um para o outro, deixando-a ainda mais extasiada. Era como se Damon a completasse de todas as maneiras possíveis e impossíveis, imagináveis e inimagináveis.

O vampiro gemeu ao sentir a pele dela num contato tão intimo contra si mesmo. Ele desceu as mãos levemente pelo corpo macio dela, deixando suas mãos deslizarem livremente pelas curvas perfeitas dela, apertando-a com força.

O coração de Elena palpitava rapidamente no peito, tão alto que o vampiro conseguia ouvir com precisão, mas assim, com os corpos dos dois tão próximos um do outro, ele podia senti-lo contra si mesmo. Seu próprio coração deveria estar batendo da mesma forma, na mesma sincronia do coração de Elena.

A respiração dos dois já era irregular há muito tempo, enquanto suas mãos exploravam livremente os corpos um do outro, sem restrições, sem medo.

Elena envolveu o pescoço dele com os braços, apertando-o num abraço firme, gemendo no ouvido dele enquanto o moreno mordia levemente o pescoço dela, sem romper a pele, apenas provocando-a ainda mais.

Poderia parecer insano, ou até mesmo doentio, mas Elena queria que ele a mordesse. Queria que ele estivesse na mente dela novamente, assim como queria poder estar na dele. Queria aquele vínculo único que sempre tiveram, mas que se atenuava sempre que partilhavam sangue.

-Eu quero... –gemeu de olhos fechados. –Eu quero...

Ela não conseguia terminar a frase, mas sabia que ele entenderia. Não era preciso que ela falasse para que ele entendesse o que ela tanto estava empenhada em dizer que queria.

O moreno deu beijos longos no pescoço da garota, acalmando-a, preparando-a para o que estava por vir. Entretanto, não era preciso. Elena já não tinha mais medo ou receio sobre trocar sangue com ele. Era apenas mais uma maneira de estarem ligados, formando um só. Eles estavam unindo-se de corpo, alma e mente.

As presas afiadas romperam a pele macia rapidamente. Não houve dor além da habitual que Elena sempre sentia. Aquela dor fraca como se enfiassem agulhas em sua pele. Porém fora feito tão suavemente e com tanto cuidado que ela mal sentira dor alguma. Logo a loura estava deliciando-se com o prazer de alimentar o homem que amava com o próprio sangue.

Era tão gratificante para ela, tão único e especial. Era mais que um contato íntimo, mas do que contar um segredo. Era completamente indescritível. O mundo lá fora já não existia há tempos para os dois, mas naquele instante parecia a Elena que não havia nada além dos dois.

O Universo era pequenino, talvez sequer existisse. Ele era tudo o que preenchia seu mundo.

As mãos hábeis do vampiro livraram-se do restante das roupas dos dois, aconchegando Elena com delicadeza nos travesseiros de seda da enorme cama. O sangue dela ainda descia quente e saboroso pela garganta do vampiro, alimentando-o, enlouquecendo-o. Elena era perfeita para ele de todas as maneiras.

Damon passou a língua pelos furinhos recém-feitos por suas presas, vendo-os cicatrizando aos poucos. Não estava realmente interessado nisso, queria apenas aproveitar o tempo que tinha com Elena. Não sabia quando estariam juntos novamente.

Ela abriu os olhos quando percebeu que ele a fitava. Os olhos dos dois encontraram-se numa compreensão muda, havia tanto ali que não necessitava ser dito naquele instante. Ele estava dando as boas-vindas a ela, dizendo que ela finalmente estava em casa, nos braços dele, segura como nunca estivera antes.

Ele levou sua mão até o rosto da loura, acariciando-o longamente.

-Eu te amo. –disse simplesmente. –A cada dia da minha eternidade, para sempre.

Elena sorriu para ele, tentando memorizar cada palavra que ele dizia, cada toque, cada sentimento, queria manter as memórias para sempre dentro de si, para sempre lembrar-se do momento em que voltara para casa depois de uma tempestade que parecia sem fim.

-Como eu te amo...

Damon inclinou-se para o lado, pegando uma adaga pequena, fina, colocada em cima do criado-mudo. Agora era a vez dela, ambos sabiam disso. Era a vez dela de sentir tudo o que ele sentia, de estar com ele como se fossem um só.

Elena inclinou-se sedenta para o corte fino que escorria um sangue cor de carmim. Os lábios da garota eram ansiosos ao entrar em contato com a pele tão quente do vampiro, sugando lentamente o sangue, beijando o corte e a pele. A cada vez que ela fazia aquilo, parecia melhor do que a anterior. O gosto do sangue de Damon era cada vez mais delicioso para ela, como se não houvesse mais nada igual no mundo inteiro.

Ela passou os braços ao redor do pescoço dele enquanto ele ainda segurava de alguma forma o peso de seu corpo sobre ela, tentando não machucá-la. O sangue escorria cada vez mais rápido pela garganta de Elena enquanto ela bebia avidamente, como uma criança faminta. Aos poucos, porém, ela lembrou-se de que tinha prioridades maiores.

A loura afastou lentamente os lábios do corte, vendo-o cicatrizar imediatamente sem a pressão de seus lábios para que o sangue escorresse.

Elena fitou os olhos negros do vampiro, vendo-os tão profundos que perdeu-se na imensidão daquele mar de águas negras.

Ele inclinou-se para beijá-la novamente, saboreando o gosto viciante dos beijos dela, apertando a pele macia e quente, cada vez mais envolvido com o momento. Era tão diferente das outras vezes... Damon não sabia exatamente o quê tinha mudado, mas sentia que tudo estava diferente.

Parecia mais especial, mais único.

A loura fechou os olhos com força enquanto sentia o corpo de Damon contra o seu, tornando-se parte de si mesma, apenas um corpo, um coração, uma alma. Não havia palavras para que ela definisse o momento. Ele estava sendo doce com ela, deixando-a aproveitar o momento como nunca deixara antes. Como se ele quisesse dizer algo a ela com seus movimentos lentos e profundos que a enlouqueciam a ponto de deixá-la fora de si.

Ela conseguia senti-lo em cada parte de seu corpo, amando-a, acariciando-a, contornando cada curva de seu corpo, apertando sua pele em chamas.

Os dedos da loura enlaçaram-se nos cabelos do moreno, apertando-os com força enquanto o vampiro beijava cada parte do corpo dela, arrancando suspiros e gemidos altos da garota. Nenhum dos dois importava-se com o fato de que aquela casa estivesse cheia de vampiros. Sequer lembravam-se daquilo, perdidos demais nas sensações que sentiam.

-Eu te amo! –gritou novamente quando chegou ao ápice do prazer juntamente com o vampiro.

Ele nada respondeu, apenas sorriu para ela e voltou a beijá-la com a mesma devoção de antes, afastando os cabelos louros da testa suada da garota.

-Não imagina o quanto eu senti sua falta. –murmurou suavemente. –Minha Elena...

O moreno caiu ao lado dela, puxando-a para seu peito e afundando o rosto nos cabelos louros de Elena, sentindo o perfume delicado que emanava da pele dela, agora misturado com seu próprio perfume. Era tão bom sentir o cheiro dela misturado ao seu. Ambos combinavam perfeitamente, formando uma fragrância ainda melhor do que as originais.

Juntos eles eram perfeitos. Damon sabia disso.

Elena puxou o cobertor vermelho de seda, cobrindo o próprio corpo desnudo e o do vampiro. A loura aconchegou-se melhor nos braços fortes dele, aspirando o perfume do vampiro enquanto traçava desenhos sem sentido no peito dele, vendo o sutil movimento que ele fazia enquanto respirava.

-Obrigada. –sussurrou por fim.

Damon riu.

-Pelo quê exatamente? –ele a apertou mais contra si.

Elena deu de ombros, fechando os olhos enquanto sentia a mão dele acariciando sua pele.

-Por me amar, por cuidar de mim... Tantas coisas.

Ele riu novamente, erguendo o rosto dela para que ela o encarasse.

-Disponha. Agora durma um pouco, parece muito cansada.

Ele viu quando a garota fez uma careta, aparentemente não querendo dormir ainda. Não fazia sentindo para ele, já que ela parecia muito cansada, que mal havia em dormir?

-Qual o problema? –perguntou suavemente.

-Não quero dormir e ter pesadelos novamente.

Damon deitou a cabeça gentilmente sobre a dela, acalmando-a.

-Não terá, eu prometo. –ele começou a cantarolar baixinho alguma canção de ninar conhecida, percebendo que aos poucos o corpo da loura amoleceu sobre o seu e a respiração dela acalmou-se.

Elena dormia.

Sorriu sozinho, ainda aproveitando a atmosfera que o cercava. Era errado estar feliz? Realmente contente por estar com a mulher que amava?

Não. Ele tinha certeza de que não era. Margaret teria dito que não, mesmo sem entender direito. Stefan teria feito uma careta e tanto, mas se fosse outra garota diferente de Elena, ele diria que não era errado.

Damon só estivera seguindo seu coração e seus instintos naquele momento único que haviam compartilhado. A consciência poderia chateá-lo depois, no momento ele estava feliz demais para prestar atenção em alguma coisa que não fosse a mulher em seus braços.

Queria estar com ela, de qualquer forma, de todas as maneiras possíveis. Queria aproveitar cada segundo que tinha ao lado dela, enquanto ainda havia tempo.

Logo ambos teriam de se separar novamente, e ele sabia que seria logo.

***

Stefan estava tenso novamente. Parecia que quanto mais tempo passava, mais nervoso o vampiro ficava. Havia muito que precisava ser feito, muitas decisões a serem tomadas, muitas vidas que ele precisava salvar.

Finalmente o moreno sentia-se plenamente no controle de si próprio. Podia ir a qualquer lugar que quisesse, consciente do que estava fazendo. Nada mais de apagões de memória repentinos ou ataques estranhos de irritação. Era só ele, o velho Stefan de sempre, só um pouco mais forte e de certa forma ainda mais maduro do que antes.

O tempo em que passara odiando-se e repudiando o modo como era fraco serviu para que ele visse que a parte aventureira e sedenta por poder e aceitação ainda estava ali com ele, havia sobrevivido a todos os séculos de repressão e agora estava pronta para libertar-se.

Essa era a parte que provavelmente sempre entrava em conflito com o vampiro, fazendo-o ser um mártir em pessoa. O fato de não aceitar-se como ele era, trazia sérias consequências emocionais para ele e para todos os que o cercavam.

Ele admitia que nunca aceitara bem a transformação, sendo que não estava pronto para tomar aquela decisão tão repentinamente. Era pouco mais que um garoto, dezessete anos incompletos, sequer chegara aos dezoito. Era óbvio que não podia tomar uma decisão daquela magnitude. Uma decisão que seria eterna.

Talvez nem o próprio Damon estivesse pronto na época. Entretanto, era lógico que o mais velho dos Salvatore apreciava os poderes que havia ganhado após sua transformação. Nada mais o segurava. Ninguém mais poderia mandar nele ou desafiá-lo. Damon conseguira a fonte de poder que sempre desejara.

Ainda assim, para Stefan, nenhum dos dois sabia o que estavam escolhendo.

Sentia-se preso, um homem de mais de quinhentos anos preso no corpo de um menino de dezessete. Essa parte não era tão ruim, de certo ângulo. Pelo menos ele mantinha a aparência jovem. O que atormentava Stefan era a sede por sangue fresco. Era a matança, a dor que isto causava não somente á vítima, mas a seus familiares e amigos também. Era demasiado torturante para ele viver com o peso da culpa sobre si mesmo.

Havia uma parte dele, uma parte realmente significante, que daria tudo para voltar a ser um humano novamente. Voltar a sentir o tempo passando, as cicatrizes que ficavam após machucados, a adrenalina. Queria poder ir à escola normalmente, sem preocupar-se em atacar pessoas inocentes ou ouvir pensamentos alheios. Queria correr como um humano normal, tropeçar, sentir-se nervoso, gaguejar por não saber uma resposta. Queria simplesmente viver.

Ele trocaria todos aqueles poderes apenas para ter a vida que lhe fora tomada há mais de cinco séculos.

O rapaz balançou a cabeça negativamente, afastando os pensamentos de sua cabeça. Precisava ficar focado em seu plano, completamente atento a qualquer detalhe que pudesse sair errado. Precisava manter Vanessa distraída, Katherine fora do caminho, avisar Damon e ele mesmo fugir. Trair Vaanny traria sérias consequências, mas Stefan pouco se importava. Ela havia dito que o trato não fora feito com ela. Sendo assim, Stefan não tinha nenhuma obrigação em obedecê-la.

Ele apanhou uma pedrinha, jogando-a no lago e vendo-a quicar sobre a água algumas vezes antes de afundar. Ondas suaves indicavam onde a pedra havia batido.

Os pensamentos do vampiro voaram novamente, desta vez em direção à Elena. Como era possível que ele ainda a amasse? Depois de todas as coisas ruins que havia feito não somente a ela, mas também a seus amigos e aqueles que ela amava. Como ele ainda achava-se no direito de amá-la.

Era errado, ele sabia disso. Ela pertencia a seu irmão agora. Deveria estar com ela naquele exato momento, trocando juras de amor e beijos que a deixavam de boca vermelha e sem ar...

Stefan fez uma careta, tentando realmente ignorar a náusea que sentiu naquele momento. Imaginar Damon tocando-a já era ruim, imagine então se ele chegasse a ver. Talvez nunca mais pudesse ficar perto de Elena novamente. Talvez ele apenas pudesse salvar a irmãzinha dela como um pedido de perdão e esperar que ela o perdoasse...

Deveria ir embora da cidade quando tudo já estivesse resolvido. Talvez até do país. Quem sabe ele não voltasse para sua terra natal?

Você é um maldito covarde, Stefan.

O vampiro revirou os olhos verdes pelo pensamento audacioso dele próprio. Um covarde? Era realmente covardia deixar que ela fosse feliz com o homem que escolheu? Ele poderia conviver com isso. Poderia seguir o caminho certo, nobre, e simplesmente deixar que os dois vivessem suas vidas sem preocuparem-se com ele.

Os nobres sempre se dão mal Stefan. Sempre. Porque a nobreza os impede de fazer o que precisam. Damon não é nobre, e é por isso que ele está com sua preciosa Elena agora. Ele fez o que era preciso. Mas olhe só pra você com sua nobreza e sua honra. Onde elas te levaram Stefan?

A voz de Katherine soou na mente do vampiro, irritando-o profundamente. Como ele mesmo ousava lembrar-se do que ela havia dito quando se reencontraram? Não importava se Damon era nobre ou não, os princípios de Stefan eram aqueles. Ele não mudaria novamente somente para provar alguma coisa. Não era assim que reconquistaria Elena.

Não fora por não ser nobre que Damon havia conquistado o coração de Elena e sim por não ter desistido. Era uma coisa que Stefan poderia fazer, se quisesse. Poderia lutar por ela, de forma justa, dia após dia. Poderia ser o amigo dela, alguém em quem ela poderia confiar e sempre contar quando precisasse. Amava Elena, isso jamais mudaria, mas ela não o amava, não como antes, e agora ele precisava acostumar-se a amá-la incondicionalmente sem esperar nada em troca. Ele poderia fazer isso.

Para o bem dele, para o bem dela, ele podia fazer isso.

-Ai, ai, você tem noção do quão bonito fica quando está sério assim?

A voz doce de Miriam atraiu a atenção do vampiro que forçou um meio sorriso para ela. Sentia-se um falso quando dava esperanças de verdade à Miriam. Gostava dela, de verdade, mas ele só fora em sua procura por que precisava tirar o peso da culpa de suas costas. Ele não a amava como amava Elena. Gostava dela, sentia uma atração pela garota de olhos claros, mas não passava daquilo.

-Onde está Margaret? –perguntou mudando de assunto.

A ruiva semicerrou os olhos brevemente, antes de dar de ombros e sorrir.

-Brincando em algum lugar. Não se preocupe, não é como se Vanessa fosse nos deixar sair.

Ele apenas assentiu, olhando para as próprias mãos entrelaçadas. Não queria encarar Miriam e ver a paixão adolescente estampada em suas feições. Ele não a amava! Como podia tê-la usado daquela maneira? Como podia ter dado alguma esperança quando seu coração estava fechado?

-Desculpe-me, Miriam. –murmurou. –Eu não queria ter feito nada disso com você.

A garota arqueou as sobrancelhas, surpresa e confusa ao mesmo tempo. Não entendia sobre o que ele estava falando, Stefan tinha plena certeza disso. Como ele poderia dizer isso a ela?

-Não queria ter... –ele lutou contra as palavras, a vergonha inundando-o pouco a pouco. –usado você daquela maneira.

Pronto, estava dito. Não havia mais como voltar atrás, mas no fundo, Stefan não queria. Precisava ser honesto com ela, dizer que seu coração ainda pertencia à Elena, e aquilo não mudaria do dia para a noite. Que aquele beijo no estacionamento fora um erro sem tamanho, sendo que ele estava brincando com os sentimentos dela e que queria matá-la naquele dia. Se Katherine não a tivesse sequestrado, o próprio Stefan teria matado a garota. Será que ela não havia se tocado disso?

-Me usado? Do que estamos falando?

-O estacionamento, Miriam. O seu último dia como uma colegial normal. –ele a encarou, sem demonstrar nenhuma emoção. –Aquele dia em que eu a beijei apenas por que estava furioso e magoado demais. O dia em que fui covarde demais para enfrentar meus sentimentos e decidi provar que posso ser tão malvado quanto meu irmão mais velho. O dia em que me esqueci completamente do que acredito e decidi matar qualquer pessoa. Eu não te escolhi, Miriam. Você estava no lugar errado, na hora errada.

Ela estava visivelmente magoada, Stefan percebeu isso imediatamente. Os olhos azul-piscina da garota encheram-se de lágrimas, mas ela as segurou firme, forçando-as a regredirem. Ela não queria demonstrar o quão estava ferida.

-Eu sinto muito Miriam, de verdade. –Stefan levantou-se da pedra onde estava sentado, aproximando-se lentamente da garota. –Eu sei que estraguei sua vida, que te magoei. Mas... Eu estou tentando... Mesmo. Eu quero mudar isso, quero te devolver a vida que tiraram de você. Eu sei que te coloquei em risco, eu entendo isso, e eu peço que me perdoe. Estive perdido por um tempo, mas finalmente voltei a ser eu mesmo.

-Então é assim? Você está aqui, dizendo na minha cara que veio atrás de mim por culpa? –ela semicerrou os olhos para ele, erguendo o dedo em riste para o rosto do vampiro. –Que me beijou porque havia levado um fora da sua ex-namorada que te trocou pelo seu irmão? Que queria me matar e que eu estava no lugar errado?

-Miriam...

-Stefan, eu acho que não existe isso de lugar errado! –gritou furiosa. –Eu sou livre, posso andar onde bem entendo! Você é que não devia ter brincado com os sentimentos das pessoas!

-Eu nunca quis que nada disso acontecesse! –o rapaz gritou de volta. –Eu não queria brincar com os seus sentimentos! Muito menos colocar sua vida em risco! Eu sequer a conheço!

-Então é assim? Você vem com essas desculpas esfarrapadas só porque não tem coragem de dizer na minha cara que quer correr de volta para uma mulher que nem te ama? Fale Stefan! Diga a verdade!

-Pare com isso! –ele deu as costas para a garota. –Eu não quero magoar você, Miriam. Não me force a fazer isso.

-Olhe para mim! –ela puxou o braço do vampiro, fazendo-o encará-la. –Me diga a verdade, Stefan! Diga que quer voltar correndo pra ela! Diga! Diga que quer vê-la nos braços do seu irmão enquanto você sofre por ela simplesmente por que você...

-Eu a amo, droga! –gritou furioso, puxando seu braço com brutalidade. –Era isso o que você queria ouvir, Miriam? Que eu não amo você? Que o tempo inteiro eu só estava fingindo por que estava assustado demais e com medo de magoar você? Ótimo então! Eu amo Elena, sempre amei e sempre amarei! Fui um estúpido ao pensar que podia esquecê-la com outra mulher. Não queria te envolver nisso...

-Mas envolveu! –as lágrimas que a ruiva segurou transbordaram de seus olhos. –Você podia ao menos ter sido honesto comigo, ter me contado que não havia esperanças! Por que mentir Stefan? Por quê?

Os olhos verdes do rapaz focalizaram-se no rosto da garota com desespero. Ele não sabia. Não tinha uma resposta que fosse satisfazê-la de alguma maneira.

-Eu só não quis piorar as coisas para você. –murmurou. –Miriam... Foi apenas um beijo.

Ela fechou os olhos com força, numa prova evidente de que as palavras de Stefan, mesmo sendo proferidas suavemente, havia lhe ferido como uma navalha afiada.

-Miriam...

-Eu já entendi Stefan. –ela ergueu a mão, impedindo-o de continuar. –Você não me ama, e nem me quer. Está aqui para acabar com sua culpa e salvar Margaret. Você quer essa Elena, você a ama.

Ela caminhou lentamente na direção que viera, contendo as lágrimas que Stefan sabia que transbordariam quando ela estivesse fora do campo de visão dele. O que ele havia feito com aquela menina? Por que havia magoado tanto um coração que não tinha nada a ver com aquela história confusa na qual ele havia se metido?

-Só tem um detalhe Stefan.

O vampiro ouviu a voz dela baixa, como se ela falasse consigo mesma.

-Não foi só um beijo para mim. Foi o beijo.

E então ela se foi, deixando o vampiro sentindo-se pior do que jamais havia se sentido antes.

Continua...


Última edição por Keroll Salvatore em Seg Jul 16, 2012 8:56 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Sab Jun 30, 2012 2:25 pm

Capítulo 58- Joining The Pieces
Juntando as Peças






Me encontre aqui,
E fale pra mim
Eu quero te sentir
Eu preciso te ouvir
Você é a luz
Que está me guiando para o lugar
Onde encontrarei paz... novamente


Você é a força
Que me mantém andando
Você é a esperança
Que me mantém confiante
Você é a vida
Para a minha alma
Você é meu propósito
Você é tudo


E como eu posso ficar aqui com você
E não ser comovido por você?
Poderia me dizer como isso poderia ficar melhor do que isso?


Você acalma as tempestades
E você me dá repouso
Você me segura em suas mãos
Você não vai me deixar cair
Você roubou meu coração
E me deixou sem fôlego
Você vai me receber?
Vai me atrair mais ainda?


E como eu posso ficar aqui com você
E não ser comovido por você?
Poderia me dizer como isso poderia ficar melhor do que isso?


E como eu posso ficar aqui com você
E não ser comovido por você?
Poderia me dizer como isso poderia ficar melhor do que isso?


Pois você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Tudo, tudo
E como eu posso ficar aqui com você
E não ser comovido por você?
Poderia me dizer como isso poderia ficar melhor do que isso?


E como eu posso ficar aqui com você
E não ser comovido por você?
Poderia me dizer como isso poderia ficar melhor do que isso?


E como eu posso ficar aqui com você
E não ser comovido por você?
Poderia me dizer como isso poderia ficar melhor do que isso?
Poderia me dizer como isso poderia ficar melhor do que isso?

O garoto cerrou os dentes com força enquanto colocava a cabeça entre as mãos. Sério que ele havia sido obrigado a escutar toda a cena melosa de Damon e Elena? Maldita hora em que ele fora ter uma super-audição.

Definitivamente, se não tivesse propósitos importantes ali, já teria caído fora. Mas precisava manter todos ocupados para o ritual. Não queria nenhum xereta nos planos de Vanessa. Na verdade, Aodh desconfiava desse plano. Era meio estúpido na opinião do garoto. A vampira loura estava prestes a mexer com forças que sequer compreendia.

Para começar, aquelas coisas que estavam prestes a libertar não eram como ele. Pareciam aquelas pragas que devoravam tudo o que viam pela frente. Não pensavam em mais nada além de saciarem sua fome. Pelo menos não mexeriam com ele. De alguma forma, sabiam que Aodh não se meteria. Não era da conta dele, afinal de contas.

Os olhos do garoto focam-se no jardim fora da casa. A imagem da pequena garotinha loura surgiu em sua mente, fazendo-o franzir a testa. Por que estava pensando em Margaret?

Aodh desviou o olhar, encarando a mesa de madeira como se fosse a coisa mais fascinante do mundo. Ele sabia o que ia acontecer com ela. Sabia qual seria seu destino final. E de alguma forma, naquele instante, ele desejava poder mudar aquilo. Ela era apenas uma criança! O que ele tinha na cabeça quando decidiu levá-la para Vaanny?

Parecia tão errado, tão sujo! Mas desde quando ele tinha consciência? Não havia acabado de matar um cara no estacionamento e assumira sua forma? Não estava enganando todo mundo, disposto a matá-los e fazer um banquete para seus irmãos? Por que uma garotinha importava?

O rapaz levantou a cabeça como se alguém o tivesse chamado e avistou Bran no jardim da frente. O que ele estava fazendo ali? E sozinho?

O garoto de olhos vermelhos parecia sério demais, concentrado em alguma coisa e com medo de outra. Ou vai ver Aodh estava apenas cansado de esperar que a noite caísse. Não dava para matar todos assim, ele gostava de uma boa atmosfera. O que seria melhor do que a noite?

-Eu vou dar uma volta. –disse levantando-se. –Estou entediado de ficar aqui sem fazer absolutamente nada.

Nenhuma das garotas na sala fez objeção quando o garoto saiu lentamente da casa, andando despreocupado até o estacionamento. Bran deveria estar observando-o, naturalmente o seguiria. Aodh precisava sair dali para poder conversar com o irmão de forma mais livre. Odiava sentir-se vigiado.

Entrou no carro de Ryan, colocou a chave na ignição, e deu a partida. Como se fosse mágica, quando o garoto olhou pelo espelho para o banco de trás, Bran estava lá olhando a paisagem pela janela fechada.

-Olá Bran. –Aodh sorriu para o garoto, ainda olhando-o pelo espelho.

-Quase não o reconheci com aquela aparência. –disse simplesmente, indo para o banco da frente. –Sem ofensa, mas prefiro o seu normal mesmo. Poderia mudar?

Outra gargalhada soou dentro do carro, antes de o rapaz alto e de belos cabelos castanhos diminuir e seus cabelos virarem fios pretos intensos com gotas vermelhas caindo de suas pontas.

-Muito melhor. –a voz cínica do moreno surgiu de repente. –E então, o que você queria comigo? Não acho que tenha vindo só para dizer oi.

Bran o encarou, como se pesasse suas palavras antes de começar a falar.

-Houve uma... Pequena confusão na Terra das Sombras.

As sobrancelhas de Aodh arquearam-se prontamente ao ouvir aquela frase. Pequena confusão? Que história era aquela? Obviamente ele estava tão focado em não prestar atenção em Damon e Elena que bloqueou qualquer contato exterior até com os irmãos. O que havia acontecido agora?

-Desembuche Bran.

O garoto engoliu em seco, olhando para a paisagem lá fora que passava rapidamente pela velocidade do carro onde estavam.

-O que você diria se... Por um acaso... É apenas um caso hipotético que não significa a realidade dos fatos... Se... Assim...

Aodh revirou os olhos enquanto bufava de irritação. Ou Bran estava mesmo achando que o garoto tinha uma paciência invejável, ou estava realmente temendo sua reação.

-Fale de uma vez Bran! –rugiu furioso fazendo o outro garoto sobressaltar-se.

-Tá bem! Vougan e Dragon se pegaram na Terra das Sombras! Satisfeito?

O carro freou bruscamente, lançando o menino de olhos vermelhos de encontro ao painel com força. Um par de olhos vermelho-escuros fitava o outro severamente enquanto o moreno tentava se acalmar.

-Como é?

Bran assoviou baixinho ao ver a expressão de Aodh. Aparentemente, a reação dele seria pior do que o outro imaginara.

-Dragon e Vougan brigaram. Feio. Tipo, para se matarem mesmo. Mas foi Dragon quem começou, Vougan apenas se defendeu.

-Eu não quero saber quem diabos começou com a briga! –a testa do rapaz vincou-se de raiva. –Como vocês começam a agir como crianças? Eu já avisei um milhão de vezes que não devem fazer isso, muitas vezes há sérias consequências! Brigas de criaturas como nós libera energia negativa no Universo! Querem atrair atenção de coisas que deveriam ficar adormecidas?

Bran sentiu-se como uma criança levando sermão dos pais ou do irmão mais velho por ter comido algum inseto ou riscado a parede recém-pintada da sala de estar. Qual é! Ele só era o mensageiro, não fora ele quem saíra brigando.

-Não desconte em mim, eu não fiz nada!

Aodh esfregou a testa tentando de alguma forma conter a irritação.

-O que aconteceu com Vougan e Dragon?

-Vougan melhorou depois, mas Dragon está paradão.

As sobrancelhas do moreno uniram-se de confusão. Como assim?

-Explique.

-Vougan fez um tipo de controle mental que o mantém paralisado. Mas ele está bem. Só parado fitando o nada.

Ótimo, agora Aodh tinha que lidar com um descontrole de Dragon! O que mais faltava acontecer?

-O que exatamente aconteceu com Dragon?

Bran estremeceu pela lembrança da briga entre os irmãos. Os olhos vermelhos de Dragon, os dentes afiados, a força absurda usada para machucar Vougan, a voz estranha...

-Ele não era ele mesmo, é só o que te digo.

-Ele está perdendo o controle, Bran. –a cabeça de Aodh bateu contra o banco.

Estava ficando realmente preocupado. As imagens que viu na mente de Bran eram perturbadoras. Obviamente Dragon estava perdendo o controle de seus poderes e de sua própria consciência. Infelizmente, naquele momento, Aodh não podia fazer absolutamente nada. Vaanny estava ocupada demais com o feitiço para poder ajudá-los.

-Mande Vougan manter Dragon assim por enquanto, assim ele não pode machucar nenhum de vocês. Não posso fazer nada por enquanto, e muito menos Vaanny. Mas não faz diferença nenhuma o prazo. Ele vai ficar bem, só precisa esfriar a cabeça.

Bran assentiu uma vez, olhando atentamente para o irmão.

-Quando devemos ir até a mansão?

Aodh deu um meio sorriso quase imperceptível.

-Assim que anoitecer. Temos que mantê-los ocupados para que não atrapalhem o ritual. E claro, podemos matar quem quisermos. Mas muita cautela quando quiserem falar comigo nesse período. Aquelas pessoas ainda acham que sou Ryan.

-Eu ainda não entendi o propósito desse disfarce. –Bran revirou os olhos. –Você poderia observá-los sem se preocupar.

-Você não vê os ingredientes de uma boa brincadeira, não é? –o garoto deu um sorrisinho de canto fascinante. –Às vezes, fazer as pessoas de idiotas é uma boa maneira de passar o tempo.

Bran gargalhou altamente no carro. Aquele era um dos raros momentos leves que ele conseguia ter com Aodh. Geralmente tudo era tenso demais, frio demais. Na verdade, Bran não conhecia direito aquele lado... Divertido de Aodh. Ele não era de sorrir, muito menos de brincar. Não era comum que ele brincasse daquela maneira com qualquer um dos garotos. Era como se Aodh estivesse sem um grande peso em suas costas.

-Credo Bran! –o rosto de Aodh transformou-se numa careta. –Poupe-me desses pensamentos patéticos! Caia logo fora daqui antes que eu comece a achar que é você quem precisa de ajuda.

O garotinho de olhos vermelhos deu de ombros. Era muito fácil esquecer-se dos poderes telepáticos de Aodh.

-Tudo bem, tudo bem. Mas não pode negar que seu senso de humor parece ter surgido.

-Ande logo Bran!

O garoto deu mais uma gargalhada antes de desaparecer completamente como por encanto.

Sozinho, parado no encostamento da estrada, Aodh começava novamente a pensar em coisas que já haviam passado. Quando se vive eternamente, muitas lembranças acabam se perdendo, enquanto outras permanecem. E ele, vivendo por tantos séculos, tinha muitas memórias perdidas e fixadas. Algumas nada boas, outras que ele preferia manter longe de si mesmo. Não por serem ruins, mas por significarem algo de bom que já existira.

Por exemplo, uma das lembranças mais fortes de Aodh era a da época em que conhecera Safira. Estava no mundo humano já há algum tempo, pagando por seus crimes e ‘aprendendo’. Morrendo e renascendo diversas vezes como um humano comum. E sempre, de alguma maneira, o colar acabava em seu pescoço. Algumas vezes como um ‘presente ao bebê recém-nascido’, outras seus ‘pais’ encontravam por aí. De alguma forma, ele aparecia na vida de Aodh para impedi-lo de usar seus poderes.

E como era horrível crescer! Ele preferia ser como era agora, como sempre fora. Odiava ser uma criança humana, crescendo pouco a pouco, vivendo por aí.

Na primeira vida humana que teve, quando Jesse o deixara no mundo dos humanos, Aodh odiara cada segundo. Provavelmente morreu e renasceu mais umas cinco ou seis vezes. Durante algum tempo o rapaz decidiu parar de contar. Ele só lembrava-se da última vida humana. A vida na qual ele conhecera Safira.

A vila onde ele morava na época era simples, mas Aodh não morara sempre lá. Seus pais daquela vida haviam se mudado por motivos financeiros que ele sequer procurava entender. Na verdade, preferia pensar o mínimo possível na droga daquela vida. No fundo, estava apenas esperando pela morte novamente. Ah, e como ela era bem-vinda! Como ele agradecia aos dias de paz e sossego que tinha depois que ‘morria’!

Mas aí era só uma questão de alguns dias para voltar. E toda a tortura recomeçava.

Seus pais não entendiam por que o garoto era diferente de seus demais filhos. Por que nascera tão pálido, sendo que seus pais tinham a pele num tom moreno claro. Por que o rapaz tinha olhos tão negros quando os deles era cor de mel. Ou por que os cabelos dele eram tão lisos e escuros enquanto os deles eram encaracolados e castanhos. Eram muitas as diferenças entre ele e seus ‘pais’.

Aodh lembrava-se das brigas entre eles, o homem jurando que mataria a mulher caso descobrisse adultério, e ela jurava que seu avô por parte de pai era a cara de Aodh. Claro que era mentira, mas o homem nunca quisera descobrir a verdade.

Trabalhavam no campo, como a maioria daquelas famílias. Aodh não gostava nada de trabalhar. Na verdade, raras vezes fazia isso. Preferia entrar na floresta escura, subir em alguma árvore gigantesca e sentar-se em um dos galhos mais altos. Lá ficava até anoitecer, olhando as pessoas trabalhando. Algumas vezes voltava para casa, outras nem se dava ao trabalho.

Foi em uma dessas vezes, sentado no galho de uma árvore, com a lua já alta no céu, que ele a viu pela primeira vez.

Os olhos do garoto já haviam se acostumado com a escuridão da floresta, possibilitando-o de enxergar a forma dourada que caminhava cautelosamente por entre os galhos e folhas caídas no chão sujo da floresta. Nunca havia visto antes nada parecido.

Ele continuou olhando por mais um tempo, antes de realmente perceber o que era. Era uma menina.

Ela parecia assustada, fazendo o garoto divertir-se. Não gostava de pregar peças em ninguém, mas ela parecia estar pedindo socorro de alguma maneira.

Aodh desceu lentamente da árvore de forma habilidosa, silenciosamente para não ser visto pela garota. Ele queria surpreendê-la como faria outrora caso tivesse seus poderes de teletransporte. Ele caminhou cauteloso, usando as outras árvores ao redor como camuflagem. Foi dessa forma, lenta e pacientemente, que ele ficou atrás da menina sem que ela percebesse.

Um sorriso involuntário surgiu no canto dos lábios do moreno ao lembrar-se da expressão dela quando virou-se para ele. Fora um susto e tanto, ele admitia.

Ela cobrira a boca com a mão, reprimindo um grito antes de tentar correr. Aodh era bem mais rápido do que ela, alcançando-a e ficando novamente na frente da menina, e ficaram nisso diversas vezes.

-Que queres comigo? –perguntou afastando-se lentamente.

Ela era linda! Aodh se lembrava de ter ficado sem reação quando a luz da lua iluminou o rosto da garota. Ela tinha um rosto tão delicado, de feições tão harmoniosas! Os lábios eram pequenos e ficavam avermelhados pelo frio que fazia. Os olhos dela pareciam o mar de tão azuis e profundos que eram. Um mar de águas cristalinas... Ela devia ter o quê? Uns doze anos? Ele não sabia dizer, mas sabia que ela era sem sombra de dúvidas a garota mais linda que já existira em todo o Universo.
E os cabelos dela... Dourados como o sol, com um leve brilho prateado a luz da lua. A pele era branquinha, leitosa, sem nenhuma mancha ou cicatriz... Ela parecia um anjo...

-És um anjo? –perguntou baixinho, temendo a resposta.

-Estás louco? –ela riu, um riso angelical, quase comprovando as suspeitas dele. –O que fazes aqui? Por que estavas a me seguir?

Dessa vez ele quem rira, um riso cínico enquanto encostava-se à uma árvore.

-A senhorita é quem deve respostas aqui. Não é certo uma jovem senhora andar sozinha à noite, numa floresta escura.

-E o que um rapazote faz aqui? Passeia a luz do luar?

Ele arqueou a sobrancelha, encantado com o tom cínico que impregnava a voz dela.

-Rapazote? –ele fez uma falsa expressão de mágoa. –Agora a senhorita está a me magoar. Sou praticamente um homem-feito!
Ela deu uma gargalhada, segurando na camisola branca e fazendo uma breve reverência.

-Perdoe-me jovem senhor, acho que me enganei.

Aodh aproximou-se da menina, ficando frente a frente com ela antes de toma-lhe a mão, plantar-lhe um delicado beijo e dizer:

-É um prazer conhecê-la senhorita. Chamo-me Aodh.

Ela havia prendido a respiração pela audácia do garoto. Era óbvio que ela não havia esperado tão ato dele, mas Aodh pouco se importava. Havia algo nela. Algo realmente diferente de tudo o que ele já vira antes.

-Chamo-me... –ela parecia hesitar dizer seu próprio nome. –Safira.

Safira, Safira, Safira, Safira. O nome dela parecia dançar na mente dele, dando voltas e mais voltas. Os lábios do garoto moveram-se sem som, apenas pronunciando o nome lentamente.

-Safira... –murmurou apreciando a forma como o nome soava lindamente. –É de fato um lindo nome senhorita.

-Aodh não é um dos nomes mais comuns. –disse ainda sem fôlego. –Porém eu gosto. É belo e singular.

Foi então que ele havia ligado os pontos. A bela garota, de nome Safira, saindo sozinha tão tarde da noite. Ela devia ser a garota de quem havia ouvido falar. Que viera de terras distantes e geladas junto com seus familiares. De acordo com as velhas da vila, o pai dela não a deixava sair de casa.

-O que fazes por aqui? Está tarde para uma dama vagar sozinha.

Ela mordeu o lábio inferior enquanto olhava para os próprios pés.

-Meu pai não me deixa sair.

Daquilo ele já sabia. Não por ter realmente estado espionando-a, mas por que desde aquela época existiam pessoas fofoqueiras.

-E então, a senhorita decidiu aventurar-se pela floreta sozinha. –chutou, sem saber se estava arriscando-se demais. –Não sabia que pode haver criaturas perigosas e coisas ruins na escuridão?

Ele arqueou a sobrancelha enquanto dava um meio sorriso cínico para ela. De alguma forma, era a primeira vez que ele tinha um contato maior com um humano. Nesse caso, uma garota humana.

-E o senhor? Não tem medo? –perguntou-lhe colocando uma mexa dos cabelos dourados atrás da orelha.

Aodh encostou-se novamente a uma árvore, abaixando os olhos e depois voltando para a garota com intensidade. Como se quisesse fazê-la perceber que ele era a coisa ruim ali, mesmo que agora estivesse aprisionado.

-E quem disse que não sou eu a coisa mais perigosa daqui?

Safira engoliu em seco. De fato, Aodh via que algo nele a assustava. Talvez fosse o fato de o garoto estar completamente vestido de negro, ou a intensidade de seus olhos fitando-a profundamente, como se quisessem que ela visse alguma coisa óbvia...

-Não pareces ser perigoso. –ela deu um sorrisinho irônico. –Não me assustas.

Aodh gargalhou altamente enquanto balançava a cabeça negativamente.

-Estás a mentir, senhorita Safira?

A menina fez um biquinho, virando o rosto.

-Eu não minto Sr. Aodh!

Ele voltou a se aproximar, tomando-lhe as mãos pequenas e macias da garota entre as suas. Em seguida, lentamente, voltou a encará-la com intensidade. Certamente ele devia ter enlouquecido completamente. Por que estava agindo daquela forma com uma garota que sequer conhecia direito?

-Eu sei que não. Anjos não mentem.

Aodh viu quando o rubor tomou conta das bochechas da menina, fazendo-a desviar o olhar. Ela era tão doce, tão meiga... Era a coisa mais pura que o moreno já havia visto em toda sua existência.

-Eu não sou um anjo. –murmurou ainda corada.

-Tens razão, és mais bela do que qualquer anjo que possa existir.

Agora sim ele havia enlouquecido! O que havia com ele? Desde quando agia daquela forma.

Vozes soaram próximas aos dois, sobressaltando a garota. Era lógico que ela temia ser pega no flagra saindo de casa à noite e conversando com um garoto desconhecido. Aodh riu baixinho, puxando-a pela mão e escondendo-a atrás de um grande carvalho. Conhecia bem a floresta para conseguir esconder-se quando queria.

-Onde aquela menina se meteu?! –uma voz grossa soou na escuridão.

Ele sentiu a garota estremecer suavemente enquanto fechava os olhos.

-Gerold... –murmurou baixinho.

-Shhh. –Aodh colocou a mão sobre a boca da menina, impedindo-a de fazer barulhos que os denunciassem.

-Safira! –a voz soou novamente.

Ela queria se entregar, ele percebera isso. Ainda assim, algo dentro do garoto não permitiu que ela fizesse tal coisa. Aodh queria que ela desafiasse quem colocava limites nela, simples assim. Queria que ela simplesmente lutasse contra seus repressores.

-Quietinha. –sussurrou no ouvido da loura. –Veja e aprenda.

Ele se afastou dela lentamente, dando a volta pelo outro lado, aproximando-se do louro parado com uma tocha flamejante. Ele estava assustado, Aodh percebeu satisfeito. Seria muito fácil fazê-lo correr de medo.

O garoto assoviou alto, fazendo o homem virar-se em direção ao som. Aodh reprimiu uma risada. Humanos, assustavam-se com tanta facilidade!

Aos poucos, muito lentamente, o que Aodh tanto esperava apareceu caminhando majestosamente por entre as folhas mortas. Suas patas grandes não faziam sons em contato com o solo, tornando-o uma real ameaça silenciosa. Os olhos castanho-claros grandes focaram-se em Aodh enquanto as patas macias trotavam até o rapaz.

Aodh abaixou-se igualmente silencioso até a orelha do animal, sussurrando-lhe o que queria. Não, ele não tinha mais poderes. Mas digamos que ele havia tido a sorte de um lobo gostar dele.

O animal encarou-o brevemente antes de uivar altamente e dar um enorme salto, ficando no campo de visão do rapaz louro. A pelagem acinzentada do lobo cintilava contra a luz da lua, enquanto a cauda grande movia-se de um lado para o outro. Era claro que ele estava apenas brincando, mas o humano não tinha noção disso.

O lobo rosnou, assustando o homem.

-Vai-te criatura dos infernos! –o homem gritou.

Aodh deu uma gargalhada alta, encostando-se a uma árvore. Não havia risco de ser reconhecido, já que estava escuro demais para os olhos do homem.

-Está perdido? –perguntou cinicamente.

-O que tu és? Um demônio? Vai-te, vai-te! Que fizestes com minha irmã?

Aodh apenas deu mais uma risada, assustando ainda mais o homem. Era uma das coisas mais estranhas nos humanos.

O lobo uivou novamente, trotando até ficar lado a lado com Aodh.

-Que queres?

-Cala-te! –o garoto respondeu numa voz firme, grossa, autoritária. O tipo de voz que não aceitava um ‘não’ como resposta.

O homem caiu de joelhos, o medo estampado em suas feições joviais. Devia ser irmão de Safira ou algo assim. Ele uniu as mãos trêmulas, implorando para que Aodh não o matasse.

-A menina volta quando quiser. –disse ainda autoritário. –Se ousares encostar um dedo sequer nela, te verás comigo, e podes acreditar Gerold, não irá querer ver-me novamente.

Um arrepio de puro medo percorreu a espinha do louro, fazendo o corpo inteiro do homem tremer. Era visível que ele estava realmente apavorado.

-Sabes meu nome? –murmurou. –Como sabes meu nome?

-Não interessa. –Aodh rebateu. –Agora vai-te daqui, antes que eu mude de ideia e leve-o comigo para as profundezas. E se olhares para trás, o teu destino será as garras do lobo.

O homem apenas assentiu, correndo em direção à vila. Certamente contaria alguma mentira, já que não queria parecer covarde diante de pai. Ainda assim, Aodh esperou que os passos dele sumissem no silêncio da floresta antes de cair na gargalhada.

O garoto de olhos negros ainda ria quando a menina de longos cabelos lisos e dourados apareceu vagarosamente.

-Como fizeste isso? És um feiticeiro?

Aodh negou uma vez com a cabeça antes de abaixar-se e coçar o espaço entre as orelhas do lobo acinzentado.

-Eu o salvei uma vez. –respondeu baixo. –Desde então ele parece gostar de mim.

A menina continuou o encarando antes de falar baixinho:

-Posso tocá-lo?

Aodh a encarou surpreso. Quantas meninas perguntariam se podiam tocar num lobo selvagem? Nenhuma. Mas Safira não era como as outras meninas. Ela era diferente de todas elas. Ela tinha um brilho diferente no olhar, selvagem, desafiador. Ela tinha fogo nos olhos, uma chama ardente contra o azul límpido.

-Claro que pode. –ele acariciou o animal novamente. –Ele não vai te machucar.

A mão da menina tremia levemente, mas assim que encostara ao pelo macio e quente do lobo, relaxou quase de imediato. Suavemente, com muito cuidado, ela emaranhou seus dedos nos pelos sedosos, vendo o lobo praticamente ronronar enquanto seu pelo lisinho parecia com o tecido mais suave do mundo.

Ambos ficaram em silêncio durante um longo tempo, apenas ouvindo a respiração lenta do lobo e a deles próprios. A noite tornara-se novamente silenciosa ao redor dos dois.

-Qual o nome dele? –a menina finalmente quebrara o silêncio.

Aodh encarou-a um tanto quanto decepcionado consigo mesmo. Não havia pensado num nome para o animal, e sequer achara preciso. Mas agora queria ter tido menos preguiça e procurado um nome.

-Ele não tem um nome. –admitiu por fim. –É só um lobo.

-Oh, mas isso é uma lástima. –disse a loura. –O tadinho precisa de um nome, como qualquer um. Pense Sr. Aodh, ele aprecia sua companhia, portanto, para ele, és da família. Não podes deixar que um membro da tua família continue anônimo. Dê-lhe um nome!

O lobo estava deitado, tranquilo, enquanto as mãos dos jovens acariciavam seu pelo macio.

-Não sei que nome dar. –resmungou. –Não sou bom com nomes.

A menina gargalhou suavemente, pensando por um momento.

-Que nome daria ao filho teu?

-Filho? –as sobrancelhas do rapaz uniram-se brevemente. Ele nunca havia pensado naquilo.

-Sim. Que nome daria a um filho teu? –ela insistiu.

Aodh sentiu-se estranho de repente. Ele nunca, jamais, havia pensado nessa possibilidade. Já havia tido tantas vidas, poderia ter tido filhos, mas simplesmente negava-se a aceitar o castigo que o obrigaram a cumprir. Ele não queria aceitar o que era naquele momento, negava-se a aprender e a envolver-se.

O moreno fez uma careta.

-Eu não sei. Nunca pensei nisso.

A menina parou de acariciar o pelo do animal.

-Não pensa em ter filhos?

-Eu não ligo.

-Mas por quê?

Ele deu de ombros, antes de suavizar a expressão e encará-la.

-Eu nunca pensei em ter uma família, Safira. É... Complicado. Não posso explicar completamente. Eu só... Eu não quero deixar razões para me prender aqui.

A loura voltou a acariciar o pelo do animal.

-Não pretendes ficar aqui? –ele notou o tom decepcionado da voz dela. –Nem ter uma família? Nem casar-se? Nem... Ficar?

Ele olhou para ela, a voz presa na garganta enquanto a encarava. Não sabia o que dizer. Queria ficar? Queria ir embora? Queria libertar-se? O que ele queria agora? Por que estava sentindo-se tão confuso? Sempre soubera o que queria, mas foi só encarar os olhos daquela menina que ele não sabia mais.

Sem que os dois percebessem, seus dedos encontraram-se enquanto os dois acariciavam o pelo sedoso do animal. Um arrepio percorreu os corpos dos dois, fazendo-os puxarem as mãos de volta. A respiração do garoto de olhos negros tornara-se irregular enquanto a testa do jovem estava vincada de confusão. O que fora aquilo? O que era aquilo que estava sentindo? Por que não conseguia pensar em nada para fazer ou dizer?

Ela parecia estar tão assustada quanto ele. A respiração também era pesada enquanto os olhos azuis dela estavam focados no rosto do rapaz, assim como também os olhos negros dele estavam focados nela. Não conseguiam entender completamente o que se passava naquele momento. Não conseguiam entender o que havia causado aquele arrepio tão profundo que eriçou até o último pelo da nuca de cada um.

-Desculpe-me. –Safira levantou-se do chão, limpando a terra de sua camisola. –Eu preciso ir... Já está muito tarde e... Eu... Boa noite.

Aodh estava paralisado enquanto sentia um nó fechando sua garganta e o impedindo de respirar normalmente. Não era libertador como quando a respiração dele estava descompassada, era ruim. Era doloroso. Ver aquela menina praticamente fugindo dele não era como ele achava que seria. Antes, achara que seria engraçado. Agora via que não seria divertido, seria doloroso.

-Desculpe-me se fiz alguma coisa senhorita. –disse cordialmente. –Eu não pretendia ofendê-la.

Queria desesperadamente que ela visse através daquelas palavras impecavelmente cordiais e educadas. Queria que ela percebesse o que os olhos dele estavam gritando para ela. Não fazia sentido, ele sequer a conhecia direito, mas Aodh simplesmente sabia que aquela garota era diferente, ela seria importante. Muito importante na verdade.

Ele levantou-se igualmente a ela, fazendo uma suave reverência educada enquanto caminhava até a árvore onde antes estivera sentado em um dos galhos de cima.

-Espere! –ele ouviu a voz dela. –Não me ofendeu, é que eu só... Eu não sei o que aconteceu. É apenas isso.

O moreno assentiu compreensivo. Ele também não sabia o que havia acontecido, mas havia acontecido e ponto final.

-Talvez eu devesse levá-la para casa. Está realmente tarde para a senhorita andar sozinha por aí. Como eu havia dito antes, há coisas nada agradáveis por aí. –ele estendeu a mão para a garota antes de arquear uma das sobrancelhas. –A não ser que agora acredite que eu possa ser a coisa mais perigosa daqui.

Ela deu um meio sorriso ao semicerrar os olhos para ele e pegar a mão do garoto. A corrente elétrica que atingiu os corpos dos dois era esperada dessa vez e não causara grandes danos aos jovens. Estavam quase começando a acostumassem com a sensação.

Eles caminharam silenciosamente pela floresta, apenas de mãos dadas, desviando de galhos pontudos e pedras. Aodh a ajudava o caminho inteiro, indicando onde deveria pisar e onde poderia escorregar. Estavam já na casa da menina quando o moreno perguntou-lhe onde ficava o quarto da mesma. Safira apontou para o lado esquerdo da cabana, onde via-se apenas uma luz fraca de vela acesa.

-Como entrarei sem que meu pai perceba? –sussurrou assustada.

Aodh deu um sorriso tranquilizador para a loura.

-Eu sempre dou um jeito, não se esqueça disso senhorita.

Ele colocou suas mãos em volta da cintura fina da garota, vendo-a prender a respiração pelo contato surpreso. Aodh deu um meio sorriso antes de erguê-la sem grande dificuldade e colocá-la sentada na borda da janela aberta. O contato com a pele dela, mesmo sobre a roupa, fez com que a respiração do menino voltasse a ser irregular.

-Obrigada, Aodh. –ela deu um sorriso estonteante para ele, já dentro de casa. –Foi uma noite muito agradável.

Ele deu uma risada baixa, assentindo uma vez.

-Bem diferente de todas as noites que passei na floresta, eu admito.

O uso do nome dele, ao invés do ‘senhor’ não passara despercebido pelo rapaz.

-Eu a verei novamente? –perguntou de repente quando a via quase fechando as janelas.

A garota parou por um momento, os olhos prendendo-se aos dele mais uma vez.

-Creio que seja melhor não.

O garoto abaixou a cabeça, sentindo pela primeira vez a real frustração de não ter aquilo que desejava. Ele queria vê-la novamente. No dia seguinte, e no seguinte, e no seguinte...

-Compreendo. Boa noite senhorita.

Ele deu as costas, pronto para voltar para a floresta, mas antes que pudesse se afastar, ouviu a voz da garota novamente.

-Há um lago, próximo de uma pequena campina. Não muito longe de onde estávamos ainda há pouco. Sempre que o sol brilha vou para lá. Lembra-me muito de casa... Quem sabe o sol não brilhará amanhã? –a voz dela saiu baixa e relutante.

Mais uma vez um largo sorriso apareceu no rosto do rapaz de olhos negros. Ele estava verdadeiramente feliz pela primeira vez em muito tempo e tudo por que ela queria vê-lo novamente tanto quanto ela queria vê-lo. Ela não estava dizendo aquilo claramente, mas era óbvio que ela queria que ele a encontrasse nesse tal lago. E certamente, ele iria.

-Eu nunca ansiei tanto para que o sol nasça depressa. –disse simplesmente enquanto lançava outro de seus sorrisos doces para ela.

A cabeça de Aodh bateu pela segunda vez no assento do carro. Dessa vez não de raiva, não de preocupação. Ele estava sendo envolto por uma doçura misturada à mágoa, rancor, solidão. Era tudo tão fácil naquela época, tão mais simples para ele viver.

Tudo o que ele queria era voltar a ser quem ele era, sem prisões, sem brigas. No entanto, bastara apenas um olhar para que tudo mudasse de uma forma que ele jamais achara possível. Ele a queria junto a ele. Eternamente. Ele sentia, mesmo que as barreiras que havia construído não quisessem sentir. Elas simplesmente ruíram quando ele fitara os olhos azuis de Safira pela primeira vez. Ela conseguira simplesmente fazer com que ele começasse a sentir.

Ela fora a única que conhecera completamente aquele lado tão estranho agora para ele, aquele lado que verdadeiramente importava-se e estava disposto a tudo pelo bem da pessoa que ele...

O garoto bateu com o punho no volante. Não ia se permitir sentir novamente. Havia acabado, era realmente o fim. O que quer que ele tivesse sentido por Safira havia sido destruído. Não era forte, não era imortal. Era frágil como as pétalas secas de uma rosa posta dentro de um livro. E simplesmente despedaçou-se completamente, caindo ao chão e sendo varrido pelo vento do tempo.

Ela havia feito uma escolha, ele havia feito outra. Estavam eternamente em caminhos separados agora, nada mais importava. Estavam separados para sempre, sem nenhuma razão para voltarem. Havia sido definitivamente o ponto final de uma história que talvez sequer havia começado.

Ele a havia perdido. Para todo o sempre.

***

Jesse fechou a cara ao ver Markus caminhando bem atrás de si. Não podia voar, já que a Mediadora era humana e obviamente não podia voar, mas também por que seria improvável que encontrasse Aodh voando. Ele era esperto, esperto até demais. Sabia como se esconder, como não ser óbvio. Ele um garoto ardiloso.

Uma onda de angústia o fez franzir a testa. Aquilo não era normal. Ele realmente não devia estar ali. Mas o que ele podia fazer? Aodh estava fazendo algo que não devia, isso era claro para o anjo. Ele era um bom garoto, só não sabia como deixar esse lado aparecer.

-Eu ainda não entendo o que estamos fazendo aqui Jesse. –Markus reclamou pela décima vez.

-Fique sem entender, não mandei me seguir feito um cachorrinho perdido. –rebateu com uma careta.

-Como é que é?

-Está ficando surdo agora?

-Olha como fala comigo!

-Vou olhar o quê? O que você acha que pode fazer? Matar-me? Vá em frente e veja o que te acontece.

A conversa mais uma vez cessou. O clima era tenso. Jesse e Markus não se davam bem, Juh e Dani estavam assustadas e Ammy pensativa enquanto encarava o ruivo.

No fundo, Jesse pouco se importava se Markus e Ammy estavam ali com ele. Nada mais importaria depois de ele terminar o que fora fazer ali. Talvez o matassem por considerarem traição, talvez o levassem em julgamento e o condenassem à morte... Não importava. Ele tinha que fazer isso. Na verdade, devia ter feito muito antes.

Não importava as consequências, não importava o que falariam dele, não importava se o matassem. Ele ia fazer o que precisava ser feito.

O primeiro passo era encontrar Aodh. Depois disso, todo o resto seria resolvido. Claro que esse devia ser o passo mais complicado, já que Aodh não queria ser encontrado. Antigamente o garoto mantinha-se invisível aos humanos, mas Jesse soubera que Aodh estava bem visível e causando confusão, como sempre fazia. Mas para o garoto aparecer assim devia ter uma ótima razão.

Os olhos azul-escuros do homem semicerraram-se para as árvores ao seu redor. Estavam quase saindo da floresta, em direção à cidade. Seria um problema andar por aí com aquele par de asas tão grande e chamativo. Sem falar que Ammy e Markus também tinham asas... A menina-fantasma não seria um problema, já que os vivos não podiam vê-la, entretanto sua mediadora era bem humana...

Não era como nos filmes onde as asas desapareciam como mágica. Elas não sumiam nunca, estavam grudadas em si, eram parte dele. Arrancá-las seria como arrancar um braço ou uma perna.

Então como ele poderia andar por aí com aquelas asas enormes?

Tinha que voar, essa era a única solução. Mas as duas meninas atrapalhavam seus planos... A única solução prática seriam carregá-las.

-Markus, nós não podemos aparecer no mundo humano com essas asas. –a voz dele continuava séria e pensativa. –Precisamos voar, e caso não tenha notado, a mediadora não voa e nem a menina-fantasma. Precisamos carregá-las.

O homem de olhos esverdeados encarou as duas garotas com uma careta.

-Tudo bem, mas pra onde estamos indo?

Jesse apenas estendeu a mão para a menina-fantasma, vendo-a confusa por um momento antes de pegar sua mão com força. Ela estava realmente assustada.

-Você vai saber na hora certa, não seja curioso. –ele olhou para a garota. –Precisamos voar agora, e nem você nem sua amiga fazem isso.

-Não é mais fácil me teletransportar? –perguntou arqueando a sobrancelha.

O ruivo franziu a testa para a garota. Como ela sabia fazer aquilo? A mediadora não podia ter ensinado, já que não podia demonstrar exatamente o que era preciso fazer... Então... Quem teria ensinado? Outro fantasma mais velho? Naturalmente deveria ter sido alguém com poderes mentais extraordinários...

-Como sabe fazer isso? –perguntou encarando-a.

A morena deu de ombros, fazendo um biquinho enquanto falava.

-Eu estava perdida, então um garoto estranho apareceu. Ele me ensinou, mas depois me deixou sozinha. Ele só disse que eu precisava usar minha mente agora, por que eu não sou mais material. Disse que minha força vem da minha mente e que eu precisava aprender com isso.

Os olhos azuis do anjo cintilaram de satisfação antes mesmo de perguntar:

-Como ele era?

Juh só precisara de meio segundo para responder.

-Branco, de olhos negros e cabelos da mesma cor, que pingavam sangue. Mas às vezes os olhos dele ficavam acinzentados. Ele vestia roupas negras e uma capa longa que tinha um capuz. Ah, e era impaciente demais comigo.

Lentamente, os lábios de Jesse retorceram-se num meio sorriso de vitória que deixaria qualquer mulher suspirando. Era visível a satisfação em seus olhos, em seu sorrisinho que aumentava cada vez mais. Ele estava feliz, contente, e até um pouco extasiado. Aodh não era mau, aquela atitude provava. Ele não havia se perdido completamente depois de Safira.

-Eu conheço esse sorrisinho. –a voz de Ammy era repreensiva. –Eu sei o que está pensando, mas está errado.

-Não, você não sabe o que eu estou pensando. –Jesse a encarou. –E se for errado ou não, não me recordo de ter pedido a sua opinião, então guarde-a para você mesma.

-Você é muito rude.

-E você intrometida. –rebateu, como de costume.

Definitivamente o Anjo da Morte não gostava de ser afrontado, que exigissem respostas que ele não estava disposto a dar. Sendo assim, ele sempre tinha uma resposta pronta na ponta da língua para rebater qualquer coisa que falassem.

-Vamos logo com isso, quero voltar para casa. –Ammy suspirou.

Jesse puxou a garota contra seu peito, prendendo-a firmemente contra si mesmo. Ela abraçou o corpo do ruivo com força, temendo cair.

-Relaxe Juh, não é a primeira pessoa que carrego, acredite. Não vou deixá-la cair. –sussurrou bem próximo ao ouvido da morena, deixando-a tonta.

Ela não sabia se Jesse tinha noção do quanto afetava os seres do sexo feminino. Aquela voz dele, tão doce, mas ao mesmo tempo tão sensual... Passava-lhe segurança, mas ao mesmo tempo fazia com que a garota desejasse que ele fizesse o que bem entendesse com ela. Bem, certamente o ruivo não tinha noção de seu poder natural de sedução, essa era a única resposta para ele parecer tão natural enquanto sussurrava ao ouvido de Juh.

-Dani vai ter que ir com ele? –perguntou grata por não ter gaguejado.

Jesse encarou a mediadora e em seguida Markus. Era bem visível que ambos odiavam-se, mas não sabia se Ammy carregaria a outra garota.

-Ammy?

-Não! Nem pensar, pode esquecer! –a garota disse cruzando os braços.

O ruivo soltou gentilmente a morena que segurava, indo em direção à garota de trança. Ela franziu a testa enquanto o ruivo aproximava-se lentamente, mantendo um contato visual intenso com ela. Juh moveu-se incomodada. Sim, ele sabia do efeito que causava.

-Por favor, Ammy? Eu preciso de sua ajuda, por favor? –ele a encarou com seus olhos azul-escuros. –Você sempre foi minha amiga, vai me deixar na mão logo agora? Quando mais preciso de você?

A garota de olhos cor de mel piscou algumas vezes. A expressão do ruivo era tão esperançosa, tão doce e meiga... Ela não conseguiria dizer não por muito tempo. Aqueles olhos incrivelmente azuis diziam que se ela negasse, ele ficaria muito magoado, e se ele ficasse magoado, o coração da garota viraria caquinhos.

-Ai, tudo bem, tudo bem. Venha comigo mediadora, eu a levo seja lá para onde estamos indo.

Um sorriso largo apareceu nos lábios do ruivo, enquanto ele sussurrava um ‘obrigado’ para a garota e ia em direção à Juh novamente.

-Pronta? –perguntou apertando a garota contra seu próprio corpo mais uma vez.

-Honestamente? Não. –a voz dela tremia.

Ele gargalhou enquanto as enormes asas escuras armaram-se em suas costas, fazendo sombra sobre eles. Um cheiro doce e confortável os envolveu. Era aconchegante, fazia com que Juh se sentisse calma, segura. Como não se sentia há muito tempo. Jesse tinha o inegável dom de fazê-la sentir-se segura.

-Para o alto e avante! –o ruivo disse sorrindo enquanto suas asas batiam com força e levava-os ao céu.

***

Os olhos de Elena piscaram brevemente, mas a claridade fez com que a loura voltasse a fechá-los. Ela tateou as cegas, em busca do corpo quente e macio do namorado, mas deparou-se com o vazio. Os olhos da garota abriram-se rapidamente, fazendo-a sentar-se com os lençóis em volta de seu corpo.

-Damon? –perguntou esfregando os olhos brevemente.

Não houve resposta, mas a garota viu uma bandeja cheia de coisas deliciosas em cima da cama, com uma rosa de um vermelho intenso. Ela sorriu, pegando a rosa cuidadosamente e acariciando as pétalas macias e cheirosas. Damon sabia ser romântico quando queria.

Do lado da bandeja havia um pequeno embrulho preto dobrado cuidadosamente. A garota colocou a rosa novamente sobre a bandeja, pegando o embrulho. Na verdade, eram roupas. Um suéter gola V negro, uma calça jeans também preta e as sapatilhas de Elena da mesma cor.

Ela revirou os olhos dando um sorrisinho. É claro que Damon conseguiria roupas novas para ela.

A garota vestiu-se rapidamente. Não sabia quanto tempo havia dormido, mas queria voltar logo à ativa. Queria saber como estavam indo nas buscas por Margaret, o que fariam com Aodh, Vanessa e Katherine...

Ela penteou os longos cabelos louros, sentindo o cheiro de colônia de Damon impregnado em sua pele clara. Era delicioso, reconfortante, tranquilizador. Eles estavam juntos novamente, como sempre devia ter sido. Ela pertencia a ele, como Damon sempre dissera. Lutar contra aquilo era como lutar contra respirar.

A loura estava tão calma, tão serena e tranquila. Não havia razões para estar daquela forma, ela sabia, mas a atmosfera que partilhara com Damon ainda mantinha-se em sua mente. Ela sabia que o medo, a angústia, o desespero e a tensão ainda estavam ali, mas estavam em algum canto remoto demais de sua mente para que estragassem seu momento de paz interior. Só faltava Margaret ao seu lado para que sua vida voltasse à perfeição.

Ela fechou os olhos, suspirando longamente. Aquele dia seria diferente dos demais, ela sentia isso. Não sabia se seria diferente de um modo ruim ou diferente de um modo bom, mas ela apenas queria que toda aquela confusão acabasse logo. Elena desejava voltar a ser a garota normal que só se preocupava com os estudos.

Claro que nem tudo seria completamente normal. Ela namorava um vampiro, isso já era bastante anormal, mas era apenas um detalhe. Não importava o que Damon fosse, ela sempre ficaria com ele. Era por quem ele era e não pelo quê ele era.

Ela desceu as escadas em espiral que levavam até a torre onde ficava o quarto de Damon, chegando ao corredor. Não devia ser muito tarde, mas os vampiros estavam trancados em seus respectivos quartos. Talvez por não gostarem de socializar com os outros, talvez por que não quisessem atrapalhar os outros vampiros conversando no andar de baixo. Ela não sabia e não pretendia saber. Estava bem sem ser a curiosa por enquanto.

As vozes conhecidas de Bonnie e Damon estavam mais elevadas do que as demais. Pareciam brigar. As sobrancelhas douradas de Elena uniram-se de confusão, por que estavam discutindo agora?

-Eu não entendo você!

A voz de Bonnie parecia ressentida.

-Eu não me recordo de ter pedido para que entendesse.

-Mas você voltou com ela? Por quê?

Ah, agora sim a loura entendia. Estavam falando dela. Bonnie estava reclamando dela, para variar a situação. Por que ela e a ruiva não conseguiam mais ter uma simples conversa civilizada?

-Não é da sua conta o que eu faço ou não. –ela podia ver Damon revirando seus olhos negros. –Agora pare com isso, não devo satisfações nem a você e nem a ninguém sobre o que eu faço ou deixo de fazer.

A garota desceu as escadas lentamente, fazendo barulho de propósito para que vissem que ela estava descendo. Na verdade, para que os humanos ouvissem, já que ela tinha certeza absoluta de que os vampiros podiam ouvi-la.

-Bom-dia, Elena. –Damon surgiu ao pé da escada, esboçando um sorriso encantador para a jovem.

Ela retribuiu o sorriso, pegando a mão que ele estendia para ela prontamente.

-É um ótimo dia, Damon.

Ele a puxou para seus braços, colocando um braço em volta da garota com naturalidade depois de dar um selinho na garota.

-Eles começam cedo, não é? –a voz de Keroll era repleta de malícia, fazendo a loura corar.

-Quieta Keroll. –Vicky a repreendeu, não podendo conter uma risada. –Está constrangendo Elena falando de sua privacidade com Damon.

A morena revirou os olhos castanhos.

-Que privacidade há em casa repleta de vampiros?

-Consegui!

O grito de Denise atraiu a atenção de todos.

-Eu achei, eu achei, eu achei! –a loura pulava perto de uma mesinha. –Era tão óbvio, onde eu estava com a cabeça quando não percebi?

-Denise? Você está bem ou... Sei lá. Precisamos chamar um especialista? –Vicky aproximou-se da outra loura.

-Eu achei Stefan. –disse vitoriosa. –Não consegui localizar Margaret. –ela virou-se para a outra loura. –Desculpe-me Elena, mas está mesmo difícil. Em compensação, achei o irmão de Damon, e misteriosamente ele está em uma floresta considerada proibida.

-O que Stefan faz em uma floresta? –Elena parecia confusa.

-Vai ver voltou a caçar coelhos indefesos. –Damon deu de ombros. –Ele não interessa tanto. Por que não consegue encontrar Margaret?

-Alguma coisa me bloqueia quando tento. E por mais estranho que pareça, eu me sinto em perigo aqui.
Vicky colocou seus braços em volta dos ombros da loura.

-Estamos em perigo sim Denise, mas não aqui. Estamos seguras.

A garota fez uma careta balançando a cabeça negativamente.

-Não estamos seguras. Há algo errado, muito errado. Eu fico sentindo essas coisas, essas sensações de que estamos correndo um perigo sério. Como se algo muito ruim estivesse muito perto de mim.

-O que quer dizer, Dê? –Damon encarou a garota.

-Quero dizer que tem alguma coisa estranha aqui, é só. Alguma coisa estranha em...

Ela parou, mordendo o lábio em dúvida.

-Alguma coisa estranha em... –Elena insistiu.

Ela encarou as amigas, em seguida Damon e Elena.

-Alguma coisa estranha em Ryan.

O silêncio estabeleceu-se entre eles. Era meio estranho acreditar que a ameaça fosse um humano atrapalhado.

-Em Ryan? –as sobrancelhas de Keroll uniram-se. –Por que Ryan?

-Por que ele está esquisito desde que foi ao carro pegar aquele CD. Eu sinto arrepios sempre que ele está por perto, eu sinto perigo quando ele está perto de mim.

Pensando bem, Elena também lembrava-se que havia se sentido estranha perto de Ryan. Alguma coisa no modo como ele falara com ela, no modo como olhara para ela. A loura perdeu-se em meio a seus pensamentos, ignorando o falatório dos vampiros e das bruxas a seu redor. Precisava lembrar-se de cada palavra daquela conversa. Havia algo importante que ela deixara escapar. Algo que Damon havia mencionado antes para Vicky...

Foi como um estalo na mente de Elena quando ela recordou-se do detalhe que deixara escapar. Ryan dizendo que conhecia Damon... Ele dera a entender algo mais com aquele olhar enigmático e aquele sorrisinho cínico. Ele dera a entender que conhecia Damon bem demais, conhecia Damon muito mais do que Damon se autoconhecia...

-Oh, meu Deus! –os olhos azuis da loura arregalaram-se enquanto a boca escancarava-se. –Ryan é Aodh!

Continua...


Última edição por Keroll Salvatore em Seg Jul 16, 2012 9:01 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Sab Jun 30, 2012 2:30 pm

Mais um capt gente, desculpem pela demora!
Capt dedicado à Denise, Paty, Jady, Vaanny e Elisa, que foram tão pacientes com minha falta de criatividade. Espero q gostem meninas, beijão!
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Re: Love Never Dies

Mensagem por Keroll Salvatore em Seg Jul 16, 2012 8:50 pm

Capítulo 59- Making Decisions
Tomando Decisões





Os cabelos pretos e ondulados de Stefan pingavam suavemente enquanto as gotas tímidas da chuva caiam sobre ele. Estava parado no mesmo lugar desde que Miriam havia saído.

Sua cabeça era uma torrente interminável da mais profunda confusão. Achara que depois de contar a verdade para Miriam tudo se resolveria, ele sentiria-se mais leve, mais feliz em saber que não a estava mais enganando. Mas tudo saíra errado, completamente errado!

A ruiva agora o odiava, coisa que ele não desejava. Ela era doce, determinada, bela. Tudo o que qualquer homem iria querer, e ainda sentiria-se grato e honrado por tê-la a seu lado. Mas ele não mandava em seu coração, fora por esse exato motivo que apaixonou-se por Katherine há meio século atrás. Ele não escolhia a quem iria entregar seu coração, apenas acontecia.

E acima de tudo, Stefan não era do tipo que se apaixonava e desapaixonava tão rapidamente. Ele amava Elena, isso não mudaria. Não mudaria pelo simples motivo de ela valer a pena. Cada sorriso, cada olhar, cada gesto. Tudo isso mantinha Stefan perdidamente apaixonado pela loura.

Tudo, absolutamente tudo o que ela fazia, para ele, era incrível e especial. O modo como os cabelos louros caíam delicadamente em sua face angelical, os lábios rosados que ela mordia levemente quando estava em dúvida ou quando relutava em dizer alguma coisa, os olhos azuis tão profundos que variavam para um violeta adorável... Tudo nela atraía Stefan.
Ele suspirou, mexendo-se pela primeira vez.

Não adiantava lamentar-se por Miriam e lembrar-se de Elena. Ele ainda tinha que salvar as garotas. Elas dependiam dele, mesmo que ele estivesse sendo um idiota novamente. Seu plano precisava funcionar, era a única maneira de encontrar a redenção. Precisava devolver a vida que fora tomada de Miriam e de Margaret. Tinha que libertá-las.

O moreno abaixou a cabeça suspirando, caminhando a passos lentos para onde Margaret deveria estar. As botas que o rapaz usava faziam barulho quando tocavam as folhas mortas caídas no chão sujo. Por mais difícil que fosse encarar Miriam depois de tudo, precisava manter-se firme.

Stefan avistou Margaret encolhida num canto, a chuva molhava a garotinha lentamente enquanto ela espirrava. Era até crueldade deixá-la daquele jeito ao relento! Ela era apenas um bebê, será que Vanessa não compreendia isso?

Ele suspirou, aproximando-se da garotinha.

-Tudo bem, Margaret?

Certo, ele sabia que aquela pergunta era estúpida. Era lógico que não estava nada bem com ela, mas ainda assim, fora a única coisa que aparecera em sua mente naquele momento.

-Tudo. –a menina fez um biquinho. –Quando o Aodh volta tio Stef? Eu quero falar com ele.

Os olhos verdes de Stefan a encararam. Não estava surpreso pela pergunta. Margaret perguntava bastante por Aodh desde que Stefan havia chegado. Havia algo muito estranho naquela simpatia que Margaret sentia pelo rapaz, mas Stefan não se importava de fato. Apenas sentia uma leve irritação por aquela situação estranha. Se aquele Aodh era tão poderoso, e tão amigo de Margaret, por que a deixara para morrer?

-Margaret... –ele suspirou, sem saber o que dizer. –Você entende que ele foi embora por que quis, não entende?

Ela o encarou com seus grandes olhos azuis. Os cabelos louros e compridos caiam delicadamente até os ombros, e embora desgrenhados, ainda traziam certa beleza inocente à menina. Ela parecia uma bonequinha, doce, frágil, delicada. Como alguém poderia sequer cogitar a ideia de machucá-la?

-Ele vai voltar. –disse convicta, enquanto Stefan via seus olhinhos enxerem-se de lágrimas. –Eu sei que ele vai...

O moreno sentiu seu coração despedaçar-se com aquela cena. Ela sabia, em seu íntimo, que era improvável que Aodh voltasse, mas ainda assim tinha esperança de que o garoto voltasse para salvá-la, ou no mínimo, conversar com ela.

O vampiro abaixou-se, tomando a pequena criança em seus braços, envolvendo-a em um abraço protetor e reconfortante. O sequestro de Margaret não era exatamente sua culpa, mas ele sentia que precisava salvar aquela criança mais do que salvar a si mesmo. Ela era diferente, era especial. Não apenas por ser a irmã caçula de Elena, mas por que aquela criança tinha algo que atraia as pessoas de um jeito bom para ela.

As pequenas mãozinhas foram até o pescoço de Stefan, dando leves tapinhas.

-Tudo bem tio Stefan, tudo bem.

Ele sentiu como se naquele momento fosse ela quem o estivesse reconfortando de alguma maneira. Stefan apertou a menina contra si, suspirando profundamente.

-Eu vou salvar você Margaret, e tudo isso não passará de um pesadelo, eu prometo. –ele acariciou os fios dourados e lisos da garotinha.

-Eu sei tio. –a menina deu um leve sorriso. –Você e o tio Damon são os melhores tios do mundo inteirinho!

Ela afastou-se gentilmente, pegando o rosto do moreno com as mãos.

-Obrigada tio.

Stefan deu um sorriso para a garotinha. Margaret era tão doce que ele ficava até sem jeito.

-Sabia que o seu tio Damon é meu irmão?

Ela arregalou os olhinhos.

-Irmão? Como eu e Elena? Irmãos mesmo?

O rapaz assentiu brevemente.

-Damon é meu irmão mais velho. Ambos somos da família Salvatore.

-Sério tio? –perguntou ainda encarando-o assombrada. –Tio Damon não me contou que tinha um irmão. Vou brigar com ele quando ele vier me buscar, vou sim. É feio esconder as coisas.

Era impressionante como às vezes ele conseguia esquecer que ela tinha apenas três anos. Margaret era muito esperta, talvez esperta até demais. Ela parecia variar da criança ingênua e infantil para a criança esperta e madura em apenas alguns instantes. Como aquilo era possível?

-Está com frio, pequenina? –perguntou o moreno.

-Tá frio aqui tio Stefan. –Margaret espirrou novamente. –E agora está chovendo... Vou ficar dodói por causa disso. Ah, tio, eu não quero ficar dodói! Tia Judith vai me obrigar a tomar aquele remedinho ruim. Eu não quero tio, não quero...

Stefan assentiu algumas vezes, amaldiçoando-se por não ter trazido um casado ou algo assim. O rapaz trajava apenas uma camisa azul...

Ele suspirou, levantando-se e tirando a camisa rapidamente. Não era grande coisa, mas pelo menos ela ficaria quente.

-Aqui, vista.

Ela o encarou longamente, encarando a camisa em seguida.

-Não tio, você vai ficar todo molhado! –balançou a cabeça.

-Quer ficar dodói, Mag? –arqueou uma sobrancelha, encarando-a.

-Não, não. –balançou a cabeça novamente. –Ficar dodói é ruim. O corpo dói todinho, a cabeça também, e meu nariz fica coçando todo vermelho...

Ele assentiu, entregando a camisa para a criança.

-Agora vista. Vai ficar bem mais aquecida. E vamos tirar você da chuva. Talvez haja uma caverna por aqui, ou no mínimo uma árvore que te proteja.

Os olhos esverdeados de Stefan fixaram-se em Vanessa. O que ela estava fazendo, afinal de contas? Parecia muito focada em alguma coisa, um livro ao que parecia. Coisa boa a garota definitivamente não estava aprontando, mas o quê?

***

-Como é?

Vicky fora a primeira a quebrar o silêncio que se estabelecera na sala.

-Vocês não entenderam? Aodh é Ryan, ou Ryan é Aodh, tanto faz! –Elena tremia dos pés à cabeça enquanto falava.

-Calma minha princesa. –Damon segurou as mãos da garota que tremiam. –Não temos provas.

-A intuição de Denise não é o bastante? Aodh vive dizendo que conhece você, Ryan me disse a mesma coisa, mas é impossível ele conhecê-lo se nunca o viu antes! Como você explica isso? –perguntou aflita. –E Bonnie? Bonnie não conseguiu achar Ryan porque Ryan não está aqui! É Aodh! É ele! E sabe-se lá há quanto tempo ele não está aqui nos vigiando!

-É, faz sentido. –Damon encarou Denise. –O que você acha?

Ela lançou-lhe um olhar frio, controlado.

-Que Ryan está morto e que Aodh tomou seu lugar.

A outra morena bufou, revirando os olhos castanhos enquanto cruzava os braços contra o peito.

-Ora, por favor! Vocês não estão mesmo falando sério, estão? –perguntou descrente. –Aodh ser Ryan? E Ryan estar morto? Não, isso é impossível! Ele estava aqui! Ryan não morreu!

Vicky balançou a cabeça negativamente.

-Não é impossível. Aodh é um metamorfo, lembra-se? Ele pode mudar de forma quando quiser e mantê-la pelo tempo que for preciso. Há uma chance de cinquenta por cento de que Ryan não seja ele mesmo neste exato momento.

A vampira baixinha virou a cara, sem querer ceder.

-Não há como isso acontecer. Ryan é Ryan e ponto. Elena deve ter entendido tudo errado! Ele pode ter dito isso porque ouviu falar de Damon em algum lugar por aí. Não seria o primeiro a julgar que conhece Damon Salvatore!

Elena não acreditava naquilo. Como ela podia ser tão teimosa? Ela acreditava mesmo que a loura inventaria uma coisa tão séria quanto aquela? A vida dela e daqueles que ela mais amava estava em jogo, era lógico que a garota não brincaria com aquilo.

-Keroll, eu sei que gostava de Ryan, mas precisa entender que ele é o perigo agora. –disse quase irritada. –E eu não quero perder mais ninguém que amo, por isso nós precisamos detê-lo imediatamente!

Keroll semicerrou os olhos para a loura, visivelmente irritada.

-Ah é? E supondo que você esteja certa, como vamos fazer isso, gênia? –perguntou cinicamente. –Você por acaso conhece uma maneira de derrotar alguém como ele?

Elena abriu a boca, mas a fechou em seguida. Não, ela não conhecia uma maneira de derrotar alguém como Aodh. Na verdade, não fazia a menor ideia. Mas eles não podiam ficar ali, quietos como se não soubessem de nada! Precisavam agir de alguma forma!

-Não podemos ficar sentados esperando que ele nos mate! –olhou aflita para cada um dos rostos ali. –Ele pode estar tramando nossa morte nesse exato momento! Não podemos ficar sentados!

-Mas é exatamente isso que vamos fazer. –Damon encarou todas as garotas longamente. –Ele sabe onde está Margaret, e eu cansei dessa história idiota que ele vive dizendo de me conhecer. Se for verdade, eu quero saber. É minha vida, eu tenho direito de saber a verdade.

-Nem sempre a verdade ajuda em alguma coisa. –Vicky deu de ombros. –Pode nos matar, você sabe bem disso.

Os olhos escuros do moreno eram sérios.

-Eu sei disso e não estou pedindo que fiquem. É por minha conta e risco que pretendo enfrentá-lo. Não quero colocar a vida de nenhuma de vocês em perigo, estão livres para partir.

As garotas falaram ao mesmo tempo, visivelmente contrariadas com a atitude do vampiro em enfrentar Aodh completamente sozinho.

-Não vem que não tem!

-Nem pensar, você ficou maluco?

-Acha mesmo que vamos te deixar sozinho?

-Eu não vou sair daqui sem você!

-Quer morrer?

O vampiro revirou os olhos. Todas falando ao mesmo tempo, e parecia que pela primeira vez todas concordavam em alguma coisa. Ainda assim, ele não se importava. Não perderia mais nenhuma oportunidade de enfrentar Aodh. Já estava cansado daqueles joguinhos estúpidos. Era a hora de levar a sério, de salvar Margaret, de ter paz e sossego novamente. Para ser franco, Damon não gostava de ser pressionado ou de sentir-se de alguma maneira ameaçado por alguma coisa.

-Eu já falei que vou ficar aqui até aquele nanico aparecer. –rebateu. –Não importa o que digam ou pensem. Se quiserem ficar, fiquem, mas eu não aconselharia.

Keroll encarou o vampiro intensamente.

-Não pode estar falando sério mesmo. Você acredita que Ryan é Aodh?

-Eu não sei mais em que acreditar. –deu de ombros. –Nada é o que parece aqui. De qualquer forma, se estivermos errados, o máximo que poderá acontecer é seu suposto namorado achar que estamos loucos.

-Ele não é meu namorado! –gritou cruzando os braços. –Só não quero que cometam um erro estúpido.

-Pare de fingir que não se importa K. –Denise colocou a mão no ombro da menina. –Todos aqui sabemos que estava apaixonada por Ryan.

A garota se afastou do toque da amiga.

-Apaixonada é uma palavra forte demais. Eu gostava dele. –ela virou o rosto. –Ou gosto. Já que não há como ele ter morrido assim.

-Já chega, está decidido. –Damon continuava sério. –Vicky, Denise, Keroll, Bonnie e Elena, todas vocês vão sair daqui, agora mesmo! E eu não quero ouvir nem uma palavra entenderam? Eu sou o mais velho, portanto quem decide as coisas por aqui sou eu.

-Ah você vai ouvir sim! –Elena bateu o pé com força no chão. –Pare de agir como se fosse invencível! Eu não quero perder você, será que consegue colocar isso em sua cabeça? Eu não vou deixar você, e não há nada que possa fazer sobre isso. É minha decisão.

O rapaz semicerrou os olhos para a loura longamente, indo na direção da garota.

-E acha que sua presença aqui o impedirá de me matar se ele quiser?

-Eu não sei! Mas é melhor que eu esteja aqui do que longe de você! –rebateu.

-Elena, eu não vou conseguir me concentrar em nada se você estiver aqui! Vou ficar preocupado com você, será que consegue entender isso?

Ela virou o rosto, sem querer ceder. A garota sabia que não devia sair do lado do vampiro, mas o que ela podia fazer quando era ele quem a estava mandando embora para qualquer lugar?

-Eu não vou.

Ele segurou o rosto da loura com as mãos, forçando-a a encará-lo. Era igualmente difícil para ele separar-se dela naquele momento, mas era o certo, era o mais prudente. Damon não sabia o que podia acontecer quando desmascarasse Aodh, mas certamente não seria nada de bom. O moreno precisava saber que Elena estava sã e salva, segura com as outras garotas. Se ele não pudesse voltar para protegê-la, ao menos saberia que elas fariam isso por ele.

-Vai sim. Seja uma boa menina e faça o que estou pedindo. –ele a fitou profundamente.

-Não posso...

-Elena. –o vampiro manteve-se firme. –Vá com elas. Eu prometo que encontrarei você depois. Pode ficar tranquila, você não vai se livrar tão fácil assim de mim.

Ela balançou a cabeça negativamente.

-Não faça piada. –repreendeu-o. –Você acabou de prometer que voltaria para mim, não se esqueça disso. Eu vou te odiar muito se você quebrar essa maldita promessa.

Ele deu uma risada baixa, inclinando-se para selar seus lábios suavemente aos da garota.

-Eu juro por seus olhos azuis que volto inteiro para você. –sussurrou contra os lábios dela. –Não se preocupe, não vou demorar.

O beijo era para ser apenas um delicado selinho de despedida, mas Elena entrelaçou seus dedos nos fios macios dos cabelos de Damon, puxando-o para baixo e aprofundando o beijo no moreno. Ela queria sentir a segurança que ele sentia, queria ter certeza de que em breve estariam juntos novamente.

-Eu te amo. –disse quando seus lábios separam-se. –Não se esqueça disso.

O vampiro sorriu para ela, acariciando a bochecha da loura com o polegar.

-Eu nunca vou esquecer. –ele virou-se para as outras. –Agora vão, todas vocês. Eu as encontro em algumas horas.

Vicky balançou a cabeça negativamente.

-Você pode tê-la convencido, mas não me convenceu. Não vou deixar você aqui...

-Por favor, Vicky, eu preciso de alguém que possa assegurar que ela fique segura. –cortou-a. - Eu preciso que todas vocês saiam daqui, agora mesmo.

A garota mordeu o lábio longamente em dúvida, antes de passar os dedos pelos cabelos e assentir algumas vezes.

-Tudo bem, mas se dentro de algumas horas você não aparecer, vamos voltar. Você querendo ou não. –ameaçou.

Ele revirou os olhos negros.

-Adiantaria de alguma coisa se eu argumentasse?

-Não, de jeito nenhum. É pegar ou largar. –a morena rebateu convicta.

-Certo tudo bem. Vocês venceram. Mas agora saiam daqui imediatamente. –ele pegou uma chave no bolso da calça jeans escura. –Aqui, podem pegar a Ferrari, mas, por favor, muito cuidado.

O moreno jogou a chave para Vicky, que a pegou enquanto suspirava. Não, ela não estava completamente convencida de aquele era o melhor plano, mas o que mais podia fazer? Ficar talvez mudasse alguma coisa, talvez não, ela não sabia e talvez nunca soubesse.

Vicky correu até o vampiro, abraçando-o com força.

-Cuide-se. –disse brevemente antes de afastar-se. –Vamos meninas. Temos que dirigir sem rumo durante algum tempo. Aliás, onde nos encontrará? Em...

-Shhh! –Damon cortou-a. - Não me diga para onde vai, esse garoto é um telepata, não quero que use as informações da minha mente para seguir vocês.

-Mas como você vai nos encontrar? –Elena estava novamente apavorada.

O vampiro deu um sorriso doce e reconfortante para a garota.

-Pode deixar comigo Elena, eu darei um jeito em tudo. Agora vão! Não sabemos quando ele vai voltar, então saiam logo daqui e procurem um lugar seguro.

Bonnie e Denise foram as primeiras a passar pela porta, ambas lançando um olhar preocupado para o vampiro enquanto dirigiam-se à Ferrari. Vicky deu uma rápida olhada para Damon, antes de puxar Elena pelo braço para que a garota se juntasse às outras. Keroll deu um suspiro pesado, antes de passar pelo vampiro desejando boa sorte. E então, depois de alguns minutos, ele ouviu o som do motor sumindo rapidamente.

Ele estava sozinho.

***

Os olhos incrivelmente azulados de Jesse avaliaram cuidadosamente cada mísero canto da cidade que avistava do alto. Soaria estranho para qualquer outra pessoa estar em cima de um prédio tão alto apenas olhando para baixo, procurando qualquer pista que o levasse até o garoto que tanto queria encontrar.

Maldição. Por que ele tinha que ser tão esperto assim?

Era óbvio que naquele momento ele não devia estar planejando nada que prestasse. Típico. O Anjo da Morte ainda não tinha total certeza de que compreendia exatamente o que acontecera depois da estadia de Aodh entre os mortais.

Sabia de Safira, entendia por que Aodh ficara tão revoltado e chateado quando tudo acabou, mas ainda assim não conseguia entender como ele pudera distorcer absolutamente tudo o que aprendera com ela. Tudo de bom que ela o havia ensinado ele transformou em motivo para ódio e rancor. Era muito típico dele.

Claro que, era natural, e em parte Jesse sentia-se extremamente culpado. Talvez, se Aodh tivesse tido alguém para lhe ensinar o que era certo ou errado, não teria se tornado um rapaz tão cheio de amargura e ódio. Tinha também o fato de Aodh não ser mais exatamente uma criança, não em idade pelo menos, mas ainda assim, para Jesse, ele era apenas um garotinho.

As histórias que contavam sobre Aodh chegavam a ser absurdas. Alguns diziam que o rapaz tinha milênios de vida, que surgira muito antes da raça humana, mas não era inteiramente verdade. A raça humana já devia existir, ele não sabia ao certo. Mas sim, Aodh já tinha bastante tempo de existência.

E o nome dele era Aodh mesmo, nenhum nome inventado. Como alguém distorcia tanto uma história? Certo, talvez a culpa não fosse exclusivamente de quem as inventou, já que nem Aodh tinha conhecimento de sua história. Era uma das missões de Jesse ali, esclarecer a verdade. Era sua obrigação na verdade. Ele devia isso ao garoto.

-Achou o que está procurando? –Juh estava sentada na borda de concreto do prédio.

-Não. –o ruivo suspirou de frustração. –Nem mesmo um rastro de energia. O garoto é muito esperto, eu admito.

-Ele era muito impaciente, se você quer saber. –ela balançou as pernas. –Mas pelo menos me ajudou a entender essa coisa de morte. Eu não sei bem como isso funciona...

Jesse a encarou longamente. Juliana era uma garota muito bonita e atraente, ele tinha que admitir. Uma pena que tenha tido um fim tão prematuro...

-Ninguém sabe exatamente como a morte funciona. Pelo menos nenhum mortal.

-É injusto, sabe? Existir seres imortais enquanto nós humanos morremos. –ela fez um bico, arrancando uma risada do anjo.

-Tecnicamente nenhum ser deveria ser imortal. Na verdade, no fundo nenhum é. Há sempre alguma maneira de se destruir.

Ela o encarou com seus olhos incrivelmente castanhos.

-Até você?

Ele assentiu, sentando-se ao lado da morena.

-Eu não sou diferente. Vampiros, lobisomens, anjos, demônios, híbridos, bruxas... Todos têm uma fraqueza, basta saber qual é. Vejamos seu grau de conhecimento... Como se mata um vampiro?

A garota ponderou por um tempo. Não sabia exatamente como se matava um vampiro, mas decidiu ir por sua experiência com filmes de terror e livros.

-Vejamos... Água-benta, cruzes, alho, estacas e sol?

Jesse deu uma gargalhada alta, fazendo a garota corar. Ela sabia que devia estar errada.

-Quase. –ele a encarou novamente. –Olhe, primeiro, nada de água-benta, cruzes ou alho. Isso é lenda. E aquela história de vampiros sem reflexo também é puro mito. Estacas de madeira sempre funcionam e o sol também. De fato, eles são amaldiçoados e não podem caminhar à luz do dia, mas sempre têm os mais espertinhos que inventam uma maneira de quebrar as regras. –o ruivo piscou.

-Então... Basicamente, a religião não afeta em nada? –perguntou.

-Não. Cruzes são apenas um símbolo, mas às vezes, se você realmente acredita naquilo, acontece de enfraquecer a criatura que a ataca por tempo. Tempo suficiente para você correr.

-Mas quem foi o idiota que criou essa besteira então? –a garota estava irritada. –Se eu visse um vampiro procuraria uma cruz em qualquer canto! Talvez invadisse até uma igreja! E você está me dizendo que tudo que tem relação com religião, se tratando de vampiros, não surte nenhum efeito?

-Calma Juh! –o anjo riu novamente. –É que durante muitos séculos acreditava-se que vampiros eram demônios vindos das profundezas do inferno, que levantavam da sepultura à noite para sugar o sangue dos vivos, especialmente das donzelas... –ele arqueou a sobrancelha significativamente para ela, fazendo as bochechas da garota assumirem um tom de vermelho-vivo.

A garota virou o rosto, evitando encarar os olhos azulados do homem.

-E então... É muito importante encontrar esse garoto?

-Muito importante. –respondeu escondendo um sorriso.

-E você é amigo dele? –perguntou.

-Digamos que sim.

O silêncio se estabeleceu entre os dois durante alguns minutos.

-Você... Tem... É...

Ele gargalhou novamente pelo evidente constrangimento dela.

-Eu tenho... –incentivou.

-Ah, você sabe... Você e Ammy... Vocês são... –ela passou os dedos pelos cabelos. –Namorados?

Ele a encarou profundamente, vendo como as bochechas dela ficavam vermelhas. Fantasmas podiam corar? Bem, ela era o primeiro fantasma com a qual ele tinha um contato maior. Geralmente ele só encarregava-se de levar as almas, não de conversar com elas.

-Não mesmo. –deu de ombros. –Somos amigos, eu a considero como uma irmã.

-Ela não parece ter o mesmo pensamento. –murmurou.

-Ammy sabe que eu gosto muito dela. De verdade. Mas não poderia acontecer nada entre nós. É complicado.

-Não pode namorar?

Ele ficou quieto durante um longo tempo. Tanto tempo que Juh acreditava que ele nem fosse mais responder à sua pergunta.

-Depende do ponto de vista. –respondeu por fim, deixando a garota confusa.

-Como assim?

Jesse olhou atentamente para Markus e depois para Ammy, vendo como os dois pareciam entretidos brigando.

-Há sempre uma forma de quebrar as regras, Juh. Não que seja certo, mas há certos momentos em que o certo e o errado não importam mais para você. Especialmente quando há algo maior em jogo.

Ele olhou para baixo, vendo as pequenas formas que andavam nas ruas que começavam a ficar movimentadas.

-E é isso que você está fazendo agora? –a garota perguntou hesitante. Era muito bom ter alguém para conversar, ela não queria perder a companhia de Jesse por ser enxerida.

Os olhos azuis do anjo focalizaram-se no rosto dela, como se a analisasse de alguma maneira. Por fim ele suspirou, olhando longamente para frente, sem realmente enxergar nada.

-Durante um tempo eu deixei o certo e o errado para trás. Então depois decidi voltar a ser o anjo exemplar que segue cegamente as regras. E foi assim durante muitos séculos. Tem sido assim, na verdade. Só que eu cansei. Agora eu simplesmente estou dizendo dane-se para o certo e o errado e vou fazer aquilo que eu quero. E se estiverem descontentes com isso, não dou a mínima. Já passou da hora de fazer aquilo que eu sempre soube que precisava fazer.

Ela piscou, surpresa com as palavras dele. Claro que ela não devia estar surpresa. Dava para ver que Jesse era um anjo... Meio rebelde. Não tão rebelde a ponto de rebelar-se de tal forma que fosse um problema gravíssimo, mas a ponto de quebrar certas regras pelo que acreditava. Ela o admirava por isso.

-E isso não pode te trazer problemas? –perguntou realmente preocupada com o ruivo.

Ele deu de ombros, como se não se importasse nem um pouco.

-Não estou nem aí. –o ruivo abriu um sorriso caloroso para a morena. –E você? O que pretende fazer depois de... Sei lá o que você vai fazer.

Juh arqueou a sobrancelha, surpresa pela mudança repentina de assunto.

-Como assim?

-Não sei. Tem algum plano para os séculos seguintes?

Ele estava... Chamando-a de alguma forma para sair? Não. Era estúpido demais da parte dela sequer cogitar essa possibilidade. Ele só estava perguntando por curiosidade.

-Depois de tentar resgatar meu corpo, acho que seus amiguinhos vão me levar para algum plano superior ou sei lá o quê.

Ele assentiu, cruzando os braços musculosos contra o peitoral definido.

-Hmmm... Compreendo. –ele olhou para os anjos que discutiam, depois aproximou-se mais da morena, sussurrando-lhe em um tom conspiratório: -E se eu te dissesse que há uma maneira de você ficar?

Os olhos castanhos de Juliana arregalaram-se enquanto ela virava o rosto para encarar o anjo. Ficar? Como assim ficar? Entre os vivos? Por quê? Pra quê?

Ela confessava que antes, por uma fração de segundo, ficou entusiasmada com a ideia, mas depois lhe pareceu muito vã. Não havia razões para que ela ficasse. Não importava o que ela fizesse, sempre seria um fantasma. Sempre estaria morta. Nada mudaria, sua vida não voltaria para ela.

Roubaram-lhe o direito de ter uma vida normal... E agora era tarde. Ela não tinha nenhum motivo pelo qual ficar.

-Eu achei que sua reação seria diferente. –Jesse arqueou a sobrancelha para a garota. –Achei que você pularia em cima de mim e diria: “Sério? Como isso é possível? Diga-me, por favor!”. Mas parece que me enganei, não é? Ou não?

-Não é isso. Eu fiquei contente... Por um segundo. –ela suspirou. –Mas do que adianta Jesse? Eu ainda estaria morta, nada seria diferente. Ninguém poderia me ver, nunca mais. Eu não poderia falar com meus pais, abraçá-los, tomar chocolate quente com eles... Sentir o frescor do vento em minha pele, o calor do sol em meu rosto... Eu continuaria morta, e francamente não quero ficar aqui eternamente me torturando.

Ele assentiu, dando uma risadinha.

-É o que acontece quando não se presta atenção em nada. –ele a encarou com um sorrisinho cínico pendurado nos lábios. –Juh, do que adiantaria eu dizer que você pode ficar num tom conspiratório se você continuaria morta? Não é quebrar regra nenhuma. Você tem todo o direito de ser uma alma penada se quiser.

Os olhos dela voltavam a arregalar-se lentamente. Então... Ele estava dizendo que...

-Quando eu disse que você podia ficar, me referi a ficar aqui viva. De novo. –ele deu uma piscadela para a garota. –Isso sim é quebrar regras.

-O quê? –a garota sentia seus olhos queimarem. –Está me dizendo que eu posso voltar? Sério? Sem brincadeiras ou piadas?

Jesse assentiu solenemente, dando mais um sorriso caloroso para Juh.

-Como isso é possível? –a garota ainda parecia incrédula.

-Há sempre uma maneira de quebrar as regras, lembre-se disso gracinha.

A garota não pensou duas vezes antes de jogar-se em cima do anjo, derrubando-o enquanto o abraçava com força. Ela estava feliz. Verdadeiramente feliz. Era a primeira vez que tinha esperanças de voltar a ter sua vida novamente... Jesse havia lhe dado um ponto de esperança pelo qual ela estava mais do que disposta a lutar.

Finalmente conseguia sentir-se quase normal de novo! Sua mente já estava adaptada à sua nova forma. Ainda era difícil, mas era bem mais natural.

-Ah Jesse, obrigada, obrigada, obrigada! –ela distribuía beijos pelas bochechas do rapaz, fazendo-o rir.

-Calma Juh! Desse jeito vão desconfiar. –sussurrou. –Vai ser o nosso segredinho, tudo bem? Eu só preciso achar Aodh, resolver umas coisas e pronto, eu ajudo você. Agora saia de cima de mim antes que Ammy note e acabe com seus sonhos, fantasminha.

A garota assentiu, libertando Jesse.

-Obrigada. –sussurrou para ele. –De verdade.

-Eu sou um anjo, baby. –o ruivo piscou novamente.

De repente, ele levantou, ficando tenso em seguida enquanto semicerrava os olhos azul-escuros. Será possível que ele tinha sentido alguma coisa? Um rastro forte de energia? Não, não podia ser... Mas sim, era verdade, ele via realmente alguma coisa. Era intenso, mas ao mesmo tempo era fraco, escondido sob uma ótima camuflagem.

-Achei você. –Jesse deu um meio sorriso.

Continua...
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